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CHEGA DE PRECONCEITO COM A TRADIÇÃO! – Por Fr. Claudemir, scj.

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“Em relação à sua vida, o testemunho mais importante é o de Santo Ireneu, Bispo de Lião, até 202. Ele afirma que Clemente “tinha visto os Apóstolos”, “tinha-se encontrado com eles”, e “ainda tinha nos ouvidos a sua pregação e diante dos olhos a sua tradição” (Adv. haer. 3, 3, 3)”

Alegra-nos sempre ter acesso a este tesouro da Fé, São Clemente de Alexandria, que já no primeiro século nos dá indícios fortes da importância do primado do papa, de pontos fundamentais da moral Cristã, da organização da Liturgia (do jeito de celebrar a missa…) baseados na possível convivência, experiência e ensinamento da primeira geração de cristãos: Os próprios Apóstolos.

Evidentemente que tudo isso passou por uma evolução ao longo da História do Cristianismo para chegar ao que somos hoje. Meditando sobre este grande homem da nossa fé podemos focar nosso coração-racional sobre o verdadeiro sentido que a Tradição tem para nós amigos dos santos.

Falar de tradição no mundo de hoje soa nas mentes das pessoas em geral algo de passado, atrasado, retrogrado, ultrapassado. O desprezo pela tradição tem no seu fundo o medo, a rejeição, a justificação para não se comprometer com nada, nem com ninguém. Isto porque, infelizmente trajaram a tradição com vestes chamadas de escravidão, de alienação, de mero culturalismo, porém pensar assim é um erro muito grave. A tradição pode vestir-se sim disso, mas não é esta a sua compreensão correta.

Tradição significa, traduzir, transmitir, ensinar, oferecer um caminho que deu certo e que pode se aperfeiçoar; está mais ligado à educar, inserir, incluir. Evidentemente que Ela esta sempre aberta ao novo, do contrário estaríamos ainda na Idade da Pedra em muitas coisas, porém cada elemento novo sempre carregará uma experiência do antigo.  Sem o antigo não há o novo, e o novo sempre se constrói no antigo ou a partir do, porque só Deus pode criar coisas do nada.

Sem tradição não se constrói identidades, personalidades, sociedades, modelos culturais etc…; sem tradição o ser humano estaria fadado à eterna animalidade. Por isso, Deus utilizou e continua a utilizar da Tradição para se comunicar conosco e nos dar acesso a Ele pela Revelação. Para nós, Cristãos e amigos dos santos, a Tradição nasce a partir de Jesus Cristo: “Cristo Senhor, em quem se consuma toda a revelação do sumo Deus, ordenou aos Apóstolos que o Evangelho prometido antes pelos profetas, completado por ele e por sua própria boca promulgado, fosse por eles pregado e a todos os homens como fonte de toda a verdade salvífica e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes dons divinos” (C.I.C § 75s.).

Portanto, podemos chegar a conclusão que é impossível ser humano, ser religioso e muito menos ser Católico sem considerar a Tradição. A vida e as obras de São Clemente também nos levam a perceber que sem a Tradição não teríamos o testemunho dos que viram, ouviram e tocaram o Verbo, ou seja, sem tradição não há Igreja de Jesus Cristo, nem Bíblia, nem fé. Logo, sem Tradição o que restará?

São Clemente, ajudai-nos a mudar nossa mentalidade sobre a Santa Tradição! Amém!

Por Frater Claudemir Marcel de Faria, scj

“APEGAI-VOS AOS SANTOS” (São Clemente Romano, Cartas aos Romanos, 46) – Por Diác. Júlio Ferreira, SCJ.

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Meus queridos amigos

Essa frase é de grande valia para aqueles que querem ser radicais e para aqueles que querem ser santos. Pois, a santidade é, segundo Clemente Romano,  a medida pelo apego aos santos. Nós temos uma comunidade interior que pode ser povoada pelos santos ou pelos nossos ídolos, o que Pe. Zezinho costuma falar:” os semi deuses da fé”. Estes não acrescentam em nada na vida. Por isso, vocês querem ser santos apeguem-se aos santos, tenham eles como os seus melhores amigos.

Existem muitos católicos por aí que querem ser santos, mas segue na verdade o seu deus da fé, uma pessoa  que está na caminhada e que nem chegou aos pés de uma Santa Teresinha ou de um São João da Cruz. Hoje, se vê muita gente seguindo os seus ídolos de microfone nas mãos e de palavras que fazem chorar. Se chorar em encontros e pregações ficasse santo, acho que teríamos muitos santos. Choro e lágrimas não mudam a vida de ninguém se não tiver conversão depois.

O que muda mesmo é seguir o exemplo de vida de alguém que deu a vida por aquilo que acredita. Estamos fartos de pregações comoventes e poucos mártires. Chega de palavras bonitas e pouca radicalidade. Uma pessoa madura exige pouco dos outros e doa mais da sua vida. Ser santo é seguir outro santo que provou com a sua vida, que Cristo é seu Deus e seu tudo.

Existe uma corrida dos “semi-deuses da fé” em serem reconhecidos e amados, mas não transformam a vida de ninguém. Temos que ter a vocação como a  de João Batista, de simplesmente apontar o cordeiro e sair de cena e, “perder a cabeça” por àquilo que acredita.

O que transforma a vida é a leitura dos santos. Querem ser santos? Sentem nos seus quartos e leiam a vida dos mártires do primeiro século, dos santos místicos e doutores da Igreja. Duvido que sua vida não mude! Pois, mudou a minha e de muitos que eu conheço. A agenda do cantor famoso e do pregador que faz chorar você sabe?! E o que fez Santa Perpétua e Felicidade você sabe? Você já leu sobre a vida de Raimundo Lulio, de São Gregório de Nissa e Evágrio Pôntico?

Não vejo outra maneira de levar a vida de Cristão a sério sem ter uma intimidade com a vida dos santos. Se nós somos católicos e podemos falar abertamente sobre isso, é porque tem muita gente que deu a vida por isso. Somos convidados a imitá-los com intrepidez, não com mediocridades. O que vocês estão esperando? “Apegai-vos ao santos”, se querem ser santos! “Far-me-ei santa,  sê-lo-ei depressa”, (Sta. Teresinha do Menino Jesus)

coragem!

Diác. Júlio Ferreira, SCJ

CLEMENTE ROMANO E O PRIMADO PETRINO – Por Fr. Lucas, scj.

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Amigos do Communioscj, irmãos e irmãs em Cristo,

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

É com grande alegria que iniciamos as atividades deste blog. Esperamos, com nossa partilha semanal, contribuir para o crescimento de todos os que, por ventura, os ventos da internet façam chegar até aqui.

Nesta primeira semana o santo que nos guia é S. Clemente Romano através da catequese que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, proferiu no dia 07 de março de 2007. Nela, o Santo Padre enfatiza que na carta de S. Clemente aos coríntios, único escrito que pode ser, sem dúvida, atribuído a ele, está o primeiro exercício do Primado do bispo de Roma.

Não queremos, aqui, aprofundar a questão da diferença entre o primado de honra e do primado de jurisdição e como o primeiro evoluiu para o segundo. Queremos ressaltar, apenas, que no final do século I (a carta é posterior ao ano 96) tanto os cristãos de Corinto quanto o próprio Clemente, tinham já a consciência de que a Igreja de Roma e o sucessor de Pedro (Clemente é o terceiro, depois de Lino e Anacleto) têm o primado e, portanto, presidem a caridade às demais Igrejas.

Isso é muito importante e, como nos disse Bento XVI, tem um valor perene, ainda mais para nós que vivemos num mundo em crise de autoridade. Tudo o que tenha o nome de autoridade é, ipso facto, questionado. No caso do Magistério eclesiástico isso chega à beira da sandice. Não são poucos os que têm orgulho suficiente para não simplesmente questionar – o que por vezes é necessário – mas para desprezar, ridicularizar e contrariar em seu dia a dia, sistematicamente, todas e cada uma das intervenções do Magistério em matéria de fé e moral. Qual, então, seria nossa referência?

A Igreja não é anárquica, nem mesmo uma simples estrutura política… Ela tem, como nos lembra Bento XVI, uma estrutura sacramental (que aponta para algo invisível) recebida como dom e da qual é responsável por zelar e fazer com que frutifique pela ação do Espírito Santo. Aí temos segurança para seguir os passos de nosso mestre e fundador, Jesus Cristo. Portanto, professemos nossa fé na Igreja – “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” – amemo-la de coração. Sigamos o sucessor de Pedro não apenas da boca para fora, mas com convicção e confiança.

Abraço e prece!

Até a próxima,

Fr. Lucas, scj.

“APEGAI-VOS AOS SANTOS PORQUE AQUELES QUE ESTÃO UNIDOS A ELES SE TORNARAM SANTOS” (São Clemente Romano. Carta aos Romanos, n. 46) – Por Diác. Daniel, scj.

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Amigo, você sabe quantos papas a Igreja Católica já teve? Você conhece ao menos o nome dos cinco primeiros? Não, mas quer saber e conhecer? Pois bem, o catolicismo já teve 265 papas, sendo que os cinco primeiros são santos e chamados de Pedro, Lino, Anacleto, Clemente e Evaristo.

Devido os evangelhos e sua carta, conhecemos bastante a vida de São Pedro. Agora, quero lhe contar brevemente sobre a história de São Clemente Romano, quarto papa, e meditar um pouco, a conta gotas, com sua atualíssima sabedoria.

Além de ter sido bispo de Roma (papa), pouco se sabe sobre sua vida. Podemos dizer, com segurança, que ele foi contemporâneo dos apóstolos e leu os seus textos. Sobre os seus escritos, resta-nos a sua carta aos Coríntios – texto quase incluído na Bíblia -, que foi motivada pelo seu zelo pastoral junto a uma comunidade que estava se perdendo principalmente por falta de obediência e humildade.

Ao tratar sobre os dons de Deus, nosso Pai na fé, estudado e meditado nesta semana, nos ensina que eles devem nos ajudar em nossa salvação. Porém, mal vividos, podem ser-nos motivos de condenação. Por isso, “não tenhamos a alma dividida, e que nosso espírito não se inche por causa de seus dons superabundantes e magníficos” (Cartas aos Coríntios, n. 23).

Adiante, alerta-nos que contra todo tipo de orgulho e soberba é seguro ser obediente a Igreja, pois “é melhor para vós ser encontrados pequenos e dentro do rebanho de Cristo, do que ter aparência de grandeza e ser rejeitados de sua esperança” (Ibid, n. 57)

Como motivação para continuarmos estudando e meditando a vida dos Padres da Igreja, são Clemente nos aconselha: “apegai-vos aos santos porque aqueles que estão unidos a eles se tornaram santos” (Ibid, n. 46). Isso não significa que devemos nos afastar das pessoas que não desejam a santidade. Porém, devemos aprender e desejar seguir os passos das pessoas que deram certo. Em outras palavras, é sinal de inteligência e sabedoria acompanhar nossos irmãos que encontraram o verdadeiro caminho e o percorreram, com fidelidade, até o fim.

Tenha uma ótima semana. Até a próxima Eucaristia – ponto de encontro dos católicos – e na segunda-feira nos reencontraremos para estudarmos e meditarmos sobre Santo Inácio de Antioquia.

Deus lhe abençoe!

Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ

Material para pesquisa:

Carta na íntegra de São Clemente Romano aos Coríntios:

http://sumateologica.files.wordpress.com/2010/02/clemente_romano_cartas_aos_corintios.pdf

Catequese do Papa Bento XVI sobre São Clemente Romano:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070307_po.html

Os Padres Apostólicos. Ed. Paulus, 1995. (Merece destaque pela sua introdução à vida e obra de São Clemente Romano).

NOSSA TEMÁTICA INICIAL: OS PADRES (PAIS) DA IGREJA.

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HISTÓRIA MAGISTRA VITAE EST. Se a história é mestra da vida os santos são os mestres da história. Por isso, a nobreza da história da Igreja católica está nos seus santos. Logo, como todos os universitários e pesquisadores em sua área de trabalho, queremos conhecer e aprender com as pessoas que deram certo na vida eclesiástica.

Não seria estranho um estudante de engenharia que privilegiasse os engenheiros fracassados e medíocres? Como cristãos, não queremos fazer isso no âmbito da nossa fé.  Na Igreja, as pessoas que deram certo foram os santos e, porque seguramente eles têm muito a nos ensinar, com este blog, queremos conhecê-los melhor. Como eles são muitos, iniciaremos com um grupo específico conhecido como Padres (Pais) da Igreja. Mas, quem são eles?

Um cristão é reconhecido como Padre da Igreja devido sua vida, seus escritos e sua sabedoria. A sua vida deve ser exemplar, reconhecida como santa, e localizar-se até o século VIII. Os seus escritos devem ser de grande relevância e de acordo com o Magistério da Igreja. Assim sendo, existem vários santos e sacerdotes que não são considerados Padres da Igreja. Alguém poderia questionar: por que meditaremos sobre estes cristão que viveram há tantos séculos?

Além de valorizar nossos irmãos mais velhos que deram certo na vivência da fé, os motivos principais são sua proximidade cronológica de Jesus e sua comprovada sabedoria e relevância para nossa vida. Com isso, queremos caminhar durante este ano com este seguro alimento sólido, partilhado e rezado entre amigos.

Concretamente, propomo-nos a meditar e postar neste blog nossa meditação pessoal e semanal sobre um Padre da Igreja. Porém, não queremos fazer isso sozinhos. Com o auxílio das biografias que citaremos, pedimos sua contribuição com leituras semanais e comentários sobre o autor pesquisado. Assim, nossa reflexão será mais produtiva e em pouco tempo você será formado no pensamento destes grandes baluartes da nossa fé. Na escola dos grandes da história, cresceremos juntos. Aceita o convite? Então, ótima leitura, reflexão e postagem.

 

Padre Marcelo Alves dos Reis, SCJ

Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ

Diácono Júlio César Ferreira, SCJ

Diácono Nelber Rodrigues, SCJ

Frater Claudemir Marcel de Faria, SCJ

Frater Lucas Luís Matheus de Mello, SCJ