Queridos e queridas, amigos e amigas dos Santos. Nesta semana somos convidados a conhecer outro grande personagem da nossa Tradição cristã e cristã Católica. O “Doutor da Unidade” Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir. Viveu também próximo dos que conviveram com os Apóstolos de Jesus. Com ele, surge a expressão que qualifica a Igreja de Jesus “católica” que significa Universal (cf. Carta de Santo Inácio aos Esmirnenses 8, 2). Meditemos pois, estas duas temáticas que estão profundamente interligadas. A Unidade e a Catolicidade da nossa Igreja inspiradas na fé deste Apóstolo Mártir das Primeiras Comunidades.

1. A Unidade

“A unidade a ser realizada nesta terra pelos cristãos é unicamente uma imitação, o mais possível conforme com o arquétipo divino.” (Bento XVI, Sobre Santo Inácio de Antioquia in http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ en-xvi_aud_20070314_po.html)

Um atributo muito forte dos Cristãos do primeiro século era justamente a unidade. Um outro grande autor deste período descreveu mais ou menos assim: eles eram conhecidos pela partilha dos bens segundo as necessidades de cada um, assíduos na oração, eram como qualquer outro cidadão, romanos, judeus, pagãos mas era de encantar como eram unidos muitos diziam: “vejam como eles se amam” (cf. At.1-2) A Unidade sempre foi um desejo de Jesus àqueles que fizessem seu Caminho “Sejam um como Eu e o Pai somos um” (cf. João 10)

Ao falar que a Igreja de Jesus é Una não significa dizer que ela é Uma. Ela é uma enquanto se expressa na instituição visível, porém devido nossas limitações e situações históricas esta união visível muitas vezes não corresponde ou não alcança a perfeita unidade do próprio Deus. Só Ele é Uno-Trino, nosso esforço com a graça é, como afirma o Papa, unicamente uma “imitação” da Unidade enquanto tal. Portanto, a Igreja Una não pode ser somente visível (mas também é visível) senão perderia outro atributo que a faz ser Imagem e Semelhança do Deus que por ela se revela, o fato de Ser Mistério, de ter uma certa invisibilidade aos olhos humanos.

A Igreja também comporta uma dimensão de Mistério, ou seja, algo que ainda não conseguimos absorver por completo. Se a Igreja também não assegurasse sua misteriosidade jamais poderíamos dizer que ela é de desígnio divino. Por isso, compreendemos que nossa Igreja é Santa, porém feita de pecadores. Ela é una, mas nem sempre foi uma só expressão institucional, haja vista que hoje até mesmo dentro do nosso catolicismo romano há expressões diversas, nem por isso negam ou contradizem a sua institucionalidade, convivem, dialogam e incluem-se a ela.

O que podemos dizer a partir dessas breve considerações? Que unidade não é simplesmente unicidade. Tomando a metáfora da orquestra. Os instrumentos da orquestra não devem formar um mesmo som, no mesmo tempo, na mesma melodia (unicidade), os sons podem e dever ser diferentes, em timbres, em graus, em intensidades, mas todos juntos orientados pelo mesmo maestro numa perfeita harmonia e sincronia (unidade). Logo, unidade tem haver com organização, harmonização, ajustamento, adequação. O grande maestro desta orquestra é o próprio Espírito de Jesus Cristo, Ele é quem dá o tom, a beleza, o sabor e a vida na Unidade…

A institucionalidade da Igreja, por sua vez, só tem sentido de existir porque ela está como a primeira serva e promotora da Unidade; como bem dito, não a primeira em dignidade, mas a primeira enquanto missionada (enviada) e convocada na sucessão dos Apóstolos por Jesus a ser unida e promover a Unidade. “Ide por todo o mundo e anunciai a toda a criatura…” (Mc. 16, 15 ) pois “Tu és Pedro e sobre está Pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18)  e do ponto de vista humano, não há outra forma social de expressar unidade senão por instituição ou corporação.

2. Catolicidade

“Inácio, o primeiro na literatura cristã, atribui à Igreja o adjectivo ‘católica’, isto é ‘universal’: ‘Onde estiver Jesus Cristo’, afirma ele, ‘ali está a Igreja’” (Aos Esmirnenses 8, 2 . Inácio de Antioquia. In Bento XVI in Idem.)

Nossa Igreja é denominada Igreja Católica Apostólica Romana. Errado! Nossa Igreja é Católica, é Apostólica e é Romana. A quem diga que não segue “placa de Igreja”. Nós também não seguimos, placa de Igreja traz o nome da Igreja. Nossa Igreja não tem nome! Graças a Deus. Não seguimos placa, mas sim temos um qualificativo; por isso não se diz: “Eu pertenço à Católica”, mais correto é dizer: “Eu sou católico”.

A Palavra “católico” significa Universal. Isto é, aquele que faz parte do Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1,18) que pelo Batismo se configurou a Cristo e nele vive uma Nova Vida no Seu Espírito. Este se configura à própria universalidade de Cristo. “Eu vim para que TODOS tenham a vida” (Jo 10, 10) “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho à TODA criatura.” (Mt 28, 29; Mc 16, 15).

A mensagem e o projeto de Jesus é para TODOS os seres humanos, de todas as raças, línguas, culturas, religiões de todos os tempos e lugares, é um projeto universal, o projeto do Amor, o Amor que eleva a humanidade à sua dignidade magnânima a ponto de divinizá-la.

Ser Católico, não é um privilégio, nem um motivo para se gabar ou achar que está na verdade simplesmente, ser Católico vai mais além. Ser Católico é abraçar a nobre missão de Acolher na própria vida a Vida de Cristo Jesus e ter um Coração Universal, livre de todo pecado, de toda maldade, de toda desumanidade, de tudo o que escraviza a pessoa humana na sua totalidade, seja corporal, psicológica, social, política, espiritualmente etc…

Pode parecer um Ideal muito utópico, mas a proposta é muito concreta, este é o grande Ideal a ser buscado. O que nos leva a notar que ser Católico não é da noite para o dia, como um passe de mágica, mas é um processo que empata toda a nossa vida. Para o Católico não importa tanto onde está, com quem está, ou como está, o que importa é Amar sem medidas, sem aprisionamentos, com o coração livre e responsável pela vida naquilo que a vida exige de nós.

Peçamos a Deus a graça de querer abraçar este Ideal, que orientados e motivados pelo martírio de Santo Inácio de Antioquia sejamos homens e mulheres de um Coração Universal, de uma paixão pela Unidade e de uma consciência que somos a Igreja da Esperança sem nome, mas de atitudes e convicções profundamente Humanas conforme Cristo Jesus, nosso Senhor.

Rezemos pela unidade e pela Catolicidade dos Cristãos e Cristãos Católicos !

Até o próximo artigo !

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