Olá amigos, como é bom estarmos juntos de novo e principalmente vivendo esse momento tão importante, a Páscoa do Nosso Senhor, ápice do ano litúrgico na Igreja Católica.

Também pudemos acompanhar nesse período a preparação para o catecumenato (Batismo de adultos), de pessoas que por alguma razão não foram batizadas quando crianças e agora, por sua própria vontade, buscaram o primeiro sacramento da iniciação cristã. Conforme a Tradição da Igreja, o Catecumenato termina sempre na Vigília Pascal, quando se celebra o Batismo.

O catecumenato, ou formação dos catecúmenos, tem por finalidade permitir a estes últimos, em resposta à iniciativa divina e em união com uma comunidade eclesial, que levem a conversão e a fé à maturidade. Trata-se de uma “formação à vida cristã integral (…) pela qual os discípulos são unidos a Cristo, seu mestre. Por isso, os catecúmenos devem ser iniciados (…) nos mistérios da salvação e na prática de uma vida evangélica, e introduzidos, mediante ritos sagrados celebrados em épocas sucessivas, na vida da fé, da liturgia e da caridade do povo de Deus” [1].

Embora, em sua época o Batismo fosse tardio, Agostinho sempre defendeu a necessidade de batizar as crianças o mais cedo possível, pois o Batismo é incorporá-las à Igreja, isto é, agregá-las ao Corpo de Cristo e aos seus membros. O fato de as crianças não poderem ainda professar pessoalmente à sua fé não impede a Igreja de lhes administrar este Sacramento, porque na realidade ela os batiza na sua própria fé. “As crianças — escrevia ele — são apresentadas para receberem a graça espiritual, não tanto por aqueles que as levam nos braços (embora também por eles, se são bons fiéis), mas, sobretudo pela sociedade universal dos santos e dos fiéis… É a Mãe Igreja toda, que está presente nos seus santos, a agir, pois que é ela inteira que os gera a todos e a cada um” [2].

A Igreja acolhe com imensa alegria esses catecúmenos que por sua livre vontade a procuram, se dispõem a professar a fé na Igreja Una, Santa e Católica com maturidade, com plena consciência da importância do Sacramento recebido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, enquanto as crianças que por ainda não compreenderem o seu sentido, são batizadas na fé de seus pais e padrinhos que se comprometem por elas e assumem o dever de educá-las na fé católica.

A Comunidade assume o papel de testemunha da livre adesão dos catecúmenos e os recebe lembrando que a caminhada dos cristãos não é solitária, masem comunidade. Somenteconvivendo com as diferenças entre as pessoas, vivendo a vocação que Deus nos deu, seja na família, seja no serviço da Igreja, pode-se viver plenamente a essência do cristianismo, o amor e a graça que se recebe no momento do Batismo.

Ser batizado é morrer para a vida velha, é ressuscitar para uma nova vida infundida no Espírito Santo de Deus: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3,5). Ser batizado é entrar numa vida nova à luz de possibilidades e sem sombras de culpas do passado. Por essa razão, o encerramento do catecumenato se dá na noite mais importante, na ocasião de espera pelo Senhor Ressuscitado, entre o pôr do sol e o amanhecer. A Páscoa é justamente a oportunidade de recomeço, onde Nosso Senhor Jesus Cristo, depois dos sofrimentos da crucifixão, nos leva a caminhar com esperança para Deus rumo à mesma glória onde já se encontra.

Quem segue Jesus sabe sempre aonde chegará, apesar dos espinhos, das lágrimas e de todos os sofrimentos dessa vida, sabe que o destino é voltar para junto do Mestre e essa certeza nos põe de pé todos os dias, mesmo nos mais sombrios.

Que o Deus eterno e onipotente, ao celebrarmos o mistério redentor de vosso Filho Unigênito, que depois de ter descido à morada dos mortos saiu vitoriosamente do sepulcro, concedei aos vossos fiéis que, sepultados com Cristo no Batismo, também com Cristo ressuscitem para a vida eterna. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo [3].

 

Uma feliz Páscoa a todos!

Notas:

[1] Catecismo da Igreja Católica, §1248

[2]PASTORALIS ACTIO, Instruções sobre o Batismo das crianças (disponível em www.vatican.va)

[3] Liturgia das Horas.