Meus queridos amigos, que bom refletir novamente com vocês!

Nesta semana falaremos sobre São Bento de Núrsia, Padroeiro da Europa e fundador da Ordem dos Beneditinos.

São Bento nasceu em Núrsia em 480 e faleceu em 547, deixando uma contribuição valiosíssima para a nova civilização que estava se formando após a queda do Império Romano, período de grande crise causada pela invasão dos novos povos e decadência dos costumes. Suas obras, em especial sua Regra de vida, eram portadoras de um “fermento” de unidade espiritual e cultural, o da fé cristã partilhada pelos povos do continente europeu, da qual o povo estava tão carente após tantos conflitos.

Quando Bento tinha 17 anos foi enviado a Roma para concluir seus estudos, mas começou a perceber a vida desregrada na qual viviam seus colegas. Por medo de sucumbir às paixões, resolveu se afastar e abandonar os estudos para fugir a um lugar seguro, entregando-se à vida eremítica.

Como pode alguém tão jovem com tal discernimento quando tantos jovens por influência de amigos se perdem nos vícios e na prostituição? A base familiar e a intimidade com Deus fizeram com que ele permanecesse no bom caminho.

Bento viveu como eremita durante três anos, tempo que levou para amadurecer e vencer as três tentações fundamentais do ser humano: a tentação da autossuficiência e do desejo de se colocar no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. Estava certo de que suas palavras apenas seriam úteis para os que necessitassem se conseguisse vencer essas três tentações. E assim, tendo a alma pacificada, estava em condições de controlar plenamente as pulsões do eu, para deste modo ser um criador de paz em seu redor. Só então decidiu fundar os seus primeiros mosteiros no vale do Anio, perto de Subiaco.

“São Bento foi antes de tudo homem de Deus. Tornou-se tal, seguindo de maneira constante o caminho das virtudes indicadas no Evangelho. Foi verdadeiro peregrino do Reino de Deus […]. E esta peregrinação foi acompanhada por uma luta que durou toda a sua vida: ‘batalha primeiro contra si mesmo, para combater o homem velho e criar cada vez mais lugar, nele próprio, para o homem novo’. O Senhor permitiu que, graças ao Espírito Santo, esta transformação não resultasse só em favor dele, mas se tornasse fonte de irradiação, a penetrar a história dos homens, penetrando, sobretudo a história da Igreja” [1].

O mundo não precisa de mais pessoas vazias, que não oram, que acham que não precisam de Deus, que buscam facilidade em tudo, que não se dão mais ao trabalho de cuidar uns dos outros, mas que descartam pessoas como se fossem imprestáveis. Precisa de pessoas cheias de Deus cuja presença lembre a do próprio Senhor que amam, acolhem, cuidam e protegem.

A oração é a amizade entre a alma e Deus [2] e deve ser cultivada por meio do silêncio, pois Deus não se encontra no furacão, mas sim no murmúrio de uma brisa suave [3].

Silencia seu coração, deixa Deus falar no teu íntimo e não tenha medo, apenas confie e deixe-se guiar como São Bento. “Abandone-se”! Abra as portas do seu coração para o Senhor e quando Ele entrar você terá a necessidade de abrir mão de certos vícios e de pessoas que te aprisionam, pois não dá para servir a dois senhores [4].

Deus não nos dá o que pedimos, mas sim o que precisamos. Se pedir força, Ele lhe dará situações para ser forte, se pedir coragem você vai se deparar com situações com as quais terá que ser corajoso.

Como você está cultivando sua amizade com Deus? Talvez Ele queira transformar radicalmente a sua vida, mas você não está ouvindo. Essa é a beleza do Cristianismo, saber que estamos sendo preparados nesta vida para a Glória que não nos pertence ainda, mas que ainda há de chegar. Não sabemos como será o futuro, todo o bem que tivermos que fazer tem que ser feito hoje, inclusive para nossa alma. Sejamos íntimos de Deus, que desde que fomos gerados no ventre de nossa mãe já nos amava.

 

Referências:

BENTO XVI. São Bento de Núrsia. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080409_po.html>.

[1] JOÃO PAULO II. Discurso do Papa João Paulo II Durante a Visita à Sagrada Gruta. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/september/documents/hf_jp-ii_spe_19800928_speco-subiaco_po.html>.

[2] Santa Tereza D’Ávila, Obras Completas

[3] 1 Rs 19, 13

[4] Mt 6,24