Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caríssimos irmãos e irmãs, mais uma vez sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, seguindo o caminho das catequeses do Santo Padre Bento XVI, nosso olhar se volta para S. João Crisóstomo (349-407) [1]. Esta figura iminente presente na virada dos séculos IV e V ficou conhecido como “Boca de ouro” por sua eloquência conservada nas 700 homilias, 241 cartas e comentários (a Mateus e a Paulo) que chegaram até nós.

Bento XVI, pedagogicamente, dividiu a catequese sobre ele em duas etapas: a primeira de sua vida em Antioquia; e a segunda (que veremos semana que vem) de seu ministério episcopal em Constantinopla. Nas palavras do Papa, “ele não foi um teólogo especulativo. Transmitiu, porém, a doutrina tradicional e segura da Igreja numa época de controvérsias teológicas suscitadas principalmente pelo arianismo, isto é, pela negação da divindade de Cristo”. Assim, aproveitamos a ocasião da semana da família para destacar alguns traços do ensinamento de Crisóstomo sobre a família, pequena Igreja.

Como S. João Crisóstomo segue, em seus escritos, as diversas etapas do desenvolvimento integral da pessoa humana, ele, naturalmente, começa pela infância: “de fato ‘justamente nessa primeira idade se manifestam as inclinações para o vício e para a virtude’. Por isso a lei de Deus deve ser desde o início impressa na alma ‘como numa placa de cera’ (Homilia 3,1 sobre o Evangelho de João): de fato essa é a idade mais importante” [2].

Essas palavras nos lembram uma importante parcela de nossa missão em relação a nossas crianças – sobretudo dos pais (pais e mães) e padrinhos: devemos mostrá-las Deus; devemos conduzi-las a Deus (também através de Sua Lei). As implicações aqui são inúmeras e é impossível esgotá-las neste espaço. Gostaríamos apenas de partilhar um raciocínio muito simples.

Sabemos, por nossa própria experiência, que os bens que têm valor são os mais duráveis. Ora, sabemos, também, que “a figura deste mundo passa” (1Cor 7,31). Então, o que existe de mais valor é o que não passa, ou melhor, quem não passa: Deus, nosso Senhor. Dessa forma, será que nos preocupamos em dar às gerações que nos sucederão o que realmente vale a pena?

E, neste caso específico (as crianças), é bom salientar que não é através de discursos intrincados que se cumprirá tal missão – as crianças, evidentemente, não tem a capacidade especulativa que nós temos –, mas através do testemunho. É vendo nossa vida cristã que elas saberão que Cristo vale a pena, ou melhor, vale a vida… Isso se dá, sobretudo, nas famílias, pequenas Igrejas, que, em relação recíproca com a grande Igreja católica, é o ambiente favorável para o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Amemos a Cristo. Amemos nossas famílias. Cultivemos a fé e nossas crianças conhecerão o Caminho. Que a Santíssima Virgem, mãe de Deus e da Igreja, no ajude a cumprir esta missão.

 

[1] BENTO XVI. “S. João Crisóstomo (I): os anos de Antioquia”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 95-99. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070919_po.html&gt;.

[2] Idem, p. 98.

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