Diante das grandes dificuldades é que nós conhecemos as pessoas. Quer ver se alguém é humilde? Perceba o seu comportamento diante da humilhação. Poderíamos multiplicar os exemplos. Na Igreja não é diferente, conhecemos um santo pela sua postura diante dos conflitos. Caso você acredite nisso, e deseja ser assim, este texto é para você. Seja bem vindo aos primeiros séculos da Igreja. Você amará conhecer São Gregório Magno (540-604).
Somos filhos do nosso tempo. Carregamos tendências e jeitos próprios de nossa época. Gregório era filho de um senador romano e uma mulher da nobreza. Logo, para conhecê-lo, precisamos saber que, depois da queda do Império Romano, em 476, a capital imperial estava uma bagunça, uma terra sem dono, suja, cheia de brigas, fome, prostituição, invasões e sem uma autoridade de fato [1]. Neste contexto Gregório foi ordenado padre, bispo e escolhido papa. Em um período que a Igreja era a instituição que mais se preocupava com as pessoas, ele tinha tudo para ficar chorando e lamuriando a crise social. Todos iriam dizer: coitadinho do papa…
É aqui que surgiu um grande homem, o segundo papa da história que mereceu o título de magno (grande). Gregório alimentou mais de três mil monges que passavam fome, enviou-os em missão pela Europa toda – uma verdadeira evangelização em lugares inimagináveis –, distribuiu parte dos bens da Igreja aos pobres, deixou o politicamente correto para atacar bispos e padres medíocres, sem contar que nos deixou o canto gregoriano, sinal de amor e bom gosto litúrgico [2].
Perante as crises é que conhecemos as pessoas: ou você enfrenta os seus problemas, ou eles destroem sua vida. Vemos isso na Igreja, através das pessoas mais corajosas, aquelas que pensam mais no Reino e menos no seu tempo e distrações mundanas. Tem muita gente andando apenas em “segundinha e terceira” no trabalho da evangelização. Santa Teresa tinha razão: “para muitos, falta uma dose de loucura” [3]. Quem não se consumir pelo que acredita, será mais um a passar por esta terra e que, depois da morte, deixará apenas latarias (carro), panos e aparelhos tecnológicos.
Quer ser diferente? Leia mais! Conheça os santos e seja útil em sua comunidade, movimento ou pastoral. Claro que sabemos que há evasão de católicos, que nosso governo federal usou a Igreja e agora a ignora, que em nossos bancos e presbitérios existem pessoas que mamam muito (usam a Igreja) e amam pouco o verdadeiro catolicismo. Tudo isso é verdade. Contudo, sejamos como São Gregório, vamos nos formar bem, ser mais caridosos e evangelizar mais.

Referências:
[1] Daniel Rops. A Igreja dos tempos bárbaros. Quadrante: São Paulo,
[2] Silvano Cola. Operários da primeira hora: perfis dos Padres da Igreja. Cidade Nova: São Paulo. 1987, p. 109-112.
[3] Obras Completas de Santa Teresa de Jesus.