Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!
Caros irmãos e irmãs, mais uma vez, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nosso itinerário na companhia do santo padre Bento XVI chega hoje ao padroeiro da Europa: S. Bento de Núrsia (480-574), pai do monarquismo ocidental [1].
O Papa Bento XVI, nesta catequese, nos diz o seguinte: “Em todo o segundo livro dos Diálogos Gregório ilustra-nos como a vida de São Bento estivesse imersa numa atmosfera de oração, fundamento portante da sua existência. Sem oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na agitação e na confusão do seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e precisamente assim nunca perdeu de vista os deveres da vida quotidiana e o homem com as suas necessidades concretas. Ao ver Deus compreendeu a realidade do homem e a sua missão”.
Percebo, aqui, três coisas muito importantes para nós, cristãos do século XXI: a oração, lugar da experiência de Deus,
como fundamento da existência; a perfeita noção da realidade que se dá no relacionamento com Deus; e a ação que brota da relação com Deus.
Brevemente, precisamos notar que S. Bento, para fundamentar sua vida em Deus, rezava. A oração é o exercício da fé. Quem reza, está pessoalmente se relacionando com Deus. E a oração cristã é caracterizada sobretudo pela escuta. Mais que pedir, apresentar a Deus nossas necessidades (que também é oração, claro), quando nos colocamos diante de Deus, precisamos ouvir Sua voz para discernir o que é justo e bom e agir bem – “seja feita a vossa vontade”… Fundamentar a vida em Deus é fazer Sua vontade.
Diferentemente do que se diz por aí, relacionar-se com Deus (rezar) não tira o cristão da realidade, não o aliena, pelo contrário, fixa-o no mundo. Deus, como fundamento da realidade, não tira nossos pés do chão. Se verdadeiramente mergulhamos em Deus, mergulhamos no real. Além das ideologias e dos sistemas de pensamento, é Deus quem nos mostra a realidade em sua medida e proporção. Podemos questionar a qualidade da oração, mas não afirmar que estar em Deus aliena. Seria ridículo.
Por fim, se fundamentar a vida em Deus é ter, de fato, acesso à realidade, então é assim que se funda o bem viver. Seria um contrassenso afirmar que viver no bem e na verdade é fácil. Todos somos vocacionados ao Bem, à Verdade. O que, então, nos dá força para não desistirmos no meio do caminho? Deus. Pode até ser que esperanças imanentes nos ponham a caminho. Mas elas não são capazes de nos fazer perseverar. Se nosso Senhor, que habita em nós pelo Espírito Santo, não for nossa meta, no meio do caminho o desânimo nos vencerá. Em outras palavras, não cumpriremos nossa missão. Sem Sua Graça, não perseveraremos no caminho de fé, esperança e caridade.
Que S. Bento e Maria santíssima nos sirvam de exemplos de pessoas profundamente voltadas para Deus e, por isso, profundamente conscientes da realidade circundante e de sua missão.
Fraterno abraço a todos e até a próxima!
[1] BENTO XVI. São Bento de Núrsia. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080409_po.html>.
















