Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Sejam todos bem vindos, mais uma vez, ao CommunioSCJ! Nesta semana temos a grata satisfação de refletir a partir de um santo que foi celebrado pela Liturgia na última semana (30/09): S. Jerônimo (347-420) [1]. Este doutor da Igreja foi um grande estudioso, diretor espiritual, monge, exegeta, tradutor e comentador da Sagrada Escritura. Enfim, S. Jerônimo amou a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e fez dela o centro de sua vida. Mais que estudá-la, ele a viveu com intensidade, pois soube encontrar Cristo, Verbo eterno, nas páginas, ou melhor, nos rolos da Bíblia.

De seu exemplo o Santo Padre Bento XVI nos pede que aprendamos a amar a Palavra de Deus que se encontra na Bíblia Sagrada à qual encontramos num diálogo que tem, em si, duas dimensões: uma pessoal – “porque Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e tem uma mensagem para cada um” [2]; outra eclesial: “devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva” [3].

De fato, essa dupla consciência é muito importante quando lidamos com a Palavra de Deus na Escritura Sagrada. Pois, por um lado, corremos sempre o risco de pinçar trechos das Escrituras que mais nos agradem em detrimento de outros que nos incomodam. Mas quem disse que a Palavra não deve incomodar? Não é a nosso gosto que Deus nos fala: é para o nosso bem. E nem sempre o bem é agradável. Dessa forma, acabaremos por ter na Palavra algo perdido num passado distante e não algo e Alguém diretamente relacionado a nós. A Palavra nos toca pessoalmente.

Por outro lado, corremos também o risco do individualismo. Há quem creia que, sozinho, é capaz de fazer uma leitura autêntica da Sagrada Escritura… Ok. Isso só não é católico. Já desde Jerônimo sabemos da importância da Tradição e da fé da Igreja para interpretar validamente os textos bíblicos. O próprio Bento XVI há pouco tempo nos chamou a atenção para o fato de que “uma autêntica interpretação da Bíblia deve estar sempre em harmônica concordância com a fé da Igreja Católica” (VD 30) [4]. Para isso temos o auxílio do Magistério. O Concílio Vaticano II mesmo nos diz que “encargo de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo” (DV 10) [5].

E mais: “como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita, não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé” (DV 12) [6]. Então, amados irmãos, também nós, se quisermos nos encontrar com Cristo vivo e presente nas Sagradas Escrituras, devemos nos aproximar dela com fé católica, considerando a unidade da Revelação e em concordância livre e filial ao Magistério católico.

Que Maria santíssima e S. Jerônimo nos auxiliem com sua intercessão neste caminho!

Grande abraço e até semana que vem!

 

[1] Cf. BENTO XVI. “São Jerônimo I: vida e obras”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 130-134. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071107_po.html>.

[2] BENTO XVI, Os Padres da Igreja, p. 133.

[3] BENTO XVI, Os Padres da Igreja, p. 133.

[4] BENTO XVI. Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini_po.html>.

[5] CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html>.

[6] CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html>.

Anúncios