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SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, celebramos o sexto domingo do Tempo Comum e a liturgia nos apresenta as bem-aventuranças segundo o evangelista S. Lucas (cf. Lc 6,17.20-26). Peçamos ao Senhor que nos ajude a aprofundar nossa comunhão consigo através destes textos litúrgicos.

Partimos da segunda leitura: “Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos – de todos os homens – os mais dignos de compaixão” (1Cor 15,19), diz o icona_16-2Apóstolo. A dureza desta frase pode nos ajudar a acordar para o fato que nada neste mundo pode preencher o vazio do nosso coração, como disse também Santo Agostinho logo no início das suas Confissões. Assim, mais uma vez, nos demos conta de que, se esperamos que Jesus nos dê uma vida confortável neste mundo, resolvendo todos os nossos problemas, então, somos, de fato, mais dignos de dó do que qualquer outra pessoa sobre a terra.

Em seguida, com esta chave de leitura, podemos entender não só as bem-aventuranças, bem como os “ais” pronunciados por Jesus no evangelho desta liturgia. Por que são felizes os pobres, os famintos, os que choram e os que são odiados enquanto “ai” daqueles que são ricos, têm fartura, que riem e que são elogiados? Certamente, posses, comida, alegria e elogios não são, em si mesmos, males – longe disso. Mas, certamente não são os maiores bens. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33), disse o Senhor. Ao mesmo tempo, pobreza, fome, angústia e ódio não são bens em si mesmos, mas podem ser as portas que nos levem a encontrar e reconhecer que o único capaz de nos dar Vida plena dando-nos desde já um sentido mais profundo para tudo, é o próprio Deus de Amor.

Que a Vigem Maria, aquela que acreditou, nos ajude a reconhecer e perseverar no Caminho de seu Filho pela Cruz à Ressurreição. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, na celebração deste quinto domingo do Tempo Comum, temos a oportunidade de rezar com o texto de S. Lucas sobre a vocação de São Pedro (cf. Lc 5,1-11). Trata-se de um evento paradigmático para nossas vidas. Rezemos para que o Senhor nos sustente e nos ajude a viver bem o Seu projeto em nossas vidas.

Mais uma vez, em primeiro lugar, é preciso notar que a iniciativa é de Jesus que se aproxima de Pedro e de suas barcas, num evento aparentemente fortuito, de onde Ele se Vocaçãodirige à multidão, mas também ao pescador convidando-o para ir mais fundo (Lc 5,1-4). Assim também acontece com cada um de nós: nas vicissitudes do cotidiano o Senhor se aproxima com Sua palavra e nos convida a nos aprofundarmos cada vez mais em Seu Amor crendo em seu ensinamento praticando-o.

E quando na obediência o Cristo manifesta Seu poder, Simão se confessa pecador (Lc 5,7-8). E, importante, é confessando-se pecador que recebe o chamado: “serás pescador de homens” (Lc 5,10). Também conosco é assim: quando Jesus se manifesta, percebemos com clareza a nossa condição – não somos (infelizmente) o que deveríamos ser. E é justamente ali que Ele nos convoca para o mais alto degrau: a santidade que o próprio Senhor produz em nós quando nos decidimos a levar aqueles que convivem conosco para o céu.

Assim, é preciso que cada um, humildemente, reconheça em que ponto chegou e porque chegou: “É pela graça de Deus que eu sou o que sou” (1Cor 15,10). Mas, ao mesmo tempo, sem se acomodar ou desanimar, se lance nas mãos daquele que nos pode transformar por completo. “Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!” (Sl 137,8).

Que a Vigem Maria, modelo do sim perfeito dado à vocação que vem de Deus, nos acompanhe como Mãe Bondosa todos os dias de nossa vida. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

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Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um autor do tempo.

Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário SPMikipermaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a Ave-Maria.

O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdoo o Imperador e os responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.

Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento que os olhares dos presentes se fixaram nele. Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou osalmo Louvai, louvai, ó servos do Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasáki; de fato, durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.

Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes demonstravam estar prontos para a morte.

Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!” Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj).

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Sinagoga

Caros irmãos, o quarto domingo do Tempo Comum traz, para nossa oração, a continuação imediata do texto de S. Lucas que meditamos na semana passada, ou seja, a reação da sinagoga de Nazaré quando Jesus termina sua fala (cf. Lc 4,21-30). Peçamos ao Senhor que sustente e aumente nossa fé.

Certamente é agradável e consolador crermos que Deus é Amor (cf. 1Jo 4,8). Mas os problemas começam quando Ele não segue os nossos desejos. “Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum” (Lc 4,23), é a expressão que o próprio Senhor dá ao desejo do coração de seus conterrâneos. Talvez seja muito difícil acolher o Amor de Deus quando Ele contraria nossos caprichos porque pensemos que amar alguém é agradá-lo. Como pode ser verdade que Ele nos ame, se nos deixa contrariados e precisamos sair de nosso comodismo?

Porém, desde as nossas experiências humanas básicas (e tão necessárias), vemos que, se é verdadeiro, o amor não é uma busca de prazer, ou de agradar… Bons pais e mães sabem desagradar seus pequenos pois os querem bem. Então, por que não esperar que seja assim também quando nosso Pai nos quer dar o bem maior da Vida Eterna? Crer neste Amor que se manifesta concretamente em Jesus de Nazaré é (e sempre será) um ato de liberdade que se sustenta somente pela Graça divina.

Enfim, talvez nos ajude a continuar firmes na fé se meditarmos sobre a realidade mais profunda do amor: a caridade que o próprio Senhor opera em nós pelo Espírito Santo para nos darmos conta de que somos chamados a uma vida sobrenatural:

“A caridade é paciente, é benigna;

não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece;

não faz nada de inconveniente, não é interesseira,

não se encoleriza, não guarda rancor;

não se alegra com a iniquidade,

mas se regozija com a verdade.

Suporta tudo, crê tudo,

espera tudo, desculpa tudo” (1Cor 13,4-7 – segunda leitura).

Que a Vigem Maria, modelo de todas as virtudes, interceda por nós. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

RECEBAMOS A LUZ CLARA E ETERNA

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Dos Sermões de São Sofrônio, bispo.

Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do encontro do Senhor, corramos para ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar sua luz.

Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas; ele dissipa as trevas do mal com a sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.

Do mesmo modo que a Mãe de Deus e Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo seu Apresentaçãofulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.

Realmente, a luz veio ao mundo (cf. Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o sol que nasce do alto nos visitou (cf. Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do mistério que hoje celebramos. Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro. Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.

Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1,9). Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.

Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna. Associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.

A salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel. Também fez com que víssemos, graças a ele, essa salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que nasceu em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem. E porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer,nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca nos esquecermos daquele que um dia há de voltar.

SEMPRE TRABALHEI COM AMOR

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Das Cartas de São João Bosco, presbítero.

Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.

Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.

Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta São João Bosco.jpgindignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor. Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.

Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros escândalo, mas em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que aprendêssemos dele a ser mansos e humildes de coração.

Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.

Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.

Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece.

NA CRUZ NÃO FALTA NENHUM EXEMPLO DE VIRTUDE

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Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero.

Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.

stotomasdeaquinoMas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tema fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.

Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).

É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).

Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).

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