Queridos (as) amigos (as)

Prosseguindo a reflexão sobre os Pais da Igreja, após refletirmos sobre Tertualiano, primeiro escritor em língua latina, agora queremos conhecer um pouco mais a vida e os pensamentos de Santo Cipriano. O grande bispo de Cartago, que consideravelmente influenciou Santo Agostinho, é atualmente muito injustiçado. Por isso, partimos dizendo que Cipriano não teve ligação com a magia, bruxaria e religiões afins, muito menos escreveu um livro secreto ensinando feitiços [1].

Justiça seja feita, ele é um santo católico, exerceu com qualidade sua profissão de advogado até converter-se ao cristianismo e ser ordenado sacerdote e bispo [2]. Alias, foi um excelente bispo, o primeiro de inquestionável valor na África. Como ninguém é santo por acaso, teve a graça de coroar sua vida terrena sendo degolado por fidelidade e amor a Igreja católica, Igreja de Cristo que tanto amou e defendeu [3].

Merecem destaque suas reflexões sobre a Igreja e a oração cristã. Entretanto, como afirmou o papa Bento XVI em sua catequese sobre sua vida, a Igreja foi seu tema predileto [4]. Em sua obra sobre a unidade eclesial questiona: “confia estar na Igreja, quem abandona e cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?”. “Acreditas que podes subsistir afastado da Igreja, procurando para ti outras moradas?”. “Quem rasga ou divide a Igreja de Cristo não pode possuir a veste de Cristo”. Por afim, afirma: “não pode ter a Deus por Pai, se não se tem a Igreja por Mãe” [5].

Não quero causar polêmicas religiosas, este blog não tem este objetivo. Contudo, devemos nos orgulhar daquilo que acreditamos e saber que somos continuadores de uma tradição bi-milenar. Uma Igreja que no mês de agosto arrebatará uma multidão de jovens do mundo todo para adorar Jesus Eucarístico e ouvir o maior profeta contemporâneo, Bento XVI, precisa ser mais respeitada. Uma Igreja que não se curvou perante os grandes impérios, nem se redeu aos infindáveis modismos da história, merece ser melhor conhecida.

Um desafio para nossa geração, a exemplo de São Cipriano que viveu apaixonado pelo Senhor e por sua Igreja, primeiramente é conhecermos a verdadeira Esposa de Cristo. Além de amar e entregarmo-nos ao seu serviço, devemos ter clareza, como sabiamente disse nosso papa, que “não somos um centro de produção, não somos uma empresa voltada para o lucro. Somos uma comunidade de pessoas que vivem na fé. Nossa tarefa não é criar um produto ou conseguir êxito nas vendas. Nossa tarefa é viver exemplarmente a fé, anunciá-la, e mantermo-nos em uma relação profunda com Cristo e, assim, com o próprio Deus, não ser um grupo utilitarista, mas uma comunidade de pessoas livres que se doam, e que atravessam nações e culturas, o tempo e espaço” [6]

Após esta reflexão podemos nos decidir a cada dia lutarmos mais para não sermos mesquinhos em nossa fé e muito menos covardes para defendermos o que acreditamos. Tudo isso com caridade e misericórdia nos fará as pessoas mais felizes do mundo. Tenha uma ótima semana, nos encontraremos na próxima Eucaristia, e aguardo você para conhecermos Eusébio de Cesareia, o maior historiador do cristianismo primitivo.

   Notas:

[1] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 335-336.

[2] Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010; p. 51-52

[3] ROPS, Daniel. A Igreja dos mártires. São Paulo: Quadrante, 1988; p. 335-336.

[4] Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010; p. 53

[5] São Cipriano. Sobre a unidade da Igreja católica.

[6] Bento XVI. Luz do mundo. São Paulo: Paulinas, 2011; contra capa

Anúncios