Vivat Cor Iesu!

 

Caros amigos, bem vindos, mais uma vez ao CommunioSCJ! As últimas semanas trouxeram novos textos e uma nova autora: Fabiana Theodoro. Sua presença muito nos alegra! Espero que esta parceria seja muito duradoura e profícua.

O Santo Padre Bento XVI, em suas catequeses, nos trouxe até Santo Agostinho. Em sua segunda catequese, o Papa deteve-se sobre os últimos anos de vida do santo bispo de Hipona até sua páscoa [1].

Logo no primeiro parágrafo uma citação prendeu minha atenção. Por isso, embora seja longa, transcrevo-a por completo: “Nesta vida somos todos mortais, mas o último dia desta vida é para cada um de nós sempre incerto. Contudo, na infância espera-se chegar à adolescência; na adolescência, à juventude; na juventude, à idade adulta; na idade adulta à maturidade; na idade madura à velhice. Não se tem a certeza de alcançá-la, mas se espera. A velhice, ao contrário, não tem diante de si outro período no qual esperar; a sua própria duração é incerta… Eu por vontade de Deus cheguei a esta cidade no vigor da minha vida; mas agora a minha juventude passou e eu já sou velho”.

Este texto está situado no anúncio daquele que Santo Agostinho escolheu para seu sucessor. A mim, este trecho revela, por um lado, uma extrema lucidez na avaliação de si e da vida em si; e, por outro, que este santo homem tinha a virtude da parresia – como a coragem de ser franco, arcando com os custos de dizer a verdade.

O Santo Padre Bento XVI deixa entrever, mais uma vez, esta virtude presente no coração de Santo Agostinho quando lembra que, nos seus últimos quatro anos sobre esta terra, ele mantinha debates públicos com os hereges: para ele, a palavra valia mais que a força.

Esta virtude, porém, é custosa, porque pouco apreciada. Aqui se fundem os dois aspectos que se me apresentou neste breve fragmento da abundante obra do filho de Santa Mônica. Só quem é capaz de encarar a existência de maneira lúcida, é capaz de dar valor àquilo que realmente tem valor. E, nisto, está claro que as realidades efêmeras têm menos valor que as perenes.

Por isso, se quisermos desenvolver a verdadeira parresia, que é bem diferente de qualquer tipo de sofisma, devemos estar alicerçados na Verdade mesma: Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). É a Ele que prestaremos conta de nossa vida. É Ele a fonte do amor que realiza nossa vida. Só se Seu amor for mais valioso que a vida (cf. Sl 62,4) é que teremos a coragem de dizer o que precisa ser dito.

Tudo isso, é claro, sob a luz da prudência, mãe de todas as virtudes. Pois a parresia sem prudência descamba para o ato suicida. Mas isso é assunto para outro dia.

Que a Santa Mãe de Deus, a beatíssima Virgem Maria e Santo Agostinho intercedam por cada um de nós, para que não fiquemos calados diante do mal que em nós habita e nos cerca.

Grande abraço e até a próxima!

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. “Santo Agostinho (II): os últimos anos e a morte”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 169-173. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080116_po.html>.

[2] SANTO AGOSTINHO. Ep 213, 1. In BENTO XVI. “Santo Agostinho (II): os últimos anos e a morte”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 169.

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