Olá a todos, é com muita alegria que, eu, Fabiana, começo a partilhar esse espaço com Fr. Lucas, Pe. Daniel, Pe. Júlio e todos vocês leitores que, como eu, amam a história da Igreja que foi construída sobre o sangue e suor de muitos mártires, santos e Padres da Igreja.

 

 

Santo Agostinho, sábio e amado bispo de Hipona, era procurado pelo povo para resolver os mais diversos assuntos, não só religiosos, mas também conflitos dos mais diversos. Em sua época não havia esta divisão entre poder judiciário, político e religioso, como conhecemos hoje. A Igreja estava envolvida em todos esses assuntos.

Enfim, as atribuições de Santo Agostinho eram muitas e, como grande amante de boas leituras, de longos momentos de oração e contemplação, queixava-se por vezes, de já não ter tempo para se dedicar às suas paixões. Era quando se lembrava de Pedro ao subir o Monte Tabor [1]. Pedro, em meio à maravilha da Transfiguração de Jesus, pede que fiquem ali, que esqueçam todos os problemas do povo, sua miséria, sua fome. Pedro pede paz para poder contemplar Jesus em sua glória.

Mas Jesus diz a Pedro: “Desce, prega a palavra de Deus, repreende, exorta, encoraja usando toda sua paciência e capacidade de ensinar. Trabalha, cansa-te muito, aceita também sofrimentos e suplícios (…). Esta felicidade ó Pedro, Cristo reserva-te após sua morte. Porém agora Ele mesmo te diz: Desce para te cansares na terra, para servires na terra, para seres desprezado e crucificado na terra”[2].

Santo Agostinho sentia necessidade da contemplação de Sua Palavra, mas sabia da necessidade de estar à disposição do povo, de não ignorar suas necessidades e sabia que a recompensa só viria após sua morte, lições preciosas que Pedro deixou a Agostinho.

Santo Agostinho, quando aceitou ser bispo, não foi por sua vontade, mas por súplica do povo. Ele tinha consciência de suas misérias e fraquezas, mas aceitou sair de si, abrir mão de suas vontades e servir o povo até o fim de sua vida.

A necessidade da oração é inegável, mas ela precisa ser transformada em gesto concreto nas relações humanas. Aquele que ora tem o compromisso de fazer a sua oração chegar aos outros por meio de suas ações, e muitas vezes, sem necessidade de dizer uma única palavra.

Que Santo Agostinho ajude-nos a estar junto daqueles que mais precisam e a partir do nosso relacionamento com Deus, das nossas orações, possamos ir ao encontro de Cristo não ainda em Tua Glória, mas em nossos irmãos mais necessitados, não só de coisas materiais, mas também espirituais. Amém.

 

Referências:

[1] Marcos 9,5

[2] CANTALAMESSA, Raniero. O Mistério da Transfiguração.