Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Sejam todos, mais uma vez, bem vindos ao CommunioSCJ. Acompanhando as catequeses do Santo Padre Bento XVI, nossa viagem pela história da Igreja chega hoje a Eusébio de Cesareia [1]. Apesar deste personagem não figurar na lista dos santos da Igreja, ele, como grande historiador que foi [2], tem uma boa reflexão a nos propor: como olhamos a história da Igreja?

Lemos na catequese papal: “Eusébio interpela vigorosamente os crentes de todos os tempos com relação ao modo de se aproximarem dos acontecimentos da história e da Igreja em especial. Ele interpela também a nós: qual é nossa atitude em relação aos acontecimentos da Igreja? É a atitude de quem se interessa por simples curiosidade, talvez procurando o que é sensacional e escandaloso a qualquer preço? Ou é a atitude cheia de amor, e aberta ao mistério, de quem sabe – por fé – que pode encontrar na história da Igreja os sinais do amor de Deus e as grandes obras por Ele realizadas? Se essa for nossa atitude, não podemos deixar de nos sentir estimulados a uma resposta mais coerente e generosa, a um testemunho mais cristão de vida, para deixar os sinais do amor de Deus também para as futuras gerações” [3].

Fizemos questão de colocar esse parágrafo da catequese do Papa porque ele traz três elementos fundamentais aos quais queremos nos debruçar agora: a interpelação se dirige aos crentes; sobre o mistério revelado na história; que requer mudança ou firmeza de vida.

Olhar a história numa perspectiva transcendente é tarefa dos crentes. No caso da história da Igreja, dos cristãos. Por isso, quando um não-crente, até comprometido com as ideologias anticlericais, lê a história para buscar nela fatos escandalosos, é compreensível. Mas, um cristão, que se diz católico que lê a história da Igreja para denegrir sua imagem é semelhante a alguém que busca conhecer a história de sua mãe para ridicularizá-la. Lembremo-nos, também, que, muitas vezes, o juízo negativo sobre a Igreja com relação à sua história funda-se ou na simples ignorância, ou no ingênuo anacronismo que remete aos tempos do iluminismo ou ainda às ideologias que, ainda hoje, veem na Igreja seu principal adversário…

Assim, estudar a história da Igreja é uma tarefa de contemplação; é olhar o mistério que se desdobra na história. Pois o Cristianismo não é uma escada para chegar ao céu. Mas a história da kenosis [4] divina a fim de nos encontrar e nos resgatar. Isso exige certo esforço pessoal de buscar fontes menos comuns e, com equilíbrio, sem negar as fraquezas de nossos antecessores, voltar nosso olhar à luz que Jesus Cristo e sua Igreja trouxeram ao mundo [5].

Aí certamente encontraremos testemunhos de poder transformador do encontro real e pessoal com Jesus Cristo: princípio do cristianismo e fonte da verdadeira conversão. Depois disso, certamente não nos escandalizaremos com o pecado dos cristãos – não é novidade nenhuma que nós pecamos. Mas nossos olhos se fixarão no telos, na meta, em nosso Senhor, verdadeiro Deus e ser humano perfeito.

Que o olhar do historiador Eusébio de Cesareia e seus questionamentos nos ajudem a adotar uma postura mais adequada à nossa fé. Fiquem com a paz inquieta do Coração de Jesus e a maternal intercessão da santíssima Virgem.

[1] Catequese “Eusébio, bispo de Cesareia”, do Santo Padre Bento XVI: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070613_po.html>.

[2] Mais detalhes sobre sua história, em particular sobre sua excomunhão, no artigo de Diác. Daniel: “Eusébio de Cesareia: exemplo de amor e serviço à história da Igreja”.

[3] Catequese “Eusébio, bispo de Cesareia”, versão disponível no livro: Bento XVI. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 59.

[4] Palavra grega que significa esvaziamento, aniquilamento.

[5] Em sentido não só espiritual, mas cultural e tecnológico. Cf. Thomas E. WOODS Jr., Como a Igreja católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008. E Felipe AQUINO, Uma história que não é contada. Lorena: Cléofas, 2008.

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