Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos do CommunioSCJ, bem vindos, mais uma vez, ao nosso blog. Nesta semana a figura que motiva nossa meditação é a de santo Atanásio de Alexandria († 373), grande santo da Igreja que, por defender a fé ortodoxa, conforme o Concílio de Niceia, ficou exilado por dezessete anos em cinco oportunidades entre os anos de 336 a 366. Como sempre, o texto base é a catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu aos 20 de junho de 2007 na sala Paulo VI [1].

Bento XVI nos recorda que Santo Atanásio sempre foi considerado como um modelo de ortodoxia, sobretudo por ser um “tenaz adversário da heresia ariana”. Bons tempos aqueles em que todos sabiam que ortodoxia não é pecado! Hoje, reina a confusão. De tal forma e por tantos motivos que buscar permanecer na fé da Igreja de sempre é igual ou mais grave do que o crime de genocídio.

Mas, meus irmãos, lembremo-nos: modelo, na acepção que usamos aqui, é uma “pessoa exemplar, que serve de padrão a ser seguido” [2]. Por isso, podemos concluir que buscar a ortodoxia, buscar que o nosso pensamento esteja conforme a doutrina da Igreja, segundo as palavras de nosso Papa, não é um vício, mas um comportamento que serve de padrão e, por isso, deve ser treinado, exercitado, para que se torne em nós uma virtude.

Sim: isso começa dentro de nós. A resistência à heresia acontece, em primeiro lugar, dentro de nós. É no nosso coração que não deve habitar a confusão. Dentro de nós é preciso ter clareza: “é preto no branco”! Que em nosso interior as coisas sejam chamadas pelos nomes que elas têm: heresia é heresia, pecado é pecado e virtude é virtude. Caso contrário, nos tornaremos birutas – guiados por todo sopro de doutrina, cada momento numa direção diferente. Sem clareza e firmeza seremos católicos vira-latas que vão atrás de qualquer um que ofereça teorias quaisquer com aparente verdade e que sejam mais adequadas a nossos interesses particulares e efêmeros.

Não, meus irmãos, não é isso que queremos! Queremos ser católicos de fato! Queremos permanecer na Igreja de sempre! É na Igreja dos santos e dos mártires que permaneceremos! É na Igreja una, santa, católica e apostólica, a mesma de Santo Atanásio, que queremos ficar! Mas isso tem um preço, como lemos na catequese acima referida: “A sua intransigência (de Santo Atanásio), tenaz e por vezes muito severa, mesmo que necessária, contra os que haviam se oposto à sua eleição episcopal e principalmente os adversários do Símbolo niceno, atraiu-lhe a implacável hostilidade dos arianos e dos filoarianos” [3].

Que nos chamem com o nome que quiserem: não desistiremos. Não queremos um novo capítulo da Inquisição – isso seria ridículo. Queremos apenas a oportunidade de, com nossa juventude, professar a mesma fé que professara Santo Atanásio. E, entre erros e acertos, buscarmos a fidelidade a Deus e à Sua Igreja dando nossa vida para que a Verdade do Evangelho permaneça imaculada e seja conhecida por toda a humanidade.

O que queremos é, simplesmente, seguir a aventura da ortodoxia. Por isso, concluímos nossa reflexão dando a palavra a G. K. Chesterton:

“É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do cristianismo – isso teria sido de fato simples.

É sempre simples cair; há um infinito número de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los todos tem sido uma estonteante aventura (…). Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé” [4].

É nossa vez.

Que Santo Atanásio e a Santíssima e sempre Virgem Maria intercedam por nós e nos acompanhem nesta jornada.

[1] BENTO XVI. Santo Atanásio de Alexandria. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070620_po.html>.

[2] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Dicionário escolar da língua portuguesa. 2 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. Verbete “modelo”, n. 6.

[3] BENTO XVI. “Santo Atanásio de Alexandria”, p. 62. In: Os Padres da Igreja: de Clemente de Roma a Santo Agostinho. São Paulo: Editora Pensamento, 2010.

[4] CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 168.