“Por que não começar a ser o que seremos?” São Cipriano de Cartago 

Olá amigos do CommunioSCJ, que alegria escrever a mensagem desta semana. Estamos meditando sobre a vida de São Cipriano de Cartago, Bispo e Mártir. Particularmente é um dos santos que eu mais amo, pois o lema da minha vida é a sua frase, que interroga: “Por que não começar a ser o que seremos?”.

O que nós seremos? Seremos o que fomos! O que somos não é o que fomos nem o que seremos, estamos em transformação. O “seremos” é a condição do que “fomos”, estávamos juntos de Deus e éramos participantes da sua vida na eternidade. Somos chamados a voltar a essa condição beatífica, real de felicidade plena. De movimento eterno no qual estávamos envolvidos. “A esperança e a paciência são necessárias para levarmos ao bom termo o que começamos a ser”. (LITURGIA DAS HORAS vol. 1, 1ª semana do Advento – Sábado – Do Tratado sobre o bem da paciência, p. 158).

São João da Cruz diz que: “O que Deus pretende é fazer nos deuses, não por essência, mas por participação”. (SÃO JOÃO DA CRUZ, Obras Completas, ditos de Luz e Amor, 105). A Santíssima Trindade sempre quer divinizar o ser humano. A Trindade é Una e Trina, é Deus em três pessoas. E sua relação Trinitária é amorosa. Este amor, que é amor-Ágape, amor doação, não consegue ficar somente imanente, mas, transborda saindo de si mesma. O objetivo da Trindade é divinizar o ser humano, com um fogo que transforma tudo em fogo. Divinizados (Théosis) é o que nós seremos.

Logos-Cristo precisava tornar-se humano, sobretudo para, como mestre, dar aos seres humanos ‘sua aula celestial’ sobre o amor (Clemente Propt 11, 114, 4). Neste sentido também o motivo da troca, oriundo de Ireneu, é transformado: ‘O Logos tornou-se ser humano para que aprendais de um ser humano como o ser humano pode tornar-se divino”.(HAMMAN, 1980, p.18).

Seremos deuses por participação! Entrementes, por que não começar já, se nossa meta é sermos deuses? Nesta afirmação está tudo justificado. Começamos a ser o que seremos, é o caminho, o scopo. Por isso, que observamos os mandamentos da Igreja, rezamos, confessamos, comungamos, amamos e fazemos tudo para começar a ser o que seremos. A Igreja e os seus sacramentos é itinerário salvífico para todo o ser humano. É caminho de divinização.

A razão da nossa esperança e da nossa fé está na meta. Começamos a viver com os olhos no céu, na eternidade. Como o ser de Cristo estava voltado constantemente para Sua hora, para a Sua meta. Nossa hora é o céu, é a eternidade! Estamos voltados para essa última hora, que é o anseio, o desejo mais profundo do nosso ser; de participar da vida Trinitária. Domingo que vem é a solenidade da Ascensão do Senhor, que é a nossa humanidade divinizada em Cristo no seio da Trindade.

Ser Deus é sinergia, graça e busca. Quando encontramos “aquele que o nosso coração ama” (Ct 3,4) queremos ser semelhantes a Ele e fazer de tudo para isso. Por isso, “torna-te aquilo que tu eras e serás”, comece a ser o que você será. Por que não? Já que somos atraídos para este Télos – meta. Comecemos agora!

Seguramente não existe melhor condição do que essa: ser igual a Deus. Eu quero!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

HAMMAN, A. Os Padres da Igreja. [tradução: Ir. Isabel Fontes Leal Ferreira]. São Paulo: Paulinas, 1980.

JOÃO DA CRUZ. Obras completas. Petrópolis: vozes, 2002.

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