Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ! Mais uma vez, nesta semana, nosso olhar se volta para S. Basílio Magno, agora focando sua doutrina a partir da catequese que o Santo Padre Bento XVI proferiu aos 4 de agosto de 2007 [1].

Queremos refletir acerca do conteúdo encontrado no penúltimo parágrafo, pois ele trata de uma palavra de S. Basílio aos jovens [2]. Em sua versão online lemos: “Basílio, sobretudo, recomenda aos jovens que cresçam nas virtudes, no reto modo de viver: ‘Enquanto os outros bens… passam deste para aquele como no jogo dos dados, só a virtude é um bem inalienável, e permanece durante a vida e depois da morte’ (Ad Adolescentes 5)”.

Como vemos, S. Basílio recomenda a nós, jovens, que busquemos as virtudes, pois elas são bens que não passam. De fato, precisamos dedicar boa parte dos nossos esforços para crescer na vida virtuosa. E isto outra coisa não é que buscarmos crescer num estilo de vida ascética [3]. E isto em nossa juventude. Buscar um estilo de vida assim não é tarefa apenas de quem já atingiu a chamada meia-idade. Não. Nós, jovens cristãos, devemos, desde já, nos enveredar por este caminho. Graças a Deus, há bom material em língua portuguesa para nos ajudar neste sentido. Por isso, visto que esse conteúdo ultrapassa em muito os limites deste espaço, limitamo-nos a propor dois pontos para nossa reflexão e indicar duas obras que poderão nos ajudar nesta via.

Primeiro, é preciso dizer que a vida espiritual, ascética, ou a saúde espiritual (como poderíamos chamar) não é automática. Não é possível chegar à vida virtuosa na virada do dia para a noite. Trata-se de um esforço de anos. Ou melhor, trata-se de uma busca que atravessa toda nossa vida. Por isso, nós, do século XXI, acostumados a resolver quase tudo automaticamente (glória a Deus pela informática!), precisamos nos conscientizar que a vida espiritual exigirá de nós um empenho perseverante de autoconhecimento e autodomínio. Além disso, são necessárias muita confiança e plena abertura à Graça divina que nos modela. Não há outra via. Será preciso fazer jejum, mortificação, resignação (palavras não muito agradáveis ao mundo)… Pois foi assim que muitos se santificaram: trata-se de um caminho provado – dá certo. Alguém pode querer seguir outros mestres… Nós do CommunioSCJ preferimos ter como mestres os cristãos que deram certo: os santos.

Em seguida, é preciso saber que, embora empenhativa e purgativa, a ascese é um caminho de libertação. Ou seja, a vida ascética é uma vida livre: somos livres quando nada nos escraviza. Pois, embora ela nos prive de algum tipo de prazer efêmero (como é característico dos prazeres do mundo), ela nos proporciona a liberdade características dos filhos de Deus – nada há de mais gratificante que isso. Aqui encontramos uma possível explicação do por que a vida cristã é empenhativa enquanto a vida desregrada é fácil: Deus quer filhos – e filhos são livres. Mas os prazeres desregrados geram vícios; e estes escravizam [4]. Quem quer escravos é o Inimigo, não Deus. Por isso, depois de algum tempo (talvez anos) de esforços para obter o bem da vida virtuosa poderemos, a qualquer momento, voltar à sem-vergonhice. Mas, depois de entregarmo-nos aos prazeres e tornarmo-nos viciados, será preciso grande esforço para deixá-lo: não somos livres para deixar o vício imediatamente… Podemos observar isso em nós mesmos: para conseguir a temperança é preciso grande esforço, mas para deixar aquele “pecado de estimação” é preciso muita violência.

Por fim, gostaríamos de indicar dois livros. Neles encontramos doutrina segura a respeito da vida ascética. Além disso, essas obras trazem amplas referências bibliográficas, levando-nos a conhecer boa gama de obras a respeito dos diversos vícios e virtudes. São elas:

a)      Pela editora Canção Nova, “Um olhar que cura”, do Pe. Paulo Ricardo (da arquidiocese de Cuiabá).

b)      Pelas Paulinas, “Discernimento dos espíritos”, de um monge da ordem dos Cartuxos.

Que S. Basílio nos fortaleça no caminho ascético que nos conduz à vida plena em Cristo!

[1] BENTO XVI. S. Basílio (2). Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070801_po.html>.

[2] Embora toda a catequese seja merecedora de nossa atenção.

[3] Ascese: exercícios espirituais ou terapia espiritual. O asceta está para o espiritual como o atleta está para o físico.

[4] Aqui é preciso ficar claro que o prazer não é um mal em si, visto que se trata de uma capacidade proporcionada por Deus. Por exemplo, é próprio do ser humano ter prazer em se alimentar com uma comida saborosa – não existe mal nisto. O mal está em comer demais ou errado – mal verificado inclusive na perda da saúde.

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