Vivat Cor Iesu!

Mais uma vez, sejam todos muito bem vindos ao CommunioSCJ! Depois de uma semana sem novos textos, retomamos nossa viagem pela história da Igreja, ainda na companhia de S. Jerônimo [1].

Retomando o tema último post [2], também nesta audiência, o Santo Padre trata do problema sobre a interpretação da Bíblia, ponto de partida para nossa reflexão, que vem a seguir. Diz Bento XVI: “Para Jerônimo um critério fundamental de método na interpretação das Escrituras era a sintonia com o Magistério da Igreja. Nunca podemos ler a Escritura sozinhos. Encontramos muitas portas fechadas e resvalamos facilmente no erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos realmente entrar com o ‘nós’ no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer. Para ele uma interpretação autêntica da Bíblia devia estar sempre em concordância harmoniosa com a fé da Igreja católica. Não se trata de uma exigência imposta a este Livro de fora; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus em peregrinação e só na fé desse Povo estamos, por assim dizer, a tonalidade correta para compreender a Sagrada Escritura. Por isso Jerônimo admoestava um sacerdote: ‘Permanece firmemente apegado à doutrina tradicional que te foi ensinada, para que tu possas exortar segundo a tua sã doutrina e contrastar quantos a contradizem’ (Ep. 52, 7)” [3].

Tendo como pressuposto que o encontro com Jesus Cristo se dá na leitura e meditação das Sagradas Escrituras na fé da Igreja, o texto do Santo Padre traz outra reflexão importante: o dever de conciliar a vida com a Palavra divina. O encontro com a Palavra eterna do Pai, Jesus Cristo, deve iluminar e transformar nossa vida. De tal maneira que “a mente e a palavra devem estar em sintonia” [4].

Isso, sem dúvida, se verifica através da prática da caridade fraterna. São palavras de S. Jerônimo: é preciso “vestir Cristo nos pobres, visitá-lo em quem sofre, alimentá-lo nos famintos, abrigá-lo nos desalojados” [5]. Sem dúvida, não é fácil. Exatamente porque não é fácil, o santo indica donde vem a força que faz superar as dificuldades: união a Cristo, por amor alimentado na oração e meditação da Sagrada Escritura. Em suas palavras: “amemos também nós a Jesus Cristo, procuremos sempre a união com Ele: então nos parecerá fácil também o que é difícil” [6].

Resumindo: a leitura e meditação das Escrituras na fé da Igreja nos abre espaço de relação com Jesus Cristo ressuscitado, real e verdadeiro. Essa relação leva necessariamente ao amor fraterno em todas as suas exigências, também com os mais necessitados. É preciso, em nossa vida, conservar equilibradas ambas as esferas de relações acima postas.

Que a intercessão de São Jerônimo e de Maria Santíssima nos ajudem neste caminho de maturidade, santificação e realização.

Grande abraço e até semana que vem!

 

[1] Cf. BENTO XVI. “São Jerônimo II: a doutrina”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 135-140. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071114_po.html>.

[2] Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2011/10/08/ler-as-sagradas-escrituras-com-o-mesmo-espirito-com-que-foi-escrita-%E2%80%93-por-fr-lucas-scj/>.

[3] BENTO XVI. “São Jerônimo II: a doutrina”. In Os Padres da Igreja, p. 136-137. Grifo nosso.

[4] S. JERÔNIMO, Epístola 52,7, apud. BENTO XVI. “São Jerônimo II: a doutrina”. In Os Padres da Igreja, p. 137.

[5] S. JERÔNIMO, Epístola 58,7, apud. BENTO XVI. “São Jerônimo II: a doutrina”. In Os Padres da Igreja, p. 138.

[6] S. JERÔNIMO, Epístola 22,40, apud. BENTO XVI. “São Jerônimo II: a doutrina”. In Os Padres da Igreja, p. 138.

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