Olá amigos,

Nesta semana na qual a Liturgia nos convida a refletir sobre o Bom Pastor, queremos refletir também sobre São Leão Magno, um dos maiores Pontífices que a Igreja já teve, proclamado por Bento XIV em 1754, Doutor da Igreja. É dele que chegam até nós as primeiras pregações dirigidas ao povo durante as celebrações, o que nos recorda hoje as audiências gerais de quarta-feira, nas quais os fiéis de todo o mundo tem a oportunidade de encontrar de forma habitual o Bispo de Roma. Leão nasceu entre os anos de 390 e 400 e morreu em 461, sendo sepultado junto ao túmulo de São Pedro.

Por volta do ano 430, tornou-se diácono da Igreja de Roma, onde seu papel teve grande destaque. Em 440, foi enviado pelo Imperador do Ocidente à Gália para resolver uma situação difícil e promover uma missão de paz, mas não permaneceu por muito tempo, em razão do falecimento do Papa Sisto II, foi escolhido como seu sucessor e voltou a Roma.

Os tempos nos quais viveu o Papa Leão foram muito difíceis: o repetir-se das invasões barbáricas, o progressivo enfraquecimento no Ocidente da autoridade imperial e uma longa crise social tinham imposto que o Bispo de Roma, como teria acontecido com evidência ainda maior um século e meio mais tarde durante o pontificado de Gregório Magno, assumisse um papel decisivo também nas vicissitudes civis e políticas.

Por duas vezes, o Papa Leão teve atitudes memoráveis de extrema coragem que o destacaram até os dias de hoje:

Em 452, o Papa e uma delegação romana vão até Átila, chefe dos Unos e o convence a encerrar sua invasão à Itália, salvando as regiões que ainda não haviam sido devastadas. E em 455, quando não conseguiu impedir a invasão de Roma pelos Vândalos de Genserico, que foi saqueada por duas semanas, mas sua atitude de ir ao encontro do invasor, junto com seu clero e implorar que se detivessem, impediu que Roma fosse incendiada e que fossem saqueadas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo e de São João onde se encontrava escondida parte da população aterrorizada.

Leão teve um papel decisivo também no Concílio da Calcedônia em 451, no qual se recusou a heresia de Eutiques que negava a natureza humana do Filho de Deus, reafirmando a união do humano e do divino, sem confusão e sem separação.

O Pontífice soube exercer suas responsabilidades, no Ocidente e no Oriente, intervindo em diversas circunstâncias com prudência, firmeza e lucidez através dos seus escritos e mediante os seus legados. Mostrava deste modo como a prática da primazia romana fosse necessária então, como também hoje, para servir eficazmente a comunhão, característica da única Igreja de Cristo.

Consciente do momento histórico no qual vivia e da transformação que se estava a verificar num período de profunda crise de transição da Roma pagã para a cristã, Leão Magno soube estar próximo do povo e dos fiéis com a ação pastoral e com a pregação. Incentivou a caridade numa Roma provada pelas carestias, pela afluência dos prófugos, pelas injustiças e pela pobreza. Contrastou as superstições pagãs e a ação dos grupos maniqueus. Relacionou a liturgia com a vida cotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum com a caridade e com a esmola. Ressalta num sermão (64, 1-2) a propósito da Páscoa, que esta deve ser celebrada em todos os tempos do ano “não tanto como algo do passado, mas como um acontecimento do presente”.

Eis o mistério cristológico para o qual São Leão Magno, com a sua carta ao Concílio de Éfeso, deu uma contribuição eficaz e essencial, confirmando para todos os tempos através desse Concílio quanto disse São Pedro em Cesareia de Filipe. Com Pedro e como Pedro confessou: “Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo”. E por isso Deus e Homem juntos, “não alheio ao gênero humano, mas contrário ao pecado” (cf. Serm. 64). Em virtude desta fé cristológica ele foi um grande portador de paz e de amor. Mostra-nos assim o caminho: na fé aprendemos a caridade. Aprendemos, portanto, com São Leão Magno a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a realizar esta fé todos os dias na ação pela paz e no amor ao próximo.

Uma abençoada semana a todos.

 

Referência:

BENTO XVI. São Leão Magno. Disponível em <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080305_po.html>.

Anúncios