A história é dinâmica, os desafios mudam, mas todos os períodos exigem dos cristãos a decisão e coragem de sermos úteis para a humanidade. Para isso, Deus nos concede carismas que, bem usados, nos conduzem à santidade e mal utilizados nos levam à mediocridade.

Ainda bem novo, Agostinho de Hipona já despontava com sua destacável inteligência. Sem demora, alimentou a tendência natural aos estudos e chegou a ser professor na cobiçada cidade italiana de Milão. Tinha tudo para obter sucesso, até já era pai. Contudo, ter dons não garante a felicidade. Ser feliz é ser santo.

Penso santidade como maturidade da vida humana capaz de doar-se sem esperar recompensa. Antes disso, o filho de Mônica utilizou a inteligência apenas para o seu sustento e manter suas vaidades. Isso não bastava, ele era vazio… Até que conheceu Cristo a passou a utilizar seu carisma para levar outras pessoas ao Senhor. Então, a alegria que permanece começou a contagiá-lo.

Quando foi questionado sobre o valor de um trabalho literário secular de um amigo, foi claro e direto: “que me importam esses versos, em que vejo uma alma e uma inteligência que de forma alguma posso oferecer ao meu Deus?” [1]. Nosso amigo não nega o valor das coisas seculares, mas afirma que um carisma separado da espiritualidade é palha. E nós, como estamos utilizando nossos carismas e qualidades?

Pode ter certeza, quando nos colocamos gratuitamente a serviço Daquele que tudo nos deu, acontecerá o “milagre da multiplicação do tempo”. Veja Agostinho: “ao mesmo tempo em que desempenhava integralmente as suas funções de bispo, continuava a escrever e prosseguia a sua obra imensa, sem se deixar devorar pela administração e pelas tarefas pastorais. Aquilo que teria esmagado qualquer outro não era para ele senão uma espécie de suporte da sua existência, uma maneira de ter conhecimento dos homens e de estar em contato com a realidade” [2].

Inquestionavelmente, Agostinho foi um gênio, mas apenas se imortalizou no cânon da Igreja porque foi santo. Tenha uma ótima semana, divulgue nosso blog, e faça seus carismas gerarem verdadeiros frutos.

 

Referências:

Rops, Daniel. A Igreja dos tempos bárbaros. São Paulo: Quadrante: São Paulo, 1991, p. 33.

Ibidem, p. 43.