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FELIZ ANIVERSÁRIO, COMMUNIOSCJ! – Por Fabiana Theodoro.

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Mais uma vez estamos juntos, e dessa vez para celebrar o aniversário do nosso blog. Deixo meus parabéns ao Pe. Daniel, Pe. Júlio e Fr. Lucas por sua perseverança e por seus valiosos escritos e reflexões. Que o Senhor sempre os proteja e os abençoe.

Quero fazer uma breve retrospectiva de alguns Padres da Igreja presentes no blog ao longo desse ano, lembrando primeiramente do conselho de São Clemente:

“Apegai-vos aos santos porque aqueles que estão unidos a eles se tornaram santos” (Carta aos Romanos, n. 46).

Santo Inácio de Antioquia, escritor inspirado, bispo, grande defensor da unidade cristã e mártir († 110), foi o primeiro a usar o termo “Igreja católica”[1].

Santo Ireneu (202), bispo de Lião, tinha por objetivo reafirmar que Jesus era plenamente Deus e plenamente humano. Na época de Ireneu, se difundia heresias (falsas doutrinas) que afirmavam que Deus não poderia jamais ser um humano, pois o humano não poderia suportar o Divino [2].

S. Cipriano, bispo de Cartago (norte da África) foi martirizado no ano 258 distingue entre Igreja visível, hierárquica, e Igreja invisível, mística, mas afirma com vigor que a Igreja é uma só, fundada sobre Pedro. Pagão convertido de gênio forte, que protagonizou uma controvérsia com Estêvão, papa, a respeito da validade do batismo ministrado por hereges [3].

S. Cirilo de Jerusalém (†386): um grande bispo da cidade santa que defendeu valorosamente a fé professada no Concílio de Niceia (325) e que, por isso, sofreu três exílios em pouco mais de vinte anos (357-378). Defendeu também a presença substancial de Jesus na Eucaristia [4].

S. Basílio foi defensor da doutrina trinitária, monge – deu grande contribuição para a definição da identidade monástica (S. Bento o considerava seu mestre) “ele foi um homem que viveu verdadeiramente com o olhar fixo em Cristo, um homem do amor ao próximo” [5].

S. João Crisóstomo (349-407). Esta figura iminente presente na virada dos séculos IV e V ficou conhecido como “Boca de ouro” por sua eloquência conservada nas 700 homilias, 241 cartas e comentários (a Mateus e a Paulo) que chegaram até nós [6].

São Cirilo de Alexandria, bispo de Alexandria e Doutor da Igreja. Todo cristão que ama e têm devoção a Nossa Senhora deve ler os seus escritos, pois ele defendeu o título de “Maria, mãe de Deus no Concilio de Nicéia” [7].

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão. Além da capacidade de pregar o evangelho, seu amor pela temática da virgindade, dos sacramentos e sua capacidade de organizar sua Igreja local. Ele teve o privilégio de batizar Santo Agostinho [8].

S. Jerônimo (347-420), este doutor da Igreja foi um grande estudioso, diretor espiritual, monge, exegeta, tradutor e comentador da Sagrada Escritura. Enfim, S. Jerônimo amou a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e fez dela o centro de sua vida. Mais que estudá-la, ele a viveu com intensidade, pois soube encontrar Cristo, Verbo eterno, nas páginas, ou melhor, nos rolos da Bíblia [9].

Esses são apenas alguns dos Padres da Igreja que conhecemos este ano, pois não posso me estender demais. O objetivo do blog é expor o exemplo de quem deu certo (os santos), meditar e refletir sobre suas vidas, mostrar o caminho trilhado primeiro por eles, que com a santidade de suas vidas e amor pela Igreja já chegaram ao céu, assim como nós um dia queremos chegar. Apesar das dificuldades que eles enfrentaram, vale a pena, ou melhor, vale a vida!

Continuaremos, com a graça de Deus, nossas meditações sobre Santo Agostinho na semana que vem.

Boa semana e que o Senhor sempre nos abençoe!

 

[1] Os Padres Apostólicos. Ed. Paulus, 1995

[2] Ireneu de Lião. Contra as Heresias

[3] Sobre a unidade da Igreja católica 4.

[4] BENTO XVI, São Cirilo de Jerusalém, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070627_po.html&gt;.

[5] BENTO XVI. “S. Basílio (I): vida e obras”. In Os Padres da Igreja, São Paulo: Pensamento, 2010, p. 73.

[6] BENTO XVI. “S. João Crisóstomo (I): os anos de Antioquia”. Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 95-99. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070919_po.html&gt;.

[7] BELITTO, C. História dos 21 Concílios da Igreja: de Nicéia ao Vaticano II. São Paulo: Loy[1] ROPS, Daniel. A Igreja dos Tempos Bárbaros. São Paulo: Quadrante, 1991; 469-471.ola, 2010.

[8] GOMES, F. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Paulinas, 1985.

[9] Cf. BENTO XVI. “São Jerônimo I: vida e obras”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 130-134. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20071107_po.html&gt;.

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“PARECE-ME QUE SE DEVE CONDUZIR OS HOMENS À ESPERANÇA DE ENCONTRAR A VERDADE” – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, irmãos e irmãs em Cristo, sejam sempre muito bem vindos ao nosso blog. Neste final de semana, este espaço já completa um ano. Como passou depressa! Mais que os oito mil acessos conseguidos até agora, nossa alegria é, com a Graça de Deus, poder fazer algo, mesmo que pequeno, para que nosso Senhor, grande Deus e Salvador, Jesus Cristo seja, na Igreja católica, conhecido, adorado e servido. Obrigado pela confiança e pela companhia neste ano! Que muitos outros, tantos quantos nosso Senhor nos conservar neste empreendimento, sejam repletos de sua força e de sua graça.

Considero uma graça da Providência que, neste tempo de aniversário do blog, estejamos com nosso coração voltado para Cristo através do testemunho de Santo Agostinho durante o tempo quaresmal: excelente oportunidade para que nos convertamos. Junto com o Papa Bento XVI [1], chegamos àquilo que o próprio pontífice considera como o núcleo da biografia do mais célebre bispo de Hipona: a relação entre fé e razão; a busca sincera da Verdade.

Diz-nos Agostinho logo depois de sua conversão: “parece-me que se deve conduzir os homens à esperança de encontrar a verdade” [2]. Esta frase mostra como o Doutor da Graça é um profundo conhecedor da pessoa humana… Nem parece que foi escrita há mais de 1600 anos: parece mais que foi escrita para os homens de hoje.

De fato, não é difícil encontrar alguém que creia não existir ou acredita que seja impossível encontrar a verdade em si mesma. Tudo é relativo. Na verdade, para usar as palavras do Santo Padre Bento XVI [3], vivemos tempos em que impera a ditadura do relativismo. Pode-se acreditar que nada seja definitivo. Pode-se acreditar em todo tipo de coisas (cristais, bruxarias, encantamentos, harmonia com as energias cósmicas), menos que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, seja a Verdade em si mesma que se manifestou a nós como único caminho de salvação.

Tudo é perfeitamente crível, menos aquilo que é evidentemente a única realidade credível: Jesus Cristo é o Senhor. E não nos deve admirar que existam tantas pessoas perdidas, sem sentido para sua vida, afundadas em diversos vícios que escravizam… Pois é no encontro com Ele que nos encontramos a nós mesmos: “um homem que está longe de Deus está também longe de si, alienado de si mesmo, e só pode encontrar-se encontrando-se com Deus” [4].

Irmãos e irmãs, nosso coração espera por encontrar-se com Jesus! “Criaste-nos para ti e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em ti”, exclamava Agostinho [5]. Em cada ser humano que se entrega ao pecado existe um coração sedento da paz que vem de Deus! Por que procurar o sentido da vida onde ele não está? Por que continuar vivendo escravo de libertinagens mil? Por que não render-se ao único amor que pode preencher nosso coração de uma vez por todas – visto que é infinito e perfeito? Ainda não compreendemos que servir na casa de Deus é ser livre e ser livre longe desta casa é ser escravo [6]? Volta para casa! Nosso Senhor nos ama com um amor perfeito, belo e infinito! Precisamos, sem demora, nos colocar num movimento de volta para casa [7]!

Não tenhamos medo! Deus não nos tira nada do que torna a vida bela e feliz [8]! De volta, poderemos todos exclamar:

“Tarde Vos amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos Amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu fora, e ali vos procurava, e nas belezas que criastes, disforme, eu me lançava. Estáveis comigo, mas eu não estava convosco. De Vós mantinham-me distante as coisas que, se não existissem em Vós, não existiriam. Chamastes-me, gritastes e rompestes a minha surdez; brilhastes, mostrastes o Vosso esplendor e dissipastes a minha cegueira; exalastes o Vosso perfume e eu o respirei suspirando por Vós; saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede; tocastes-me, e me inflamei na Vossa paz” [8].

Deus, nosso Senhor, só não pode fazer isto por nós: voltar para casa em nosso lugar… O primeiro passo, mesmo que o caminho pareça impossível e o ponto de chegada distante, é abrirmo-nos à esperança de encontrar a Verdade.

Que Santo Agostinho e a Bem-aventurada Virgem Maria nos sustentem neste caminho!

Desculpem-me se escrevi demais…

Grande abraço! Fiquem com Deus! E até a próxima!

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 174-178. Disponível em: <>.

[2] SANTO AGOSTINHO. Ep 1,1. In BENTO XVI. Idem, p. 177.

[3] RATZINGER, Joseph. Homilia na Missa pela eleição do Papa (18/04/2005). Disponível em: <http://www.vatican.va/gpII/documents/homily-pro-eligendo-pontifice_20050418_po.html>.

[4] BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 176.

[5] SANTO AGOSTINHO. Confissões I,1,1. In BENTO XVI. Idem, p. 176.

[6] Cf. Lc 15,11-32.

[7] “A Igreja Católica é o lar natural do espírito humano. A estranha perspectiva da vida, que ao princípio parece um quebra-cabeça sem sentido, tomada sob esse ponto de vista, adquire ordem e sentido”. Trecho de uma carta de G. K. Chesterton a seu amigo Belloc.

[8] BENTO XVI. Homilia da Missa de Início de Pontificado. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20050424_inizio-pontificato_po.html>.

[9] SANTO AGOSTINHO. Confissões X,27,38. In BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 177-178.

CONCEDES O QUE ME ORDENAS, ORDENAS O QUE QUISERES – Por Fabiana Theodoro.

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É com muita alegria que trago mais uma reflexão para trabalharmos juntos nessa semana. Uma das coisas que mais me impressiona em Jesus Cristo, e com certeza impressionava Agostinho, é a capacidade que Jesus tinha de não olhar o passado das pessoas, mas sim suas possibilidades. Como na passagem de Marcos 2,16, onde os fariseus interrogam sobre o porquê de Jesus comer com os pecadores, ou quando Jesus vai à casa de Zaqueu em Lucas 19,5. Que bom que Agostinho percebeu isso, porque se não perderíamos um grande santo.

Quem de nós já não ouviu de alguém “se Agostinho conseguiu ser santo eu também consigo”?

Agostinho pôde “beber” da misericórdia de Deus, não ficando preso aos seus erros, travou uma grande batalha consigo mesmo para vencer o seu “espinho na carne”[1], a concupiscência, observe uma de suas confissões:

“Sem dúvida, tu me ordenas que eu me abstenha da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da ambição do mundo [2], concede-me o que me ordenas, e ordena o que quiseres. Tu nos ordena a continência, mas alguém disse: ’consciente de que ninguém pode possuir a continência,  a não ser pelo dom de Deus’ [3].
É graças à continência que nos reunimos e nos reconduzimos a unidade, da qual nos afastamos (…) Ó amor, que sempre ardes e não te extingues jamais! Ó caridade, meu Deus, inflama-me! Tu me ordenas a continência: concede-me o que me ordenas e ordena o que quiseres” [4].

 O fruto da intimidade com Deus faz com que tenhamos consciência do que nos afasta d’Ele e o que precisamos fazer para nos libertar, e não é fácil. Quem não tem um “espinho na carne” como o de Santo Agostinho e como o de São Paulo? Esse “espinho” não nos deixa esquecer de que material somos feitos. Mas a Igreja Católica nos oferece uma de suas riquezas mais preciosas, a Confissão, por meio da qual, nos reconciliamos com Cristo e podemos recomeçar nossas vidas. Mas, para isso, precisamos colocar todos os nossos pecados numa “mala”, levar para o confessionário, deixá-la ali; e não abrir essa “mala”, mostrar todos os pecados para o padre, colocá-los de novo na mala e levar de volta consigo. Sempre é possível o recomeço. Se Deus perdoa seus pecados, quem é você para não se perdoar?

A santidade não é um caminho fácil, é como caminhar descalço por uma longa estrada, na qual na primeira distração pode-se tropeçar, pisar em um espinho, cair em um buraco que às vezes nem se vê o fundo, mas nós sabemos aonde queremos chegar e quem estará nos esperando. Não caminhamos sozinhos e nos momentos de dor, sempre poderemos contar com a mão de Jesus para nos levantar.

Boa semana a todos, e quem ainda não se confessou, arrume a sua mala…

Santo Agostinho, rogai por nós!

[1] 1Jo 2,16

[2] 2Cor 12,17

[3] Sb 8,21

[4] Confissões, Santo Agostinho

SANTO AGOSTINHO: FILHO DE UMA MÃE DE VERDADE – Por Pe. Daniel Antonio de Carvalho Ribeiro, scj

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Como é prazeroso escrever para o nosso blog! Melhor ainda é saber que neste mês completaremos nosso primeiro aniversário. Em um espaço com tanto lixo, como é a internet, queremos oferecer meditações católicas baseadas na vida dos primeiros santos da Igreja. Escolhemos começar nossas atividades com a vida de nossos baluartes porque eles são exemplos de pessoas pecadoras, como nós, que se consumiram pelo amor a Deus e ao próximo, na Igreja fundada por Jesus.

Na quaresma estamos meditando sobre Santo Agostinho. Semana passada, vimos como ele, um gênio, tornou-se santo. Agora, vamos refletir como o filho de santa Mônica tornou-se Padre da Igreja (recordo que um Padre da Igreja é alguém que viveu até o século VIII e de comprovada santidade de vida e ensinamentos).

Já foi escrito que o doutor da graça recebeu a fé cristã misturada com o leite materno. Convenhamos: ter uma mãe cristã é uma graça e seguramente faz toda a diferença na vida de qualquer pessoa. Prova disso, preocupada e triste com a vida mundana que seu filho escolhia, Mônica foi aconselhar-se com um bispo conhecido. Sabiamente, este santo homem disse-lhe: “acalma-te; é impossível que se perca o filho de tantas lágrimas! Mais tarde, Agostinho compreenderia que essas lágrimas de sua mãe tinham sido para ele como um primeiro batismo” [1].

A cada dia nos parece mais coisa do passado acreditar que as lágrimas de uma mãe podem converter o fruto do seu ventre. É duro, mas vivemos um tempo em que várias mulheres esperam ter idade de avó para gestarem, ou que várias crianças precisam enfrentar a feroz concorrência das academias e salões de beleza para terem a sua mãe ao seu lado. Se não bastasse, cada vez mais, o governo cria meios, nos bastidores (como criança que age escondido), para que as mães tenham liberdade de matarem seus próprios filhos ainda em seu ventre.

Para falar em escândalos, pasmem: agora já é permitido que uma pessoa de menor idade receba visita intimas na prisão (cadeia). Engraçado, falam tanto que pedofilia é crime… (E é mesmo!) Em nosso país, agora, ela só é permitida na prisão e financiada pelo Estado com dinheiro público. Na época de Agostinho os bárbaros dominavam o norte da África e claramente tinham atitudes anticristãs. Destes, não se esperava muito. O pior é vermos isso sendo feito em um país católico por pessoas que “mamaram” vários anos na Igreja e chegaram ao poder usando de nosso espaço…

Santo Agostinho é considerado Padre da Igreja porque não se tornou um “teólogo parcial” para legitimar ações de grupos do seu agrado. Enquanto a maioria dos católicos omite-se, inclusive no púlpito, foi uma mulher jovem, sem citar o cristianismo, que teve a coragem de dizer como as empreiteiras do aborto instrumentalizam as senadoras nacionais [2]. E olha que ela nem deve acreditar tanto em Campanha da Fraternidade…

Louvado pela Deus por Mônica, mãe de verdade, e pela jovem, anônima, que esta semana deu um show nas senadoras abortistas.

Até a próxima! Abraço e preces!

Notas:

[1] Daniel Rops. A Igreja dos Bárbaros. Quadrante: São Paulo, 1991.

[2] Cf. http://www.youtube.com/watch?v=aGhTxKq0h4s

”CORAÇÃO TEM RAIZ?” – por Pe. Júlio Ferreira, scj.

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Olá queridos amigos do nosso blog CommunioSCJ. Após um longo período, por insistência de muitas pessoas e também por vontade própria resolvi escrever novamente e colocar minhas intuições, agora, depois de padre, em mais evidência.Image

Pesquisando sobre a fé, descobri uma frase que me intrigou muito: “É da raiz do coração que se eleva a fé”, exclama Santo Agostinho [1]. Fiquei a pensar: o que seria “raiz do coração”? O coração teria uma raiz? Que raiz sairia do coração?

“A raiz é o órgão da planta que tipicamente se encontra abaixo da superfície do solo. Tem duas funções principais: servir como meio de fixação ao solo e como órgão absorvente de água“ [2]. A primeira função da raiz é de fixar. Um coração sem raiz é um coração sem um ponto fixo, sem uma fixação. Ele é de momento, móvel, sem direção, inseguro e inconsistente. A segunda função da raiz é absorver água para sobreviver, para manter a planta viva. Um coração sem sustentação é um coração frágil, superficial, sem vida.

Não existe planta sem raiz, sem um ponto fixo e sem se alimentar e se manter. A raiz serve para isso! “É da raiz do coração que se eleva a fé”. É na fé que o coração encontra um ponto fixo, onde ele cria um porto seguro e se mantém. É também lá que o coração absorve seu sustento para sobreviver.

Isso posto, será que o nosso coração tem raiz? Onde está o ponto fixo do nosso coração? Onde absorve a água viva que o mantém? O Papa Bento XVI chama atenção para o ano da fé, para o ano de criar raízes mais profundas para o nosso coração. Manter um ponto fixo que nos dá sustentação.

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Nós devemos deixar-nos investir plenamente daquela pergunta tão respeitosa, mas tão direta de Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (cf. Mt 16,15), E daquela ainda mais pessoal: “Acreditas?”. Acreditas realmente? Acreditas com todo o coração? São Paulo diz que “quem crê de coração obtém a justiça, e quem confessa com a boca, a salvação” (Rm 10,10).

Seu coração tem raiz? “É da raiz do coração que se eleva a fé”, exclama Santo Agostinho. Por isso, que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, já dizia Blaise Pascal! O coração e suas razões, a raiz e sua missão, a fé em sustentação.

 

[1] AGOSTINHO. Comentário ao Evangelho de João, 26,2 ;PL 35,1607.

[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz

PARRESIA: UMA VIRTUDE DE SANTO AGOSTINHO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

 

Caros amigos, bem vindos, mais uma vez ao CommunioSCJ! As últimas semanas trouxeram novos textos e uma nova autora: Fabiana Theodoro. Sua presença muito nos alegra! Espero que esta parceria seja muito duradoura e profícua.

O Santo Padre Bento XVI, em suas catequeses, nos trouxe até Santo Agostinho. Em sua segunda catequese, o Papa deteve-se sobre os últimos anos de vida do santo bispo de Hipona até sua páscoa [1].

Logo no primeiro parágrafo uma citação prendeu minha atenção. Por isso, embora seja longa, transcrevo-a por completo: “Nesta vida somos todos mortais, mas o último dia desta vida é para cada um de nós sempre incerto. Contudo, na infância espera-se chegar à adolescência; na adolescência, à juventude; na juventude, à idade adulta; na idade adulta à maturidade; na idade madura à velhice. Não se tem a certeza de alcançá-la, mas se espera. A velhice, ao contrário, não tem diante de si outro período no qual esperar; a sua própria duração é incerta… Eu por vontade de Deus cheguei a esta cidade no vigor da minha vida; mas agora a minha juventude passou e eu já sou velho”.

Este texto está situado no anúncio daquele que Santo Agostinho escolheu para seu sucessor. A mim, este trecho revela, por um lado, uma extrema lucidez na avaliação de si e da vida em si; e, por outro, que este santo homem tinha a virtude da parresia – como a coragem de ser franco, arcando com os custos de dizer a verdade.

O Santo Padre Bento XVI deixa entrever, mais uma vez, esta virtude presente no coração de Santo Agostinho quando lembra que, nos seus últimos quatro anos sobre esta terra, ele mantinha debates públicos com os hereges: para ele, a palavra valia mais que a força.

Esta virtude, porém, é custosa, porque pouco apreciada. Aqui se fundem os dois aspectos que se me apresentou neste breve fragmento da abundante obra do filho de Santa Mônica. Só quem é capaz de encarar a existência de maneira lúcida, é capaz de dar valor àquilo que realmente tem valor. E, nisto, está claro que as realidades efêmeras têm menos valor que as perenes.

Por isso, se quisermos desenvolver a verdadeira parresia, que é bem diferente de qualquer tipo de sofisma, devemos estar alicerçados na Verdade mesma: Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). É a Ele que prestaremos conta de nossa vida. É Ele a fonte do amor que realiza nossa vida. Só se Seu amor for mais valioso que a vida (cf. Sl 62,4) é que teremos a coragem de dizer o que precisa ser dito.

Tudo isso, é claro, sob a luz da prudência, mãe de todas as virtudes. Pois a parresia sem prudência descamba para o ato suicida. Mas isso é assunto para outro dia.

Que a Santa Mãe de Deus, a beatíssima Virgem Maria e Santo Agostinho intercedam por cada um de nós, para que não fiquemos calados diante do mal que em nós habita e nos cerca.

Grande abraço e até a próxima!

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. “Santo Agostinho (II): os últimos anos e a morte”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 169-173. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080116_po.html>.

[2] SANTO AGOSTINHO. Ep 213, 1. In BENTO XVI. “Santo Agostinho (II): os últimos anos e a morte”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 169.

AGOSTINHO, JUVENTUDE À PROCURA DA VERDADE – Por Fabiana Theodoro.

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Nesta semana, queremos refletir sobre Santo Agostinho e a defesa da verdade da fé. Agostinho, desde criança, foi ensinado por sua mãe, Santa Mônica, católica fervorosa, a amar Jesus e seguir seus mandamentos, mas como muitas vezes ocorre com os jovens, ele se desviou do caminho e começou a viver uma vida de excessos e de pecado.

Grande pensador e estudioso que era, tinha perguntas em relação à fé às quais não eram respondidas de forma clara e isso lhe deixava extremamente frustrado. Enquanto não encontrava essas respostas passou por falsas doutrinas e vivia uma vida vazia. Mas encontrou em seu caminho Santo Ambrósio, bispo de Milão, aquele que o ajudou finalmente a responder esses questionamentos sobre a fé e sobre as Escrituras. Agostinho nunca tinha abandonado sua crença em Jesus, apesar de sua vida desregrada, mas ter finalmente o conhecimento da verdade do qual tinha tanta sede, o forçou a mudar seu modo de vida, ainda que relutasse. Agostinho, a partir dessa forte experiência com Jesus, se refugiou em Deus e queria viver em um mosteiro com seus amigos até a morte. Mas em razão de sua grande inteligência acabou proclamado pelo povo Bispo de Hipona.

Seu conhecimento, Agostinho transformou em várias obras de teor teológico e em defesa da fé contra as heresias de seu tempo. Dedicou seu tempo a esclarecer os questionamentos de outros também para que não se deixassem levar pelas falsas doutrinas.

Essa sede de conhecimento ainda existe em nosso tempo, e em meio à nossa juventude. A sociedade é afogada com uma quantidade absurda de informações sem sentido que a aliena deixando-se de lado o essencial. Num país onde a maioria se diz católico, perde-se cada vez mais a essência do Catolicismo, do amor ao próximo, da fraternidade.

O conhecimento da pessoa de Jesus e da doutrina católica torna-se cada vez mais urgente, para os que querem também nos dias de hoje preservar a fé da Igreja de Cristo. Quem não conhece, não tem elementos básicos para dizer que ama. Sem “alicerces fortes”, não tem como ficar em pé quando a tempestade vier. Consequência disso é a constante evasão de católicos, que nas adversidades acham que mudar de Igreja vai solucionar seus problemas. E não é assim. Ser cristão é não escolher o caminho mais fácil, mas sim escolher o caminho certo que leva para o mesmo lugar que levou Jesus: primeiro a cruz, depois a ressurreição.

Que Santo Agostinho desperte em nós a sede que ele também teve um dia, de conhecer, de defender e amar a doutrina católica e que assim possamos ter elementos para transmitir a fé e a confiança no referencial de Cristo que ela segue. Amém.

 

Referências bibliográficas:

SANTO AGOSTINHO, Confissões.

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