“Sou trigo de Deus, serei moído pelos dentes das feras, para que me apresente como trigo puro de Cristo” (Santo Inácio de Antioquia, Cartas aos Romanos, 4)

Meus queridos amigos.

Santo Inácio de Antioquia é mais um dos santos que queremos imitar. Nos nossos dias temos à liberdade de expressar a nossa fé. De dizer para todos que somos Católicos, que temos a tradição Apostólica e amamos o santo Padre. Tudo isso é devido aos grandes homens e mulheres que tivemos ao logo da história da Igreja. Eles que edificaram a construção divina com suas vidas, doando seu próprio sangue.

O santo de Antioquia dizia: “O cristianismo, ao ser odiado pelo mundo, mostra que não é obra de persuasão, mas de grandeza” (Rm 3). O cristianismo é obra de grandeza até hoje, quando nos odeiam e não entendem nossa mensagem. Não entendem os nossos santos, não entendem o Papa, pois, na realidade, não entendem nem a si mesmos.

Inácio queria ser “trigo”, entendia a si mesmo e a sua missão e vocação. “Se o grão de trigo não cair na terra, não morrer, ele não cresce e não produz frutos” (Jo 12, 24  ). É preciso morrer para viver, meus irmãos! “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho ganhará a vida eterna” (Lc 9,24). Santo Teresa de Jesus afirmava que daria mil vidas para salvar uma alma. Temos esta intrepidez, queridos amigos? Temos esta pahresia?

Que ousadia santa de ser associado à paixão, morte e ressureição de Cristo. Já o fomos quando batizados. No nosso batismo dizemos, sem saber, as mesmas palavras de Inácio: “quero ser triturado para ser trigo novo nas mãos de Deus”. “Por isso, ele mesmo diz: O arquivo é Jesus Cristo; meus arquivos invioláveis são a sua cruz, sua morte, sua ressurreição, e a fé que vem dele”(Fl 8).

Meus queridos irmãos, no diretório espiritual do nosso fundador, padre Dehon, que também queria ser mártir, ele enfatizava que a “vítima de amor” não escolhe o instrumento de flagelo: ela aceita todos os suplícios em estado de oferenda, querendo com o sofrimento da vida presente, assemelhar-se a Cristo. “Os sofrimentos da vida presente nem deve ser comparado à glória que está reservada para nós na eternidade” (Rm 8, 18).

Portanto, “ser trigo de Deus” é todo dia ser mastigado um pouquinho nesta vida, para sermos trigo novo na eternidade com Deus. Assim, Inácio diz: “Só uma coisa nos importa: que nos encontremos em Jesus Cristo para entrar na verdadeira vida. Fora dele, nada tenha valor para nós” (Ef, 11). “Para chegar de todo ao Tudo as de deixar de todo em tudo” (São João da Cruz, poema – Subida ao monte).

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