Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs, mais uma vez, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, o Santo Padre Bento XVI nos conduz ao encontro com S. Máximo, o Confessor [1], um grande monge e teólogo que nasceu na Palestina (580) e depois viveu em Constantinopla, na África e morreu no exílio em Colchide, no Mar Negro, com 82 anos de idade (662).
São Máximo recebeu o título de Confessor porque foi um intrépido defensor da fé em Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem – e não por escutar muitas confissões, embora isso seja possível… Confessor é aquele que heroicamente defendeu a fé, mesmo sob suplícios físicos, sem ser morto por causa disso. No caso de S. Máximo, deceparam-lhe a língua e a mão direita para que deixasse de proclamar a unidade da pessoa de Jesus, perfeitamente Deus e perfeitamente homem [2]. Como permaneceu fiel, acabou exilado. Por isso, mereceu o título de “o Confessor”.
Recomendo firmemente a leitura desta catequese do Santo Padre Bento XVI sobre S. Máximo, o Confessor. Não sei se você tem o costume de ler as catequeses que motivam os textos deste blog. Esta, porém, em particular, vale a pena, mesmo que não seja seu costume. É impossível transmitir toda riqueza ali apresentada neste pequeno espaço. Não deixe de acessá-la pelo link disponibilizado abaixo.
Nesta catequese, o Santo Padre expõe muito bem o centro do pensamento de S. Máximo. Para compreendê-lo, é preciso ter clareza a respeito da complexidade da personalidade humana, composta de razão, vontade e sentimento. O texto fixa-se sobre a vontade, pois S. Máximo viveu num tempo de uma heresia que negava a presença da vontade humana em Jesus Cristo – sem vontade humana, Cristo não era verdadeiramente humano e, assim, a redenção era posta, mais uma vez, em xeque.
Em língua portuguesa podemos encontrar aí um motivo para confusão. Vontade não é o mesmo que desejo. Quando dizemos: “estou com vontade de comer chocolate”, usamos o termo “vontade” de maneira imprópria. O melhor seria dizermos “estou com desejo de comer chocolate”. Porque o desejo de comer isso ou aquilo é algo que não depende de nós – situa-se no âmbito dos sentimentos. Vontade, por sua vez, é a “instância” de decisão que existe em nossa personalidade. Ter desejo de comer chocolate é sentimento, caracteriza-se pela espontaneidade. Mas efetivamente comer ou não é uma decisão e isso é atributo da vontade. A vontade move nosso agir. É melhor que a decisão (ato de vontade) seja iluminada pela razão e não se deixe simplesmente levar pelo sentimento. Enfim, a razão conhece, a vontade decide e o sentimento capta as sensações.
É neste sentido que chegamos à conclusão que, como Bento XVI nos diz a partir da doutrina de S. Máximo, o Confessor, “o máximo da liberdade é o ‘sim’, a conformidade com a vontade de Deus”. O máximo de nossa liberdade não é dizer não a Deus, agindo a partir de nosso sentimentos, buscando apenas o que é gostoso. Ser livre é conformar nossa vontade com a vontade de Deus – é buscar o Bem, o que é melhor. Isto é ser livre: não estar preso a sentimentos quaisquer, mas querer o que Deus quer, estar seguro em Suas mãos, enfim, simplesmente abandonarmo-nos n’Ele, porque Ele sabe o que é melhor para nós (como diria Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face).
Para não me alongar mais, fica o convite: digamos sim a Deus! Deixemos nossa vida em Suas mãos! Este é o melhor caminho que podemos escolher, porque é o caminho de nossa santificação. Desejo, de coração, que cheguemos todos à estatura de Sto. Tomás More. Ele, que já no cárcere, antes de ser decapitado, escreveu à sua filha Margarida: “nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça é, em verdade, muito bom” [3]. Que Maria Santíssima, S. Máximo, o Confessor, nos ajudem neste caminho!
Fraterno abraço e até a próxima!

 
[1] BENTO XVI. São Máximo, o Confessor. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080625_po.html>.
[2] Sobre os suplícios de S. Máximo, o Confessor, há um excelente texto na obra: LELOUP, Jean-Yves. Introdução aos “verdadeiros filósofos”, os Padres Gregos: um continente esquecido do pensamento ocidental. 2. Ed. São Paulo: Vozes, 2004, p. 197-223.
[3] LITURGIA DAS HORAS. Vol. 3, p. 1368.

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