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S. CIPRIANO, CATÓLICO, BISPO E MÁRTIR, E A FIDELIDADE À IGREJA – por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs em Cristo, bem vindos mais uma vez ao CommunioSCJ. Como sempre, refletiremos sobre a figura e mensagem de um Padre da Igreja a partir da catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu sobre o mesmo personagem [1]. Desta vez, nosso interlocutor é S. Cipriano, bispo de Cartago (norte da África) que foi martirizado no ano 258 [2].

Por respeito à história da minha amizade com este santo, cuja devoção trago comigo desde o ano 2000, devo dizer que, apesar de o Santo Padre propor excelentes reflexões a respeito de seu posicionamento em relação aos lapsi [3], bem como a respeito do Pai-Nosso, pretendo, aqui, refletir sobre o tema mais querido de S. Cipriano: a Igreja, cuja característica irrenunciável era, para ele, a unidade que se fundamenta em Pedro e tem sua realização perfeita na Eucaristia.

Lemos na catequese do Papa Bento XVI: “Ele (Cipriano) distingue entre Igreja visível, hierárquica, e Igreja invisível, mística, mas afirma com vigor que a Igreja é uma só, fundada sobre Pedro. Ele não se cansa de repetir que ‘quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual a Igreja está fundada, engana-se de permanecer na Igreja’ (Sobre a unidade da Igreja católica 4)”.

E é bom notar que esta fé fora professada por Cipriano de Cartago, pagão convertido de gênio forte, que protagonizou uma controvérsia com Estêvão, papa, a respeito da validade do batismo ministrado por hereges. Vemos claramente, assim, que nosso santo não era um ingênuo subserviente, nem um inocente útil de ideologias quaisquer: era um cristão católico cônscio do que significa ter fé em Jesus Cristo.

Está cada vez mais claro que é preciso crer na Igreja, do modo como rezamos a cada domingo “creio na santa Igreja católica”, para termos acesso ao Jesus real. Ou somos papagaios e repetimos esse verso só da boca pra fora? Em nenhum lugar do nosso credo está escrito “creio na bíblia” ou “creio em Fulano ou Ciclano, doutores na Universidade X”… Mas a necessidade da fé na Igreja é explícita. Sem fé na Igreja (de sempre) é impossível encontrarmo-nos com Jesus: alguém com quem é preciso relacionar-nos [4]… É impossível crer no fruto, Bíblia, sem crer na árvore, Igreja. Por isso, S. Cipriano pode afirmar que “não pode ter Deus por Pai, quem não tem a Igreja por mãe” [5].

Por isso, o convite desta semana é este: vamos reforçar, reafirmar, renovar nossa fé na Igreja. Pelo mérito dos seus filhos, de seus membros imperfeitos? Não. Mas pela dignidade de sua Cabeça (cf. Cl 1,18), pela confiabilidade daquele que disse: “eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Concretamente, isso se traduz em amor filial, confiança e fidelidade ao Santo Padre; em busca por conhecer melhor a doutrina e a moral eclesiásticas, os santos, a história, o Magistério da Igreja; em assiduidade na oração e na participação dos Sacramentos, sobretudo da Penitência e da Eucaristia; e em converter-se em Igreja, em levar uma vida digna do nome de cristãos. Assim, na Igreja, encontraremos Cristo Jesus, verdadeiramente vivo e ressuscitado, razão da nossa existência e sentido da história.

Fraterno abraço e até semana que vem!

[1] Catequese do Santo Padre Bento XVI no dia 06 de junho de 2007: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070606_po.html>.

[2] Não precisamos nem dizer, neste curto espaço, que nosso santo não tem nada a ver com bruxaria ou qualquer coisa que o valha. Trata-se de um santo bispo da Igreja católica que morreu pela fé: deu sua vida por Jesus Cristo no episcopado e no martírio.

[3] Nome que dava aos cristãos que haviam negado à fé no momento da perseguição e que queriam ser readmitidos à comunidade.

[4] Cf. BENTO XVI, Deus Caritas Est, n. 1. Link para a encíclica na aba “Documentos da Igreja”.

[5] Sobre a unidade da Igreja católica 4.

POR QUE NÃO COMEÇAR A SER? – Por Diácono Júlio Ferreira, SCJ.

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“Por que não começar a ser o que seremos?” São Cipriano de Cartago 

Olá amigos do CommunioSCJ, que alegria escrever a mensagem desta semana. Estamos meditando sobre a vida de São Cipriano de Cartago, Bispo e Mártir. Particularmente é um dos santos que eu mais amo, pois o lema da minha vida é a sua frase, que interroga: “Por que não começar a ser o que seremos?”.

O que nós seremos? Seremos o que fomos! O que somos não é o que fomos nem o que seremos, estamos em transformação. O “seremos” é a condição do que “fomos”, estávamos juntos de Deus e éramos participantes da sua vida na eternidade. Somos chamados a voltar a essa condição beatífica, real de felicidade plena. De movimento eterno no qual estávamos envolvidos. “A esperança e a paciência são necessárias para levarmos ao bom termo o que começamos a ser”. (LITURGIA DAS HORAS vol. 1, 1ª semana do Advento – Sábado – Do Tratado sobre o bem da paciência, p. 158).

São João da Cruz diz que: “O que Deus pretende é fazer nos deuses, não por essência, mas por participação”. (SÃO JOÃO DA CRUZ, Obras Completas, ditos de Luz e Amor, 105). A Santíssima Trindade sempre quer divinizar o ser humano. A Trindade é Una e Trina, é Deus em três pessoas. E sua relação Trinitária é amorosa. Este amor, que é amor-Ágape, amor doação, não consegue ficar somente imanente, mas, transborda saindo de si mesma. O objetivo da Trindade é divinizar o ser humano, com um fogo que transforma tudo em fogo. Divinizados (Théosis) é o que nós seremos.

Logos-Cristo precisava tornar-se humano, sobretudo para, como mestre, dar aos seres humanos ‘sua aula celestial’ sobre o amor (Clemente Propt 11, 114, 4). Neste sentido também o motivo da troca, oriundo de Ireneu, é transformado: ‘O Logos tornou-se ser humano para que aprendais de um ser humano como o ser humano pode tornar-se divino”.(HAMMAN, 1980, p.18).

Seremos deuses por participação! Entrementes, por que não começar já, se nossa meta é sermos deuses? Nesta afirmação está tudo justificado. Começamos a ser o que seremos, é o caminho, o scopo. Por isso, que observamos os mandamentos da Igreja, rezamos, confessamos, comungamos, amamos e fazemos tudo para começar a ser o que seremos. A Igreja e os seus sacramentos é itinerário salvífico para todo o ser humano. É caminho de divinização.

A razão da nossa esperança e da nossa fé está na meta. Começamos a viver com os olhos no céu, na eternidade. Como o ser de Cristo estava voltado constantemente para Sua hora, para a Sua meta. Nossa hora é o céu, é a eternidade! Estamos voltados para essa última hora, que é o anseio, o desejo mais profundo do nosso ser; de participar da vida Trinitária. Domingo que vem é a solenidade da Ascensão do Senhor, que é a nossa humanidade divinizada em Cristo no seio da Trindade.

Ser Deus é sinergia, graça e busca. Quando encontramos “aquele que o nosso coração ama” (Ct 3,4) queremos ser semelhantes a Ele e fazer de tudo para isso. Por isso, “torna-te aquilo que tu eras e serás”, comece a ser o que você será. Por que não? Já que somos atraídos para este Télos – meta. Comecemos agora!

Seguramente não existe melhor condição do que essa: ser igual a Deus. Eu quero!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

HAMMAN, A. Os Padres da Igreja. [tradução: Ir. Isabel Fontes Leal Ferreira]. São Paulo: Paulinas, 1980.

JOÃO DA CRUZ. Obras completas. Petrópolis: vozes, 2002.

TERTULIANO: A INFELICIDADE DE ALGUÉM QUE VIVEU APAIXONADAMENTE PELO CRISTO SEM HUMILDADE – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ.

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     Queridos (as) amigos (as)

Nas últimas semanas estudamos os grandes pensadores do início do cristianismo que escreveram em língua grega. Agora, iniciamos nossa reflexão sobre os autores latinos. O primeiro cristão que escreveu com qualidade na língua mãe do Ocidente foi Tertuliano (220). Além disso, ele foi o primeiro grande representante da Igreja na África. Tinha tudo para ser declarado santo: “foi um sábio, um jurista, um orador e um profeta, mas o calor do sangue estragou-lhe toda a personalidade” [1].

Tertuliano depois de exercer por vários anos o trabalho de advogado, provavelmente vendo o testemunho dos mártires, não titubeou e se tornou um fervoroso cristão[2]. “Lançado desde a conversão ao assalto de todos os inimigos de Cristo, mostra nas inúmeras batalhas a que se entrega audácia que nada pode domar” [3]. Tornou-se valoroso fazendo “progredir a doutrina em muitos aspectos: o dogma da Trindade, a ideia do mérito do homem e da sua responsabilidade perante Deus e a própria noção dos sacramentos devem-lhe uma precisão que até então não tinham” [4]. Foi ele quem disse que “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos” [5]. Sua capacidade argumentativa e facilidade em fazer progredir a fé não permitem que seja ignorado.

Era um líder nato, mas de intransigência tamanha que, a exemplo das pessoas que vivem desta forma, foi cada vez mais se isolando. Exigia que todos os cristãos manifestassem sua mesma radicalidade. Não suportava os pecadores e acabou deixando a Igreja para participar do movimento montanista [6]. Não demorou muito, fundou sua própria seita e pregava mais sobre os pecados dos outros do que os seus valores e o amor e misericórdia de Deus. Em poucas palavras, separou-se da Igreja por orgulho, por achar-se melhor do que os outros. Só faltou dizer que após abandonar a Igreja católica conheceu Jesus…

Contudo, não podemos condená-lo. Em nossos dias como ficar indiferente diante de cristãos apáticos, medíocres e utilitaristas? Vários deles que estão na Igreja com o dever de servi-la e dela apenas se servem. Outros que a utilizam como trampolim para sua projeção política partidária – os mesmos que depois que chegam ao poder a humilham com a sua indiferença aos valores que antes diziam defender. Ou de alguns artistas que não se envergonham em usar a mãe Igreja para gravar os seus CDs, ou vender os seus livros e ensinar a sua teologia sem comprometer-se com o cristianismo católico. Além de inúmeros que se encostam em “sua” paróquia ou comunidade para não enfrentar os problemas da sua casa. A Igreja é mãe é precisa de filhos que a amam e não a usem e depois cuspam nos seios que antes o amamentaram.

Por mais que seja difícil ver estas coisas, que não estamos livres e inconscientemente podemos até fazer pior, deixemos que as julguem o Único que conhece verdadeiramente o coração das pessoas [7]. Quando houver erros doutrinários e morais, se for prudente e necessário, não se omita, nas outras questões adote uma postura diferente e reze. Ser cristão é constantemente um exercício de paciência e humildade, um trabalho para ajudar os irmãos pregando sempre, quando necessário com palavras. São Francisco de Assis costumava dizer para os seus irmãos que não deveriam exigir que outros vivessem como eles. Não nos esqueçamos que a separação das ovelhas e dos bodes, do joio e do trigo, será apenas no final e feita apenas pelo Senhor [8].

Lutemos para sermos melhores, mas cobrar que todos sejam como queremos é arrogância. Seja firme nos seus valores, não os deixe e juntamente com uma sólida vida de oração, você será sinal de Deus na vida das pessoas.

Tenha uma ótima s,emana e até a próxima Eucaristia.

NOTAS:

[1] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 333.

[2] Catequese do Santo Padre Bento XVI de 30 de maio de 2007, Tertuliano: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070530_po.html>.

[3] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 333.

[4] Ibid, p. 334.

[5] Apologético 50, 13.

[6] O movimento de Montano baseava-se na pregação do eminente fim do mundo, marcado por um milenarismo agudo seguido de rigorismo moral. Por milenarismo entende-se, basicamente, “um reino terrestre de Cristo com seus eleitos, com a duração de mil anos, a nova Jerusalém” (Roque FRANGIOTTI, História das heresias (séculos I-VII), São Paulo: Paulus, 1995, p.57).

[7] Lc 16, 15.

[8] Mt 25, 33

TERTULIANO: DA APOLOGÉTICA À HERESIA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Bem vindos novamente ao CommunioSCJ! É uma grande alegria, mais uma vez, poder partilhar um pouco da nossa fé católica a partir de mais uma grande figura da Igreja antiga: Tertuliano, que viveu a virada do séc. II para o séc. III. Como sempre, nosso texto inspirador é a catequese do Santo Padre Bento XVI proferida no dia 30 de maio de 2007 [1].

Esta foi a primeira catequese que o papa proferiu depois de retornar a Roma de sua viagem ao Brasil (você se lembra?). É bom recordar o que vimos, ouvimos e vivemos quando Bento XVI esteve por aqui. Suas palavras aqui na Terra de Santa Cruz, que nortearam os trabalhos da V CELAM, foram de um profeta autêntico. E, além disso, ele nos deu de presente santo Antônio de Santana Galvão.

Mas voltemos rapidamente a Tertuliano. De berço e formação pagã, ele se converteu ao cristianismo provavelmente pelo exemplo dos mártires cristãos: é dele a célebre frase: “semen est sanguis christianorum” [2]. Africano, foi o primeiro teólogo a escrever em latim, contribuindo no desenvolvimento do dogma trinitário e cristológico. Suas principais obras são de caráter apologético. Apesar disso, seu forte temperamento o empurrou para a heresia montanista [3].

Sobre estes dois aspectos queremos meditar a partir de agora: a apologética e o desvio de Tertuliano à heresia. Em muitas pessoas escutar a palavra apologia produz calafrios… Mas, convenhamos, a defesa de algo ou alguém é comum em nossa vida cotidiana. Muita gente perde a razão defendendo coisas supérfluas, como torcedores que chegam à violência por um clube qualquer de um esporte qualquer… E por que não seria lícito defender a fé cristã se vemos que a alma humana é naturaliter cristã? [4]

Não sejamos nós os loucos a jogarmos fora dois mil anos de Tradição e construirmos um novo cristianismo à nossa medida. É preciso, então, contra a ditadura do relativismo, nos colocar à defesa do patrimônio da fé cristã. Nisto Tertuliano é exemplo: em suas apologias ele buscava refutar as acusações caluniosas que os pagãos faziam aos cristãos e, ao mesmo tempo, “comunicar a mensagem do Evangelho em diálogo com a cultura do tempo” [5]. Não parece que é exatamente isso que nosso mundo precisa hoje?

Por fim, podemos nos perguntar o que levou Tertuliano a deixar o seio da Igreja e se enveredar pela heresia. É uma pergunta justa. Para respondê-la, vamos ler as palavras da catequese do santo padre:

“Vê-se que no final lhe falta a simplicidade, a humildade de se inserir na Igreja, de aceitar as suas debilidades, de ser tolerante com os outros e consigo mesmo. Quando se vê só o próprio pensamento na sua grandeza, no final é precisamente esta grandeza que se perde. A característica essencial de um grande teólogo é a humildade de estar com a Igreja, de aceitar as suas e as próprias debilidades, porque só Deus é realmente todo santo. Ao contrário, nós temos sempre necessidade de perdão”.

Que o bom Deus, pela intercessão de Maria santíssima e de S. Pio de Pietrelcina, nos ajude a amar, defender e permanecer na Santa Igreja.

Fraterno abraço e até semana que vem!

[1] Catequese do Santo Padre Bento XVI de 30 de maio de 2007, Tertuliano: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070530_po.html>.

[2] “O sangue dos cristãos é semente” (Apologético 50,13).

[3] O movimento de Montano baseava-se na pregação do eminente fim do mundo, marcado por um milenarismo agudo seguido de rigorismo moral. Por milenarismo entende-se, basicamente, “um reino terrestre de Cristo com seus eleitos, com a duração de mil anos, a nova Jerusalém” (Roque FRANGIOTTI, História das heresias (séculos I-VII), p.57).

[5] Para Tertuliano a alma humana é naturalmente cristã, ou seja, nas palavras de Bento XVI, existe uma “perene continuidade entre os valores humanos e os valores cristãos”.

[4] Bento XVI, catequese sobre Tertuliano.

“EXPERIMENTE REZAR UM POUCO MAIS” – Por Diácono Júlio Ferreira, SCJ

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“Nós nos reunimos em assembléia e em congregação para assediar Deus com as orações quase como um exército. Esta violência agrada a Deus”.

Caros amigos, que bom voltar ao CommunioSCJ, estava com saudades. Nestas semanas que passei sem escrever para o nosso blog, estava escrevendo meu TCC, que em breve irei partilhar aqui com todos, sobre a Divinização do ser humano.
Nesta semana estamos caminhando com Tertuliano, grande Padre da Igreja. Iremos explorar o seus escritos sobre a oração. Costumo comentar sempre com os meus irmãos do blog: “Quer ver a sua vinda mudar”? Experimente rezar um pouco mais! Por isso, Direção Espiritual em que o dirigido não reza é bate papo. Podemos fazer em qualquer lugar, por exemplo, em um buteco ou pizzaria. “Quem não reza é uma pessoa em perigo!” Dizia o Beato João Paulo II na “Evangelium nuntianti”. Quando há perigo de se perder, a oração nos coloca no caminho certo.
Tertuliano diz que: “a oração coroada pelo amor, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos, nos alcançará de Deus tudo o que pedimos. A oração não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, conduz os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé”.
O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica diz: “a oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus de bens conformes à sua vontade. Ela é sempre dom de Deus,que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamentebom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo, que habita no coração deles”.
São Paulo exorta constantemente a sua comunidade. “2Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. 3 Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; 4 para que eu o manifeste, como devo fazer” (Col 4,2ss).
Santa Teresinha concebe a oração como “um olhar elevado ao céu, um grito de reconhecimento em meio à alegria e sofrimento”. A oração é um envolvimento de intimidade com alguém que você tem certeza que te ama. O amor é o movimento de mais pleno que envolve aquele que reza. E quem reza, sofre, chora e é difamado.
Mas é exatamente por esta prática de amor que nós somos difamados por alguns. “Vede, dizem, como se amam entre si, e estão prontos a morrer uns pelos outros, enquanto que estes estão prontos a degolar-se mutuamente”, dizia Tertuliano.
Experimente rezar um pouco mais! Assuma as consequências, pois, essa violência agrada a Deus.

ORÍGENES E A ORAÇÃO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs em Cristo, bem vindos de volta ao CommunioSCJ! Nesta semana continuaremos a refletir sobre a figura de Orígenes, desta vez a partir da segunda catequese do Papa Bento sobre o mesmo (o link para o texto integral da catequese está no final do texto). Nela, o Santo Padre ressalta dois temas – para ele os mais atuais das reflexões de Orígenes: a oração e o sacerdócio comum dos fiéis. É sobre a primeira que refletiremos neste post.

“Da perspectiva de Orígenes, com efeito, a compreensão das Escrituras requer, ainda mais que o estudo, intimidade com Cristo e a oração”. De fato, é isso mesmo que compreendemos quando a Dei Verbum (n. 12), do Concílio Vaticano II, nos diz que devemos ler a Sagrada Escritura com o mesmo espírito com que fora escrita. Vemos, por um lado, como é verdadeiro o testemunho de Bento XVI, quando ele afirma que Orígenes influenciou toda história da lectio divina no Ocidente cristão através de Santo Ambrósio e Santo Agostinho – o Concílio aconteceu mais de mil e setecentos anos depois da morte de Orígenes.

Importante é notar, por outro lado, que Orígenes não despreza o estudo – não mesmo: basta recordar a Hexapla. Assim sendo, reafirmando a partir dele o valor da exegese, não podemos deixar de estudar com afinco as Escrituras: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”, como disse S. Jerônimo.

Isso, contudo, não é suficiente. Nas palavras do próprio Orígenes: “não deves, porém, contentar-se em bater e procurar: para compreender as coisas de Deus é absolutamente necessário a oratio”. A relação com o Senhor é fundamental para compreender a dinâmica de vida que Ele nos propõe em Jesus Cristo – é esta relação que chamamos oração. E uma das formas mais recomendadas para a oração pessoal é a lectio divina.

E, como relação com o Senhor, nossa oração não pode ser comandada por nossas emoções (“rezo quando tenho vontade”), mas exige disciplina (ascese) e esforço pessoal: todo dia devemos separar um momento do nosso dia para o diálogo com Aquele sem o qual deixaríamos de existir. Só quem faz a experiência pode dizer quanto isso alimenta o dia e dá forças para traduzirmos nossa fé em obras. Experimente você também!

Abraço e até semana que vem!

Catequese do Santo Padre, o Papa Bento XVI “Orígenes II – A Doutrina” de 2 de maio de 2007:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070502_po.html

Na aba “Documentos da Igreja” vocês agora encontram alguns links para acessar os documentos do Magistério diretamente a partir do CommunioSCJ – confira, acesse, deixe sua mensagem!

ORÍGENES: UM CRISTÃO QUE NADA RESERVOU PARA SI MESMO – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ

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    Querido (a) amigo (a)

    Após uma semana em que a lei natural e a moral cristã foram humilhadas sem direito de defesa, desejo continuar meditando sobre os grandes personagens que influenciaram a história da Igreja e consequentemente a sociedade universal. Prosseguindo a reflexão sobre Orígenes (185-254), começo com as palavras de um autor italiano e estudioso do cristianismo primitivo: Ele “escreveu seis mil volumes, como afirma S. Epifânio; mais do que uma pessoa consegue ler, acrescenta S. Jerônimo. O fato é que ditava contemporaneamente obras diferentes a sete estenógrafos e, depois, passava grande parte do seu tempo em oração, no ensino e na pregação. Os grandes Padres da Igreja inspiraram-se nos escritos deste homem extraordinário que viveu entre a angústia da excomunhão e o desejo do martírio” [1]. Como já vimos no texto da semana anterior, ele apenas não é santo por alguns limites doutrinários e exageros morais.

     São bonitas suas saudosas palavras sobre a realidade que a Igreja vivia no início do terceiro século quando ele ainda era bem jovem: “Naquele tempo, sim, encontrávamos verdadeiros fiéis! Então, o martírio batia à nossa porta, desde o dia do nosso nascimento; então, ao voltar dos cemitérios, aonde havíamos acompanhado os corpos dos mártires, nós nos encontrávamos, juntos, na Igreja. Toda a Igreja achava-se lá reunida, forte, indestrutível, e os catecúmenos eram catequizados no meio dos mártires, entre uma morte e outra dos cristãos, que confessavam a verdade sem restrição, e depois, estes mesmos, vencendo as provas, aderiam destemidamente a Deus. Bem me lembro de ter visto, naqueles tempos, prodígios extraordinários e estupendos. Os fiéis, naquela época, eram poucos, é verdade, porém autênticos, e seguiam o caminho estreito, que leva à vida” [2].

Agora surge a questão: como um jovem que perdeu seu pai assassinado, teve todos os bens da sua família roubados, foi perseguido e mal quisto até pelas pessoas de dentro da Igreja, conseguiu escrever tantas obras com enorme influência na posterioridade e ainda se manteve fiel a Deus e feliz? Orígenes era uma pessoa que acreditava no que realizava e por isso deu sua vida pelo Cristo na sua vivência cotidiana. Ele não apenas molhou os pés nas águas no Espírito. Ele se lançou por completo sem nada reservar para si. Caso não fosse sua mãe ter escondido suas roupas, ele teria enfrentado os perseguidores da fé e seria mártir ainda jovem [3]. Nada disso teria acontecido sem uma vida de oração madura, edificada na Sagrada Escritura e uma fé determinada que apenas olhava para sua meta: a eternidade.

É fato que os problemas de outrora não são os mesmo da nossa época. Nossos pais não correram o risco de ver-nos nas mãos de perseguidores da Igreja logo no nosso nascimento. Numericamente não somos poucos e não precisamos mais sermos catequizados em cemitérios e às escondidas. Entretanto, eles provavelmente não enfrentavam a guerra fria que sofremos ao vermos os defensores de ideias contrárias a natureza humana lutarem com bravura e nós cristãos não podermos dizer nada sem ouvirmos que somos atrasados e preconceituosos. Possivelmente na sua época os líderes sociais não ganhavam por viagens que nem haviam feito… Os tempos são outros, mas se nossa determinação, coragem e amor pela nossa fé não forem parecidos com nossos antepassados carregaremos o peso de sermos conhecidos no futuro como os cristãos apáticos, light e medíocres do século XXI.

Para construirmos uma nova história, ou melhor, para resgatarmos a vida dos santos nos desafios da nossa geração, temos que começar a mudança em nós. Não será fácil, mas seja muito fiel na sua vida diária de oração – caso queira conhecer métodos de oração basta me dizer – transborde amor no seu ambiente social, ame o cristianismo de sempre e não tenha medo de ser ridicularizado por pensar como a minoria, ou melhor, por acreditar que a Verdade não muda.

Tenha uma ótima semana. Aguardo você na próxima Eucaristia e na outra semana para meditarmos sobre Tertuliano.

Notas:

1] ORÍGENES. Homília in Jeremias 4, 3: In Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. São Paulo: Cidade Nova, 1987, p. 30.

[2] ORÍGENES. Homília in Lucas 25: In Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. São Paulo: Cidade Nova, 1987, p. 29-30.

[3] LELOUP, J, Y. Introdução aos verdadeiros filósofos. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 38-39.

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