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“O MÁXIMO DA LIBERDADE É O ‘SIM’, A CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS” (Bento XVI) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs, mais uma vez, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, o Santo Padre Bento XVI nos conduz ao encontro com S. Máximo, o Confessor [1], um grande monge e teólogo que nasceu na Palestina (580) e depois viveu em Constantinopla, na África e morreu no exílio em Colchide, no Mar Negro, com 82 anos de idade (662).
São Máximo recebeu o título de Confessor porque foi um intrépido defensor da fé em Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem – e não por escutar muitas confissões, embora isso seja possível… Confessor é aquele que heroicamente defendeu a fé, mesmo sob suplícios físicos, sem ser morto por causa disso. No caso de S. Máximo, deceparam-lhe a língua e a mão direita para que deixasse de proclamar a unidade da pessoa de Jesus, perfeitamente Deus e perfeitamente homem [2]. Como permaneceu fiel, acabou exilado. Por isso, mereceu o título de “o Confessor”.
Recomendo firmemente a leitura desta catequese do Santo Padre Bento XVI sobre S. Máximo, o Confessor. Não sei se você tem o costume de ler as catequeses que motivam os textos deste blog. Esta, porém, em particular, vale a pena, mesmo que não seja seu costume. É impossível transmitir toda riqueza ali apresentada neste pequeno espaço. Não deixe de acessá-la pelo link disponibilizado abaixo.
Nesta catequese, o Santo Padre expõe muito bem o centro do pensamento de S. Máximo. Para compreendê-lo, é preciso ter clareza a respeito da complexidade da personalidade humana, composta de razão, vontade e sentimento. O texto fixa-se sobre a vontade, pois S. Máximo viveu num tempo de uma heresia que negava a presença da vontade humana em Jesus Cristo – sem vontade humana, Cristo não era verdadeiramente humano e, assim, a redenção era posta, mais uma vez, em xeque.
Em língua portuguesa podemos encontrar aí um motivo para confusão. Vontade não é o mesmo que desejo. Quando dizemos: “estou com vontade de comer chocolate”, usamos o termo “vontade” de maneira imprópria. O melhor seria dizermos “estou com desejo de comer chocolate”. Porque o desejo de comer isso ou aquilo é algo que não depende de nós – situa-se no âmbito dos sentimentos. Vontade, por sua vez, é a “instância” de decisão que existe em nossa personalidade. Ter desejo de comer chocolate é sentimento, caracteriza-se pela espontaneidade. Mas efetivamente comer ou não é uma decisão e isso é atributo da vontade. A vontade move nosso agir. É melhor que a decisão (ato de vontade) seja iluminada pela razão e não se deixe simplesmente levar pelo sentimento. Enfim, a razão conhece, a vontade decide e o sentimento capta as sensações.
É neste sentido que chegamos à conclusão que, como Bento XVI nos diz a partir da doutrina de S. Máximo, o Confessor, “o máximo da liberdade é o ‘sim’, a conformidade com a vontade de Deus”. O máximo de nossa liberdade não é dizer não a Deus, agindo a partir de nosso sentimentos, buscando apenas o que é gostoso. Ser livre é conformar nossa vontade com a vontade de Deus – é buscar o Bem, o que é melhor. Isto é ser livre: não estar preso a sentimentos quaisquer, mas querer o que Deus quer, estar seguro em Suas mãos, enfim, simplesmente abandonarmo-nos n’Ele, porque Ele sabe o que é melhor para nós (como diria Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face).
Para não me alongar mais, fica o convite: digamos sim a Deus! Deixemos nossa vida em Suas mãos! Este é o melhor caminho que podemos escolher, porque é o caminho de nossa santificação. Desejo, de coração, que cheguemos todos à estatura de Sto. Tomás More. Ele, que já no cárcere, antes de ser decapitado, escreveu à sua filha Margarida: “nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça é, em verdade, muito bom” [3]. Que Maria Santíssima, S. Máximo, o Confessor, nos ajudem neste caminho!
Fraterno abraço e até a próxima!

 
[1] BENTO XVI. São Máximo, o Confessor. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080625_po.html>.
[2] Sobre os suplícios de S. Máximo, o Confessor, há um excelente texto na obra: LELOUP, Jean-Yves. Introdução aos “verdadeiros filósofos”, os Padres Gregos: um continente esquecido do pensamento ocidental. 2. Ed. São Paulo: Vozes, 2004, p. 197-223.
[3] LITURGIA DAS HORAS. Vol. 3, p. 1368.

QUE TIPO DE CRISTÃOS NÓS SOMOS? – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!
Enquanto refletia sobre o Santo Padre desta semana, me veio um questionamento muito sério: que tipo de cristã eu sou?
Acompanhamos no decorrer desse um ano e três meses do blog, a vida de vários santos e muitos deles, mártires que colocaram realmente Deus e a verdade cristã em primeiro lugar. E eu, teria a coragem de entregar a minha vida defendendo a verdade da Igreja, caso me fosse necessário?
O Santo Padre, sobre o qual refletiremos hoje, não teve medo de entregar a própria vida em defesa da ortodoxia. São Máximo recebeu o título de Confessor pela intrépida coragem com que soube testemunhar “confessar” também com o sofrimento, a integridade da sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador do mundo [1].
Máximo nasceu em 580 na Palestina, assim como Jesus. Iniciou muito jovem sua vida monástica e o estudo das Escrituras. Com as invasões bárbaras teve que ir para África, onde foi fundamental na luta contra a teoria que negava a vontade humana de Jesus, afirmando-se que nele havia apenas uma vontade, a divina. Mas, se Jesus tinha apenas a vontade divina, como explicar as emoções e conflitos humanos demonstrados nas Escrituras? Jesus sorriu, chorou, angustiou-se, sofreu como nós. Jesus, mesmo sendo Deus, não nasceu pronto, entregou-se nas mãos de uma mulher, cresceu, aprendeu, ensinou e igualou-se a nós em tudo, exceto no pecado [2]. Nosso Deus desceu até nós, “diminuiu-se” para mostrar que não é indiferente, que ama a todos e que nos quer junto Dele, por isso se revelou através de Jesus.
Como aceitar um Jesus incompleto, sem sua humanidade? Isso iria totalmente contra o mistério da salvação. “Tão humano como só Deus pode ser humano” dizia o Papa Leão Magno. Ele veio nos mostrar o caminho para quem quer ser divino: antes de tudo ser profundamente humano [3].
Apesar de o imperador proibir a Igreja de discutir o assunto, Papa Martinho convocou o Concílio Lateranense, em 649, na cidade de Roma, no qual Máximo teve papel fundamental, para discutir as duas naturezas de Cristo, o que custou caro ao Papa. Foi exilado e morreu após dois longos anos de tormentos e humilhações.
Pouco tempo depois, em 662, foi a vez de Máximo, julgado com mais dois amigos, e, não deixando de afirmar as duas vontades de Cristo, foi condenado a perder a língua e a mão direita para que não mais proclamasse ou escrevesse sobre o assunto, que foi tratado pelo imperador como heresia. Foi exilado e morreu por causa dos ferimentos sofridos, no mesmo ano, com 82 anos.
Graças a Deus, nossos maiores desafios não envolvem morte, tortura ou exílio, mas o desafio está nas pequenas atitudes, dia após dia.
A maioria absoluta dos cristãos mais fiéis não terá altar em nenhuma igreja, não será martirizada nem escreverá algo que no futuro seja declarado Doutrina da Igreja, mas serão santos se fizerem a vontade de Deus nas pequenas coisas.
Santa Teresinha queria ser missionária, mas quando percebeu que não conseguiria com sua frágil saúde, ela orou e aprendeu o caminho da Pequena Via, onde fazer pequenas coisas com todo amor são igualmente importantes.
Esse é o tipo de cristã que quero ser: fiel nas pequenas coisas, para que quando me forem confiadas coisas maiores eu também possa ser.
Que Deus olhe por nós e que possamos valorizar a nossa fé dignamente, pois ela foi construída graças ao sangue de muitos santos, Inclusive o mais importante deles, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Boa semana a todos!

 
[1] BENTO XVI. São Máximo, o Confessor. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080625_po.html>.
[2] Hb 4, 15.
[3] MESTERS, Carlos; OROFINO, Francisco. JESUS, Formando e Formador. Disponível em:
<http://www.cnbb.org.br/site/images/arquivos/files_4ace2d2f9a333.pdf>.

SANTO ISIDORO, UM HOMEM QUE SOUBE AMAR A DEUS SEM DEIXAR DE SE DEDICAR AO PRÓXIMO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!
Na semana passada nos desafiamos a rezar e a ler um pouco mais, a nos dedicarmos mais às coisas de Deus e a ser melhores do que éramos.
Pois, bem, hoje gostaria de falar de Santo Isidoro (560-636), o irmão mais jovem de Leandro, Bispo de Sevilha, e grande amigo do Papa Gregório Magno.
Comece imaginando como era para o jovem Isidoro ser criado por Leandro, seu irmão, depois de ter perdido seus pais, sob um regime rígido de disciplina e imagine as exigências impostas a ele, irmão mais novo do admirado bispo de Sevilha.
Diz a tradição que Isidoro, como muitos jovens, tinha dificuldade de se concentrar nos estudos, o que preocupava muito sua família e seus professores. Mas para alegria da Igreja do Ocidente, venceu essa fase, graças a Deus, dedicando-se aos estudos com crescente paixão, seguindo o exemplo de seu irmão.
Em 599, com a morte do Bispo Leandro, Isidoro tornou-se seu sucessor na cátedra de Sevilha. Escreveu a primeira enciclopédia, com vinte e um volumes, chamada Etimologias, considerada o primeiro dicionário escrito, um livro com a biografia dos principais homens e mulheres da Bíblia, regras para mosteiros e conventos, além de muitos comentários acerca de cada um dos livros da Bíblia, estudo que mais lhe agradava. Organizou também núcleos escolares nas casas religiosas, considerados os embriões dos seminários de hoje. [1]
Até onde se pode ir quando não se para nas limitações? Quem viu aquele menino que não gostava de estudar tornar-se um bispo sábio, apaixonado pelos livros e pelas escrituras, com o sentimento muito semelhante ao de São Gregório Magno e de Santo Agostinho do desejo de solidão, de se entregar aos momentos de meditação profunda das Escrituras, mas sem se descuidar da sua responsabilidade com os irmãos, segundo aconselhava:
“O servo de Deus, imitando Cristo, deve dedicar-se à contemplação, sem negar-se à vida ativa. Comportar-se de outra maneira não seria justo. De fato, assim como é preciso amar a Deus com a contemplação, também é preciso ao próximo com a ação” [2].
Santo Isidoro é considerado o último dos Padres do Ocidente da antiguidade e o mais sábio de sua época, porque não parou nas opiniões dos outros, foi além de tudo o que pensavam sobre ele, quando era jovem. Amadureceu sua fé e contribuiu para a fé católica ser como é hoje, investiu muito na preservação da cultura romana no Ocidente, mesmo com a disseminação de várias heresias da época.
Sua vida contemplativa fez dele cheio de Deus, a ponto de não mais se agradar das coisas desse mundo, tendo o profundo desejo de dedicar-se apenas à contemplação. Mas contrariando esse desejo, sentia também uma grande responsabilidade de dedicar-se com afinco à salvação dos irmãos mais necessitados, tanto de bens materiais, quanto de palavras de sabedoria e consolo.
Olha como fazermos um pouco mais a cada dia é imprescindível. O mundo não precisa de pessoas vazias e lamuriosas; já tem muitas. Precisa de cristãos apaixonados que assumam a missão de ser Luz do Mundo [3], que tenham a coragem de vencer todos os preconceitos e superar expectativas, inclusive e principalmente as próprias.
Ninguém sabe o que Deus espera de si, mas precisa caminhar em direção à vontade Dele, mesmo sem saber exatamente para onde ir. Na dúvida, abandone-se nas mãos Dele, assim como os santos fizeram, por meio da oração.
Que Santo Isidoro, Doutor da Igreja, abençoe nossa semana, nos guie em direção a Deus e nos encha com seu amor pela Igreja e pelas Escrituras, Amém.

 
[1] SANTO ISIDORO DE SEVILHA, disponível em: <http://www.paulinas.tk/portal/index.php?system=dia_feliz&id=156&action=santo>.
[2] PAPA BENTO XVI, Santo Isidoro de Sevilha, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080618_po.html>.
[3] Mc 9,50.

BONS SERVOS OU MAUS FUNCIONÁRIOS? – Por Fabiana Theodoro.

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Saudações, amigos!
Nesta semana refletiremos sobre São Columbano, o abade irlandês mais conhecido do início da Idade Média. Na verdade ele é mais conhecido como um santo europeu, por ter trabalhado em vários países da Europa. Nasceu em 543 e com 30 anos de idade entrou em um mosteiro, onde conheceu uma severa disciplina, que o conduziu a uma vida de oração, de ascese e de estudo da palavra de Deus.
Vinte anos depois, com uma vida de oração bastante madura, São Columbano e alguns missionários foram à França (antiga Austrásia) para evangelizar os países já cristianizados, mas que estavam voltando à origem pagã.
Foram levados a se instalarem em uma antiga fortaleza abandonada em ruínas. Com muito trabalho a reconstruíram e fundaram ali um humilde mosteiro, mas não se abalaram, pois já estavam acostumados com uma vida de pobreza e simplicidade. São Columbano era bastante rigoroso e suas pregações eram voltadas à conversão e ao desapego às coisas terrenas.
Logo, muitos jovens da cidade quiseram ingressar em sua comunidade monástica, o que era interessante ao lembrarmos que dentro dessa comunidade as regras de disciplina eram bastante severas.
O testemunho de vida na comunidade chamava a atenção dos jovens que buscavam mais do que apenas trabalhar, farrear ou casar e ter filhos. Buscavam um desafio, buscavam apaixonar-se, como aqueles monges eram apaixonados. Mas depois com o amadurecimento da vida de oração e do estudo da palavra os sentimentos se lapidavam, se fortalecia o amor por Jesus e começava a busca por assemelhar-se a Deus por meio dos dons concedidos por Ele.
Se olharmos para os dias de hoje, dificilmente os jovens com os quais nos deparamos, se agradariam de ser tratados com tal disciplina, com a qual, muitas vezes, nem os pais os tratam.
A disciplina é necessária em todas as atividades que nos dispomos a fazer, principalmente a oração. Já percebeu como alguns servos da Igreja trabalham tanto que não têm tempo para orar, ou um momento para Adoração ao Santíssimo? Falta disciplina na oração. Tudo o que é importante para nós arranjamos tempo para fazer, mas a oração acaba deixada de lado se não tivermos disciplina. Sem oração não seremos bons servos de Deus, mas sim maus funcionários da Igreja. E o que acontece quando um funcionário fica descontente? Contamina os outros com amargor afastando as pessoas ou abandona o serviço.
Precisamos ser mais exigentes conosco, nos cobrar mais, não nos contentar com o quanto oramos hoje. Vamos orar um pouco mais, ler um pouco mais, lutar um pouco mais contra aquele “pecado de estimação”, afastar-nos mais a cada dia daquilo que nos faz pecar.
Cada vez é mais necessário testemunhar antes de falar, viver para que acreditem. Quanta responsabilidade na mão de nós cristãos, pois nada do que dissermos será digno de fé se não praticarmos. Muitos têm se afastado da Igreja por falta de testemunho. Deus nos concedeu muitos dons para que tragamos pessoas para Ele e não que as afastemos. Como disse um amigo, ninguém vai para o céu sozinho.

 

REFERÊNCIAS:
BENTO XVI. São Columbano. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080611_po.html>.

S. GREGÓRIO MAGNO, IMERSO EM DEUS E ABERTO AOS IRMÃOS – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs, sejam, mais uma vez, bem vindos ao CommunioSCJ! Na companhia do Santo Padre Bento XVI, encontramos hoje S, Gregório Magno (540-604), um Papa de virtudes extraordinárias, de profunda mística – vejamos o canto gregoriano – e extensa atividade pastoral – vejamos a atividade missionária que ele promoveu no norte da Europa.
Segundo Bento XVI, Gregório “era um homem imerso em Deus: o desejo de Deus estava sempre vivo no fundo da sua alma e precisamente por isso ele vivia sempre muito próximo das pessoas, das necessidades do povo do seu tempo” [1]. Aqui, meus irmãos, temos uma verdade à qual não podemos ignorar.
Gregório ardia no desejo de estar em Deus. Assim, certamente, buscava-o com ânsia na oração, na contemplação e nos abundantes estudos. Assim, conseguiu não só apreender um pouco do mistério, mas nele imergir. Estava em Deus e, por isso, estava com seus irmãos, atento às suas necessidades, pronto para servi-los. Porque estava no Senhor, tinha os pés na terra e os olhos nas necessidades de seus irmãos.
Este é o caminho. O coração humano, naturalmente ávido de Deus, quando o encontra, não se aliena, mas, precisamente por estar em Deus, consegue pôr os pés na realidade e compreendê-la profundamente. Sem esta experiência basilar, sem saber-se amado incondicionalmente por Deus, há um grave risco de instrumentalizarmos nossos irmãos. Sem referência a Deus, as relações humanas se desequilibram. Sem Deus, o mistério da iniquidade se impõe e não nos tratamos mutuamente como pessoas, mas como objetos dos quais nos servimos para nossos interesses particulares.
Que o exemplo de Gregório Magno, a intercessão da Virgem Maria nos ajudem a imergirmos na luz da presença de Jesus Cristo e a encontra-lo em nossos irmãos.
Abraço e até a próxima!

 
[1] BENTO XVI. São Gregório Magno (01). Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080528_po.html>.

SÃO GREGÓRIO MAGNO: UM HOMEM DE VERDADE – Por Pe. Daniel Carvalho, scj.

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Diante das grandes dificuldades é que nós conhecemos as pessoas. Quer ver se alguém é humilde? Perceba o seu comportamento diante da humilhação. Poderíamos multiplicar os exemplos. Na Igreja não é diferente, conhecemos um santo pela sua postura diante dos conflitos. Caso você acredite nisso, e deseja ser assim, este texto é para você. Seja bem vindo aos primeiros séculos da Igreja. Você amará conhecer São Gregório Magno (540-604).
Somos filhos do nosso tempo. Carregamos tendências e jeitos próprios de nossa época. Gregório era filho de um senador romano e uma mulher da nobreza. Logo, para conhecê-lo, precisamos saber que, depois da queda do Império Romano, em 476, a capital imperial estava uma bagunça, uma terra sem dono, suja, cheia de brigas, fome, prostituição, invasões e sem uma autoridade de fato [1]. Neste contexto Gregório foi ordenado padre, bispo e escolhido papa. Em um período que a Igreja era a instituição que mais se preocupava com as pessoas, ele tinha tudo para ficar chorando e lamuriando a crise social. Todos iriam dizer: coitadinho do papa…
É aqui que surgiu um grande homem, o segundo papa da história que mereceu o título de magno (grande). Gregório alimentou mais de três mil monges que passavam fome, enviou-os em missão pela Europa toda – uma verdadeira evangelização em lugares inimagináveis –, distribuiu parte dos bens da Igreja aos pobres, deixou o politicamente correto para atacar bispos e padres medíocres, sem contar que nos deixou o canto gregoriano, sinal de amor e bom gosto litúrgico [2].
Perante as crises é que conhecemos as pessoas: ou você enfrenta os seus problemas, ou eles destroem sua vida. Vemos isso na Igreja, através das pessoas mais corajosas, aquelas que pensam mais no Reino e menos no seu tempo e distrações mundanas. Tem muita gente andando apenas em “segundinha e terceira” no trabalho da evangelização. Santa Teresa tinha razão: “para muitos, falta uma dose de loucura” [3]. Quem não se consumir pelo que acredita, será mais um a passar por esta terra e que, depois da morte, deixará apenas latarias (carro), panos e aparelhos tecnológicos.
Quer ser diferente? Leia mais! Conheça os santos e seja útil em sua comunidade, movimento ou pastoral. Claro que sabemos que há evasão de católicos, que nosso governo federal usou a Igreja e agora a ignora, que em nossos bancos e presbitérios existem pessoas que mamam muito (usam a Igreja) e amam pouco o verdadeiro catolicismo. Tudo isso é verdade. Contudo, sejamos como São Gregório, vamos nos formar bem, ser mais caridosos e evangelizar mais.

Referências:
[1] Daniel Rops. A Igreja dos tempos bárbaros. Quadrante: São Paulo,
[2] Silvano Cola. Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. Cidade Nova: São Paulo. 1987, p. 109-112.
[3] Obras Completas de Santa Teresa de Jesus.

SÃO GREGÓRIO, SERVO DOS SERVOS DE DEUS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!
Nesta semana, vamos refletir juntos sobre um dos maiores Padres da história da Igreja do Ocidente, São Gregório Magno (o Grande). Confesso que estava ansiosa para compartilhar com vocês essa figura excepcional da nossa Igreja.
São Gregório Magno foi bispo de Roma entre 590 e 604, nasceu em 540 em uma família rica, que se distinguia mais por sua grande dedicação à fé do que por seus bens materiais.
Foi prefeito admirado na cidade de Roma por sua diligência e respeito pelo povo. Mas essa vida não o satisfazia. Então, retirou-se para viver uma vida monástica em sua casa, a qual transformou mais tarde em um mosteiro. Foram tempos de contemplação contínua, profundo relacionamento com Deus e de muitos frutos espirituais que o ajudaram na difícil missão que lhe seria confiada mais tarde.
Roma vivia tempos muito difíceis em meio a chuvas intensas, enchentes, carestia e, por fim, a peste que ocasionou a morte do Papa Pelágio. O povo e o clero foram unânimes em nomear Gregório o novo Papa, que de início não aceitou e até tentou fugir, mas não conseguiu e acabou aceitando, confiante na providência divina.
Gregório teve um papel importantíssimo para a pacificação entre os povos que habitavam a região italiana, lutou contra os privilégios eclesiásticos em detrimento do povo e doava parte dos rendimentos do patrimônio da Sé romana aos mais necessitados.
Ele atendeu o chamado de Deus, mesmo não sendo sua vontade. Teria preferido mil vezes permanecer em constante retiro espiritual, mas compreendeu o quão importante era assumir essa missão.
Cada dia tenho mais fé de que nada em nossas vidas ocorre por acaso. Quando São Gregório, mesmo sabendo de suas limitações, aceitou ser Papa, ele não sabia da importância que teria para a história eclesiástica, não esperava ser proclamado Doutor da Igreja como os que ele tanto admirava e seguia em seus ensinamentos. Muito pelo contrário, assumiu humildemente o posto não pela glória, mas por saber que precisavam dele. Definia um Papa como “servo dos servos de Deus” [1] guardando em seu coração o monge que ainda era. Em seu alto posto jamais deixou de ser um homem imerso em Deus, o desejo de Deus estava sempre vivo no fundo da sua alma e precisamente por isso ele vivia sempre muito próximo das pessoas, das necessidades do povo do seu tempo [2].
Na caminhada cristã surgem missões que parecem acima de nossas forças, mas se Deus nos escolheu, não há porque temer, Ele estará conosco. Se aceitar o chamado de Deus, não será tratado sempre com flores, mas muitas vezes “apedrejado” socialmente por meio de gozações e humilhações. Mas, seja como os apóstolos, alegre-se por ter sido julgado digno de sofrer pelo nome de Jesus [3].
Termino com um trecho belíssimo de uma das homilias de São Gregório
“Vós podeis, também, se quiser, merecer este belo nome de mensageiros de Deus. Com efeito, se cada um de vós, segundo as suas possibilidades, na medida em que tiver recebido a inspiração do céu, desviar o seu próximo do mal, se tomar a seu cuidado trazê-lo para o bem, se recordar ao transviado do Reino o castigo que o espera na eternidade, é evidentemente um mensageiro das santas palavras de Jesus. E que ninguém venha dizer: Eu sou incapaz de instruir os outros, de exortá-los. Façam ao menos o que vos é possível, para que um dia não vos peçam contas do talento recebido e mal conservado. Porque aquele que preferiu esconder o seu talento em vez de fazê-lo render não tinha recebido mais do que um talento (Mt 25, 14s)” [4].
Peço desculpas se me estendi demais.
Um abraço, até semana que vem!

 

[1] BENTO XVI: São Gregório Magno, o servo dos servos de Deus, disponível em:
<http://www.zenit.org/rssportuguese-18640>.
[2] PAPA BENTO XVI, Gregorio Magno, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080528_po.html>.
[3] At 5, 41
[4] Homilia sobre os evangelhos. Recebestes de graça, dai de graça, disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_gregorio_magno_antologia.html>.