Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs, mais uma vez, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nosso projeto de percorrermos a história da Igreja chega hoje a S. Gregório de Nazianzo (330-390): teólogo, defensor da fé católica, orador eloquente e poeta [1].

Este homem de Deus estava unido a S. Basílio [2] pelos laços de uma grande e verdadeira amizade. Por isso, aproveitando a ocasião do dia internacional dos amigos, cremos ser de bom tom, a partir do santo em questão, nos determos com mais calma nesta realidade.

Lemos, na catequese papal, um trecho do Discurso 43 de Gregório Nazianzeno onde ele se refere à sua amizade com Basílio nos seguintes termos: “Então não só eu me sentia tomado de grande veneração pelo meu grande Basílio devido à seriedade dos seus costumes e à maturidade e sabedoria dos seus discursos, mas induzia a fazer a mesma coisa também outros, que ainda não o conheciam (…). Guiava-nos a mesma ansiedade de saber (…). Esta era nossa competição: não quem seria o primeiro, mas quem permitisse ao outro sê-lo. Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos”.

De fato, para além do marcante afeto que nutriam entre si, é interessante notar como S. Gregório Nazianzeno e S. Basílio Magno eram sinal de vida cristã um ao outro e, por isso, caminhavam juntos, na ajuda mútua, ao encontro de Deus, nosso Senhor.

O livro do Eclesiástico nos diz (6,4) que “amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro”. Bem sabemos que o caminho que conduz ao céu, à comunhão definitiva com Deus é árduo, empenhativo, difícil. Neste caminho, um amigo verdadeiro é uma poderosa proteção nas adversidades. No fim das contas, verdadeiro amigo é aquele que nos ajuda quando caímos; nos chama a atenção quando erramos; e com quem rendemos graças a Deus quando tudo nos vai bem. Enfim, amigo verdadeiro é aquele que nos ajuda a encontrarmo-nos com Cristo: pois isto é realmente amar, e não o contrário. Assim, um critério importante para distinguirmos nossos verdadeiros amigos é, sem dúvida, sua contribuição em nosso caminho de santidade, em nossa união com Jesus Cristo.

Dessa forma, por um lado, podemos verificar quem, de fato, é nosso amigo. E se chegarmos a conclusão de que alguém de quem esperávamos uma amizade está nos afastando do caminho do bem – portanto não se trata de verdadeira amizade –, é preciso ter força para preferir o bem ao prazer que uma má companhia também pode trazer. Entre o bem e o mal não há discernimento: precisamos sempre escolher o bem. Às vezes isso nos custa. Mas é necessário perseverança e fortaleza para chegarmos à vitória.

Por outro lado, é também fonte de exame de consciência: temos sido verdadeiramente amigos dos nossos amigos? Pois, como sabemos, relação de amizade exige reciprocidade. Queremos apenas ter amigos, ou já passamos à vontade de sermos amigos?

Louvado seja Deus pela amizade de S. Basílio e S. Gregório Nazianzeno! Louvado seja Deus pelos amigos e amigas que nos deu! Que a poderosa intercessão da Santíssima Virgem nos faça fiéis às nossas amizades.

[1] BENTO XVI, São Gregório Nazianzeno I: vida e obras, audiência geral de 08 de agosto de 2007. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070808_po.html>.

[2] Santo ao qual dedicamos as reflexões das duas últimas semanas.

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