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“A FÉ É AMOR, E POR ISSO CRIA POESIA E MÚSICA. A FÉ É ALEGRIA, E POR ISSO CRIA BELEZA” (Bento XVI) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Bem vindos ao CommunioSCJ! Antes de começar esta reflexão, quero agradecer a todos os que fazem parte deste blog e que já postaram aqui seus textos: aos irmãos de caminhada, ao Claudemir e à Fabiana, muito obrigado pela contribuição. Mas, sobretudo, quero agradecer a todos os que nos acompanham e que, certamente, são os responsáveis pelo sucesso do Communio. Nesta semana, atingimos a marca de dez mil acessos. É mais do que esperávamos em um ano e meio! É sinal que não estamos sozinhos na busca em sermos fiéis a Deus e à Igreja. Muito obrigado mesmo!

Sem mais, vamos ao que realmente interessa. Na catequese do Santo Padre Bento XVI que chegamos nesta semana, temos a oportunidade de conhecer Romano, o melodista, Padre sírio que pregava com poesias [1].

Ao descrevê-lo, nosso Papa afirma: “A fé é amor, e por isso cria poesia e música. A fé é alegria, e por isso cria beleza”. Creio que, aqui, temos um dado da experiência cristã que pode ser ponto de abertura para o atual trabalho de evangelização: a bondade e a beleza.

Todos podemos experimentar o fato de que unidade, verdade, bondade e beleza caminham juntas; mais: são indissociáveis. De tal forma que uma leva à outra. Parece-me que é justamente isso que o encontro com Cristo e o relacionamento com Ele (o cristianismo) faz: estrutura nosso ser de acordo com o projeto de Deus – no qual fomos concebidos. Nesta estruturação, vamos ganhando os contornos de Cristo, ser humano perfeito e, assim, descobrimos como é bom e bonito ser cristão. Como é bom e bonito não deixar-se enganar pelas aparências do finito. Como é bom e bonito ser gente – ser plenamente humano.

Jesus Cristo fez a diferença em minha vida. Encontrar-me com Ele foi o melhor que me aconteceu. Quero passar o tempo que me resta para dizer isto a todos [2]. Agora, sem entrar nesta barca, conduzida pelo sucessor de Pedro, pode ser que você perca boa parte de suas energias com o aquilo que não vale a pena, perdendo a chance de encontrar-se com a verdadeira bondade e beleza…

Permito-me, no fim desta breve reflexão, pôr uma grande citação da catequese de referência para este texto. Trata-se de um convite a manter viva a fé e a bela cultura cristã a fim de que a desconstrução (ou destruição) não torne impossível a civilização.

Este grande poeta e compositor [Romano, o melodista] recorda-nos todo o tesouro da cultura cristã, nascida da fé, nascida do coração que se encontrou com Cristo, com o Filho de Deus. Deste contato do coração com a Verdade que é Amor nasce a cultura, nasceu toda a grande cultura cristã. E se a fé permanecer viva, também esta herança cultural não morrerá, mas permanecerá viva e presente. Os ícones falam também hoje ao coração dos fiéis, não são realidades do passado. As catedrais não são monumentos medievais, mas casas de vida, onde nos sentimos “em casa”: encontramo-nos com Deus e encontramo-nos uns com os outros. Nem sequer a grande música o gregoriano, ou Bach, ou Mozart é algo do passado, mas vive da vitalidade da liturgia e da nossa fé. Se a fé for viva, a cultura cristã não se tornará algo do “passado”, mas permanecerá viva e presente. E se a fé for viva, também hoje poderemos responder ao imperativo que se reitera sempre de novo nos Salmos: “Cantai ao Senhor um cântico novo”.

Abraço e prece! Que a Santíssima Virgem interceda por todos!

Até a próxima!

 

 

[1] BENTO XVI. Romano, o Melodista. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080521_po.html>.

[2] Esta experiência pessoal é conhecida pela Igreja: cf. BENTO XVI, Deus Caritas Est, n.1; ou CELAM, Documento de Aparecida, n. 32.

CAMINHO PARA DEUS, O PRÓPRIO DEUS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos!

Gostaria de falar de uma figura muito misteriosa: um teólogo do século VI, cujo nome é desconhecido, que escreveu usando o pseudônimo de Dionísio Areopagita. Pode-se conferir na narração de São Lucas (Atos 17), quando Paulo prega em Atenas no Areópago para uma elite intelectual grega e é ignorado e ridicularizado pela maioria. Alguns, poucos, aproximaram-se de Paulo abrindo-se à fé. Dionísio seria o primeiro deles.

Se o autor destes livros escolheu cinco séculos depois o pseudônimo de Dionísio Areopagita, quer dizer que a sua intenção era pôr a sabedoria grega a serviço do Evangelho, ajudar o encontro entre a cultura e a inteligência gregas e o anúncio de Cristo; queria fazer aquilo que este Dionísio tencionava realizar, ou seja, que o pensamento grego se encontrasse com o anúncio de São Paulo; sendo grego, tornar-se discípulo de São Paulo e assim discípulo de Cristo.

Há duas hipóteses acerca do fato deste autor ter se escondido atrás de um pseudônimo, que seriam: dar uma autoridade quase apostólica ao seu texto ou o que parece mais plausível crer, um ato de humildade.

Seus escritos contrariam as ideias de Proclo que propagava a ideia da criação do mundo não por apenas um Deus e sim por vários deuses (politeísmo). Nestes escritos, Dionísio, usando as próprias afirmações de Proclo, afirma que toda criação é um louvor a Deus e que não somos capazes de mensurar sua grandeza e que só se pode tentar compreendê-Lo a partir daquilo que Ele não é e. Ele é infinitamente maior que todas as suas obras [1].

A teologia do Pseudo Dionísio é uma teologia litúrgica: Deus se deixa encontrar amando-O e louvando-O, não somente refletindo. A liturgia não é algo construído por nós, inventado para fazer uma experiência religiosa durante certo período de tempo; ela é cantar com o coro das criaturas e entrar na própria realidade cósmica [2].

Dionísio criou a primeira grande teologia mística. Com ele, a palavra “mística” torna-se mais pessoal, mais íntima: exprime o caminho da alma para Deus. Ele demonstra que o caminho para Deus é o próprio Deus, que se aproxima de nós em Jesus Cristo, com o qual o véu do templo se rasgou [3] e o que estava oculto já não está.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, nós podemos falar de Deus a partir das perfeições de suas criaturas, “pois a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor” [4], então se há beleza no mundo o seu criador é infinitamente mais belo.

A definição que nos faz chegar mais perto de compreendê-lo é o Amor (Deus Caritas Est), pois todas as experiências de Deus que foram feitas desde o início dos tempos convergem para o amor. Queres conhecer a Deus verdadeiramente? Ame. Teve o primeiro encontro com Deus, que ótimo! Mas se não se decidir a amar, a euforia do primeiro momento passa e esse encontro e tudo o que você sentiu vai ser esquecido. Decida-se a amar e o próprio Deus estará em você.

Acha que vai ser fácil? Não vai. Lembre-se de todos os mártires e do próprio Filho de Deus. Se amar como Ele, sofrerá como Ele, mas também será glorificado com Ele.

Se tomar essa decisão, mesmo sabendo que vai ser ridicularizado e humilhado, saiba que valerá a pena. Não é a toa que a Igreja, mesmo após o Supremo Tribunal ter aprovado a lei que permite o aborto de bebês anencefálicos, ainda luta pela vida desses pequenos e que defende e sempre defenderá seus valores frente aos “novos costumes” da sociedade.

Exercite o amor que já existe em você e se encontrar dificuldade busque o maior exemplo de amor de todos os tempos: Jesus.

Que o Senhor coloque em nossos caminhos muitas oportunidades de exercitar o amor, pois sabemos que esse dom que pedimos não cairá do céu, mas sim será fruto de muitas batalhas contra o “homem velho” que habita em nós e que esse exemplo de fé possa mostrar Cristo àqueles que ainda não o conhecem.

Deus abençoe a semana de todos!

 

Referências:

[1] Catecismo da Igreja Católica §300

[2] Disponível em:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080514_po.html

[3] Mc 15,38

[4] Sb 13,5

“SEM ORAÇÃO NÃO HÁ EXPERIÊNCIA DE DEUS” (Bento XVI) – por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs, mais uma vez, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nosso itinerário na companhia do santo padre Bento XVI chega hoje ao padroeiro da Europa: S. Bento de Núrsia (480-574), pai do monarquismo ocidental [1].

O Papa Bento XVI, nesta catequese, nos diz o seguinte: “Em todo o segundo livro dos Diálogos Gregório ilustra-nos como a vida de São Bento estivesse imersa numa atmosfera de oração, fundamento portante da sua existência. Sem oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na agitação e na confusão do seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e precisamente assim nunca perdeu de vista os deveres da vida quotidiana e o homem com as suas necessidades concretas. Ao ver Deus compreendeu a realidade do homem e a sua missão”.

Percebo, aqui, três coisas muito importantes para nós, cristãos do século XXI: a oração, lugar da experiência de Deus, como fundamento da existência; a perfeita noção da realidade que se dá no relacionamento com Deus; e a ação que brota da relação com Deus.

Brevemente, precisamos notar que S. Bento, para fundamentar sua vida em Deus, rezava. A oração é o exercício da fé. Quem reza, está pessoalmente se relacionando com Deus. E a oração cristã é caracterizada sobretudo pela escuta. Mais que pedir, apresentar a Deus nossas necessidades (que também é oração, claro), quando nos colocamos diante de Deus, precisamos ouvir Sua voz para discernir o que é justo e bom e agir bem – “seja feita a vossa vontade”… Fundamentar a vida em Deus é fazer Sua vontade.

Diferentemente do que se diz por aí, relacionar-se com Deus (rezar) não tira o cristão da realidade, não o aliena, pelo contrário, fixa-o no mundo. Deus, como fundamento da realidade, não tira nossos pés do chão. Se verdadeiramente mergulhamos em Deus, mergulhamos no real. Além das ideologias e dos sistemas de pensamento, é Deus quem nos mostra a realidade em sua medida e proporção. Podemos questionar a qualidade da oração, mas não afirmar que estar em Deus aliena. Seria ridículo.

Por fim, se fundamentar a vida em Deus é ter, de fato, acesso à realidade, então é assim que se funda o bem viver. Seria um contrassenso afirmar que viver no bem e na verdade é fácil. Todos somos vocacionados ao Bem, à Verdade. O que, então, nos dá força para não desistirmos no meio do caminho? Deus. Pode até ser que esperanças imanentes nos ponham a caminho. Mas elas não são capazes de nos fazer perseverar. Se nosso Senhor, que habita em nós pelo Espírito Santo, não for nossa meta, no meio do caminho o desânimo nos vencerá. Em outras palavras, não cumpriremos nossa missão. Sem Sua Graça, não perseveraremos no caminho de fé, esperança e caridade.

Que S. Bento e Maria santíssima nos sirvam de exemplos de pessoas profundamente voltadas para Deus e, por isso, profundamente conscientes da realidade circundante e de sua missão.

Fraterno abraço a todos e até a próxima!

 

 

[1] BENTO XVI. São Bento de Núrsia. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080409_po.html>.

SÃO BENTO, FERMENTO ESPIRITUAL PARA EUROPA, EXEMPLO PARA NÓS – Por Fabiana Theodoro.

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Meus queridos amigos, que bom refletir novamente com vocês!

Nesta semana falaremos sobre São Bento de Núrsia, Padroeiro da Europa e fundador da Ordem dos Beneditinos.

São Bento nasceu em Núrsia em 480 e faleceu em 547, deixando uma contribuição valiosíssima para a nova civilização que estava se formando após a queda do Império Romano, período de grande crise causada pela invasão dos novos povos e decadência dos costumes. Suas obras, em especial sua Regra de vida, eram portadoras de um “fermento” de unidade espiritual e cultural, o da fé cristã partilhada pelos povos do continente europeu, da qual o povo estava tão carente após tantos conflitos.

Quando Bento tinha 17 anos foi enviado a Roma para concluir seus estudos, mas começou a perceber a vida desregrada na qual viviam seus colegas. Por medo de sucumbir às paixões, resolveu se afastar e abandonar os estudos para fugir a um lugar seguro, entregando-se à vida eremítica.

Como pode alguém tão jovem com tal discernimento quando tantos jovens por influência de amigos se perdem nos vícios e na prostituição? A base familiar e a intimidade com Deus fizeram com que ele permanecesse no bom caminho.

Bento viveu como eremita durante três anos, tempo que levou para amadurecer e vencer as três tentações fundamentais do ser humano: a tentação da autossuficiência e do desejo de se colocar no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. Estava certo de que suas palavras apenas seriam úteis para os que necessitassem se conseguisse vencer essas três tentações. E assim, tendo a alma pacificada, estava em condições de controlar plenamente as pulsões do eu, para deste modo ser um criador de paz em seu redor. Só então decidiu fundar os seus primeiros mosteiros no vale do Anio, perto de Subiaco.

“São Bento foi antes de tudo homem de Deus. Tornou-se tal, seguindo de maneira constante o caminho das virtudes indicadas no Evangelho. Foi verdadeiro peregrino do Reino de Deus […]. E esta peregrinação foi acompanhada por uma luta que durou toda a sua vida: ‘batalha primeiro contra si mesmo, para combater o homem velho e criar cada vez mais lugar, nele próprio, para o homem novo’. O Senhor permitiu que, graças ao Espírito Santo, esta transformação não resultasse só em favor dele, mas se tornasse fonte de irradiação, a penetrar a história dos homens, penetrando, sobretudo a história da Igreja” [1].

O mundo não precisa de mais pessoas vazias, que não oram, que acham que não precisam de Deus, que buscam facilidade em tudo, que não se dão mais ao trabalho de cuidar uns dos outros, mas que descartam pessoas como se fossem imprestáveis. Precisa de pessoas cheias de Deus cuja presença lembre a do próprio Senhor que amam, acolhem, cuidam e protegem.

A oração é a amizade entre a alma e Deus [2] e deve ser cultivada por meio do silêncio, pois Deus não se encontra no furacão, mas sim no murmúrio de uma brisa suave [3].

Silencia seu coração, deixa Deus falar no teu íntimo e não tenha medo, apenas confie e deixe-se guiar como São Bento. “Abandone-se”! Abra as portas do seu coração para o Senhor e quando Ele entrar você terá a necessidade de abrir mão de certos vícios e de pessoas que te aprisionam, pois não dá para servir a dois senhores [4].

Deus não nos dá o que pedimos, mas sim o que precisamos. Se pedir força, Ele lhe dará situações para ser forte, se pedir coragem você vai se deparar com situações com as quais terá que ser corajoso.

Como você está cultivando sua amizade com Deus? Talvez Ele queira transformar radicalmente a sua vida, mas você não está ouvindo. Essa é a beleza do Cristianismo, saber que estamos sendo preparados nesta vida para a Glória que não nos pertence ainda, mas que ainda há de chegar. Não sabemos como será o futuro, todo o bem que tivermos que fazer tem que ser feito hoje, inclusive para nossa alma. Sejamos íntimos de Deus, que desde que fomos gerados no ventre de nossa mãe já nos amava.

 

Referências:

BENTO XVI. São Bento de Núrsia. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080409_po.html>.

[1] JOÃO PAULO II. Discurso do Papa João Paulo II Durante a Visita à Sagrada Gruta. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/september/documents/hf_jp-ii_spe_19800928_speco-subiaco_po.html>.

[2] Santa Tereza D’Ávila, Obras Completas

[3] 1 Rs 19, 13

[4] Mt 6,24

“EVANGELIZE SEMPRE, SE NECESSÁRIO, USE PALAVRAS” (S. FRANCISCO DE ASSIS) – Por Fabiana Theodoro.

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Nesta semana, queremos refletir sobre dois escritores eclesiásticos que viveram numa das épocas mais atribuladas do ocidente cristão, mais precisamente na península italiana.

Boécio (480-524), nascido em Roma e Cassiodoro (485-580), nascido em Squillace eram descendentes de famílias de elevado nível social. Eles têm em comum a dedicação à vida política e a missão de reconciliar e unir as culturas, clássica e romana, com a do povo ostrogodo (bárbaros que dominavam Roma naquela época).

Boécio, acusado de traição contra o rei dos ostrogodos, por ter defendido um amigo em um julgamento e por intervir junto ao rei em defesa dos cristãos, foi processado, condenado à morte e executado em 23 de outubro do ano 524, quando tinha apenas 44 anos.

Cassiodoro foi responsável por preservar o patrimônio cultural do Império Romano em seus tempos de glória, entregando-o aos cuidados dos monges para que não se perdesse e colaborou generosamente, nos mais elevados níveis de responsabilidade política, com os povos novos que haviam se estabelecido na Itália, sem distinção.

Boécio e Cassiodoro são exemplos de pessoas que assumiram a responsabilidade da política sem priorizar seus próprios interesses, que tinham um relacionamento profundo com Deus e que lutaram para defender o cristianismo até as últimas consequências.

Alguém tem dúvidas da falta, nos dias de hoje, de políticos assim? Pessoas de fé que priorizam a Cristo e não a si mesmas, que pensam no próximo e se preciso for, não temem perder a vida por um bem maior, que pregam Cristo com a própria vida sem nem precisar falar Nele. Quantas vezes vimos, principalmente nas últimas eleições, usarem o nome de Jesus para ganhar votos? Usam até mesmo o presbitério para fazer campanha política. Mas não devemos nos enganar com a “maquiagem” usada por essas pessoas que não respeitam o que é sagrado, que se utilizam dele para se promover. Precisamos ficar atentos, afinal, as autoridades de nosso país pregam a laicidade do Estado, então porque quando convêm, usam a Religião?

O Estado e a política foram criados para representar a pessoa, como podem nos dizer que a política não pode se envolver religião, num país de maioria católica? Não dá para dividir uma pessoa ao meio, não dá para deixar a parte cristã em casa e sair para trabalhar, por exemplo. Ser cristão é todo dia, toda hora e em todo lugar.

Cristo precisa de pessoas de fé e coragem que assumam dignamente os postos de trabalho, não só na política, mas na segurança pública, na saúde, na música, enfim em todos os postos. Nós católicos precisamos “infiltrar-nos” na sociedade e dar testemunho. Afinal, todo o tempo cruzamos com pessoas que o único evangelho que lerão durante toda vida será a nossa vida. Precisamos ser dignos representantes de Cristo para que as pessoas digam: “Vede como se amam!” [1]. Então nos tornaremos, no mundo dilacerado, profetas eficazes da unidade pela comunhão fraterna [2].

Encerro com um dos ensinamentos que Cassiodoro transmitia aos monges, citando São Jerônimo:

“Não alcançam a palma da vitória somente aqueles que lutam até derramar o sangue ou que vivem na virgindade, mas também todos aqueles que, com a ajuda de Deus, vencem os vícios do corpo e conservam a reta fé. Mas para que possais vencer com a ajuda de Deus mais facilmente o estímulo do mundo, permanecendo nele como peregrinos em contínuo caminho, busque antes de tudo a saudável ajuda sugerida pelo primeiro salmo, que recomenda meditar dia e noite na lei do Senhor. O inimigo não encontrará, de fato, nenhuma entrada para assaltar-vos se toda vossa atenção está ocupada em Cristo” [3].

Boa semana a todos!

 

Referências:

BENTO XVI TRAÇA O PERFIL DOS ESCRITORES BOÉCIO E CASSIODORO. Disponível em < http://www.zenit.org/article-17848?l=portuguese >.

[1] Tertuliano de Cartago (†220).

[2] JOÃO PAULO II. Discurso a um grupo de jovens da Polônia. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1982/august/documents/hf_jp-ii_spe_19820803_giovani-polacchi_po.html >.

[3] SÃO JERÔNIMO. De Institutione Divinarum Scripturarum, 32; PL 69, col. 1147.

LEÃO MAGNO, ÁTILA E O STF – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Irmãos e irmãs, sejam muito bem vindos ao nosso blog, CommunioSCJ, que, nesta semana, retoma seu projeto de passar a história da Igreja através dos santos na companhia de nosso querido Santo Padre, o Papa Bento XVI. Nossa viagem chega hoje a S. Leão Magno, bispo de Roma no séc. V, falecido em 461 [1]. Trata-se do primeiro Papa a quem a tradição posterior chamou de “o grande”, Magno, por seu desempenho singular no ministério petrino. Muitos de seus sermões nos foram conservados e neles podemos encontrar o testemunho de sua sabedoria e energia.

Porém, mais do que por seus sermões, S. Leão Magno ficou conhecido por um episódio acontecido em 452, na defesa de Roma. Era o tempo das invasões bárbaras que culminaram no fim do Império Romano. Átila, famoso líder huno, antes de invadir a Cidade Eterna, foi interpelado por Leão e acabou desistindo de invadi-la. Lá se vão 1560 anos!

Neste país de contradições em que vivemos, seria muito interessante, numa situação hipotética, ver Átila redivivo assistindo à TV, e percebendo que, diante do que vivemos nos últimos dias, ele foi um fraco. Como ele pôde recuar diante de um bispo sem armas? Ah, se Átila conhecesse o “Estado laico” como os ministros do STF o entendem… Certamente poria o parvo Leão a correr: “cuida da tua sacristia; do Estado, cuido eu”! Quando foi que os cristãos perderam sua incidência nas decisões do Estado? Ou esta nação deixou de ser cristã?

Ou ainda, será que nossos ministros são tão ou mais bárbaros que os hunos? Não quero crer nesta hipótese. A ideia de Estado laico parece ter sido invertida: ao invés de o Estado não intervir na prática religiosa de seu povo, deixando-o livre para tanto, hoje o que se vê neste Brasil varonil, é um Estado alheio à nação – já não quer mais ouvir a voz de seu povo. Em outras palavras, quem quer que tenha fé, no dito “Estado laico” à brasileira, não tem direito à opinião. Ou, se muito, deve reservá-la a si, não tem o direito de dizê-la – ainda que esta mesma opinião seja a opinião maciça entre os brasileiros.

No fim, nós, cristãos, somos cidadãos de segunda categoria (se é que somos cidadãos). Nosso super STF é mais que um tribunal – há tempos é uma casa legisladora (sem que o Senado ou a mídia movam uma palha para que esta incoerência seja desfeita). Estado democrático de direito? “Isso não te pertence mais”! Fazer o quê? “Pior que tá, num fica”… Será?

Isso para não lembrar que alguém que tenha o mesmo “status” de um morto cerebral possa vir a morrer depois de nascer é uma grosseria contra qualquer mente minimamente atenta… Se não sé é humano desde a concepção à morte natural, seria possível, senhor, ao menos nos dizer claramente quando alguém se torna pessoa e quando deixa de sê-lo?

Fazer o quê, se vivemos num país onde uma mãe que dá uma palmada no seu filho é um crime (note bem: disse uma palmada), mas matá-lo não? Desde que ele não tenha nascido e possua uma má formação o que ele merece é a lata do lixo… Para quê sepultá-lo?

Que Deus, nosso Senhor, por intercessão da Virgem e de S. Leão Magno nos conceda a graça da indignação, da fortaleza e da perseverança.

Fraternos abraço e prece a todos – os que já nasceram e os que ainda não.

 

[1] Cf. BENTO XVI. São Leão Magno. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080305_po.html>.

CORAGEM E OUSADIA EM DEFESA DA PAZ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos,

Nesta semana na qual a Liturgia nos convida a refletir sobre o Bom Pastor, queremos refletir também sobre São Leão Magno, um dos maiores Pontífices que a Igreja já teve, proclamado por Bento XIV em 1754, Doutor da Igreja. É dele que chegam até nós as primeiras pregações dirigidas ao povo durante as celebrações, o que nos recorda hoje as audiências gerais de quarta-feira, nas quais os fiéis de todo o mundo tem a oportunidade de encontrar de forma habitual o Bispo de Roma. Leão nasceu entre os anos de 390 e 400 e morreu em 461, sendo sepultado junto ao túmulo de São Pedro.

Por volta do ano 430, tornou-se diácono da Igreja de Roma, onde seu papel teve grande destaque. Em 440, foi enviado pelo Imperador do Ocidente à Gália para resolver uma situação difícil e promover uma missão de paz, mas não permaneceu por muito tempo, em razão do falecimento do Papa Sisto II, foi escolhido como seu sucessor e voltou a Roma.

Os tempos nos quais viveu o Papa Leão foram muito difíceis: o repetir-se das invasões barbáricas, o progressivo enfraquecimento no Ocidente da autoridade imperial e uma longa crise social tinham imposto que o Bispo de Roma, como teria acontecido com evidência ainda maior um século e meio mais tarde durante o pontificado de Gregório Magno, assumisse um papel decisivo também nas vicissitudes civis e políticas.

Por duas vezes, o Papa Leão teve atitudes memoráveis de extrema coragem que o destacaram até os dias de hoje:

Em 452, o Papa e uma delegação romana vão até Átila, chefe dos Unos e o convence a encerrar sua invasão à Itália, salvando as regiões que ainda não haviam sido devastadas. E em 455, quando não conseguiu impedir a invasão de Roma pelos Vândalos de Genserico, que foi saqueada por duas semanas, mas sua atitude de ir ao encontro do invasor, junto com seu clero e implorar que se detivessem, impediu que Roma fosse incendiada e que fossem saqueadas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo e de São João onde se encontrava escondida parte da população aterrorizada.

Leão teve um papel decisivo também no Concílio da Calcedônia em 451, no qual se recusou a heresia de Eutiques que negava a natureza humana do Filho de Deus, reafirmando a união do humano e do divino, sem confusão e sem separação.

O Pontífice soube exercer suas responsabilidades, no Ocidente e no Oriente, intervindo em diversas circunstâncias com prudência, firmeza e lucidez através dos seus escritos e mediante os seus legados. Mostrava deste modo como a prática da primazia romana fosse necessária então, como também hoje, para servir eficazmente a comunhão, característica da única Igreja de Cristo.

Consciente do momento histórico no qual vivia e da transformação que se estava a verificar num período de profunda crise de transição da Roma pagã para a cristã, Leão Magno soube estar próximo do povo e dos fiéis com a ação pastoral e com a pregação. Incentivou a caridade numa Roma provada pelas carestias, pela afluência dos prófugos, pelas injustiças e pela pobreza. Contrastou as superstições pagãs e a ação dos grupos maniqueus. Relacionou a liturgia com a vida cotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum com a caridade e com a esmola. Ressalta num sermão (64, 1-2) a propósito da Páscoa, que esta deve ser celebrada em todos os tempos do ano “não tanto como algo do passado, mas como um acontecimento do presente”.

Eis o mistério cristológico para o qual São Leão Magno, com a sua carta ao Concílio de Éfeso, deu uma contribuição eficaz e essencial, confirmando para todos os tempos através desse Concílio quanto disse São Pedro em Cesareia de Filipe. Com Pedro e como Pedro confessou: “Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo”. E por isso Deus e Homem juntos, “não alheio ao gênero humano, mas contrário ao pecado” (cf. Serm. 64). Em virtude desta fé cristológica ele foi um grande portador de paz e de amor. Mostra-nos assim o caminho: na fé aprendemos a caridade. Aprendemos, portanto, com São Leão Magno a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a realizar esta fé todos os dias na ação pela paz e no amor ao próximo.

Uma abençoada semana a todos.

 

Referência:

BENTO XVI. São Leão Magno. Disponível em <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080305_po.html>.