Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam bem vindos! É sempre muito bom visitar a história da Igreja que deu certo: os santos, nossos amigos. Nesta semana, nossa reflexão tem como companhia S. Cirilo de Alexandria (†444), um grande bispo a quem o Santo Padre Bento XVI chama de “guardião da verdadeira fé” e que, em suas obras “insere-se intencional e explicitamente na tradição da Igreja, em que reconhece a garantia da continuidade com os Apóstolos e com o próprio Cristo” [1].

S. Cirilo de Alexandria participou do Concílio de Éfeso (431), onde foi afirmada a unidade da pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta afirmação está na base do primeiro e maior título que Nossa Senhora possui: “Mãe de Deus” (Theotókos em grego).

Com efeito, lemos numa carta do referido Doutor da Igreja: “Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidem dar à Santíssima Virgem o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres” [2].

Confesso que esta admiração que o santo bispo partilha com seu interlocutor também me acomete. Como pode alguém duvidar de algo tão evidente? Como fica claro aqui que a fé é adesão. E que esta adesão não pode ser medíocre, mas deve basear-se na autoridade d’Aquele que se revelou e cujo testemunho permanece, pela ação do Espírito Santo na Igreja.

Nossa profissão de fé diz “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” [3]. Crer na Igreja não é, de fato, acessório, mas parte fundamental do nosso caminho de encontro com Cristo. E trata-se exatamente de fé: uma opção por crer mesmo que não haja garantia humana. Crer é uma “opção fundamental diante da realidade como tal (…). Em outras palavras: ter fé significa decidir que no âmago da existência humana há um ponto que não pode ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca na fímbria daquilo que não é visível, a ponto de este se tornar tangível para ele revelando-se como algo indispensável à existência”. [4]. Infelizmente, porém, não tratamos a Igreja como aquilo que Ela é: objeto de fé. E, assim, o Magistério habitualmente é tratado com desdém: todos pensam que entendem mais de teologia e de moral do que o Papa. Um show de “achismos”! Assim, afastamo-nos da obediência num orgulho muito requintado, mas que, no fundo, trata-se de um “eu me basto” também na procura por Jesus que nos fecha em nós mesmos, impossibilitando o salto da fé… Dessa forma, querendo ser originais (“penso por mim mesmo”), acabamos com a maioria que não segue os ensinamentos da Igreja…

Que S. Cirilo de Alexandria, guardião da verdadeira fé, nos ajude a sermos, de fato, católicos! E que a grande Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, acesso seguro a Jesus Cristo, não nos abandone nesta aventura da fé ortodoxa!

Fraterno abraço a todos!

[1] BENTO XVI. “São Cirilo de Alexandria”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 105-109. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071003_po.html>.

[2] SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA. “Defensor da maternidade divina da Virgem Maria”. In Liturgia das Horas (III), p. 1381-1382.

[3] Símbolo niceno-constantinopolitano. No símbolo apostólico, mais comum aqui no Brasil, a afirmação é feita com as palavras: “creio (no ES e) na santa Igreja católica”.

[4] RATZINGER. Joseph. Introdução ao Cristianismo: preleções sobre o Símbolo Apostólico com um novo ensaio introdutório. São Paulo: Loyola, 2005, p. 39.