Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, bem vindos, mais uma vez, ao nosso blog. Já adentrando ao mês de julho e suas atividades, chegamos a um grande santo, venerado tanto na Igreja católica quanto nas igrejas ortodoxas orientais: S. Basílio Magno (330 – 379), doutor da Igreja, o primeiro dos três Padres Capadócios [1].

Nascido numa família de santos [2], Basílio foi defensor da doutrina trinitária, monge – deu grande contribuição para a definição da identidade monástica (S. Bento o considerava seu mestre) – e bispo. “Entregou-se completamente ao fiel serviço da Igreja e ao multiforme exercício do ministério episcopal”. Enfim, “ele foi um homem que viveu verdadeiramente com o olhar fixo em Cristo, um homem do amor ao próximo” [3]. Sobre estes aspectos queremos nos deter a partir de agora.

Há tempos que escuto um grande amigo pregar que é preciso ter um télos, uma meta, (ou melhor, o Télos) no qual fixamos o olhar e direcionamos nossa vida empregando toda nossa energia – de tal forma que nosso olhar se fixe nele, somente nele. Na existência humana outro télos não há que não seja Jesus Cristo, nosso Senhor. Ele é o sentido de nossas vidas. É Ele o anseio mais profundo de nosso coração. Ele é nossa meta. Não podemos perdê-lo de vista, pois para a comunhão com Ele fomos feitos.

Esta realidade foi muito bem expressa por Santo Agostinho no primeiro parágrafo das Confissões: “fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” [4]. Fato. Em cada ser humano em busca da saciedade, há um ser humano em busca de Deus. Não há segunda via. Todos buscam a Verdade: existe em nós um coração inquieto pelo encontro com o Senhor. Nisto começamos a ser cristãos: em deixarmos que a Verdade nos encontre. Pois “no início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo” [5].

Dessa forma, fica claro que, se queremos ser cristãos, se queremos dar a resposta ao nosso anseio humano mais profundo, enfim, se quisermos nos realizar, será preciso nos encontrar com Cristo e aderir a Ele. Pois a escolha fundamental da vida é simples: ou vivemos esta vida preparando nosso céu (esta vida em si mesma é desprovida de sentido) e, portanto, saímos de nós mesmos (nos transcendemos), ou nos fechamos em nós mesmos e consequentemente nos frustramos (aqui e no além).

Isso significa, como a própria descrição de S. Basílio nos indica, que este encontro e adesão, este transcender-se, não se dá simplesmente no plano das palavras e das ideias: trata-se de um encontro real (ainda que não seja empírico) que se transforma em leitmotiv e, assim, põe toda vida em movimento. Ser cristão não é o mesmo que declarar-se cristão. A vida cristã não é feita de palavras, mas de atitudes: é uma forma de viver. E esta forma de viver está expressa na primeira carta de João: “nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, devemos, nós também, amar-nos uns aos outros (…). Se alguém disser: ‘amo a Deus’, mas odeia o seu irmão é mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar” (1Jo 4,10-11.20).

Portanto, encontrados pelo Amor, nos empenhamos em amar. E sabendo que “amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente por ele” [6], podemos concluir que ser cristão não significa gostar de todas as pessoas e evitar o conflito a todo custo (num pacifismo destrutivo). Não se trata de uma questão de empatia, mas de aproveitar cada instante, cada oportunidade que a vida nos traz para fazer o bem: sempre há a possibilidade de fazer o bem, de efetivamente promover o bem objetivo de nossos irmãos.

Nisto encontramos uma maneira de viver que está em acordo com nosso ser, pois fazer o bem ao próximo nada mais é do que tratá-lo de acordo com sua natureza: todo ser humano é filho de Deus. Vivendo assim, certamente nossos olhos estarão fixos nos nosso Télos, e definitivamente nos encontraremos, visto que para isso fomos feitos: para a comunhão com Jesus Cristo, nosso Senhor, que é Amor (cf. 1Jo 4,8).

Que S. Basílio Magno interceda por nós e nos sirva de exemplo para vivermos como autênticos cristãos.

Fraterno abraço e até a semana que vem!

[1] Como sempre, nosso texto tem como inspiração a catequese do Santo Padre Bento XVI, proferida aos 4 de julho de 2007: São Basílio (I), vida e obras. Disponível em <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070704_po.html>. Os outros Padres Capadócios são: S. Gregório de Nissa e S. Gregório Nazianzeno.

[2] “São Basílio de Cesareia da Capadócia, na Ásia Menor, é de uma família de santos. Sua avó paterna foi Santa Macrina, a Antiga, que confessou a fé em Jesus Cristo durante a perseguição de Maximiano Galério. Seus pais foram São Basílio, o Velho, e Santa Emília, filha de um mártir. De seus nove irmãos, mais três foram elevados à honra dos altares: Santa Macrina, a Jovem, São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste”. Fonte: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/hagiografia/s_basilio.html>.

[3] BENTO XVI. “S. Basílio (I): vida e obras”. In Os Padres da Igreja, São Paulo: Pensamento, 2010, p. 73.

[4] SANTO AGOSTINHO DE HIPONA. Confissões, I, 1.

[5] BENTO XVI. Deus Caritas est, n.1.

[6] BENTO XVI. Caritas in Veritate, n.7.

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