Olá, amigos!
Nesta semana, vamos refletir juntos sobre um dos maiores Padres da história da Igreja do Ocidente, São Gregório Magno (o Grande). Confesso que estava ansiosa para compartilhar com vocês essa figura excepcional da nossa Igreja.
São Gregório Magno foi bispo de Roma entre 590 e 604, nasceu em 540 em uma família rica, que se distinguia mais por sua grande dedicação à fé do que por seus bens materiais.
Foi prefeito admirado na cidade de Roma por sua diligência e respeito pelo povo. Mas essa vida não o satisfazia. Então, retirou-se para viver uma vida monástica em sua casa, a qual transformou mais tarde em um mosteiro. Foram tempos de contemplação contínua, profundo relacionamento com Deus e de muitos frutos espirituais que o ajudaram na difícil missão que lhe seria confiada mais tarde.
Roma vivia tempos muito difíceis em meio a chuvas intensas, enchentes, carestia e, por fim, a peste que ocasionou a morte do Papa Pelágio. O povo e o clero foram unânimes em nomear Gregório o novo Papa, que de início não aceitou e até tentou fugir, mas não conseguiu e acabou aceitando, confiante na providência divina.
Gregório teve um papel importantíssimo para a pacificação entre os povos que habitavam a região italiana, lutou contra os privilégios eclesiásticos em detrimento do povo e doava parte dos rendimentos do patrimônio da Sé romana aos mais necessitados.
Ele atendeu o chamado de Deus, mesmo não sendo sua vontade. Teria preferido mil vezes permanecer em constante retiro espiritual, mas compreendeu o quão importante era assumir essa missão.
Cada dia tenho mais fé de que nada em nossas vidas ocorre por acaso. Quando São Gregório, mesmo sabendo de suas limitações, aceitou ser Papa, ele não sabia da importância que teria para a história eclesiástica, não esperava ser proclamado Doutor da Igreja como os que ele tanto admirava e seguia em seus ensinamentos. Muito pelo contrário, assumiu humildemente o posto não pela glória, mas por saber que precisavam dele. Definia um Papa como “servo dos servos de Deus” [1] guardando em seu coração o monge que ainda era. Em seu alto posto jamais deixou de ser um homem imerso em Deus, o desejo de Deus estava sempre vivo no fundo da sua alma e precisamente por isso ele vivia sempre muito próximo das pessoas, das necessidades do povo do seu tempo [2].
Na caminhada cristã surgem missões que parecem acima de nossas forças, mas se Deus nos escolheu, não há porque temer, Ele estará conosco. Se aceitar o chamado de Deus, não será tratado sempre com flores, mas muitas vezes “apedrejado” socialmente por meio de gozações e humilhações. Mas, seja como os apóstolos, alegre-se por ter sido julgado digno de sofrer pelo nome de Jesus [3].
Termino com um trecho belíssimo de uma das homilias de São Gregório
“Vós podeis, também, se quiser, merecer este belo nome de mensageiros de Deus. Com efeito, se cada um de vós, segundo as suas possibilidades, na medida em que tiver recebido a inspiração do céu, desviar o seu próximo do mal, se tomar a seu cuidado trazê-lo para o bem, se recordar ao transviado do Reino o castigo que o espera na eternidade, é evidentemente um mensageiro das santas palavras de Jesus. E que ninguém venha dizer: Eu sou incapaz de instruir os outros, de exortá-los. Façam ao menos o que vos é possível, para que um dia não vos peçam contas do talento recebido e mal conservado. Porque aquele que preferiu esconder o seu talento em vez de fazê-lo render não tinha recebido mais do que um talento (Mt 25, 14s)” [4].
Peço desculpas se me estendi demais.
Um abraço, até semana que vem!

 

[1] BENTO XVI: São Gregório Magno, o servo dos servos de Deus, disponível em:
<http://www.zenit.org/rssportuguese-18640>.
[2] PAPA BENTO XVI, Gregorio Magno, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080528_po.html>.
[3] At 5, 41
[4] Homilia sobre os evangelhos. Recebestes de graça, dai de graça, disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_gregorio_magno_antologia.html>.