Olá, amigos!
Enquanto refletia sobre o Santo Padre desta semana, me veio um questionamento muito sério: que tipo de cristã eu sou?
Acompanhamos no decorrer desse um ano e três meses do blog, a vida de vários santos e muitos deles, mártires que colocaram realmente Deus e a verdade cristã em primeiro lugar. E eu, teria a coragem de entregar a minha vida defendendo a verdade da Igreja, caso me fosse necessário?
O Santo Padre, sobre o qual refletiremos hoje, não teve medo de entregar a própria vida em defesa da ortodoxia. São Máximo recebeu o título de Confessor pela intrépida coragem com que soube testemunhar “confessar” também com o sofrimento, a integridade da sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador do mundo [1].
Máximo nasceu em 580 na Palestina, assim como Jesus. Iniciou muito jovem sua vida monástica e o estudo das Escrituras. Com as invasões bárbaras teve que ir para África, onde foi fundamental na luta contra a teoria que negava a vontade humana de Jesus, afirmando-se que nele havia apenas uma vontade, a divina. Mas, se Jesus tinha apenas a vontade divina, como explicar as emoções e conflitos humanos demonstrados nas Escrituras? Jesus sorriu, chorou, angustiou-se, sofreu como nós. Jesus, mesmo sendo Deus, não nasceu pronto, entregou-se nas mãos de uma mulher, cresceu, aprendeu, ensinou e igualou-se a nós em tudo, exceto no pecado [2]. Nosso Deus desceu até nós, “diminuiu-se” para mostrar que não é indiferente, que ama a todos e que nos quer junto Dele, por isso se revelou através de Jesus.
Como aceitar um Jesus incompleto, sem sua humanidade? Isso iria totalmente contra o mistério da salvação. “Tão humano como só Deus pode ser humano” dizia o Papa Leão Magno. Ele veio nos mostrar o caminho para quem quer ser divino: antes de tudo ser profundamente humano [3].
Apesar de o imperador proibir a Igreja de discutir o assunto, Papa Martinho convocou o Concílio Lateranense, em 649, na cidade de Roma, no qual Máximo teve papel fundamental, para discutir as duas naturezas de Cristo, o que custou caro ao Papa. Foi exilado e morreu após dois longos anos de tormentos e humilhações.
Pouco tempo depois, em 662, foi a vez de Máximo, julgado com mais dois amigos, e, não deixando de afirmar as duas vontades de Cristo, foi condenado a perder a língua e a mão direita para que não mais proclamasse ou escrevesse sobre o assunto, que foi tratado pelo imperador como heresia. Foi exilado e morreu por causa dos ferimentos sofridos, no mesmo ano, com 82 anos.
Graças a Deus, nossos maiores desafios não envolvem morte, tortura ou exílio, mas o desafio está nas pequenas atitudes, dia após dia.
A maioria absoluta dos cristãos mais fiéis não terá altar em nenhuma igreja, não será martirizada nem escreverá algo que no futuro seja declarado Doutrina da Igreja, mas serão santos se fizerem a vontade de Deus nas pequenas coisas.
Santa Teresinha queria ser missionária, mas quando percebeu que não conseguiria com sua frágil saúde, ela orou e aprendeu o caminho da Pequena Via, onde fazer pequenas coisas com todo amor são igualmente importantes.
Esse é o tipo de cristã que quero ser: fiel nas pequenas coisas, para que quando me forem confiadas coisas maiores eu também possa ser.
Que Deus olhe por nós e que possamos valorizar a nossa fé dignamente, pois ela foi construída graças ao sangue de muitos santos, Inclusive o mais importante deles, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Boa semana a todos!

 
[1] BENTO XVI. São Máximo, o Confessor. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080625_po.html>.
[2] Hb 4, 15.
[3] MESTERS, Carlos; OROFINO, Francisco. JESUS, Formando e Formador. Disponível em:
<http://www.cnbb.org.br/site/images/arquivos/files_4ace2d2f9a333.pdf>.