Caro amigo.

Prosseguindo no caminho de Jesus Cristo, através dos santos da Igreja, este texto nos lançará da segunda metade do primeiro século cristão até o início do século seguinte. Para isso, meditaremos sobre a vida e os pensamentos de santo Ireneu (202), bispo de Lião (atualmente, território francês). Veremos que sua história foi marcada pelo convívio com São Policarpo, discípulo de São João, e pela defesa e sistematização teológica da doutrina cristã.

Uma das realidades que mais chama a atenção na história do nosso santo é sua proximidade com São Policarpo, discípulo de São João evangelista. Sobre isso, ele chega a afirmar que “poderia dizer qual o lugar onde o beato Policarpo costumava sentar-se para falar-nos, e como entrava nos argumentos; que tipo de vida tinha, qual o aspecto de sua pessoa, os discursos que fazia ao povo, como nos discorria sobre os colóquios íntimos que tinha com João e com os outros que haviam visto o Senhor, seus milagres e sua doutrina. Tudo isto Policarpo aprendeu com testemunhas oculares do Verbo da Vida e o anunciava em plena harmonia com as Sagradas Escrituras” [2]. Bastaria esta informação para despertar nossa mente e aquecer o nosso coração.

No seu contexto de Igreja, após décadas de catequese, diálogo com os pagãos e defesa da fé diante do Império, cresciam internamente os conflitos doutrinários. Entre eles, a afirmação feita por algumas pessoas de que a salvação que Jesus realizou para todos na Páscoa, apenas se dava pelo conhecimento intelectual (gnose) e que o corpo humano (matéria) era desprezível [3]. Nada mais excludente: os simples são condenados e o corpo humano declarado como obra do demônio. É neste contexto que surge o primeiro teólogo católico: o batalhador da fé apostólica, autor da valiosa e ampla obra Contra os Hereges.

Entre os seus inúmeros pensamentos, ele diz que “a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem consiste na visão de Deus” [4]. Veja: o valor deste pensamento está na vida humana e na glória de Deus. Para isso, é fundamental a caridade e a oração. Primeiramente, porque “se alguém disser: amo a Deus, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus,a quem não vê” [5]. Enquanto isso, sem a oração não vemos a Deus e nada poderemos fazer pelos outros, pois “se não rezamos ninguém precisará de nós. O mundo não necessita de corações e de alma vazias” [6].

Louvado seja Deus pelo testemunho corajoso, apaixonado e qualificado de Santo Ireneu de Lião. Vivamos intensamente esta Semana Santa e deixemos o Ressuscitado transbordar em nossa vida. Até a próxima Eucaristia e na segunda-feira nos reencontraremos para estudarmos e meditarmos sobre São Clemente de Alexandria, grande pensador da fé.

Deus lhe abençoe!

Notas:

[1] São Ireneu de Lião: Contra as heresias. São Paulo: Ed. Paulus, 1995.

[2] Ibid, p. 14-15.

[3] Ibid, Livro II.

[4] Ibid, Livro IV, 20, 7.

[5] 1 Jo, 4, 19-20.

[6] DAJCZER, TADEUSZ, Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 208

Anúncios