Olá amigos do CommunioSCJ! Saudades de todos. Estamos na quaresma e nos propomos a viver este período meditando a vida e os escritos de Santo Agostinho (354-430). Pensando na sua história, a exemplo de Jesus, vejo dois momentos distintos: a vida oculta e a vida pública, sendo que o deserto une estes dois momentos.

A vida oculta de Jesus durou 30 anos e, afastada da multidão, segundo o Papa Paulo VI, foi marcada pelo silêncio, oração e trabalho [1]. Com Santo Agostinho, estes 30 anos foram marcados pela distância da Igreja católica. Ele procurou a verdade de várias maneiras: na sexualidade desenfreada, em cultos racionais, acéticos até ser seduzido pelo Senhor [2].

Adiante, como o Senhor, ele também foi provado no deserto. Antes da sua conversão, ele era seduzido a sempre deixar para amanhã, para depois. Até que, em determinado momento, abriu o coração e seus lábios disseram palavras imortais:

“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!

Tarde demais eu te amei!

Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!

Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.

Estavas comigo, mas eu não estava contigo.

Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.

Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.

Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.

Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.

Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz…” [3].

Após iniciar seu processo de conversão, ao contrário do Senhor, sua vida pública durou mais tempo. Ele precisava de vários anos para aprender com sua história e ajudar a Igreja a se defender das terríveis heresias daquele período.

Em nossa vida também é assim, temos momentos diferentes, mas quem busca a verdade acaba se encontrando com o Senhor e não consegue mais viver sem Ele.

Santa Quaresma a todos e até breve.

Notas:

[1] Confissões, livros I-VI.

[2] Liturgia das Horas (Vol. I). Ofício das Leituras: Domingo da Sagrada família.

[3] Confissões, livros X, 27.