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EU SOU A VIDEIRA, VÓS OS RAMOS

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Do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo.

Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a ele pelo amor, e a grande vantagem que nos vem desta união, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que, já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele.

A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi, de fato, pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante 1a fé; mas participamos da sua natureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1Cor 6,17).

Do mesmo modo, o autor sagrado, noutro lugar da Escritura, dá ao Senhor o nome de alicerce e fundamento. Sobre ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornarmos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formarmos um sacerdócio santo. Entretanto, isto só será possível se Cristo for nosso fundamento. A mesma coisa vem expressa na analogia da videira: Cristo afirma ser ele próprio a videira e, por assim dizer, a mãe e a educadora dos ramos que dela brotam.

Nele e por ele fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com ele. Esta vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por ele mora em nós.

O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e ele em nós, quando diz: A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito (1Jo 4,13).

Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.

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QUINTO DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, o Tempo Pascal já vai adiantado e, já começando a vislumbrar a Solenidade de Pentecostes que se aproxima, a Liturgia nos leva, mais uma vez, ao cenáculo, ao ambiente da última ceia, para estarmos unidos a Jesus (cf. Jo 13,31-33a.34-35). Deixemo-nos, então, questionar pelas suas palavras e conduzir por seu Espírito.

Precisamos notar que o mistério pascal não é divisível: paixão, morte e ressurreição formam uma unidade. O evangelista São João nos mostra isso claramente ao registrar que Cristo, quando estava por entregar-se à morte por amor de nós, disse: “Agora foi icone_crucificadoglorificado o Filho do Homem” (Jo 13,31). Assim, ainda que percebamos sempre um desses aspectos com mais força, devemos sempre ter presente à nossa consciência de que se trata de um todo.

Nesse sentido, a luz da liturgia deste quinto domingo da Páscoa ilumina a nossa vida. Pois, enquanto a primeira leitura traz uma palavra inquietante de Paulo e Barnabé: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14,22); a segunda, na magnífica visão do Apocalipse, relata a promessa: “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4). Ou seja, com os olhos fixos naquele que venceu e que nos prometeu a felicidade sem fim em Si na Jerusalém celeste, podemos enfrentar as dores da morte do nosso egoísmo que nos leva à ressurreição no Amor.

Portanto, quer percebamos com mais força as dores da vida, quer as efêmeras alegrias desta vida nos rodeiem, é sempre tempo de responder “sim” ao Senhor, morrendo para nosso pecado e nos deixando encher da Sua graça, nos tornando, assim, capazes de amar como Ele amou.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, a Senhora do “sim”, interceda por nós e nos ajude a viver bem cada um dos dias de nossa vida. Regina caeli, laetare, alleluia: quia quem meruisti portare, alleluia, resurrexit, sicut dixit, alleluia. Ora pro nobis Deum, alleluia.

 

MOSTRA-NOS, SENHOR, QUEM ESCOLHESTE

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Das Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, de São João Crisóstomo, bispo.

 Naqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse (At 1,15). Pedro, a quem Cristo tinha confiado o rebanho, movido pelo fervor do seu zelo e porque era o primeiro do grupo apostólico, foi o primeiro a tomar a palavra: Irmãos, é preciso escolher dentre nós(cf. At 1,22). Ouve a opinião de todos, a fim de que o escolhido seja bem aceito, evitando a inveja que poderia surgir. Pois, estas coisas, com frequência, são origem de grandes males.

Mas Pedro não tinha autoridade para escolher por si só? É claro que tinha.Mas absteve-se, para não demonstrar favoritismo. Além disso, ainda não tinha recebido o Espírito Santo. Então eles apresentaram dois homens: José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias (At 1,23). Não foi Pedro que os apresentou, mas todos. O que ele fez foi aconselhar esta eleição, mostrando que a iniciativa não era sua, mas fora anteriormente sao-matiasanunciada pela profecia. Sua intervenção nesse caso foi interpretar a profecia e não impor um preceito.

E continua: É preciso dentre os homens que nos acompanharam (cf. At 1,21-22). Repara como se empenha em que tenham sido testemunhas oculares; embora o Espírito Santo devesse ainda vir sobre eles, dá a isso grande importância.

Dentre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo batismo de João (At 1,21-22). Refere-se àqueles que conviveram com Jesus, e não aos que eram apenas discípulos.De fato, eram muitos os que o seguiam desde o princípio. Vê como diz o evangelho: Era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus (Jo 1,40). Durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo batismo de João. Com razão assinala este ponto de partida, já que ninguém conhecia por experiência o que antes se passara, mas foram ensinados pelo Espírito Santo.

Até ao dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós para ser testemunha da sua ressurreição (At 1,22). Não disse: “testemunha de tudo o mais”, porém, testemunha de sua ressurreição. Na verdade, seria mais digno de fé quem pudesse testemunhar: “Aquele que vimos comer e beber e que foi crucificado, foi esse que ressuscitou”. Não interessava ser testemunha do tempo anterior nem do seguinte nem dos milagres, mas simplesmente da ressurreição. Porque todos os outros fatos eram manifestos e públicos; só a ressurreição tinha acontecido secretamente e só eles a conheciam.

E rezaram juntos, dizendo: Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos (At 1,24). Tu, nós não. Com acerto o invocam como aquele que conhece os corações, pois a eleição deveria ser feita por ele e não por mais ninguém. Assim falavam com toda a confiança, porque a eleição era absolutamente necessária. Não disseram: “Escolhe”, mas: Mostra-nos quem escolheste (At 1,24). Bem sabiam que tudo está predestinado por Deus. Então tiraram a sorte entre os dois (At 1,26). Ainda não se julgavam dignos de fazer por si mesmos a eleição; por isso, desejaram ser esclarecidos por algum sinal.

QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, o Tempo Pascal continua e neste quarto domingo, celebramos, com o evangelho do Bom Pastor (cf. Jo 10,27-30), o dia mundial de oração pelas vocações. Dedicaremos, então, esses momentos de reflexão para escutar a voz do Pastor e rezar pedindo por aqueles que devem fazer essa voz ressoar por toda a terra.

A metáfora de Deus como pastor que tem um Povo como seu rebanho remonta ao Antigo Testamento e é cheia de significado para nossa espiritualidade. No capítulo décimo de seu evangelho, São João apresenta Jesus como o Bom Pastor salientando, diversas vezes, 896d0696ceque as ovelhas ouvem e conhecem a voz de quem as guia (cf. Jo 10,3.4.16.27) enquanto não reconhecem a voz dos estranhos e fogem (cf. Jo 10,5).

É essencial conhecer Sua voz para permanecer em Suas mãos e receber a vida eterna! Pois, o que seria pior do que colocarmos nossa esperança em quaisquer palavras vazias deixando-nos guiar por impostores no lugar da Palavra da Vida? Na fé que ressoa há 2000 anos no coração da Igreja encontramos o rumo seguro para as nossas vidas. Que o Senhor, na Sua misericórdia, nos dê adestrados ouvidos de discípulos para permanecer no Seu Amor.

Nesse sentido, podemos (e devemos) rezar pedindo a Jesus que mande para a Sua Igreja pastores segundo o Seu Coração (cf. Jr 3,15). Pois, como pergunta o Apóstolo na Carta aos Romanos: “como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Rm 10,14-15). Assim, hoje, convido todos, junto com as preces que fazemos pelas nossas mães, a rezarmos por todas as vocações sacerdotais a fim de que o rebanho não desfaleça por falta de pastores.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós e suscite no coração dos jovens o pleno sim ao chamado de Deus e sustente-nos em Seu serviço. Regina caeli, laetare, alleluia: quia quem meruisti portare, alleluia, resurrexit, sicut dixit, alleluia. Ora pro nobis Deum, alleluia.

 

A CORAGEM DE ARRISCAR PELA PROMESSA DE DEUS (Papa Francisco)

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Íntegra da Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações -12 de maio de 2019 – IV Domingo da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs!

Depois da experiência vivaz e fecunda, em outubro passado, do Sínodo dedicado aos jovens, celebramos recentemente no Panamá a XXXIV Jornada Mundial da Juventude. Dois grandes eventos que permitiram à Igreja prestar ouvidos à voz do Espírito e também à vida dos jovens, aos seus interrogativos, às canseiras que os sobrecarregam e às esperanças que neles vivem.

Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, retomando precisamente aquilo que pude partilhar com os jovens no Panamá, desejo refletir sobre a chamada do Senhor enquanto nos torna portadores duma promessa e, ao mesmo tempo, nos pede a coragem de arriscar com Ele e por Ele. Quero deter-me brevemente sobre estes dois aspetos – a promessa e o risco –, contemplando juntamente convosco a cena evangélica da vocação dos primeiros discípulos junto do lago da Galileia (cf. Mc 1, 16-20).

Dois pares de irmãos – Simão e André, juntamente com Tiago e João – estão ocupados na sua faina diária de pescadores. Nesta cansativa profissão, aprenderam as leis da natureza, desafiando-as quando os ventos eram contrários e as ondas agitavam os Espírito Santo - Vaticanobarcos. Em certos dias, a pesca abundante recompensava da árdua fadiga, mas, outras vezes, o trabalho duma noite inteira não bastava para encher as redes e voltava-se para a margem cansados e desiludidos.

Estas são as situações comuns da vida, onde cada um de nós se confronta com os desejos que traz no coração, se empenha em atividades que – espera – possam ser frutuosas, se adentra num «mar» de possibilidades sem conta à procura da rota certa capaz de satisfazer a sua sede de felicidade. Às vezes goza-se duma pesca boa, enquanto noutras é preciso armar-se de coragem para governar um barco sacudido pelas ondas, ou lidar com a frustração de estar com as redes vazias.

Como na história de cada vocação, também neste caso acontece um encontro. Jesus vai pelo caminho, vê aqueles pescadores e aproxima-Se… Sucedeu assim com a pessoa que escolhemos para compartilhar a vida no matrimônio, ou quando sentimos o fascínio da vida consagrada: vivemos a surpresa dum encontro e, naquele momento, vislumbramos a promessa duma alegria capaz de saciar a nossa vida. De igual modo naquele dia, junto do lago da Galileia, Jesus foi ao encontro daqueles pescadores, quebrando a «paralisia da normalidade» (Homilia no XXII Dia Mundial da Vida Consagrada, 2/II/2018). E não tardou a fazer-lhes uma promessa: «Farei de vós pescadores de homens» (Mc 1, 17).

Sendo assim, a chamada do Senhor não é uma ingerência de Deus na nossa liberdade; não é uma «jaula» ou um peso que nos é colocado às costas. Pelo contrário, é a iniciativa amorosa com que Deus vem ao nosso encontro e nos convida a entrar num grande projeto, do qual nos quer tornar participantes, apresentando-nos o horizonte dum mar mais amplo e duma pesca superabundante.

Com efeito, o desejo de Deus é que a nossa vida não se torne prisioneira do banal, não se deixe arrastar por inércia nos hábitos de todos os dias, nem permaneça inerte perante aquelas opções que lhe poderiam dar significado. O Senhor não quer que nos resignemos a viver o dia a dia, pensando que afinal de contas não há nada por que valha a pena comprometer-se apaixonadamente e apagando a inquietação interior de procurar novas rotas para a nossa navegação. Se às vezes nos faz experimentar uma «pesca miraculosa», é porque nos quer fazer descobrir que cada um de nós é chamado – de diferentes modos – para algo de grande, e que a vida não deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o coração. Em suma, a vocação é um convite a não ficar parado na praia com as redes na mão, mas seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para nós, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam.

Naturalmente, abraçar esta promessa requer a coragem de arriscar uma escolha. Sentindo-se chamados por Ele a tomar parte num sonho maior, os primeiros discípulos, «deixando logo as redes, seguiram-No» (Mc 1, 18). Isto significa que, para aceitar a chamada do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito; é preciso deixar tudo o que nos poderia manter amarrados ao nosso pequeno barco, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva; é-nos pedida a audácia que nos impele com força a descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Substancialmente, quando estamos colocados perante o vasto mar da vocação, não podemos ficar a reparar as nossas redes no barco que nos dá segurança, mas devemos fiar-nos da promessa do Senhor.

Penso, antes de mais nada, na chamada à vida cristã, que todos recebemos com o Batismo e que nos lembra como a nossa vida não é fruto do acaso, mas uma dádiva a filhos amados pelo Senhor, reunidos na grande família da Igreja. É precisamente na comunidade eclesial que nasce e se desenvolve a existência cristã, sobretudo por meio da Liturgia que nos introduz na escuta da Palavra de Deus e na graça dos Sacramentos; é nela que somos, desde tenra idade, iniciados na arte da oração e na partilha fraterna. Precisamente porque nos gera para a vida nova e nos leva a Cristo, a Igreja é nossa mãe; por isso devemos amá-la, mesmo quando vislumbramos no seu rosto as rugas da fragilidade e do pecado, e devemos contribuir para a tornar cada vez mais bela e luminosa, para que possa ser um testemunho do amor de Deus no mundo.

Depois, a vida cristã encontra a sua expressão naquelas opções que, enquanto conferem uma direção concreta à nossa navegação, contribuem também para o crescimento do Reino de Deus na sociedade. Penso na opção de se casar em Cristo e formar uma família, bem como nas outras vocações ligadas ao mundo do trabalho e das profissões, no compromisso no campo da caridade e da solidariedade, nas responsabilidades sociais e políticas, etc. Trata-se de vocações que nos tornam portadores duma promessa de bem, amor e justiça, não só para nós mesmos, mas também para os contextos sociais e culturais onde vivemos, que precisam de cristãos corajosos e testemunhas autênticas do Reino de Deus.

No encontro com o Senhor, alguém pode sentir o fascínio duma chamada à vida consagrada ou ao sacerdócio ordenado. Trata-se duma descoberta que entusiasma e, ao mesmo tempo, assusta, sentindo-se chamado a tornar-se «pescador de homens» no barco da Igreja através duma oferta total de si mesmo e do compromisso dum serviço fiel ao Evangelho e aos irmãos. Esta escolha inclui o risco de deixar tudo para seguir o Senhor e de consagrar-se completamente a Ele para colaborar na sua obra. Muitas resistências interiores podem obstaculizar uma tal decisão, mas também, em certos contextos muito secularizados onde parece não haver lugar para Deus e o Evangelho, pode-se desanimar e cair no «cansaço da esperança» (Homilia na Missa com sacerdotes, pessoas consagradas e movimentos laicais, Panamá, 26/I/2019).

E, todavia, não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor! Particularmente a vós, jovens, gostaria de dizer: não sejais surdos à chamada do Senhor! Se Ele vos chamar por esta estrada, não vos oponhais e confiai n’Ele. Não vos deixeis contagiar pelo medo, que nos paralisa à vista dos altos cumes que o Senhor nos propõe. Lembrai-vos sempre que o Senhor, àqueles que deixam as redes e o barco para O seguir, promete a alegria duma vida nova, que enche o coração e anima o caminho.

Queridos amigos, nem sempre é fácil discernir a própria vocação e orientar justamente a vida. Por isso, há necessidade dum renovado esforço por parte de toda a Igreja – sacerdotes, religiosos, animadores pastorais, educadores – para que se proporcionem, sobretudo aos jovens, ocasiões de escuta e discernimento. Há necessidade duma pastoral juvenil e vocacional que ajude a descobrir o projeto de Deus, especialmente através da oração, meditação da Palavra de Deus, adoração eucarística e direção espiritual.

Como várias vezes se assinalou durante a Jornada Mundial da Juventude do Panamá, precisamos de olhar para Maria. Na história daquela jovem, a vocação também foi uma promessa e, simultaneamente, um risco. A sua missão não foi fácil, mas Ela não permitiu que o medo A vencesse. O d’Ela «foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido» (Vigília com os jovens, Panamá, 26/I/2019).

Neste Dia, unimo-nos em oração pedindo ao Senhor que nos faça descobrir o seu projeto de amor para a nossa vida, e que nos dê a coragem de arriscar no caminho que Ele, desde sempre, pensou para nós.

Vaticano, Memória de São João Bosco, 31 de janeiro de 2019.

Franciscus

 

Texto disponível em: <<https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-03/mensagem-papa-para-56-dia-mundial-oracao-vocacoes.html>>.

SEGUNDO DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, encerramos a celebração da Oitava da Páscoa com o Domingo da Misericórdia e, como todos os anos, contemplaremos a profissão de fé de São Tomé (cf. Jo 20,19-31). Aproximemo-nos e deixemo-nos tocar pelo Amor misericordioso de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.

Comecemos nossa reflexão notando que, apesar da sua belíssima profissão de fé (cf. Jo 20,28), São Tomé permanece, no imaginário popular, como imagem de incredulidade. Isso porque ele não acreditou no testemunho dos outros apóstolos, mas precisou que o Ressuscitado lhe aparecesse para tanto (cf. Jo 20,24-27). O que nos deu mais uma bem-aventurança!

E, sem dúvida, esta é a maior maravilha que os apóstolos operaram: a pregação do Evangelho acompanhada de um testemunho heroico de Jesus Cristo e que deu a tantos a oportunidade de crer. Algo tão poderoso que ainda hoje dá ao Senhor a oportunidade de nos fazer cristãos e nos colocar em contato com a Sua Misericórdia.

Do nosso lado, o desafio começa com a humildade de crer em tudo o que ensina a Santa Mãe Igreja. É claro, trata-se de um ato sustentado pela graça de Deus. Porém, é preciso deixar para trás uma espécie de “eucentrismo” que se inclina aceitar apenas aquilo que pessoalmente parece razoável para ter acesso à íntegra fé. Pois, se sou o próprio critério do crer, já não tenho condições de aceitar o ensinamento dos apóstolos e permanecer em comunhão com o que eles creram: sou capaz apenas de cultuar minha própria opinião.

Mas, se crendo na pregação apostólica, abrimo-nos, então, a Misericórdia nos toca, sobretudo através dos Sacramentos, e nos dá vida nova. Façamos nossas, as palavras de São Paulo VI: “como celebrar dignamente a tua bondade, Senhor, por me ver introduzido, apenas entrei na terra, no mundo inefável da Igreja católica?” [1]. Às quais podemos acrescentar: como é bom ser católico e provar o perdão de Deus quando arrependidos acorremos ao confessionário! Como é bom não só tocar, mas ser alimentado pelo sacratíssimo corpo de nosso Senhor na Eucaristia!

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Ressurreição, interceda por nós a fim de que não nos falte a fé católica e a esperança na Divina Misericórdia. Regina caeli, laetare, alleluia: quia quem meruisti portare, alleluia, resurrexit, sicut dixit, alleluia. Ora pro nobis Deum, alleluia.

 

[1] Paulo VI, Testamento. In: <https://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/speeches/1978/august/documents/hf_p-vi_spe_19780810_testamento-paolo-vi.html

A UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

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Das Catequeses de Jerusalém.

Batizados em Cristo e revestidos de Cristo, vós vos tomastes semelhantes ao Filho de Deus. Com efeito, Deus que nos predestinou para a adoção de filhos tornou-nos semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Feitos, portanto, participantes do corpo de Cristo, com toda razão sois chamados “cristãos”, isto é, ungidos; pois foi de vós que Deus disse: Não toqueis nos meus ungidos (Sl 104,15).

Tornastes-vos “cristãos” no momento em que recebestes o selo do Espírito Santo; e tudo isto foi realizado sobre vós em imagem, uma vez que sois imagem de Cristo. Na verdade, quando ele foi batizado no rio Jordão e saiu das águas, nas quais deixara a fragrância de sua divindade, realizou-se então a descida do Espírito Santo em pessoa, repousando sobre ele como o igual sobre o igual.

O mesmo aconteceu convosco: depois que subistes da fonte sagrada, o óleo do crisma vos foi administrado, imagem real daquele com o qual Cristo foi ungido, e que é, sem dúvida, Batismoo Espírito Santo. Isaías, contemplando profeticamente este Espírito, disse em nome do Senhor: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes (Is 61,1).

Cristo jamais foi ungido por homem, seja com óleo ou com outro unguento material. Mas o Pai, ao predestiná-lo como Salvador do mundo inteiro, o ungiu com o Espírito Santo. É o que nos diz Pedro: Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo (At 10,38). E o profeta Davi cantava: Vosso trono, ó Deus, é eterno, sem fim; vosso cetro real é sinal de justiça: vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos (Sl 44,7-8).

Cristo foi ungido com o óleo espiritual da alegria, isto é, com o Espírito Santo, chamado óleo de alegria, precisamente por ser o autor da alegria espiritual. Vós, porém, fostes ungidos com o óleo do crisma, tornando-vos participantes da natureza de Cristo e chamados a conviver com ele.

Quanto ao mais, não julgueis que este crisma é um óleo simples e comum. Depois da invocação já não é um óleo simples e comum, mas um dom de Cristo e do Espírito Santo, tornando-se eficaz pela presença da divindade. Simbolicamente unge-se com ele a fronte e os outros membros. E enquanto o corpo é ungido com óleo visível, o homem é santificado pelo espírito que dá a vida.

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