Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs em Cristo, bem vindos mais uma vez ao CommunioSCJ. Como sempre, refletiremos sobre a figura e mensagem de um Padre da Igreja a partir da catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu sobre o mesmo personagem [1]. Desta vez, nosso interlocutor é S. Cipriano, bispo de Cartago (norte da África) que foi martirizado no ano 258 [2].

Por respeito à história da minha amizade com este santo, cuja devoção trago comigo desde o ano 2000, devo dizer que, apesar de o Santo Padre propor excelentes reflexões a respeito de seu posicionamento em relação aos lapsi [3], bem como a respeito do Pai-Nosso, pretendo, aqui, refletir sobre o tema mais querido de S. Cipriano: a Igreja, cuja característica irrenunciável era, para ele, a unidade que se fundamenta em Pedro e tem sua realização perfeita na Eucaristia.

Lemos na catequese do Papa Bento XVI: “Ele (Cipriano) distingue entre Igreja visível, hierárquica, e Igreja invisível, mística, mas afirma com vigor que a Igreja é uma só, fundada sobre Pedro. Ele não se cansa de repetir que ‘quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual a Igreja está fundada, engana-se de permanecer na Igreja’ (Sobre a unidade da Igreja católica 4)”.

E é bom notar que esta fé fora professada por Cipriano de Cartago, pagão convertido de gênio forte, que protagonizou uma controvérsia com Estêvão, papa, a respeito da validade do batismo ministrado por hereges. Vemos claramente, assim, que nosso santo não era um ingênuo subserviente, nem um inocente útil de ideologias quaisquer: era um cristão católico cônscio do que significa ter fé em Jesus Cristo.

Está cada vez mais claro que é preciso crer na Igreja, do modo como rezamos a cada domingo “creio na santa Igreja católica”, para termos acesso ao Jesus real. Ou somos papagaios e repetimos esse verso só da boca pra fora? Em nenhum lugar do nosso credo está escrito “creio na bíblia” ou “creio em Fulano ou Ciclano, doutores na Universidade X”… Mas a necessidade da fé na Igreja é explícita. Sem fé na Igreja (de sempre) é impossível encontrarmo-nos com Jesus: alguém com quem é preciso relacionar-nos [4]… É impossível crer no fruto, Bíblia, sem crer na árvore, Igreja. Por isso, S. Cipriano pode afirmar que “não pode ter Deus por Pai, quem não tem a Igreja por mãe” [5].

Por isso, o convite desta semana é este: vamos reforçar, reafirmar, renovar nossa fé na Igreja. Pelo mérito dos seus filhos, de seus membros imperfeitos? Não. Mas pela dignidade de sua Cabeça (cf. Cl 1,18), pela confiabilidade daquele que disse: “eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Concretamente, isso se traduz em amor filial, confiança e fidelidade ao Santo Padre; em busca por conhecer melhor a doutrina e a moral eclesiásticas, os santos, a história, o Magistério da Igreja; em assiduidade na oração e na participação dos Sacramentos, sobretudo da Penitência e da Eucaristia; e em converter-se em Igreja, em levar uma vida digna do nome de cristãos. Assim, na Igreja, encontraremos Cristo Jesus, verdadeiramente vivo e ressuscitado, razão da nossa existência e sentido da história.

Fraterno abraço e até semana que vem!

[1] Catequese do Santo Padre Bento XVI no dia 06 de junho de 2007: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070606_po.html>.

[2] Não precisamos nem dizer, neste curto espaço, que nosso santo não tem nada a ver com bruxaria ou qualquer coisa que o valha. Trata-se de um santo bispo da Igreja católica que morreu pela fé: deu sua vida por Jesus Cristo no episcopado e no martírio.

[3] Nome que dava aos cristãos que haviam negado à fé no momento da perseguição e que queriam ser readmitidos à comunidade.

[4] Cf. BENTO XVI, Deus Caritas Est, n. 1. Link para a encíclica na aba “Documentos da Igreja”.

[5] Sobre a unidade da Igreja católica 4.