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“A GLÓRIA DE DEUS É O HOMEM VIVO E A VIDA DO HOMEM CONSISTE NA VISÃO DE DEUS” (Ireneu de Lião – Contra as Heresias, IV, 20, 7) [1] – Por Diác. Daniel, SCJ.

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Caro amigo.

Prosseguindo no caminho de Jesus Cristo, através dos santos da Igreja, este texto nos lançará da segunda metade do primeiro século cristão até o início do século seguinte. Para isso, meditaremos sobre a vida e os pensamentos de santo Ireneu (202), bispo de Lião (atualmente, território francês). Veremos que sua história foi marcada pelo convívio com São Policarpo, discípulo de São João, e pela defesa e sistematização teológica da doutrina cristã.

Uma das realidades que mais chama a atenção na história do nosso santo é sua proximidade com São Policarpo, discípulo de São João evangelista. Sobre isso, ele chega a afirmar que “poderia dizer qual o lugar onde o beato Policarpo costumava sentar-se para falar-nos, e como entrava nos argumentos; que tipo de vida tinha, qual o aspecto de sua pessoa, os discursos que fazia ao povo, como nos discorria sobre os colóquios íntimos que tinha com João e com os outros que haviam visto o Senhor, seus milagres e sua doutrina. Tudo isto Policarpo aprendeu com testemunhas oculares do Verbo da Vida e o anunciava em plena harmonia com as Sagradas Escrituras” [2]. Bastaria esta informação para despertar nossa mente e aquecer o nosso coração.

No seu contexto de Igreja, após décadas de catequese, diálogo com os pagãos e defesa da fé diante do Império, cresciam internamente os conflitos doutrinários. Entre eles, a afirmação feita por algumas pessoas de que a salvação que Jesus realizou para todos na Páscoa, apenas se dava pelo conhecimento intelectual (gnose) e que o corpo humano (matéria) era desprezível [3]. Nada mais excludente: os simples são condenados e o corpo humano declarado como obra do demônio. É neste contexto que surge o primeiro teólogo católico: o batalhador da fé apostólica, autor da valiosa e ampla obra Contra os Hereges.

Entre os seus inúmeros pensamentos, ele diz que “a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem consiste na visão de Deus” [4]. Veja: o valor deste pensamento está na vida humana e na glória de Deus. Para isso, é fundamental a caridade e a oração. Primeiramente, porque “se alguém disser: amo a Deus, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus,a quem não vê” [5]. Enquanto isso, sem a oração não vemos a Deus e nada poderemos fazer pelos outros, pois “se não rezamos ninguém precisará de nós. O mundo não necessita de corações e de alma vazias” [6].

Louvado seja Deus pelo testemunho corajoso, apaixonado e qualificado de Santo Ireneu de Lião. Vivamos intensamente esta Semana Santa e deixemos o Ressuscitado transbordar em nossa vida. Até a próxima Eucaristia e na segunda-feira nos reencontraremos para estudarmos e meditarmos sobre São Clemente de Alexandria, grande pensador da fé.

Deus lhe abençoe!

Notas:

[1] São Ireneu de Lião: Contra as heresias. São Paulo: Ed. Paulus, 1995.

[2] Ibid, p. 14-15.

[3] Ibid, Livro II.

[4] Ibid, Livro IV, 20, 7.

[5] 1 Jo, 4, 19-20.

[6] DAJCZER, TADEUSZ, Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 208

IGREJA E CIÊNCIA: UM PRECONCEITO SUPERADO?! UMA INTUIÇÃO JUSTINIANA – Por Fr. Claudemir Marcel de Faria, scj.

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“Tu reza antes de tudo para que as portas da luz te sejam abertas, porque ninguém pode ver e compreender, se Deus e o seu Cristo não lhe concedem discernir” (Dial. 7, 3).

Na semana anterior convidava a que refletíssemos sobre a Unidade e Catolicidade dos Cristãos e Cristãos Católicos à luz de Santo Inácio de Antioquia. Nesta semana proponho, à luz de São Justino, Filósofo e Mártir a pensarmos sobre as relações que a Igreja Católica estabelece com a Ciência.

É impressionante a tamanha desinformação ou desatualização que observamos em professores, jornalistas, formadores de opinião, em geral, sobre as relações que a Igreja estabelece com a Ciência.

Há muitos que ainda pensam com a única informação da quinta série, do “professor” formado na concepção da História de cunho positivista brasileira: que a Igreja é a vilã da ciência, que a Igreja impediu a humanidade ao progresso, que a Igreja foi o demônio da Idade Média, que a Igreja defende Adão e Eva a unhas e dentes enquanto a Ciência já provou a muito tempo que a origem do Universo, é muito provável que  seja o Big-Bang, ou seja, que entre Igreja e a Ciência há uma rivalidade. E o pior, é que a Igreja passa por mentirosa e a Ciência a verdade absoluta.

Sem contar os “mal formados” em matéria de religião que atribuem à Igreja os qualificativos do tipo “A Besta do Apocalipse”, “A Nova Babel”, “ A Mãe e Prostituta”, “A maquiavélica seguradora dos segredos dos Arquivos do Vaticano”. Infelizmente só nos resta exclamar: Tamanha Ignorância! Isto porque se referem à uma das Instituições mais antigas da história das sociedades. Ela simplesmente plasmou toda a civilização ocidental. Agora a própria filha vira as costas pra mãe e ainda a chama de “prostituta”. E o pior, caem noutra prostituição e depois condenam a própria mãe! Oh, adolescência espiritual-racional! Oh, fundamentalismo ingrato! Oh, Vida sem sentido!

Pensar assim hoje é como dar um “tiro no próprio pé”, ou na cabeça mesmo… Mas tem muita gente que ainda pensa assim, até gente da própria Igreja. Pasmem! Conta-se pelos corredores da universidade uma história verídica e interessante que ilustra nossa temática.

Dois jovens estudantes de  geometria voltavam da Universidade de Paris para suas casas e no trajeto, dentro do bonde conversavam sobre as teorias do grande matemático Blaise Pascal, inusitadamente  viram um senhor muito simples com um terço na mão e mexendo os lábios. Logo notaram que este “velho” estava rezando o terço. E comentaram entre si mais ou menos assim: “Veja, pobre senhor!, que atraso de vida!, se soubesse das grandes descobertas de Pascal, dos avanços da modernidade, jamais continuaria com essa piedade ridícula dos Católicos.”

Incomodados ainda com o pobre senhor decidiram ir ao encontro dele para caçoá-lo. Se aproximaram e se apresentaram: “Com licença. Olá Senhor, somos Jean e Villenouven, estudamos Geometria na Universidade de Paris. O senhor, por acaso já ouviu falar do grande Blaise Pascal?”- o pobre senhor respondeu – “Oh! Já ouvir dizer algo sobre ele.” – eles prosseguiram – “Através das teorias dele, senhor, achamos uma bobagem essa coisa de religião, rezar etc… Isto já é coisa do passado.” – e perguntaram – “ A propósito, desculpe-nos, como o senhor se chama ?” – o senhor levantou a cabeça e com um sorriso sereno respondeu – “Muito prazer, meu nome é Blaise Pascal”…

Deixamos esta pequena história apenas ilustrativa, pois, se fossemos apresentar o que Igreja tem haver com ciência precisaríamos de milhares de Blogs para tratar especificamente sobre isso. Mas, para não passar em branco,  sugerimos que acessem os links abaixo só para terem uma minimíssima noção sobre o intenso diálogo que a Igreja estabelece com a Ciência, ou melhor com as ciências.

Em 1998, o Saudoso Papa João Paulo II tratou deste tema com grande propriedade na Carta Encíclica “Fides et Ratio”, onde inclusive ele lá cita várias vezes São Justino entre outros Padres da Igreja. Nesta Carta o Papa trata das relações entre fé e razão. Para ele fé e razão, ou seja, Igreja e Ciência são como que duas assas que elevam o ser humano à Verdade, ou seja, a Deus e vice-versa.

Portanto, Igreja e Ciência caminham juntas. Pesquise mais sobre as “leis da evidência”, “o método cientifico”, os fundamentos da urbanização e das universidades, qual a instituição que salvou as cidades onde ninguém tinha registro de nascimento, se não fosse ás certidões de batismo…, o “princípio antrópico”, onde fica um dos mais importantes observatórios astronômicos do Planeta. Pesquise qual é uma mais potentes emissoras de rádio do mundo, como é feito os processos de canonização dos santos, como se configurou a “doutrina social da Igreja” entre outros e veremos que Ciência e Igreja andam de mãos dadas muito mais do que imaginamos.

Que São Justino, no seu testemunho e comunhão com os santos nos ajude a sermos homens e mulheres de Ciência e de Fé profundas e interdependentes sempre em busca da Verdade! Senhor Jesus Cristo, tu que és o Caminho, a Verdade e Vida, dá-nos força para que jamais vivamos uma fé que não seja inteligente e uma inteligência que não abrace a fé.

Até Breve !!!

Acesse:

Academia de Ciências do Vaticano  http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_academies/acdscien/index_po.htm

Encíclica Fides et Ratio

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_15101998_fides-et-ratio_po.html

Secção do Blog do Professor Felipe Aquino sobre questões de Fé e Ciência

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/ciencia-e-fe/

Discurso de Bento XVI

http://www.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=434599

Grandes cientistas católicos Brasileiros

Dra. Alice Teixeira (USP): http://www.biof.epm.br/alice.htm

Dr. Jean Lauand (USP): http://jean_lauand.tripod.com/

Os mais conceituados Historiadores da História Medieval:

Régine Pernoud

http://pt.scribd.com/doc/15758263/Luz-Sobre-a-Idade-Media-Regine-Pernoud-bilioteca-Sao-Miguel

Daniel Rops

http://www.quadrante.com.br/pages/loja_produtos.asp?categoria=Colecao&tubcategoria=Historia_da_Igreja_de_Cristo

“GOSTARIA QUE TODOS EXPERIMENTASSEM O QUE EU SINTO E QUE NÃO SE AFASTASSEM DA DOUTRINA DO SALVADOR” (São Justino de Roma, Diálogo com Trifão, n. 8) [1] – Por Diác. Daniel, SCJ.

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Caro amigo.

Vamos continuar nossa meditação sobre a vida e os ensinamentos dos Padres (Pais) da Igreja, nossos mestres na fé cristã primitiva. Já conhecemos São Clemente Romano e Santo Inácio de Antioquia, Padres Apostólicos, que conviveram com os primeiros seguidores de Jesus. Encerrado este grupo, agora refletiremos sobre os cristãos conhecidos como Padres Apologistas (em grego, defesa), identificados pela corajosa defesa intelectual do cristianismo nascente e pelo anúncio da fé através da linguagem filosófica [2].

Como os santos são nossos irmãos que acertaram o caminho da verdadeira felicidade, nosso guia existencial de hoje será São Justino. Nascido na Samaria, filho de família abastada, logo se dedicou à busca da verdade no estudo da filosofia [2]. Entretanto, apenas a encontrou no Logos (Palavra divina sempre presente na história). Convertido, não se conteve em ter a verdade apenas para si. Sem demora, arriscou-se a fundar uma escola gratuita de ensino cristão em Roma [4] e não temeu dialogar publicamente com as pessoas mais instruídas da sua época, inclusive com o Imperador Antonino Pio [5].

Sua vida foi um transbordar da sua experiência mística e racional com o Cristo. Para quem deseja uma reflexão mais teológica, “a maior importância de Justino está no fato de ter sido ele o primeiro escritor cristão depois de Paulo a perceber as implicações universalistas do cristianismo. Com sua característica doutrina do Logos, recapitulou num único movimento vigoroso a história inteira da humanidade, que encontra sua consumação em Cristo”[6]. Isso você pode aprofundar em outros textos. Por isso, aqui, quero meditar mesmo é sobre seu perceptível processo de maturidade cristã.

O seu caminho, como pessoa leiga, pode/deve ser o nosso: desejou a verdade, e encontrando-a, por ela deu a vida. Não ficou pedindo cura, sinais e sentimentos de prazer espiritual. Usou a razão, o Senhor falou ao seu coração, e depois se consumiu pela Verdade. Não foi apático, nem eufórico, quando mais provado, ao ser “interrogado pelo prefeito Rústico, mais uma vez expôs a sua fé com um fervor intrépido. Ameaçado com os açoites e o cutelo, respondeu simplesmente com um ato de esperança. E cortaram-lhe a cabeça” [7].

Antes da sua morte, afirmou que “se esperássemos um reino humano, o negaríamos para evitar a morte e procuraríamos viver escondidos, a fim de conseguir o que esperamos; mas, como não depositamos nossa esperança no presente, não nos importamos que nos matem, além do que, de qualquer modo, haveremos de morrer”[8].

Ser cristão é isso: mirar a eternidade e amar a todos sem limites. Aprendamos com ele: já encontrou a verdade? Então, não a guarde para si, dê a vida por ela sem esperar Deus no extraordinário. Em outras palavras, reze e estude, depois faça bons retiros e consuma-se em seu ambiente pastoral, profissional e na sua vocação. Vale à pena… Ou melhor, vale a vida! Aqui pode estar um belo projeto para sua caminhada cristã.

Louvado seja Deus pelo testemunho racional, espiritual e profético do leigo São Justino de Roma. Tenha uma ótima semana. Até a próxima Eucaristia e na segunda-feira nos reencontraremos para estudarmos e meditarmos sobre Santo Irineu de Lião.

Deus lhe abençoe!

Notas:

[1] São Justino: Diálogo com Trifão. São Paulo: Ed. Paulus, 1995; n.8.

[2] São Justino. São Paulo: Ed. Paulus, 1995. (Merece destaque pela sua introdução à vida e obra de Santo Inácio de Antioquia e principalmente por ser uma obra que apresenta, bem traduzidas, as suas sete cartas).

[3] Catequese de Bento XVI sobre São Justino de Roma. Cf: BENTO XVI, Justino de Roma: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070321_po.html

[4] Ibid.

[5] São Justino: 1ª Apologia. São Paulo: Ed. Paulus, 1995; n. 1.

[6] Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs. São Paulo: Paulus, 2002; p. 799.

[7] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 279.

[8] São Justino: 1ª Apologia. São Paulo: Ed. Paulus, 1995; n. 11.

SÃO JUSTINO E O CAMINHO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

Irmãos e irmãs sejam bem vindos mais uma vez ao CommunioSCJ! Continuamos, nesta semana, nosso projeto de acompanhar o Santo Padre em sua viagem pela história da Igreja através dos cristãos que deram certo: os santos. Desta vez, abrimos uma nova fase, a dos Padres Apologistas (ou Apologetas): pessoas que se dedicaram a defender (apologia = defesa) e difundir a fé cristã e nossos olhos se voltam para o mais antigo deles: S. Justino de Roma, filósofo que viveu entre os anos 100-165, quando morreu pela fé. Como sempre, isto se dará pela catequese que Bento XVI proferiu em 21/03/2007 (veja a catequese completa no link ao final do texto).

Na catequese de Bento XVI encontramos as seguintes palavras: “[Justino] procurou a verdade durante muito tempo, peregrinando por várias escolas da tradição filosófica grega. Finalmente – como ele mesmo narra nos primeiros capítulos do seu Diálogo com Trifão – um misterioso personagem, um idoso que ele encontrou à beira-mar, inicialmente provocou nele uma grande crise, demonstrando-lhe a incapacidade do homem de satisfazer apenas com as suas forças sua aspiração pelo divino. Depois indicou-lhe nos antigos profetas as pessoas a quem se dirigir para encontrar o caminho de Deus e a ‘verdadeira filosofia’. Ao despedir-se, o ancião exortou-o à oração, para que as portas da luz se lhe abrissem. O relato encobre o episódio crucial da vida de Justino: ao término de um longo itinerário filosófico de busca da verdade, ele chegou à fé cristã”. Experiência semelhante ocorreu com Santo Agostinho e outras figuras da Igreja: depois de procurarem em muitos lugares e pessoas, eles se encontraram com a Verdade na Pessoa de Jesus Cristo.

Essa experiência, acima referida, serve muito a nós, homens do século XXI. Entre tantas e tantas vozes, tantos profetas, tantos messias, tantas promessas de felicidade, tantas “filosofias” e ideologias, a questão se impõe também a nós: como encontrar a Verdade?

Sem dúvida precisamos aprender a aprender com a experiência dos outros. Ninguém é capaz de abarcar com sua experiência e pensamento todas as possibilidades que a realidade apresenta. É preciso, por isso, aprender com aqueles que já descobriram e trilharam o Caminho. Justino confiou naquele ancião à beira mar… Nós também temos uma anciã em quem confiar: a Igreja, que trouxe a fé até nós.

De fato, é uma imensa presunção e teimosia, uma grande prova de orgulho, não confiar na Igreja e ficar tentando descobrir por si o caminho da Verdade e, em última análise, do verdadeiro cristianismo. A estrada já está pronta, está pavimentada, duplicada, não tem pedágio, muitos já passaram por ela e, mesmo assim, alguns querem abrir picada no meio da mata com seu pequeno facão para descobrir o melhor caminho…

São Justino nos aponta o Caminho já no século II: as sementes do Verbo postas no coração de cada ser humano apontam para o Verbo em Si, Jesus de Nazaré, que se manifestou na história e é a Ele que devemos aderir se quisermos ser plenamente humanos – Ele mesmo é o Caminho. É preciso abrir o coração a Ele, encontrar-se pessoalmente com Ele e perseverar na amizade com Ele.

Portanto, tenhamos fé na Igreja, sigamos o exemplo dos santos, encontremo-nos com Cristo, depositemos nossa confiança e nossa vida nele e certamente seremos cada vez mais plenamente humanos.

Abraço e até a próxima!

BENTO XVI, Justino de Roma:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070321_po.html

“QUERIA OUVIR NOVIDADE!” – Por Diác. Júlio Ferreira, SCJ.

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“Tudo o que de belo foi expresso por quem que seja, pertence a nós cristãos” (São Justino de Roma, 2 Apologia, 13, 4)[i]

Meus queridos amigos.

“Queria ouvir novidade!”. Nesta semana ouvi esta indagação a respeito das coisas de Deus e fiquei a pensar na frase de Santo Irineu de Lyon: “Jesus trouxe toda a novidade trazendo a si mesmo”. Jesus é a novidade, a eterna novidade, não tem outra novidade a não ser Ele mesmo e em seu mistério salvífico.

Quer ouvir novidade? Vai ouvir funk, onde todo dia a imagem e semelhança de Deus são instrumentalizadas, semelhante ao um animal sem razão. Quer ouvir e ver novidade? Vai ao “playcenter” ou ao “Hopi Hari”, toda semana tem brinquedos diferentes, muita futilidade e passa-tempo para todos os gostos.

O cristianismo está na moda, porque Jesus é a eterna novidade. Tudo de belo pertence a nós cristão, porque o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade. Ele se manifesta a todo o momento, nas mínimas coisas que nem percebemos. Quem quer ver novidade, não tem fé, nem acredita que este Logos é o Senhor da história. Não intervencionista, mas, Alfa e Ômega, começo e fim, de tudo que existe. Essa é a novidade!

A novidade quem tem que ser, sou eu. Sou eu que tenho que me configurar a Cristo e divinizar-me todo dia. Isso é novidade! Novidade é viver o Evangelho em sua radicalidade, sem camuflar nada em um desejo egoísta, mas, dilatar o coração no verdadeiro Coração. Isso é novidade! Novidade é não criticar a Igreja, mas procurar entender suas orientações. Novidade é não abrir espaço para a mediocridade e alçar vôo mais alto.

São Justino de Roma sabia muito de novidade, quis fazer da sua vida uma novidade, assemelhando-se ao Cristo mártir. O mártir São Justino atualizou as coisas sempre novas de Cristo imitando a sua vida. Quer novidade? Doa a vida pela causa do Evangelho de Cristo. Não queira inventar a roda! Deus é Deus e eu não sou nada diante dele. Ele já me mostrou e ensinou tudo pelo Espírito Santo. O Espírito é a atualização, em tempo real, dos mistérios de Cristo na vida humana.

Quando temos a pretensão de exigir novidade nas coisas de Deus, tratamo-Lo, como diz Mestre Eckhart, “como uma vaca leiteira”. Quer novidade? Vai para o sacrário, reza ao Deus que está no escondido, que te sustenta a cada instante, que te ama em todo momento. Quer novidade? Vai fazer a Lectio Divina, medita a Palavra, viva-a em sua plenitude. Quer novidade? Espera o céu, espera o Amado, e deseje os seus amplexos. Reza uma pouco mais e verás a novidade.

Quer ver novidade? Vai à missa! Lá sempre aquele pedaço de pão e aquele pouquinho de vinho se tornam o Corpo e Sangue do nosso Deus e nosso Tudo. Quer mais novidade, que essa? São Justino não quis outras novidades. Morreu por ela.

UNIDADE E CATOLICIDADE OS TESOUROS DO SER CRISTÃO – Por Fr. Claudemir Marcel de Faria, scj.

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Queridos e queridas, amigos e amigas dos Santos. Nesta semana somos convidados a conhecer outro grande personagem da nossa Tradição cristã e cristã Católica. O “Doutor da Unidade” Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir. Viveu também próximo dos que conviveram com os Apóstolos de Jesus. Com ele, surge a expressão que qualifica a Igreja de Jesus “católica” que significa Universal (cf. Carta de Santo Inácio aos Esmirnenses 8, 2). Meditemos pois, estas duas temáticas que estão profundamente interligadas. A Unidade e a Catolicidade da nossa Igreja inspiradas na fé deste Apóstolo Mártir das Primeiras Comunidades.

1. A Unidade

“A unidade a ser realizada nesta terra pelos cristãos é unicamente uma imitação, o mais possível conforme com o arquétipo divino.” (Bento XVI, Sobre Santo Inácio de Antioquia in http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ en-xvi_aud_20070314_po.html)

Um atributo muito forte dos Cristãos do primeiro século era justamente a unidade. Um outro grande autor deste período descreveu mais ou menos assim: eles eram conhecidos pela partilha dos bens segundo as necessidades de cada um, assíduos na oração, eram como qualquer outro cidadão, romanos, judeus, pagãos mas era de encantar como eram unidos muitos diziam: “vejam como eles se amam” (cf. At.1-2) A Unidade sempre foi um desejo de Jesus àqueles que fizessem seu Caminho “Sejam um como Eu e o Pai somos um” (cf. João 10)

Ao falar que a Igreja de Jesus é Una não significa dizer que ela é Uma. Ela é uma enquanto se expressa na instituição visível, porém devido nossas limitações e situações históricas esta união visível muitas vezes não corresponde ou não alcança a perfeita unidade do próprio Deus. Só Ele é Uno-Trino, nosso esforço com a graça é, como afirma o Papa, unicamente uma “imitação” da Unidade enquanto tal. Portanto, a Igreja Una não pode ser somente visível (mas também é visível) senão perderia outro atributo que a faz ser Imagem e Semelhança do Deus que por ela se revela, o fato de Ser Mistério, de ter uma certa invisibilidade aos olhos humanos.

A Igreja também comporta uma dimensão de Mistério, ou seja, algo que ainda não conseguimos absorver por completo. Se a Igreja também não assegurasse sua misteriosidade jamais poderíamos dizer que ela é de desígnio divino. Por isso, compreendemos que nossa Igreja é Santa, porém feita de pecadores. Ela é una, mas nem sempre foi uma só expressão institucional, haja vista que hoje até mesmo dentro do nosso catolicismo romano há expressões diversas, nem por isso negam ou contradizem a sua institucionalidade, convivem, dialogam e incluem-se a ela.

O que podemos dizer a partir dessas breve considerações? Que unidade não é simplesmente unicidade. Tomando a metáfora da orquestra. Os instrumentos da orquestra não devem formar um mesmo som, no mesmo tempo, na mesma melodia (unicidade), os sons podem e dever ser diferentes, em timbres, em graus, em intensidades, mas todos juntos orientados pelo mesmo maestro numa perfeita harmonia e sincronia (unidade). Logo, unidade tem haver com organização, harmonização, ajustamento, adequação. O grande maestro desta orquestra é o próprio Espírito de Jesus Cristo, Ele é quem dá o tom, a beleza, o sabor e a vida na Unidade…

A institucionalidade da Igreja, por sua vez, só tem sentido de existir porque ela está como a primeira serva e promotora da Unidade; como bem dito, não a primeira em dignidade, mas a primeira enquanto missionada (enviada) e convocada na sucessão dos Apóstolos por Jesus a ser unida e promover a Unidade. “Ide por todo o mundo e anunciai a toda a criatura…” (Mc. 16, 15 ) pois “Tu és Pedro e sobre está Pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18)  e do ponto de vista humano, não há outra forma social de expressar unidade senão por instituição ou corporação.

2. Catolicidade

“Inácio, o primeiro na literatura cristã, atribui à Igreja o adjectivo ‘católica’, isto é ‘universal’: ‘Onde estiver Jesus Cristo’, afirma ele, ‘ali está a Igreja’” (Aos Esmirnenses 8, 2 . Inácio de Antioquia. In Bento XVI in Idem.)

Nossa Igreja é denominada Igreja Católica Apostólica Romana. Errado! Nossa Igreja é Católica, é Apostólica e é Romana. A quem diga que não segue “placa de Igreja”. Nós também não seguimos, placa de Igreja traz o nome da Igreja. Nossa Igreja não tem nome! Graças a Deus. Não seguimos placa, mas sim temos um qualificativo; por isso não se diz: “Eu pertenço à Católica”, mais correto é dizer: “Eu sou católico”.

A Palavra “católico” significa Universal. Isto é, aquele que faz parte do Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1,18) que pelo Batismo se configurou a Cristo e nele vive uma Nova Vida no Seu Espírito. Este se configura à própria universalidade de Cristo. “Eu vim para que TODOS tenham a vida” (Jo 10, 10) “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho à TODA criatura.” (Mt 28, 29; Mc 16, 15).

A mensagem e o projeto de Jesus é para TODOS os seres humanos, de todas as raças, línguas, culturas, religiões de todos os tempos e lugares, é um projeto universal, o projeto do Amor, o Amor que eleva a humanidade à sua dignidade magnânima a ponto de divinizá-la.

Ser Católico, não é um privilégio, nem um motivo para se gabar ou achar que está na verdade simplesmente, ser Católico vai mais além. Ser Católico é abraçar a nobre missão de Acolher na própria vida a Vida de Cristo Jesus e ter um Coração Universal, livre de todo pecado, de toda maldade, de toda desumanidade, de tudo o que escraviza a pessoa humana na sua totalidade, seja corporal, psicológica, social, política, espiritualmente etc…

Pode parecer um Ideal muito utópico, mas a proposta é muito concreta, este é o grande Ideal a ser buscado. O que nos leva a notar que ser Católico não é da noite para o dia, como um passe de mágica, mas é um processo que empata toda a nossa vida. Para o Católico não importa tanto onde está, com quem está, ou como está, o que importa é Amar sem medidas, sem aprisionamentos, com o coração livre e responsável pela vida naquilo que a vida exige de nós.

Peçamos a Deus a graça de querer abraçar este Ideal, que orientados e motivados pelo martírio de Santo Inácio de Antioquia sejamos homens e mulheres de um Coração Universal, de uma paixão pela Unidade e de uma consciência que somos a Igreja da Esperança sem nome, mas de atitudes e convicções profundamente Humanas conforme Cristo Jesus, nosso Senhor.

Rezemos pela unidade e pela Catolicidade dos Cristãos e Cristãos Católicos !

Até o próximo artigo !

SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA E O ANSEIO DE PELA UNIÃO A CRISTO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

Prezados irmãos e irmãs, mais uma vez, com alegria, refletimos a vida de um irmão mais velho que teve êxito na caminhada da fé; hoje, Santo Inácio de Antioquia. Fazemos isso, como proposto, a partir da catequese que o Santo Padre, o Papa Bento XVI proferiu a seu respeito no dia 14/03/2007 (veja o link no final do texto).

Lemos na catequese do Santo Padre: “Nenhum padre da Igreja expressou com a intensidade de Inácio o anseio pela união com Cristo e pela vida n’Ele”. É sugestivo que este tema tenha aparecido na catequese do Papa bem no dia de oração mundial pelas vocações dehonianas, ou seja, o dia do nascimento de nosso fundador, Pe. Dehon, a quem a união a Cristo em sua oblação reparadora era o impulso vital… Por isso, nosso tema não poderia ser outro, trata-se da união com Cristo.

Em Santo Inácio o desejo da união a Cristo cresceu de tal maneira que ele suplicou aos irmãos de Roma para que não impedissem seu martírio: até na morte queria assemelhar-se a Jesus Cristo. Vemos aqui a virtude da coragem exercida em plenitude! De fato, tem coragem aquele que reconheceu algo que vale mais do que a vida, no caso o amor de Deus, como canta o salmista: “Vosso amor vale mais do que a vida” (Sl 62,4).

Agora vale pensar em nós mesmos… Como nós, que temos o nome de cristãos, aderimos a Cristo? Até que ponto Ele é o centro do nosso coração? O que suportamos para estar junto d’Ele, fazer Sua vontade? Às vezes é preciso reconhecer, com o rosto ruborizado, que estamos longe de sermos cristãos como este nosso irmão mais velho foi. Que seu testemunho inflame nosso coração e o abra à ação do Espírito Santo!

Por fim, destacamos ainda que a união a Cristo na vida de Santo Inácio de Antioquia, consumada no martírio, se deu gradativamente na Igreja. Foi na comunhão eclesial que ele conheceu Jesus Cristo. Nela, ele se alimentou. Por ela se doou e por isso foi capaz de dizer: “Onde estiver Jesus Cristo, ali está a Igreja católica” (Carta aos Esmirnenses 8, 2). Este blog leva o nome de Communio, pois queremos estar em comunhão com a Igreja de sempre. Que a vida de Santo Inácio renove nossa adesão a Cristo em Sua amada Igreja.

Roguemos a intercessão de Santo Inácio para que nos ajude a vivermos esta vida num movimento de união cada vez mais profunda com Cristo, nosso Senhor, através da coragem e do amor – a Deus, à Igreja e aos irmãos.

Fiquem na paz inquieta do Coração de Jesus e nos cuidados maternais de Maria Santíssima.

Grande abraço e até semana que vem!

Fr. Lucas, scj.

BENTO XVI. Audiência geral, quarta-feira, 14 de Março 2007. http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070314_po.html.

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