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A mãe de Jesus e a mãe de Deus: uma única pessoa – Por Diácono Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, SCJ.

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     Queridos amigos do blog communioscj.

     Depois dos dias que passei na Jornada Mundial da Juventude, com o papa Bento XVI na Espanha, é muito bom reencontrá-lo a partir das nossas meditações semanais sobre os Padres da Igreja. Antes de prosseguir, agradeço de forma especial ao frater Lucas e ao diácono Júlio pelos escritos durante minha ausência e a todos que se mantiveram assíduos na leitura dos nossos textos.

      Hoje somos convidados a conhecer São Cirilo de Alexandria, bispo de Alexandria e Doutor da Igreja. Todo cristão que ama e têm devoção a Nossa Senhora deve ler os seus escritos. Para facilitar, tomo a liberdade de transcrever parte do discurso que pronunciou no final do Concílio de Éfeso (431) [1]. Como auxílio na compreensão do rico texto, ao qual sugiro que faça a leitura refletindo e orando, devemos saber que no século V havia um bispo de Jerusalém, Nestório, que negava a Maria o título de mãe de Deus. Depois de dias de Concílio, na cidade conhecida pela Tradição por ter oferecido residência para João evangelista e possivelmente Nossa Senhora, a Igreja, pelos escritos de São Cirilo de Alexandria, pronunciou-se de forma profética, clara e inesquecível. Leia, reze e nunca mais se esqueça: desde 431 a Igreja definiu como primeiro dogma cristológico referente à Maria, que ela é mãe de Deus.

     “… Salve, cidade de Éfeso, mais formosa que os mares, porque em vez dos portos da terra, marcaram encontro em ti os que são portos do céu! Salve, honra desta região asiática semeada por todos os lados de templos, como preciosas jóias, e consagrada, no presente, pelos benditos pés de muitos santos Padres e Patriarcas! Com sua vinda, cumularam-te de toda bênção, porque onde eles se congregam, aumenta e multiplica-se a santidade: religiosos fiéis, anjos da terra, afugentam eles, com sua presença, todo satânico poder e toda afeição pagã. Eles, repetimos, confundem toda heresia e são glórias de nossa fé ortodoxa.

     Salve, bem-aventurado João, apóstolo e evangelista, glória da virgindade, mestre da honestidade. Salve, vaso puríssimo da temperança, a ti virgem, confiou, na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo a Mãe de Deus, sempre virgem! Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva, por aquele que amou de servo a forma! Como Rei, quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o profeta Davi, quando diz: “O teu templo é santo e admirável em sua justiça” (Sl 64).

     Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve, Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste em teu seio o Deus infinito, o Verbo unigênito, produzindo sem arado e sem semente a espiga incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos profetas, bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino de Belém: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14).

     Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe de Deus, honra dos apóstolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista, ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual diz são Paulo: “apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador” (Tt 2,1).

     Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: “eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Deus te salve, Mãe de Deus, que iluminaste aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz (Is 9, 2), uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo (Jo 1,9). Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos Evangelhos: “bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9), por quem se encheram de igrejas nossas cidades, campos e vilas ortodoxas! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o autor da criação e o restaurador das criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e refulgiu o brilho da ressurreição!

     Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem o Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, – pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem nossos irmãos cooperadores e pais e defensores da fé, serem conduzidos, com alegria e júbilo espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra!

     Também aquele que, levando cartas de perseguição, sendo derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, falou sobre ti e confirmou para o mundo a fé na Trindade consubstancial, de um só Senhor, de um só batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio do Arcanjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo” (Lc 1,35). Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta diariamente a Igreja, nos diz: “O Senhor me disse: és meu filho; no dia de hoje te gerei” ( Sl 2,7). Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta nascido de profeta, o predissera: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt 1,23).

     Por isso todos os que formos fieis às Escrituras, seguindo os caminhos de Paulo, ouvindo as vozes dos profetas clamar-te-ão Bem aventurada. Todos os que formos seguidores dos Evangelhos permaneceremos como disse o profeta: seremos como “oliveira fértil na casa de Deus” (Sl 51), glorificando a Deus Pai Todo Poderoso, a seu Filho UNIGÊNITO que nasceu de Maria e ao vivificante Espírito Santo, que se comunica a todos na vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, no seu amor à fé ortodoxa de Cristo de Jesus, nosso Senhor a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos . Amém” [2]

     Notas:

     [1] BELITTO, C. História dos 21 Concílios da Igreja: de Nicéia ao Vaticano II. São Paulo: Loyola, 2010. [2] GOMES, F. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Paulinas, 1985.

     [2] GOMES, F. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Paulinas, 1985.

“CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA” – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam bem vindos! É sempre muito bom visitar a história da Igreja que deu certo: os santos, nossos amigos. Nesta semana, nossa reflexão tem como companhia S. Cirilo de Alexandria (†444), um grande bispo a quem o Santo Padre Bento XVI chama de “guardião da verdadeira fé” e que, em suas obras “insere-se intencional e explicitamente na tradição da Igreja, em que reconhece a garantia da continuidade com os Apóstolos e com o próprio Cristo” [1].

S. Cirilo de Alexandria participou do Concílio de Éfeso (431), onde foi afirmada a unidade da pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta afirmação está na base do primeiro e maior título que Nossa Senhora possui: “Mãe de Deus” (Theotókos em grego).

Com efeito, lemos numa carta do referido Doutor da Igreja: “Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidem dar à Santíssima Virgem o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres” [2].

Confesso que esta admiração que o santo bispo partilha com seu interlocutor também me acomete. Como pode alguém duvidar de algo tão evidente? Como fica claro aqui que a fé é adesão. E que esta adesão não pode ser medíocre, mas deve basear-se na autoridade d’Aquele que se revelou e cujo testemunho permanece, pela ação do Espírito Santo na Igreja.

Nossa profissão de fé diz “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” [3]. Crer na Igreja não é, de fato, acessório, mas parte fundamental do nosso caminho de encontro com Cristo. E trata-se exatamente de fé: uma opção por crer mesmo que não haja garantia humana. Crer é uma “opção fundamental diante da realidade como tal (…). Em outras palavras: ter fé significa decidir que no âmago da existência humana há um ponto que não pode ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca na fímbria daquilo que não é visível, a ponto de este se tornar tangível para ele revelando-se como algo indispensável à existência”. [4]. Infelizmente, porém, não tratamos a Igreja como aquilo que Ela é: objeto de fé. E, assim, o Magistério habitualmente é tratado com desdém: todos pensam que entendem mais de teologia e de moral do que o Papa. Um show de “achismos”! Assim, afastamo-nos da obediência num orgulho muito requintado, mas que, no fundo, trata-se de um “eu me basto” também na procura por Jesus que nos fecha em nós mesmos, impossibilitando o salto da fé… Dessa forma, querendo ser originais (“penso por mim mesmo”), acabamos com a maioria que não segue os ensinamentos da Igreja…

Que S. Cirilo de Alexandria, guardião da verdadeira fé, nos ajude a sermos, de fato, católicos! E que a grande Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, acesso seguro a Jesus Cristo, não nos abandone nesta aventura da fé ortodoxa!

Fraterno abraço a todos!

[1] BENTO XVI. “São Cirilo de Alexandria”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 105-109. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071003_po.html>.

[2] SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA. “Defensor da maternidade divina da Virgem Maria”. In Liturgia das Horas (III), p. 1381-1382.

[3] Símbolo niceno-constantinopolitano. No símbolo apostólico, mais comum aqui no Brasil, a afirmação é feita com as palavras: “creio (no ES e) na santa Igreja católica”.

[4] RATZINGER. Joseph. Introdução ao Cristianismo: preleções sobre o Símbolo Apostólico com um novo ensaio introdutório. São Paulo: Loyola, 2005, p. 39.

SER CRISTÃO SEMPRE E EM TODO LUGAR – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

É uma grande alegria recebê-los em nosso blog para mais uma reflexão a partir da eminente figura de S. João Crisóstomo. Antes, porém, de iniciarmos nossa reflexão, gostaríamos de agradecer a todos: semana passada o CommunioSCJ ultrapassou os 5 mil acessos. De coração, agradecemos a todos que nos acompanharam no caminho até aqui percorrido: que Deus, nosso Senhor, em Sua misericórdia abençoe a todos.

Desta vez, a sequência das catequeses papais nos leva agora a Constantinopla na companhia de João Crisóstomo [1]. Ele foi bispo desta cidade durante dez anos (397-407), mas, não obstante sua conduta exemplar, foi exilado duas vezes por intrigas políticas – a segunda, aliás, custou-lhe a vida.

Lemos na catequese, um testemunho do Santo Padre Bento XVI: “São comovedoras as numerosas cartas do exílio, nas quais João manifesta as suas preocupações pastorais com tonalidades de participação e de sofrimento pelas perseguições contra os seus”. Nessas palavras encontramos uma lição importante: o grande e santo bispo preocupava-se com os seus e procurava fazer-lhes o bem mesmo sofrendo grande sofrimento.

Mais preocupado com os sofrimentos e perseguições que seus fiéis sofriam do que consigo mesmo vemos em S. João Crisóstomo alguém que encontrou o sentido sua vida doando-a (cf. Lc 9,24). Vemos aqui, irmãos, um exemplo de cristão! Se o cristão se distingue pelo amor (cf. Jo 13,35) e “amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo” (Caritas in Veritate, n. 7), então ser cristão é encontrar o modo de fazer o bem sempre e em todo lugar, não importando a circunstância. Exatamente o que fez João Crisóstomo: por suas cartas e sua união a Cristo ele fazia o bem aos membros de sua diocese.

Mesmo longe e aparentemente impossibilitado, S. João Crisóstomo usava os “meios pobres” [2] para fazer o bem. Não podemos nos alongar muito neste assunto. Basta, hoje, dizer que existem diversos meios para se fazer o bem, mas eles podem ser divididos em meios ricos e meios pobres, onde os ricos são aqueles que todos podem ver. Já os meios pobres são invisíveis: “o sofrimento aceito por amor a Deus, os joelhos doloridos durante a oração, as renúncias que fazemos e que ninguém conhece, a anulação da vontade própria, a vida em recolhimento, no silêncio e na contemplação” cuja eficácia “flui da presença de Cristo nas almas” [3], ou seja, da comunhão de bens espirituais que une toda Igreja, corpo de Cristo (cf. Cl 1,18). Esses meios nunca nos serão tirados. Usemo-los! Sejamos fiéis à nossa vocação cristã!

Que a intercessão de S. João Crisóstomo e da sempre Virgem Maria nos ajudem sermos verdadeiramente cristãos!

Fraterno abraço! Fiquem com Deus!

[1] BENTO XVI. “S. João Crisóstomo (II): os anos de Constantinopla”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 95-99. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070926_po.html>.

[2] Encontramos uma reflexão belíssima sobre os meios ricos e os meios pobres na Igreja na seguinte obra: DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e prece, 2007, p. 145-158.

[3] Idem, p. 147.

S. JOÃO CRISÓSTOMO E A FAMÍLIA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caríssimos irmãos e irmãs, mais uma vez sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, seguindo o caminho das catequeses do Santo Padre Bento XVI, nosso olhar se volta para S. João Crisóstomo (349-407) [1]. Esta figura iminente presente na virada dos séculos IV e V ficou conhecido como “Boca de ouro” por sua eloquência conservada nas 700 homilias, 241 cartas e comentários (a Mateus e a Paulo) que chegaram até nós.

Bento XVI, pedagogicamente, dividiu a catequese sobre ele em duas etapas: a primeira de sua vida em Antioquia; e a segunda (que veremos semana que vem) de seu ministério episcopal em Constantinopla. Nas palavras do Papa, “ele não foi um teólogo especulativo. Transmitiu, porém, a doutrina tradicional e segura da Igreja numa época de controvérsias teológicas suscitadas principalmente pelo arianismo, isto é, pela negação da divindade de Cristo”. Assim, aproveitamos a ocasião da semana da família para destacar alguns traços do ensinamento de Crisóstomo sobre a família, pequena Igreja.

Como S. João Crisóstomo segue, em seus escritos, as diversas etapas do desenvolvimento integral da pessoa humana, ele, naturalmente, começa pela infância: “de fato ‘justamente nessa primeira idade se manifestam as inclinações para o vício e para a virtude’. Por isso a lei de Deus deve ser desde o início impressa na alma ‘como numa placa de cera’ (Homilia 3,1 sobre o Evangelho de João): de fato essa é a idade mais importante” [2].

Essas palavras nos lembram uma importante parcela de nossa missão em relação a nossas crianças – sobretudo dos pais (pais e mães) e padrinhos: devemos mostrá-las Deus; devemos conduzi-las a Deus (também através de Sua Lei). As implicações aqui são inúmeras e é impossível esgotá-las neste espaço. Gostaríamos apenas de partilhar um raciocínio muito simples.

Sabemos, por nossa própria experiência, que os bens que têm valor são os mais duráveis. Ora, sabemos, também, que “a figura deste mundo passa” (1Cor 7,31). Então, o que existe de mais valor é o que não passa, ou melhor, quem não passa: Deus, nosso Senhor. Dessa forma, será que nos preocupamos em dar às gerações que nos sucederão o que realmente vale a pena?

E, neste caso específico (as crianças), é bom salientar que não é através de discursos intrincados que se cumprirá tal missão – as crianças, evidentemente, não tem a capacidade especulativa que nós temos –, mas através do testemunho. É vendo nossa vida cristã que elas saberão que Cristo vale a pena, ou melhor, vale a vida… Isso se dá, sobretudo, nas famílias, pequenas Igrejas, que, em relação recíproca com a grande Igreja católica, é o ambiente favorável para o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Amemos a Cristo. Amemos nossas famílias. Cultivemos a fé e nossas crianças conhecerão o Caminho. Que a Santíssima Virgem, mãe de Deus e da Igreja, no ajude a cumprir esta missão.

 

[1] BENTO XVI. “S. João Crisóstomo (I): os anos de Antioquia”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 95-99. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070919_po.html&gt;.

[2] Idem, p. 98.

S. GREGÓRIO DE NISSA E A RESPONSABILIDADE DO CRISTÃO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Bem amigos do CommunioSCJ! É com muita alegria que concluímos nesta semana as reflexões a partir dos três grandes capadócios com o segundo texto inspirado na doutrina de S. Gregório de Nissa [1]: partiremos de um alerta de Gregório e chegaremos a suas orientações para bem viver.

Nas palavras de Bento XVI lemos: “Cristão é alguém que leva o nome de Cristo, e portanto deve assemelhar-se a Ele também na vida. Nós, cristãos, com o batismo, assumimos uma grande responsabilidade”. Essas duas frases e implicam-se mutuamente e mostram com clareza quão grande é o risco de uma vida irrefletida. Meus irmãos, temos apenas uma chance – aproveitemo-la antes que seja tarde!

E como fazer para aproveitar nossa chance de entrarmos em comunhão com Deus? Gregório de Nissa nos aponta um duplo caminho de ascensão a Deus: a pureza do coração e o amor ao próximo. Aqui, mais uma vez, afirmadas as tarefas básicas do cristão: resistir ao mal dentro de si mesmo – por isso a importância da ascese ou terapia espiritual (como queiram) e a prática da caridade, que é, em última análise, a única forma eficaz de combatermos o mal que está fora de nós.

Nesse caminho, é sempre importante mantermos nossa consciência sempre vigilante (não escrupulosa). E, para isso, é necessário fazermos com frequência um exame de consciência. A Liturgia da Igreja é muito sábia quando nos propõe um exame de consciência no fim de cada dia [2]. Nas palavras de Gregório de Nissa, o cristão deve “examinar sempre no seu íntimo os próprios pensamentos, as palavras e as próprias ações, para ver se estão orientados para Cristo ou se d’Ele se afastam”.

Por fim, tudo é sustentado pela oração, pela intimidade com o Senhor. Dessa forma, concluímos este post com as palavras do próprio santo nisseno “A oração é suporte e defesa da castidade, freio da ira, aquietamento e domínio da soberba. A oração é a guarda da virgindade, proteção da fidelidade no matrimônio, esperança para os que vigiam, abundância de frutos para os agricultores, segurança para os navegantes” [3].

Que, juntamente com a sempre Virgem Maria, S. Gregório de Nissa interceda por nós junto a Deus para que busquemos amar aquilo que verdadeiramente merece ser amado.

Fraterno abraço e até semana que vem!

 

[1] Sempre é importante lembrar que o texto de fundo é sempre uma catequese do Santo Padre, Bento XVI. No presente texto trata-se de BENTO XVI. “Gregório de Nissa (II): a doutrina”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 90-94. Audiência geral de 5 de setembro de 2007. Disponível em: < http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070905_po.html>.

[2] Ver o rito das Completas em qualquer livro da Liturgia das Horas.

[3] Gregório de Nissa. A oração do Senhor.

O EROS GREGORIANO – Por Diác. Júlio Ferreira, SCJ.

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Olá amigos do CommunioSCJ, é grande alegria que volto para comentar este grande santo no qual sou muito devoto. São Gregório de Nissa é um dos membros da minha comunidade interior.

Gregório nasceu em Cesaréia, na Capadócia, por volta do ano 331 D.C. Ele faz parte da fraternidade abismal dos “homens de diamante” que receberam a denominação de capadócios, cuja influência e busca de buscar o único essencial marcou a história cristã.

Ele dizia que “ser cristão não é retrair-se, timidamente, em suas crenças de formas sectária, mas abrir-se para questões de sua época, tentando dar-lhe uma resposta à luz da experiência e da graça”.

O Eros gregoriano é o caminho que deve percorrer o desejo do homem em direção à realidade da qual ele é sedento. Para Gregório, a causa do sofrimento e do mal estar do homem é a sua separação do real, a saber: a ignorância do Ser que ele conserva, apesar da espessura do esquecimento, a nostalgia e o desejo. Por seu parentesco com o infinito, o homem transforma-se em um animal insatisfeito, um ser de desejo.

“Com efeito, do mesmo modo que, graças aos princípios luminosos de que é constituído, o olho participa da luz e, em virtude deste poder inato, atrai para si aquilo que tem a mesma natureza, assim também com uma certa afinidade com o divino foi misturada com a natureza humana para lhe inspirar, por meio desta correspondência, o desejo de se aproximar do que lhe é aparentado” (Discurso catequético).

O desejo não surge do homem, mas é criado por essa afinidade com a natureza divina que Deus depositou em nós. “Assim, o homem dotado de vida, de razão, de sabedoria e de todas as vantagens divinas, a fim de que cada uma delas faça surgir nele o desejo pelo que lhe é aparentado”.

Neste caso, apesar se existir no homem criado à “imagem e semelhança de Deus” um desejo pelo que lhe é aparentado, esse desejo permanece livre. “O homem é um espelho livre”, Gregório indica com precisão necessária que é preciso tirar a ferrugem para que a luz possa refletir. Não basta reconhecer o desejo é preciso purificá-lo.

O espelho voltado para o caos reflete o caos, enquanto voltado para a luz, ele próprio torna-se luz. “Tornamo-nos o que observamos, tornamo-nos o que amamos”.

Como afirmava o Evangelho: “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). Daí, a importância da vigilância e do discernimento em relação ao “obscuro objeto de nosso desejo”. São Gregório de Nissa sempre se perguntou: o que merece verdadeiramente ser amado? Formular esta pergunta é fazer apelo ao conhecimento que irá iluminar o desejo e a vontade a fim de orientá-los em direção “ao que verdadeiramente É”.

Boa meditação! Deus abençoe a todos!

S. GREGÓRIO DE NISSA E O CAMINHO PARA TORNARMO-NOS O QUE SOMOS – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs, bem vindos, mais uma vez, ao CommunioSCJ! Nossa viagem pela história da Igreja chega hoje a S. Gregório de Nissa, o terceiro e último dos padres capadócios, que fora irmão e discípulo de S. Basílio Magno. Nas palavras de Bento XVI [1], S. Gregório de Nissa era um “homem de caráter meditativo, com grande capacidade de reflexão e inteligência perspicaz, aberta à cultura de seu tempo”. Enfim, um grande bispo que contribuiu para o triunfo da fé católica.

Nesta catequese, o Papa Bento XVI transmite as seguintes palavras do grande santo de Nissa: “Se, com um nível de vida diligente e atento, lavares as impurezas que se depositaram no teu coração, resplenderá em ti a divina beleza (…). Contemplando a ti mesmo, verás em ti Aquele que é o desejo do teu coração, e serás feliz” [2]. Trata-se de um pensamento de grandiosa densidade e sabedoria: como um brevíssimo compêndio da vida espiritual. Por isso, queremos, agora, ainda que brevemente, destacar a riqueza de seus diversos elementos.

Na primeira frase vemos como, de fato, a vida cristã começa pelo combate ao mal dentro de nós mesmos. É com diligência e atenção que devemos cuidar de nosso mundo interior buscando expulsar o mal que aí se encontra – sim, todos sofremos com alguma maldade interior e precisamos aprender a combatê-la. Este combate outra coisa não é que ascese – buscar uma vida ascética. Para quê? Para nos tornarmos aquilo que somos: imagem e semelhança de Deus.

A frase seguinte mostra que, seguindo o caminho da ascese, ao mesmo tempo que expulsamos o mal do nosso coração, fazemos Cristo nele reinar. Já que, como nos lembra Santa Teresa de Jesus, Ele habita nosso coração, nosso castelo interior, e, como nos ensinou Santo Agostinho, Ele é mais íntimo que nós mesmos, precisamos dar espaço a Ele – Jesus Cristo deve reinar em nossos corações. Dessa forma, vivendo em Sua vontade, poderemos contemplá-lo. E, como Ele é o anseio mais profundo do nosso coração, é no encontro e no relacionamento com Ele estaremos plenamente satisfeitos e encontraremos a verdadeira paz.

Que a Santíssima e sempre Virgem Maria e S. Gregório de Nissa, com sua intercessão, nos fortaleçam no caminho da união a Cristo, causa de nossa alegria.

Abraços a todos!

[1] BENTO XVI. “Gregório de Nissa (I): vida e obras”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 86-89. Audiência geral de 29 de agosto de 2007. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070829_po.html>.

[2] GREGÓRIO DE NISSA. As Bem-aventuranças, n. 6.