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UMA LIÇÃO SOBRE A EUCARISTIA COM S. CIRILO DE JERUSALÉM – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, mais uma vez, sejam bem vindos! Nesta semana, nosso caminho pelas grandes figuras da história da Igreja chega a S. Cirilo de Jerusalém (†386): um grande bispo da cidade santa que defendeu valorosamentea fé professada no Concílio de Niceia (325) e que, por isso, sofreu três exílios em pouco mais de vinte anos (357-378). Como sempre, o texto que nos serve como primeiro referencial é a catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu aos 27 de junho de 2007, na sala Paulo VI sobre S. Cirilo [1].

Temos vinte e quatro de suas catequeses conservadas. Elas foram proferidas em torno do ano 350. Elas se dirigem aos catecúmenos e neófitos da comunidade que S. Cirilo, diligentemente, formou. É nessas catequeses que encontramos as catequeses mistagógicas (de introdução ao mistério). E, nelas, a quarta e a quinta versam sobre o Corpo e o Sangue de Cristo (IV) e a celebração eucarística (V).

Lemos na quarta catequese [2]: “Quando, pois, ele mesmo (Jesus) declarou do pão: ‘isto é o meu corpo’, quem ousará duvidar? E quando ele asseverou categoricamente: ‘isto é o meu sangue’, quem ainda terá dúvida, dizendo que não é? (…) Não trates, por isto, como simples pão e vinho a este pão e vinho, pois são respectivamente corpo e sangue de Cristo, consoante a afirmação do Senhor. E ainda que os sentidos não o possam sugerir, a fé no-lo deve confirmar com segurança. Não julgues a coisa pelo paladar. Antes, pela fé enche-te de confiança, não duvidando de que foste julgado digno do corpo e do sangue de Cristo”.

Sem dúvida a catequese merece ser lida integralmente. O espaço deste blog não permite que a citação seja ainda maior… Portanto, passemos às reflexões que dela decorrem. E, assim, é importante prestarmos nossa atenção a, ao menos, dois aspectos: a nossa fé na presença real de Jesus Cristo, nosso Deus e salvador, na Santíssima Eucaristia e a piedade com que nos aproximamos deste excelso Sacramento.

A presença substancial e sacramental de nosso Senhor Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia é um dado que requer nossa adesão. Adesão às palavras do mesmo Senhor e que nos foram conservadas pela Tradição. Cremos na autoridade de Jesus Cristo. Foi porque Ele disse que a Eucaristia é Si mesmo que nós cremos nisto. De outra forma não poderíamos chegar a esta conclusão. E, sinceramente, não teríamos a iniciativa de pedi-la – não teríamos a ousadia de interpelar o próprio Deus a fim de que Ele mesmo Se fizesse nosso alimento. Aqui temos ocasião para o chamado obséquio da inteligência e da vontade. Provavelmente nunca entenderemos a Eucaristia. Mas, certamente, isso não a diminui e não a reduz a simples pão: é objetivamente real aquilo que subsiste independentemente do meu pensamento e da minha compreensão – assim é a Eucaristia, ela é presença real e substancial de Jesus independentemente de crermos nisto ou não.

Dessa forma, acolhendo-a como dom do amor gratuito de Deus – tal dom que nada mais temos o que pedir: Ele Se deu a nós na Eucaristia – precisamos nos perguntar: como temos nos aproximado da Sagrada Eucaristia? Mais uma vez, aqui temos uma bifurcação. Por um lado, é preciso estar em comunhão com a Igreja para comungar a Eucaristia (o que certamente tem um aspecto moral); é preciso discernir antes de comungar, para que a Eucaristia, dada para nossa salvação, não se torne causa de nossa danação (cf. 1Cor 11,27). Por outro lado, é preciso reconhecer que, muitas vezes, não tratamos a Santíssima Eucaristia com a mínima reverência que ela merece. Há muitos de nós que entram na igreja onde se encontra a Reserva Eucarística como se entra num supermercado. Outros tantos se aproximam e a tomam como se fosse biscoito. Outros, ainda, a distribuem como se fosse baralho. Outros, enfim, a guardam com menos dignidade do que se conserva arroz numa vasilha qualquer que se leva à geladeira…

Não nos admira, depois deste deplorável espetáculo, que os mesmos que comungam a cada domingo não sejam capazes de deixar que a Eucaristia lhes direcione a vida, transformando-as em vidas doadas por amor aos irmãos. “Em termos práticos, manifesta-se um naturalismo religioso, que nos inclina a dar um excessivo valor às coisas que comumente são mais estimadas – nível econômico, conforto, honras, promoções, prazeres, prestígio, sucesso, eficiência… – e deixam-se, em segundo plano, os valores nitidamente cristãos como o desprendimento, o espírito de serviço e de sacrifício em benefício dos outros, a humildade, a discrição, a vida de oração” [3]. A esquizofrenia entre fé e vida é um mal a que todos estamos sujeitos e ao qual devemos combater valorosa e incessantemente.

Que S. Cirilo de Jerusalém interceda em nosso favor para que nossa vida seja transfigurada pela Eucaristia.

Fiquem na paz inquieta do Senhor, até semana que vem!

[1] BENTO XVI, São Cirilo de Jerusalém, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070627_po.html>.

[2] S. CIRILO DE JERUSALÉM, “IV Catequese mistagógica: O Corpo e o Sangue de Cristo”. In Antologia dos Santos Padres, São Paulo: Paulinas, 1985, p. 225-227.

[3] CIFUENTES, Rafael Llano. Sacerdotes para o terceiro milênio. Aparecida: Editora Santuário, 2009, p. 88-89.

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SANTO ATANÁSIO: O CAMPEÃO NA DEFESA DA DIVINDADE DE JESUS CRISTO – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ.

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Queridos (as) amigos (as)

Continuamos nossa caminhada pela história da Igreja resgatando os ensinamentos dos operários da primeira hora, daqueles que viveram mais próximos da água pura jorrada do Coração do Salvador. Este texto quer nos apresentar um famoso doutor da Igreja, exilado cinco vezes e o maior defensor da divindade de Cristo. Em poucas palavras, “Atanásio é uma figura que se impõe; ele parece personificar a própria Igreja. Um historiador pode afirmar: até quando estiver de pé um homem como Atanásio, apesar de se desencadear contra ele todas as forças do mundo, a luta ainda não esta perdida”[1].

Agora, peço sua atenção para compreendermos o período histórico que ele viveu e assim o seu valor para a Igreja. Ele foi bispo de Alexandria, nova sede do Império romano, logo após o Concílio de Nicéia (325). Não fazia muito tempo que a Igreja havia recebido liberdade de expressão (em 313) e quando parecia que ela colheria os frutos da fidelidade dos seus santos surgiram conflitos internos na formulação do conteúdo da fé cristã [2]. Ário, um famoso pregador da cidade sede imperial, passou a defender que Jesus era apenas a maior criação de Deus. Não demorou e 2/3 das pessoas de diferentes lugares onde o cristianismo havia chegado se tornaram arianos [3]. A questão era central para a fé e o problema gravíssimo. Negar a divindade de Jesus é dizer que o ser humano não foi salvo e que tudo que Cristo fez pela humanidade foi uma mentira [4].

Tudo isso lhe rendeu dor e sofrimento. “Quarenta e cinco anos de episcopado, dezessete dos quais – com alguns intervalos – passados no exílio! Esta forçada solidão se tornou mais dura pelo abandono de seus companheiros de luta. Atanásio não desanima: constrangido a fugir, oculta-se no deserto, confunde-se com os monges de Tebaida, passa quarenta meses – parece – na periferia de Alexandria, escondido na sepultura de seu pai. Não há perseguição que consiga dobrá-lo, pronto a enfrentar, para defender a divindade do Verbo” [5].

Para nossa vida podemos tirar algumas lições. Ser cristão é uma alegria tão grande que nada pode nos causar dúvida ou medo. Podemos pensar: temos uma história com heróis que lutaram e deram a vida para que a verdade integral do evangelho chegasse até nós. Agora, cabe à nossa geração não se inclinar aos relativismos morais e teológicos e recusar os pensamentos contrários a perene verdade evangélica, mesmo que isso nos cause dificuldades. É triste perceber que basta alguém contestar a Igreja, inclusive pseudo-religiosos e superficiais acadêmicos, para alguns, que se dizem do nosso lado, logo escarrarem na própria mãe.

O Papa Bento tem razão: “para o estilo de vida dominante hoje, as posições defendidas pela Igreja Católica tornam-se uma provocação insuportável. Estamos acostumados a abandonar pontos de vista experimentados e tradicionais por tendências baratas. Contudo, a época do relativismo, de uma ideologia que não reconhece nada como definitivo e que deixa como medida última somente o próprio eu e suas vontade” [6] Ainda fazendo dele minhas palavras, peço: “rezem por mim, para que eu não fuja assustado diante dos lobos” [7].

Devido à nossa proposta de artigos breves, e para não fadigá-lo, sugiro que deguste o pensamento do nosso Doutor nas suas obras já traduzidas pela editora Paulus (entre elas encontra-se a vida de Santo Antão, o mais famoso monge dos primeiros séculos da Igreja) [8]. Lá você também encontrará questionamento e conselhos sábios e profundos como este: “queres entender as palavras dos santos? Purifica o teu pensamento e imita a vida deles; de outro modo não poderás entender o que Deus lhe manifestou. Queres entender Jesus Cristo? Purifica a tua alma e imita as virtudes de Cristo, porque só assim poderás entender alguma coisa sobre o Verbo de Deus” [9]. Isso basta. Viva aquilo que meditamos e terá uma ótima semana e uma vida próspera.

Até a próxima Eucaristia e na outra semana nos encontraremos, com a graça de Deus, para conhecermos e meditarmos sobre São Cirilo de Jerusalém.

Notas:

[1] COLA, Silvano. Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. São Paulo: Cidade Nova, 1987; p. 37.

[2] FRANGIOTTI, Roque. História das heresias: séculos I-VII, São Paulo: Paulus, 1995; p. 85-98.

[3] ROPS, Daniel. A Igreja dos Mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; 469-471.

[4] SANTO ATANÁSIO. A Encarnação do Verbo, São Paulo: Paulus, 2002.

[5] COLA, Silvano. Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. São Paulo: Cidade Nova, 1987; p. 34.

[6] Bento XVI. Luz do Mundo. São Paulo: Paulinas, 2011; p. 15.

[7] Idem.

[8] SANTO ATANÁSIO. Coleção Patrística, São Paulo: Paulus, 2002.

[9] Cf.SANTO ATANÁSIO, A Encarnação do Verbo, n. 57. In: SILVANO COLA. Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. São Paulo: Cidade Nova, 1987; p. 35.

SANTO ATANÁSIO: ORTODOXIA OU CATOLICISMO VIRA-LATA? – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos do CommunioSCJ, bem vindos, mais uma vez, ao nosso blog. Nesta semana a figura que motiva nossa meditação é a de santo Atanásio de Alexandria († 373), grande santo da Igreja que, por defender a fé ortodoxa, conforme o Concílio de Niceia, ficou exilado por dezessete anos em cinco oportunidades entre os anos de 336 a 366. Como sempre, o texto base é a catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu aos 20 de junho de 2007 na sala Paulo VI [1].

Bento XVI nos recorda que Santo Atanásio sempre foi considerado como um modelo de ortodoxia, sobretudo por ser um “tenaz adversário da heresia ariana”. Bons tempos aqueles em que todos sabiam que ortodoxia não é pecado! Hoje, reina a confusão. De tal forma e por tantos motivos que buscar permanecer na fé da Igreja de sempre é igual ou mais grave do que o crime de genocídio.

Mas, meus irmãos, lembremo-nos: modelo, na acepção que usamos aqui, é uma “pessoa exemplar, que serve de padrão a ser seguido” [2]. Por isso, podemos concluir que buscar a ortodoxia, buscar que o nosso pensamento esteja conforme a doutrina da Igreja, segundo as palavras de nosso Papa, não é um vício, mas um comportamento que serve de padrão e, por isso, deve ser treinado, exercitado, para que se torne em nós uma virtude.

Sim: isso começa dentro de nós. A resistência à heresia acontece, em primeiro lugar, dentro de nós. É no nosso coração que não deve habitar a confusão. Dentro de nós é preciso ter clareza: “é preto no branco”! Que em nosso interior as coisas sejam chamadas pelos nomes que elas têm: heresia é heresia, pecado é pecado e virtude é virtude. Caso contrário, nos tornaremos birutas – guiados por todo sopro de doutrina, cada momento numa direção diferente. Sem clareza e firmeza seremos católicos vira-latas que vão atrás de qualquer um que ofereça teorias quaisquer com aparente verdade e que sejam mais adequadas a nossos interesses particulares e efêmeros.

Não, meus irmãos, não é isso que queremos! Queremos ser católicos de fato! Queremos permanecer na Igreja de sempre! É na Igreja dos santos e dos mártires que permaneceremos! É na Igreja una, santa, católica e apostólica, a mesma de Santo Atanásio, que queremos ficar! Mas isso tem um preço, como lemos na catequese acima referida: “A sua intransigência (de Santo Atanásio), tenaz e por vezes muito severa, mesmo que necessária, contra os que haviam se oposto à sua eleição episcopal e principalmente os adversários do Símbolo niceno, atraiu-lhe a implacável hostilidade dos arianos e dos filoarianos” [3].

Que nos chamem com o nome que quiserem: não desistiremos. Não queremos um novo capítulo da Inquisição – isso seria ridículo. Queremos apenas a oportunidade de, com nossa juventude, professar a mesma fé que professara Santo Atanásio. E, entre erros e acertos, buscarmos a fidelidade a Deus e à Sua Igreja dando nossa vida para que a Verdade do Evangelho permaneça imaculada e seja conhecida por toda a humanidade.

O que queremos é, simplesmente, seguir a aventura da ortodoxia. Por isso, concluímos nossa reflexão dando a palavra a G. K. Chesterton:

“É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do cristianismo – isso teria sido de fato simples.

É sempre simples cair; há um infinito número de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los todos tem sido uma estonteante aventura (…). Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé” [4].

É nossa vez.

Que Santo Atanásio e a Santíssima e sempre Virgem Maria intercedam por nós e nos acompanhem nesta jornada.

[1] BENTO XVI. Santo Atanásio de Alexandria. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070620_po.html>.

[2] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Dicionário escolar da língua portuguesa. 2 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. Verbete “modelo”, n. 6.

[3] BENTO XVI. “Santo Atanásio de Alexandria”, p. 62. In: Os Padres da Igreja: de Clemente de Roma a Santo Agostinho. São Paulo: Editora Pensamento, 2010.

[4] CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 168.

LIVROS x GIBIS – Por Diáconos Júlio e Daniel, SCJ.

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Olá meus queridos amigos do CommunioSCJ.

Nesta semana meditaremos sobre o grande santo e doutor da Igreja: Atanásio de Alexandria. Como disse o papa Bento XVI, Atanásio é considerado o modelo de ortodoxia. Para ser ortodoxo tem quem ler as coisas certas, não se contentar com pouco. Existem cristãos, pregadores… que insistem em contentar-se com o mínimo na sua vida com Deus, não aspirando aos dons mais elevados (1Cor 12,31).

Neste artigo propomos que meditemos Gibis X Livros. Quando éramos crianças gostávamos muito de gibis, que são aqueles livrinhos com historinhas em quadrinhos. Era muito bom. Também gostávamos de colecionar figurinhas de jogadores de futebol, todos os meninos da nossa idade colecionavam. Era muito bom. Legal mesmo era “bater figurinha”, quando ganhávamos chegávamos em casa radiantes de alegria.

Era ótimo quando éramos crianças. Contudo, agora já não somos mais. São Paulo nos diz: “1Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. 2 Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. 3 Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1 Cor 3, 1-3). Quando éramos crianças precisávamos de leitinho, alimento que não nos ofende e nos ajuda a crescer rapidinho. Porém, já crescidos precisamos de alimentos sólido, substancioso, que nos sustenta.

Percebemos que muitos católicos, como diz o Beato João Paulo II, são ainda catecúmenos na fé. Têm ainda uma fé infantil, que não se trata da infância espiritual de Santa Teresinha. Muita pretensão ter a fé de Teresinha, somos ainda pequeninos diante de tal grandeza.

Católicos: crescer é se alimentar de alimento sólido. É beber da fonte. Muitos padres e freiras continuam ainda lendo livrinhos de auto ajuda a vida inteira, e mais, se não bastasse sua mediocridade, ainda recomendam e introduzem outros a tal retroceder (“papinha”) espiritual. Meu caro: vai ler a vida dos santos! Vai meditar a Palavra de Deus! Vai ler mais os ensinamentos da Igreja e deixe os hereges e apóstatas da moda. Para de ser católico de versinhos e de livrinhos de pequenos conselhos, que depois de 10 minutos já não vale de mais nada. Estão cheios de versinhos e palavrinhas bonitinhas o Orkut, o Facebook e a internet, que não muda a vida de ninguém, “Meu Deus do Céu!”. É uma satisfação psicológica que passa, não imprime caráter. Por outro lado, se você apenas gosta de ler textos contrários ao Papa e à Igreja de sempre, faça um bem para você e para o povo de Deus: funde sua igreja ou procure a da esquina mais próxima.

Dizia um filósofo: “você é o que você come”. Fazendo uma digressão: sua vida espiritual é o que você reza e lê. Um dito alquimista diz assim: “legere, legere, relegere, ora, labora et invinier”. “Lê, lê, reler, rezar, trabalhar e hás de encontrar”. Se você lê gibi sua vida espiritual é infantilizada; se você lê livros substanciosos, sua vida espiritual é madura, aberta ao infinito.

Ultimamente estamos lendo o livro do Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré II. Isso é alimento sólido! Quantos livros ou documentos do Papa você já leu? As obras completas de Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e de Santa Teresinha do Menino Jesus são para gente grande e é preciso ter uma determinada determinação para ler e viver os que estes santos propõem. Não somos contra o presente e muito menos opostos as críticas, mas amamos a Igreja que nos consagramos e queremos conhecê-la cada vez mais.

Santo Atanásio foi e sempre será modelo de ortodoxia. Você quer ser exemplo de quê? “Então vai ler alguma coisa que lhe faça crescer na vida com Deus”. Que tal os santos Padres? Pois como disse o Santo Padre Bento XVI: “quando leio os Padres da Igreja, resplandece a beleza da fé” [1]. Caso eu peça muito, continue com “papinhas”, “fraldas”, “babás” e “gurus espirituais”!

[1] Bento XVI. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos. São Paulo: Paulinas, 2011.

EUSÉBIO DE CESAREIA: POR QUE CONHECER A HISTÓRIA DA IGREJA? – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Sejam todos, mais uma vez, bem vindos ao CommunioSCJ. Acompanhando as catequeses do Santo Padre Bento XVI, nossa viagem pela história da Igreja chega hoje a Eusébio de Cesareia [1]. Apesar deste personagem não figurar na lista dos santos da Igreja, ele, como grande historiador que foi [2], tem uma boa reflexão a nos propor: como olhamos a história da Igreja?

Lemos na catequese papal: “Eusébio interpela vigorosamente os crentes de todos os tempos com relação ao modo de se aproximarem dos acontecimentos da história e da Igreja em especial. Ele interpela também a nós: qual é nossa atitude em relação aos acontecimentos da Igreja? É a atitude de quem se interessa por simples curiosidade, talvez procurando o que é sensacional e escandaloso a qualquer preço? Ou é a atitude cheia de amor, e aberta ao mistério, de quem sabe – por fé – que pode encontrar na história da Igreja os sinais do amor de Deus e as grandes obras por Ele realizadas? Se essa for nossa atitude, não podemos deixar de nos sentir estimulados a uma resposta mais coerente e generosa, a um testemunho mais cristão de vida, para deixar os sinais do amor de Deus também para as futuras gerações” [3].

Fizemos questão de colocar esse parágrafo da catequese do Papa porque ele traz três elementos fundamentais aos quais queremos nos debruçar agora: a interpelação se dirige aos crentes; sobre o mistério revelado na história; que requer mudança ou firmeza de vida.

Olhar a história numa perspectiva transcendente é tarefa dos crentes. No caso da história da Igreja, dos cristãos. Por isso, quando um não-crente, até comprometido com as ideologias anticlericais, lê a história para buscar nela fatos escandalosos, é compreensível. Mas, um cristão, que se diz católico que lê a história da Igreja para denegrir sua imagem é semelhante a alguém que busca conhecer a história de sua mãe para ridicularizá-la. Lembremo-nos, também, que, muitas vezes, o juízo negativo sobre a Igreja com relação à sua história funda-se ou na simples ignorância, ou no ingênuo anacronismo que remete aos tempos do iluminismo ou ainda às ideologias que, ainda hoje, veem na Igreja seu principal adversário…

Assim, estudar a história da Igreja é uma tarefa de contemplação; é olhar o mistério que se desdobra na história. Pois o Cristianismo não é uma escada para chegar ao céu. Mas a história da kenosis [4] divina a fim de nos encontrar e nos resgatar. Isso exige certo esforço pessoal de buscar fontes menos comuns e, com equilíbrio, sem negar as fraquezas de nossos antecessores, voltar nosso olhar à luz que Jesus Cristo e sua Igreja trouxeram ao mundo [5].

Aí certamente encontraremos testemunhos de poder transformador do encontro real e pessoal com Jesus Cristo: princípio do cristianismo e fonte da verdadeira conversão. Depois disso, certamente não nos escandalizaremos com o pecado dos cristãos – não é novidade nenhuma que nós pecamos. Mas nossos olhos se fixarão no telos, na meta, em nosso Senhor, verdadeiro Deus e ser humano perfeito.

Que o olhar do historiador Eusébio de Cesareia e seus questionamentos nos ajudem a adotar uma postura mais adequada à nossa fé. Fiquem com a paz inquieta do Coração de Jesus e a maternal intercessão da santíssima Virgem.

[1] Catequese “Eusébio, bispo de Cesareia”, do Santo Padre Bento XVI: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070613_po.html>.

[2] Mais detalhes sobre sua história, em particular sobre sua excomunhão, no artigo de Diác. Daniel: “Eusébio de Cesareia: exemplo de amor e serviço à história da Igreja”.

[3] Catequese “Eusébio, bispo de Cesareia”, versão disponível no livro: Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 59.

[4] Palavra grega que significa esvaziamento, aniquilamento.

[5] Em sentido não só espiritual, mas cultural e tecnológico. Cf. Thomas E. WOODS Jr., Como a Igreja católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008. E Felipe AQUINO, Uma história que não é contada. Lorena: Cléofas, 2008.

EUSÉBIO DE CESAREIA: EXEMPLO DE AMOR E SERVIÇO À HISTÓRIA DA IGREJA – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ

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Prezado (a) amigo (a)
É com alegria que prosseguimos nosso peregrinar pela história da Igreja Católica. Esta semana queremos conhecer e meditar sobre a vida e os escritos de Eusébio de Cesareia, nono personagem que apresentamos em nosso blog, reconhecido como maior historiador do cristianismo primitivo e grande pesquisador do Mistério cristão[1].
Nascido entre os anos 260-265, provavelmente em Cesareia (Palestina), aprofundou sua fé cristã com grandes doutores da época. Contudo, soube conjugar fé e obras como poucos. Quando seu amigo Pânfilo foi preso diante da perseguição do imperador Domiciliano, ele o acompanhou espontaneamente no cárcere e ali iniciou os seus escritos. Depois se refugiou em Tiro e acabou sendo preso e levado ao Egito, onde apenas teve paz com o governo do Imperador Constantino. Infelizmente, após se tornar bispo, apoiou a heresia ariana e acabou sendo excomungado junto com outros dois bispos [2]. No Concílio de Nicéia (325) continuou ao lado de Ário e, mantendo-se contrário a divindade de Jesus, não foi readmitido na comunhão com a Igreja católica. [3].
Como bons cristãos, queremos valorizá-lo pelas suas virtudes. “Se Eusébio não tivesse, com uma diligencia sem igual, investigado as bibliotecas palestinenses, onde Orígenes e o bispo Alexandre haviam recolhido toda literatura cristã dos tempos antigos, nossos conhecimentos sobre os três primeiros séculos da Igreja reduziriam a bem pouca coisa. Graças a ele nós nos encontramos em condições, sem dúvida, de não lamentar o naufrágio desta literatura, mas ao menos de poder apreciá-la sobre notáveis destroços” [4]. Com suas pesquisas sabemos o nome dos sucessores dos apóstolos e temos detalhes sobre martírio de Pedro e Paulo, na cidade romana [5]. Para quem gosta de história ou deseja conhecer melhor os três primeiro séculos da Igreja Católica, sua obra História Eclesiástica é leitura obrigatória [6].
Estamos diante de um personagem cristão que viveu nos séculos III e IV. Em um período de densas reflexões teológicas, que muitas pessoas eram martirizadas por amor a Cristo, Eusébio, bispo de uma significativa comunidade, priorizou sua missão como historiador do mistério de Deus e dos seus ministros. É provável que não tenhamos este carisma, mas podemos e devemos fazer algo pelo Senhor. Como certa vez ouvi um padre muito conhecido dizer: “na Igreja há espaço para todos fazerem gol”. Podemos jogar em diferentes posições e até com diferente técnica e preparo físico, pois um time não se faz de pessoas que jogam da mesma forma e na mesma posição.
É preciso descobrir quais são os nossos carismas e colocá-los ao serviço dos irmãos. Não é necessário que façamos coisas espetaculares, reconhecidas e percebidas por todos. Na verdade, a exposição e visibilidade são perigosas para nossa santificação. Há várias pessoas que fazem muito bem para os outros, mas que não conseguem cuidar de si mesmas: são famosas, mas vivem na superficialidade; pregam e cantam como os anjos, mas vivem como diabos (dividindo os ambientes em que se encontram).
O que não podemos deixar de fazer é conhecer e aprofundarmos nossa fé lutando para que a Doutrina Social da Igreja seja mais propagada e vivenciada, pois “o amor a Deus se revela na responsabilidade pelo outro”[7]. Isso não é sinônimo de assistencialismo. Ao contrário, ser cristão é mais do que dar esmolas para desencargo de consciência, é promover a dignidade do outro. Como um ser Imago Dei não pode ser verdadeiramente digno sem reconhecer-se Filho de Deus, é preciso pregar o evangelho e “a capacidade de sofrer por amor a verdade é medida de humanidade”[8].
Fique com Deus e faça a sua parte. Aguardo você na próxima Eucaristia e na outra semana passaremos a refletir sobre os grandes místicos da Igreja nascente, primeiramente conhecendo São Gregório Nazianzo.

NOTAS:
[1] Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010; p. 56-60.
[2] EUSÉBIO DE CESAREIA. História Eclesiástica. São Paulo: Paulus, 2000; p. 10.
[3] A heresia professada pelo sacerdote Ário de Alexandria, por isso recebe seu nome, afirmava que apenas existe um único Deus, o Pai, eterno, absoluto, imutável, incorruptível. Este Ser Supremo e Absoluto, não pode comunicar, segundo sua concepção, seu Ser, nem mesmo parcelas dele, nem por criação, nem por geração. Logo, Jesus Cristo é criatura de Deus. Cf. Roque FRANGIOTTI, História das heresias (séculos I-VII), São Paulo: Paulus, 1995, p.85-98.
[4] DUCHESNE, In: EUSÉBIO DE CESAREIA. História Eclesiástica. São Paulo: Paulus, 2000; p. 12-13.
[5] EUSÉBIO DE CESAREIA. História Eclesiástica. 1º Livro, cap. 25, n. 8.
[6] EUSÉBIO DE CESAREIA. História Eclesiástica. São Paulo: Paulus, 2000.
[7] MÁXIMO CONFESSOR, Capítulos sobre a caridade, Centúria 1, cap. 1: PG 90, 965.
[8] BENTO XVI, Spes salvi, São Paulo: Paulinas, 2007; n. 39.

SÃO CIPRIANO: A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ALGUÉM APAIXONADO PELA IGREJA DE CRISTO – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ.

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     Queridos (as) amigos (as)

Prosseguindo a reflexão sobre os Pais da Igreja, após refletirmos sobre Tertualiano, primeiro escritor em língua latina, agora queremos conhecer um pouco mais a vida e os pensamentos de Santo Cipriano. O grande bispo de Cartago, que consideravelmente influenciou Santo Agostinho, é atualmente muito injustiçado. Por isso, partimos dizendo que Cipriano não teve ligação com a magia, bruxaria e religiões afins, muito menos escreveu um livro secreto ensinando feitiços [1].

Justiça seja feita, ele é um santo católico, exerceu com qualidade sua profissão de advogado até converter-se ao cristianismo e ser ordenado sacerdote e bispo [2]. Alias, foi um excelente bispo, o primeiro de inquestionável valor na África. Como ninguém é santo por acaso, teve a graça de coroar sua vida terrena sendo degolado por fidelidade e amor a Igreja católica, Igreja de Cristo que tanto amou e defendeu [3].

Merecem destaque suas reflexões sobre a Igreja e a oração cristã. Entretanto, como afirmou o papa Bento XVI em sua catequese sobre sua vida, a Igreja foi seu tema predileto [4]. Em sua obra sobre a unidade eclesial questiona: “confia estar na Igreja, quem abandona e cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?”. “Acreditas que podes subsistir afastado da Igreja, procurando para ti outras moradas?”. “Quem rasga ou divide a Igreja de Cristo não pode possuir a veste de Cristo”. Por afim, afirma: “não pode ter a Deus por Pai, se não se tem a Igreja por Mãe” [5].

Não quero causar polêmicas religiosas, este blog não tem este objetivo. Contudo, devemos nos orgulhar daquilo que acreditamos e saber que somos continuadores de uma tradição bi-milenar. Uma Igreja que no mês de agosto arrebatará uma multidão de jovens do mundo todo para adorar Jesus Eucarístico e ouvir o maior profeta contemporâneo, Bento XVI, precisa ser mais respeitada. Uma Igreja que não se curvou perante os grandes impérios, nem se redeu aos infindáveis modismos da história, merece ser melhor conhecida.

Um desafio para nossa geração, a exemplo de São Cipriano que viveu apaixonado pelo Senhor e por sua Igreja, primeiramente é conhecermos a verdadeira Esposa de Cristo. Além de amar e entregarmo-nos ao seu serviço, devemos ter clareza, como sabiamente disse nosso papa, que “não somos um centro de produção, não somos uma empresa voltada para o lucro. Somos uma comunidade de pessoas que vivem na fé. Nossa tarefa não é criar um produto ou conseguir êxito nas vendas. Nossa tarefa é viver exemplarmente a fé, anunciá-la, e mantermo-nos em uma relação profunda com Cristo e, assim, com o próprio Deus, não ser um grupo utilitarista, mas uma comunidade de pessoas livres que se doam, e que atravessam nações e culturas, o tempo e espaço” [6]

Após esta reflexão podemos nos decidir a cada dia lutarmos mais para não sermos mesquinhos em nossa fé e muito menos covardes para defendermos o que acreditamos. Tudo isso com caridade e misericórdia nos fará as pessoas mais felizes do mundo. Tenha uma ótima semana, nos encontraremos na próxima Eucaristia, e aguardo você para conhecermos Eusébio de Cesareia, o maior historiador do cristianismo primitivo.

   Notas:

[1] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 335-336.

[2] Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010; p. 51-52

[3] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 335-336.

[4] Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010; p. 53

[5] São Cipriano. Sobre a unidade da Igreja católica.

[6] Bento XVI. Luz do mundo. São Paulo: Paulinas, 2011; contra capa