Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Bem vindos novamente ao CommunioSCJ! É uma grande alegria, mais uma vez, poder partilhar um pouco da nossa fé católica a partir de mais uma grande figura da Igreja antiga: Tertuliano, que viveu a virada do séc. II para o séc. III. Como sempre, nosso texto inspirador é a catequese do Santo Padre Bento XVI proferida no dia 30 de maio de 2007 [1].

Esta foi a primeira catequese que o papa proferiu depois de retornar a Roma de sua viagem ao Brasil (você se lembra?). É bom recordar o que vimos, ouvimos e vivemos quando Bento XVI esteve por aqui. Suas palavras aqui na Terra de Santa Cruz, que nortearam os trabalhos da V CELAM, foram de um profeta autêntico. E, além disso, ele nos deu de presente santo Antônio de Santana Galvão.

Mas voltemos rapidamente a Tertuliano. De berço e formação pagã, ele se converteu ao cristianismo provavelmente pelo exemplo dos mártires cristãos: é dele a célebre frase: “semen est sanguis christianorum” [2]. Africano, foi o primeiro teólogo a escrever em latim, contribuindo no desenvolvimento do dogma trinitário e cristológico. Suas principais obras são de caráter apologético. Apesar disso, seu forte temperamento o empurrou para a heresia montanista [3].

Sobre estes dois aspectos queremos meditar a partir de agora: a apologética e o desvio de Tertuliano à heresia. Em muitas pessoas escutar a palavra apologia produz calafrios… Mas, convenhamos, a defesa de algo ou alguém é comum em nossa vida cotidiana. Muita gente perde a razão defendendo coisas supérfluas, como torcedores que chegam à violência por um clube qualquer de um esporte qualquer… E por que não seria lícito defender a fé cristã se vemos que a alma humana é naturaliter cristã? [4]

Não sejamos nós os loucos a jogarmos fora dois mil anos de Tradição e construirmos um novo cristianismo à nossa medida. É preciso, então, contra a ditadura do relativismo, nos colocar à defesa do patrimônio da fé cristã. Nisto Tertuliano é exemplo: em suas apologias ele buscava refutar as acusações caluniosas que os pagãos faziam aos cristãos e, ao mesmo tempo, “comunicar a mensagem do Evangelho em diálogo com a cultura do tempo” [5]. Não parece que é exatamente isso que nosso mundo precisa hoje?

Por fim, podemos nos perguntar o que levou Tertuliano a deixar o seio da Igreja e se enveredar pela heresia. É uma pergunta justa. Para respondê-la, vamos ler as palavras da catequese do santo padre:

“Vê-se que no final lhe falta a simplicidade, a humildade de se inserir na Igreja, de aceitar as suas debilidades, de ser tolerante com os outros e consigo mesmo. Quando se vê só o próprio pensamento na sua grandeza, no final é precisamente esta grandeza que se perde. A característica essencial de um grande teólogo é a humildade de estar com a Igreja, de aceitar as suas e as próprias debilidades, porque só Deus é realmente todo santo. Ao contrário, nós temos sempre necessidade de perdão”.

Que o bom Deus, pela intercessão de Maria santíssima e de S. Pio de Pietrelcina, nos ajude a amar, defender e permanecer na Santa Igreja.

Fraterno abraço e até semana que vem!

[1] Catequese do Santo Padre Bento XVI de 30 de maio de 2007, Tertuliano: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070530_po.html>.

[2] “O sangue dos cristãos é semente” (Apologético 50,13).

[3] O movimento de Montano baseava-se na pregação do eminente fim do mundo, marcado por um milenarismo agudo seguido de rigorismo moral. Por milenarismo entende-se, basicamente, “um reino terrestre de Cristo com seus eleitos, com a duração de mil anos, a nova Jerusalém” (Roque FRANGIOTTI, História das heresias (séculos I-VII), p.57).

[5] Para Tertuliano a alma humana é naturalmente cristã, ou seja, nas palavras de Bento XVI, existe uma “perene continuidade entre os valores humanos e os valores cristãos”.

[4] Bento XVI, catequese sobre Tertuliano.