É com muita alegria que trago mais uma reflexão para trabalharmos juntos nessa semana. Uma das coisas que mais me impressiona em Jesus Cristo, e com certeza impressionava Agostinho, é a capacidade que Jesus tinha de não olhar o passado das pessoas, mas sim suas possibilidades. Como na passagem de Marcos 2,16, onde os fariseus interrogam sobre o porquê de Jesus comer com os pecadores, ou quando Jesus vai à casa de Zaqueu em Lucas 19,5. Que bom que Agostinho percebeu isso, porque se não perderíamos um grande santo.

Quem de nós já não ouviu de alguém “se Agostinho conseguiu ser santo eu também consigo”?

Agostinho pôde “beber” da misericórdia de Deus, não ficando preso aos seus erros, travou uma grande batalha consigo mesmo para vencer o seu “espinho na carne”[1], a concupiscência, observe uma de suas confissões:

“Sem dúvida, tu me ordenas que eu me abstenha da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da ambição do mundo [2], concede-me o que me ordenas, e ordena o que quiseres. Tu nos ordena a continência, mas alguém disse: ’consciente de que ninguém pode possuir a continência,  a não ser pelo dom de Deus’ [3].
É graças à continência que nos reunimos e nos reconduzimos a unidade, da qual nos afastamos (…) Ó amor, que sempre ardes e não te extingues jamais! Ó caridade, meu Deus, inflama-me! Tu me ordenas a continência: concede-me o que me ordenas e ordena o que quiseres” [4].

 O fruto da intimidade com Deus faz com que tenhamos consciência do que nos afasta d’Ele e o que precisamos fazer para nos libertar, e não é fácil. Quem não tem um “espinho na carne” como o de Santo Agostinho e como o de São Paulo? Esse “espinho” não nos deixa esquecer de que material somos feitos. Mas a Igreja Católica nos oferece uma de suas riquezas mais preciosas, a Confissão, por meio da qual, nos reconciliamos com Cristo e podemos recomeçar nossas vidas. Mas, para isso, precisamos colocar todos os nossos pecados numa “mala”, levar para o confessionário, deixá-la ali; e não abrir essa “mala”, mostrar todos os pecados para o padre, colocá-los de novo na mala e levar de volta consigo. Sempre é possível o recomeço. Se Deus perdoa seus pecados, quem é você para não se perdoar?

A santidade não é um caminho fácil, é como caminhar descalço por uma longa estrada, na qual na primeira distração pode-se tropeçar, pisar em um espinho, cair em um buraco que às vezes nem se vê o fundo, mas nós sabemos aonde queremos chegar e quem estará nos esperando. Não caminhamos sozinhos e nos momentos de dor, sempre poderemos contar com a mão de Jesus para nos levantar.

Boa semana a todos, e quem ainda não se confessou, arrume a sua mala…

Santo Agostinho, rogai por nós!

[1] 1Jo 2,16

[2] 2Cor 12,17

[3] Sb 8,21

[4] Confissões, Santo Agostinho