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LA PENTECOSTE, FESTA DELLA NOVITÀ CRISTIANA

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Dai discorsi di Sant’Agostino, vescovo (272/B, 1).

Ritengo che voi, carissimi, ben sappiate che oggi la Chiesa celebra la discesa dello Spirito Santo. Il Signore infatti aveva promesso ai suoi apostoli che avrebbe mandato loro lo Spirito [1], e in conformità con la sua attendibilissima parola, egli adempì la promessa. E se la resurrezione del Signore rafforzò nei seguaci la fede nella divinità di colui che si fece uomo per la nostra salvezza, ancor più questo fece la sua ascensione al cielo, e raggiunse la pienezza e la perfezione con il dono dello Spirito Santo, che egli mandò [dal cielo] e riempì i discepoli. Diventati otri nuovi, essi poterono contenere il vino nuovo [2]; e per questo motivo, siccome parlavano in [diverse] lingue, si disse che erano ubriachi e pieni di vino nuovo [3]Le parole degli ascoltatori furono testimonianza dell’affermazione del Signore, riferita dalla Scrittura, che aveva detto: Nessuno mette il vino nuovo in otri vecchi [4]Ora per questi otri nuovi egli stava preparando il vino nuovo. Essi furono otri Sant_Agostino_AKvecchi finché nei riguardi di Cristo ebbero opinioni carnali. Nell’ambito di ” otre vecchio ” rientrava quell’espressione che l’apostolo Pietro in preda al timore per la morte di Cristo ebbe a pronunciare pensando che egli sarebbe finito come tutti gli altri uomini. A lui però il Signore replicò: Va’ lontano da me, satana! Tu mi sei di scandalo [5]Questa riluttanza di Pietro faceva parte della sua condizione di otre vecchio; ma ecco che il Signore risuscitò e si mostrò ai discepoli. Essi toccarono ciò che nel pianto avevano visto pendere dalla croce [6]: erano davanti ai loro occhi vive quelle membra che piangendo avevano viste morte e sepolte. Furono fortificati nella fede e credettero in lui. Poi ecco che egli ascende in cielo e comanda loro di riunirsi in un unico luogo e lì aspettare fino a quando non avesse inviato loro quel che aveva promesso [7]. Si radunarono dunque in un luogo e pregando attesero il compimento della promessa. In tal modo deposero l’antico e si rivestirono del nuovo [8]. Divenuti capaci [del dono divino], essi il giorno della Pentecoste ricevettero lo Spirito Santo. Ecco il motivo per cui noi celebriamo il grande mistero odierno e facciamo festa in questo giorno celeberrimo. Vogliate pertanto considerare, santi fratelli, il grande accordo esistente fra le Scritture del vecchio e del nuovo Testamento. Nel primo la grazia veniva promessa, nel secondo è data; nel primo era simboleggiata, nel secondo raggiunge la completa pienezza. Vien da pensare a un artefice che intende costruire delle figure con un metallo, ad esempio con il bronzo o l’argento. Prima della fusione compone la forma in cera, e questa prima composizione provvisoria diventa un passaggio per la necessaria forma definitiva: l’artista cioè compone quelle prime forme per poi riempirle. Allo stesso modo il Signore disegnò tutto in forme figurative e le diede al popolo nel vecchio Testamento, ma poi svuotò quelle forme e nel darle al nuovo popolo, le riempì con una perfettissima infusione. Vogliate dunque, santi fratelli, considerare con un’attenzione un po’ più impegnata quali sono state le antiche forme rappresentative e quale la loro realizzazione nel giorno della Pentecoste. Vale la pena considerarle con attenzione. Si apprende con frutto più abbondante quella parola che si ascolta con attenzione particolare. Siate anche voi, è evidente, degli otri nuovi per poter contenere il vino nuovo a voi servito dal nostro ministero.

 

[1] Cf. Gv 14, 16; 15, 26; 16, 7 (Lc 24, 49).

[2] Cf. Lc 5, 38 (Mt 9, 17; Mc 2, 22).

[3] At 2, 13.

[4] Lc 5, 37 (Mc 2, 22).

[5] Mt 16, 23.

[6] Cf. Lc 24, 39.

[7] Cf. Lc 24, 49 (At 1, 4).

[8] Cf. Col 3, 9-10 (Ef 4, 22-24).

 

Fonte: https://www.augustinus.it/italiano/discorsi/discorso_596_testo.htm

A UNIDADE DA IGREJA FALA TODAS AS LÍNGUAS

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Dos Sermões de um Autor africano anônimo, do século VI.

Os apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que o tivesse recebido, falasse em todas as línguas. Devemos compreender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas. Se por acaso alguém nos disser: “Recebeste o Espírito Santo; por que não falas pentecoste2em todas as línguas?” devemos responder: “Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que sua Igreja haveria de falar em todas as lín­guas?”

Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometi­do: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38).

Por isso, quando ouviram os apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13). Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas. E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futura Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos.

Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo. E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorpo­rados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro. Esta Igreja ele reconhece como sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra.

É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras: Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3). Reparai como, ao lembrar o preceito de nos supor­tarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz.

Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre seus filhos.

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – P. Lucas, scj

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Pentecoste

Caros irmãos, o Tempo Pascal chega a seu fim e a Páscoa de Cristo se completa com o mistério de Pentecostes que celebramos neste domingo. A liturgia desta solenidade nos propõe, então, a manifestação do Ressuscitado aos Doze, na qual Jesus sopra sobre eles e diz “recebei o Espírito Santo” (cf. Jo 20,19-23). Roguemos, com confiança, a nosso Senhor que renove em nós a graça que recebemos no Batismo e na Confirmação.

Celebrar Pentecostes não é recordar um acontecimento passado, mas dar-se conta de uma realidade presente. Diz nosso Catecismo: “Pela sua vinda, que não cessará jamais, o Espírito Santo faz entrar o mundo nos «últimos tempos», no tempo da Igreja, no Reino já herdado mas ainda não consumado” [1]. Ou seja, celebramos hoje um dom permanente: o Paráclito vem sempre a nós. De fato, sendo o Espírito a alma da Igreja, se Sua vinda cessasse em algum momento, ela se tornaria como um corpo morto, um cadáver. Mas, como Corpo místico de Cristo, ela é viva e sempre jovem, animada pela potência de tão magnífico dom. E nós somos parte desse corpo.

Este divino dom nos é dado no Batismo, cuja graça é aperfeiçoada e consumada pela Confirmação. Dessa forma, a vinda do Espírito Santo a nós também é contínuo. Isso significa que a graça desses sacramentos não se restringe a momentos particulares da nossa vida, mas, sim, nos dá a permanente presença e ação de Deus. Por isso, o Espírito é chamado “doce Hóspede da alma”: habitando em nós, Ele nos dá a vida divina e nos coloca em comunhão com Cristo, por quem e em quem glorificamos o Pai. Busquemos, então, corresponder ao dom de Deus renovando esta graça através da confissão sincera, da oração frequente e da piedosa comunhão eucarística.

Que a bem-aventurada e sempre virgem Maria e S. José, seu castíssimo esposo, intercedam por nós a fim de que vivamos permanentemente como Cenáculos.

 

Regina Cæli, lætare, alleluia;
Quia quem meruisti portare, alleluia;
Resurrexit, sicut dixit, alleluia;
Ora pro nobis Deum, alleluia.

 

[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 732 (destaque nosso).

Solenidade de Pentecostes: Jo 20,19-23 – Pentecostes: o parto da Igreja

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Por Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

A Solenidade de Pentecostes marca profundamente a vida da Igreja pois representa o elo entre os dois momentos fundamentais e inseparáveis da sua história. Se durante a vida pública de Jesus a Igreja foi gerada pela força da sua palavra, os discípulos foram chamados a estar com Ele e serem enviados em missão, o primado de Pedro foi anunciado, e inauguravam-se os sacramentos do Batismo e da Eucaristia, o Pentecostes representa o momento do parto da Igreja, uma Igreja que vem à luz, pela força do Espírito Santo, para ser também ela luz para o mundo.

A Igreja enquanto peregrina nesse mundo, vive a tensão entre o ser gerada e o vir à luz. Os cinquenta dias do tempo da Páscoa condessam, de modo mistagógico e didático na liturgia, essa experiência permanente da comunidade do Crucificado que está vivo. Na festa da Ascensão do Senhor ouvimos que Jesus passou 40 dias com os discípulos, instruindo-os sobre o Reino de Deus (cf. At 1,3), a fim de que revestidos pela força do alto partissem do útero onde foram gerados para o mundo ao qual iriam ser enviados.

O evangelho de hoje nos apresenta esse necessário e difícil momento de parto da comunidade. Estamos no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor, mas é noite e as portas estão trancadas.  Talvez para os discípulos, encerrados naquela casa e protegidos de tudo aquilo que poderia representar perigo externo, permanecer ali seria a situação mais confortável. Se fosse possível perguntar a uma criança que se encontra ainda no ventre da mãe, bem acomodada ao seu pequeno mundo onde foi gerada e onde encontra toda a segurança, se ela desejaria sair dali, certamente a resposta seria negativa. Ainda que permanecesse na escuridão do interior da barriga da mãe, por não conhecer a luz, preferiria viver ali para sempre. Assim também a Igreja que se acomoda à vida ad intra, acomodada ao seu útero, onde recebe o necessário para a sua subsistência, mas está privada de um horizonte que se descortina apenas quando acontece o parto, quando vem à luz para realizar a sua missão de luz do mundo.

Ao anoitecer daquele primeiro dia, Jesus não entrou apenas num lugar físico onde os discípulos estavam, mas penetrou no útero onde a Igreja que ele gerou, aguardava o momento do parto, cujos trabalhos já se iniciaram com a sua morte e ressurreição; rompendo as barreiras do medo e da incredulidade, provoca o nascimento daqueles que Ele gerara com amor aos extremos (cf. Jo 13,1s). Tendo atravessado os momentos de angústia e sofrimento, próprios da mulher que estar para dar à luz (cf. Jo 16,21), o Ressuscitado anuncia que é hora de nascer, pois a paz foi alcançada: “A paz esteja conosco”. Mas se o parto provoca dor e sofrimento deixando marcas de sangue: “Mostrou-lhes as mãos e o lado”, dar a vida causa alegria indescritível e permanente: “Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor”.

Contudo, essa alegria só será plena à medida que se abandona o útero e se entra no mundo para testemunhar a força da vida, que não pode ser destruída pela morte e, ao mesmo tempo, apontar para a fonte da vida, o Pai que garante essa vida em plenitude: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio”.

Pois assim como tudo começou com o sopro de Deus, podemos dizer o primeiro parto da criação: “No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,1s). Agora, o segundo e definitivo parto da criação acontece com o mesmo sopro de Deus: “Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo”. Se das trevas primordiais tudo foi chamado à luz, a primeira criatura de Deus, na nova criação os seus primeiros filhos são chamados a sair da escuridão (o primeiro dia anoitecido) para o encontro com a luz que não se apaga, o Primogênito dos mortos, a luz que vindo ao mundo ilumina todo homem, pois é vida (Jo 1,9).

A celebração de Pentecostes não é festejar a Terceira Pessoa Divina, como se fosse um protetor paroquial, a quem damos louvores e prestamos homenagem. Celebrar Pentecostes é deixar-se conduzir à sala de parto pelo vento impetuoso, o Espírito que foi derramado em nossos corações, o Espírito que provoca o nascimento constante, impedindo aprisionamento a situações cômodas. O sopro divino rompe toda a passividade espiritualista e nos expulsa do útero da nossa autorrefencialidade, que nos atrofia e, consequentemente, nos aborta, e leva-nos para o mundo necessitado de luz, da verdade do evangelho que liberta e nos reconcilia com o Pai: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”; de modo misterioso, somos comprometidos  com a salvação do mundo: “A quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Portanto, quem foi gerado pelo Espírito ou nasce ou é abortado, dentro do útero ninguém pode permanecer para sempre. O útero é fundamental para a vida ser gerada, mas torna-se pequeno para a vida alcançar sua plenitude. A missão será o grande testemunho de que Deus, de fato, nos gerou no seu Filho e nos fez vir à luz pelo seu Espírito.

 

Fonte: https://www.dehonianosbre.org.br/homilias/solenidade-de-pentecostes–jo-20-19-23–pentecostes–o-parto-da-igreja

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO PROMOVIDO PELO PARTIDO POPULAR EUROPEU

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Caros irmãos, no dia em que o Santo Padre, Papa emérito Bento XVI, completa 43 anos de ordenação episcopal, rendemos nossa homenagem, além de nossa agradecida oração a Deus, Senhor do tempo e da história, compartilhando o seu discurso, como segue:

Papa Bento XVI

Ilustres Parlamentares
Senhoras e Senhores!

Sinto-me feliz em receber-vos por ocasião dos Dias de Estudo sobre a Europa organizados pelo vosso grupo parlamentar. Os Pontífices Romanos prestaram sempre uma especial atenção a este Continente. Por conseguinte, a audiência de hoje é oportuna e insere-se numa longa série de encontros entre os meus predecessores e os movimentos políticos de inspiração cristã. Agradeço ao Deputado Pöttering as palavras que me dirigiu em vosso nome e manifesto-lhe, assim como a todos vós, as minhas cordiais saudações.

Atualmente a Europa deve enfrentar questões complexas de grande importância, como o crescimento e o desenvolvimento da integração europeia, a definição cada vez mais completa da política de proximidade no seio da União e o debate do seu modelo social. Para alcançar estes objetivos, será importante inspirar-se, com fidelidade criativa, na herança cristã que contribuiu de modo particular para forjar a identidade deste continente. Valorizando as suas raízes cristãs, a Europa será capaz de oferecer uma orientação segura às opções dos seus cidadãos e das suas populações, fortalecendo a sua consciência de pertencer a uma civilização comum, e alimentará o compromisso de todos para enfrentar os desafios do presente para o bem e para um futuro melhor.

Portanto, aprecio o reconhecimento, da parte do vosso grupo, da herança cristã da Europa que oferece orientações éticas preciosas para a busca de um modelo social que satisfaça adequadamente as exigências de uma economia já globalizada e responda às mudanças demográficas, garantindo crescimento e progresso, tutela da família, iguais oportunidades na instrução dos jovens e solicitude pelos pobres.

Além disso, o vosso apoio à herança cristã pode contribuir de modo significativo para derrubar aquela cultura tão difundida na Europa que limita na esfera privada e subjetiva a manifestação das próprias convicções religiosas. As políticas elaboradas partindo desta base não só implicam o repúdio do papel público do cristianismo, mas, mais em geral, excluem o compromisso com a tradição religiosa da Europa, que é tão clara apesar das suas variedades confessionais, ameaçando desta forma a própria democracia, cujo vigor depende dos valores que promove (cf. Evangelium vitae, 70). A partir do momento que esta tradição, precisamente no que podemos definir a sua união polifônica, transmite valores que são fundamentais para o bem da sociedade, a União Europeia só pode receber um enriquecimento do compromisso com ela. Seria um sinal de imaturidade, ou até de debilidade, optar por se opor a ela ou por ignorá-la, em vez de dialogar com ela. Neste contexto, é necessário reconhecer que uma certa intransigência secular demonstra ser inimiga da tolerância e de uma visão sadia da sociedade. Portanto, sinto-me feliz pelo facto de o tratado constitucional da União Europeia prever uma relação estruturada e permanente com as comunidades religiosas, reconhecendo-lhes a sua identidade e o seu contributo específico.

Sobretudo, tenho esperança de que a realização eficaz e correta deste relacionamento comece agora, com a cooperação de todos os movimentos políticos independentemente das suas orientações. É preciso não esquecer que, quando as Igrejas ou comunidades eclesiais intervêm no debate público, manifestando dúvidas ou recordando certos princípios, com isso constitui uma forma de intolerância ou uma interferência porque tais intervenções são unicamente destinadas a iluminar as consciências, permitindo que elas se movam livre e responsavelmente segundo as exigências autênticas de justiça, mesmo quando isso pudesse entrar em conflito com situações de poder e com interesses pessoais.

No que se refere à Igreja Católica, o interesse principal das suas intervenções no campo público é a tutela e a promoção da dignidade da pessoa e, por conseguinte, ela chama conscientemente a uma particular atenção aos princípios que não são negociáveis. Entre eles, hoje emergem os seguintes:

  • tutela da vida em todas as suas fases, desde o primeiro momento da concepção até à morte natural;
  • reconhecimento e promoção da estrutura natural da família, como união entre um homem e uma mulher baseada no matrimônio, e a sua defesa das tentativas de a tornar juridicamente equivalente a formas de uniões que, na realidade, a danificam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter particular e o seu papel social insubstituível;
  • tutela do direito dos pais de educar os próprios filhos.

Estes princípios não são verdades de fé mesmo se recebem ulterior luz e confirmação da fé. Eles estão inscritos na natureza humana e, portanto, são comuns a toda a humanidade. A ação da Igreja de os promover não assume, por conseguinte, um carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, prescindindo da sua filiação religiosa. Ao contrário, esta ação é tanto mais necessária quanto mais estes princípios forem negados ou mal compreendidos porque isto constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma grave ferida infligida à própria justiça.

Queridos amigos, ao exortar-vos a ser testemunhas críveis e coerentes destas verdades fundamentais através da vossa atividade política e mais basilarmente através do vosso compromisso de levar uma vida autêntica e coerente, invoco sobre vós e sobre a vossa obra a permanente assistência de Deus, em cujo nome concedo a minha Bênção Apostólica a vós e a quantos vos acompanham.

 

Fonte: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2006/march/documents/hf_ben-xvi_spe_20060330_eu-parliamentarians.html

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

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Do Tratado Sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo.

Qual o homem que, ao ouvir os nomes com os quais é designado o Espírito Santo, não eleva seu ânimo e o seu pensamento para a natureza divina? É chamado Espírito de Deus, Espírito da verdade que procede do Pai, Espírito de retidão, Espírito principal e, como nome próprio e peculiar, Espírito Santo.

Volta-se para ele o olhar de todos os que buscam a santificação; para ele tende a aspiração de todos os que vivem segundo a virtude; é o seu sopro que os revigora e reanima para atingirem o fim natural e próprio para que foram feitos.

Ele é fonte da santidade e luz da inteligência; é ele que dá, de si mesmo, uma certa Espírito Santo - Vaticanoiluminação à nossa razão natural para que encontre a verdade.

Inacessível por sua natureza, torna-se acessível por sua bondade. Enche tudo com o seu poder, mas comunica-se apenas aos que são dignos; não a todos na mesma medida, mas distribuindo os seus dons em proporção da fé. Simples na essência, múltiplo nas manifestações do seu poder, está presente por inteiro em cada um, sem deixar de estar todo em todo lugar. Reparte-se e não sofre diminuição. Todos dele participam e permanece íntegro, à semelhança dos raios do sol que fazem sentir a cada um a sua luz benéfica como se fosse para ele só, e contudo iluminam a terra e o mar e se difundem pelo espaço.

Assim é também o Espírito Santo: está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo, como se estivesse nele só, e, não obstante, dá a todos a totalidade da graça de que necessitam. Os que participam do Espírito recebem os seus dons na medida em que o permite a disposição de cada um, mas não na medida do poder do mesmo Espírito.

Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo.

E como os corpos límpidos e transparentes, sob a ação da luz, se tornam também extraordinariamente brilhantes e irradiam um novo fulgor, da mesma forma também as almas que recebem o Espírito e são por ele iluminadas tornam-se espirituais e irradiam sobre os outros a graça que lhes foi dada.

Dele procede a previsão do futuro, a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a participação na vida do céu, a companhia dos coros dos anjos. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado.

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR (Ano A) – P. Lucas, scj

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Ascensão

Caros irmãos, neste domingo, celebramos a Solenidade da Ascensão do Senhor, transferida da última quinta-feira. Neste ano A, rezamos com o relato desse mistério segundo S. Mateus (cf. Mt 28,16-20). Peçamos a Jesus, nesta novena de Pentecostes, que nos dê coragem de abrir, ou melhor, escancarar, as portas do coração ao Espírito Santo.

Acontecimento histórico e transcendente, a Ascensão de Jesus, ou seja, a sua exaltação à glória do Pai, nos dá esperança recebermos a vida eterna e sempre feliz dos céus. Em outras palavras, como Igreja, Corpo de Cristo, podemos – e devemos – esperar chegar onde Ele, nossa Cabeça, nos precedeu, levando consigo nossa humanidade. Irmãos, é esta a esperança que não decepciona. Não buscamos um paraíso terrestre: vivemos aqui em terra estrangeira, em peregrinação, rumo à Pátria definitiva. Então, sursum corda! (Corações ao alto!) Voltemos nosso coração para Deus!

Concretamente, dirigir nosso coração a Deus significa ter fé e dela viver. Trata-se de um dom de Deus que vai muito além da simples aquisição de dados e conceitos: coloca-nos em comunhão com o Senhor, sempre presente (cf. Mt 28,20b), e faz de nós Igreja, levando-nos a confessar – por palavras e obras – a primazia de Jesus Cristo em nossas vidas. Em outras palavras, pela fé, o Espírito Santo nos leva a observar e ensinar observar tudo o que Jesus nos ordenou (cf. Mt 28,20a) e, pelos sacramentos, o mesmo Espírito nos insere na vida divina vivenciada aqui na dinâmica do já-e-ainda-não.

Que a intercessão da bem-aventurada e sempre virgem Maria, Rainha dos Céus, e de S. José, seu castíssimo esposo, fixem nossos olhos em Jesus e nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias a fim de que, na instabilidade deste mundo, sejamos firmes na esperança que dá sentido e nos impulsiona a amar e servir.

Regina Cæli, lætare, alleluia;
Quia quem meruisti portare, alleluia;
Resurrexit, sicut dixit, alleluia;
Ora pro nobis Deum, alleluia.

 

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