Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

“Faz, ó Senhor – recita Hilário de modo inspirado – com que eu me mantenha sempre fiel ao que professei no Símbolo da minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu te adore, nosso Pai, e contigo o teu Filho; que eu mereça o teu Espírito Santo, que procede de ti mediante o teu Unigênito… Amém” (A Trindade 12,57) [1]. É com esta citação que o Santo Padre termina sua catequese sobre Santo Hilário. Mas, como a oração do santo traz uma boa questão para nossa vida de fé, ela serve de ponto de partida para nossa reflexão.

Santo Hilário viveu no século IV, ambiente cheio de discussões doutrinais e definições dogmáticas acerca da Trindade [2]. Contudo, já naquela época, Santo Hilário sabia, como podemos perceber em sua oração, claramente que “a fé é pessoal, mas não é individual” e que “a fé pessoal é o assumir, com todas as implicações que isso possa ter, a fé da Igreja a que pertencemos” [3].

Por isso ele reza para se manter fiel ao Símbolo professado no seu batismo. Ser fiel ao nosso Batismo é ser fiel a Deus e à Igreja em todos os âmbitos (doutrina e moral que se implicam mutuamente). Não basta parecer cristão, ou mesmo dizer-se cristão… Menos ainda querer seguir algum tipo de código de ética cristã: é preciso crer com a Igreja de Cristo e viver como Ele. De tal forma que se encontra motivação para viver como Cristo crendo naquele que só é possível encontrar na fé professada por Sua Santa Igreja.

Submeter-se de tal maneira à Revelação é adorar ao Pai e ao Filho no Espírito. Não, amados, não é (nem será) possível compreender a Deus de tal forma que Ele não mais nos surpreenda. Não é possível que sejamos nós a medida de todas as coisas. Não é possível que a Igreja – que nos deu a fé, a Bíblia e a Eucaristia – não nos tenha nada a dizer e sejamos nós mesmos o critério de leitura da vida, da teologia e dos textos sagrados.

Que Santo Hilário e a Santíssima sempre Virgem Maria intercedam por nós a fim de que façamos morrer em nós o orgulho que nos põe no centro do universo e, assim, nos tornemos bons cristãos, filhos de Deus e da Igreja, irmãos de todas as pessoas. Que não caia sobre nossa geração a vergonha da apostasia da fé.

Fraterno abraço, fiquem com Deus!

 

 

[1] BENTO XVI. “Santo Hilário de Poitiers”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 110-114. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071010_po.html>.

[2] Os concílios ecumênicos daquele século foram reunidos para resolver questões acerca da divindade de Jesus Cristo (Concílio de Niceia, 325) e a divindade do Espírito Santo (Concílio de Constantinopla, 381) – destes nasceu o Símbolo Niceno-constantinopolitano, rezado aos domingos na maior parte do mundo.

[3] D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa. In Youcat. Lisboa: Paulus, 2011, p. 288.