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SÓ VENCERÁ A LUTA ENTRE A VIRTUDE E O VÍCIO AQUELE QUE TIVER COMO ALIMENTO A PALAVRA DE DEUS E A ORAÇÃO – Por Fabiana Theodoro.

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Hoje gostaria de falar de Ambrósio Autperto, um autor bastante desconhecido do século VIII, cuja maioria das obras foi atribuída a outras personagens mais conhecidas, como Santo Ambrósio de Milão e Santo Ildefonso.

Nasceu na Provença, mas foi na Itália que tornou-se sacerdote em 761, e no ano de 777 tornou-se abade. Sua época foi dominada por tensões políticas, até mesmo dentro dos mosteiros dos quais cuidava.

Ambrósio denunciava com rigor em seus escritos as irregularidades nos mosteiros que conduzia, os quais exibiam por fora uma aparência majestosa, enquanto dentro se encontravam monges tíbios e ávidos.

Aplicava-lhes a afirmação de 2Tm 3, 12: “Todos os que aspiram a viver piedosamente em Jesus Cristo hão de sofrer perseguições” já não a perseguição externa, mas o assalto das forças do mal que o cristão deve enfrentar dentro de si.

Ambrósio acreditava que há na alma humana vinte e quatro pares de combatentes, ou seja, a cada virtude se contrapõe um vício que tenta cativar a alma fazendo-a cair no pecado sem perceber, de forma muito sutil. Mas a virtude, alimentada pela oração e pela Palavra de Deus não se deixaria subjugar pelo mal.

No tratado sobre conflito entre vícios e virtudes, Autperto contrapõe à cupiditas (a avidez) o contemptus mundi (o desprezo do mundo), que se torna uma figura importante na espiritualidade. Este desprezo do mundo não é um desprezo da criação, da beleza e da bondade, da criação e do Criador, mas um desprezo da falsa visão do mundo que nos foi apresentada e insinuada precisamente pela avidez [1].

Essa visão que valoriza o “ter” acima do “ser”, destrói o mundo tornando as pessoas capazes dos atos mais vis para conseguir o que querem. “Do solo da terra diversos espinhos agudos surgem de várias raízes; no coração do homem, ao contrário, as picadas de todos os vícios provêm de uma só raiz, a avidez” (De cupiditate 1: CCCM 27b, p. 963).

Todo ser humano possui o desejo natural de ter aquilo que ainda não possui e que considera bom e agradável, mas o perigo se encontra quando esse desejo torna-se ávido.

“Não cobiçar as coisas alheias”, o décimo mandamento proíbe a avidez e o desejo desenfreado de possuir bens terrenos [2], pois esse desejo transforma-se em inveja, um dos vícios capitais.

A inveja é a tristeza sentida diante do bem do outro e o desejo de possuir os bens que lhe pertencem, mesmo que de forma indevida. A inveja é um vício capital que evolui para o ódio, chegando ao ponto de desejar um mal grave ao próximo se tornando um pecado mortal. “Santo Agostinho refere-se ao pecado da inveja como o pecado mais diabólico, pois dela nascem a calúnia, a maledicência e o desprazer pelo bem e prosperidade do outro” (S. Gregório Magno).

Outro pecado que segue a inveja é a idolatria, o invejoso coloca-se no lugar de Deus querendo que Ele satisfaça suas vontades, que lhe dê os bens que tanto anseia.

Um grande erro é acreditar que todos são iguais, porque não são. Cada um de nós possui um dom diferente do outro para nos completarmos, para precisarmos uns dos outros. Somos como uma grande banda na qual cada instrumento tem um som diferente para, quando juntos, comporem uma maravilhosa melodia, esta é a vida. O que seria desta melodia se a banda tivesse apenas um tipo de instrumento?

Para vencer esse vício, é preciso reconhecer a sabedoria de Deus e, na maioria das vezes, que seremos incapazes de entendê-la. Sermos gratos por tudo o que Deus nos dá e nos alegrarmos sinceramente com a alegria e com o progresso dos nossos irmãos.

Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos de vosso irmão e imediatamente Deus será glorificado por vós. Deus será louvado, dirão, porque seu servo soube vencer a inveja, colocando sua alegria no mérito dos outros” (São João Crisóstomo).

Uma semana abençoada a todos!

 

 

Recomendado:

Pe. Paulo Ricardo, O que fazer com a inveja? Disponível em: http://padrepauloricardo.org/episodios/o-que-fazer-com-a-inveja

Bento XVI, Santo Ambrósio Autperto, disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090422_po.html

 

[1] Desejo ardente, cobiça, ambição.

[2] Catecismo da Igreja Católica, § 2536

 

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ESTEJAMOS À ALTURA DO PATRIMÔNIO DA FÉ CATÓLICA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs em Cristo Senhor, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Temos, desta vez, a oportunidade de enriquecer nossa vida cristã com o testemunho de S. Bonifácio, apóstolo dos germanos, que viveu de 675 até 754: um grande monge, missionário, bispo e mártir [1]. Abaixo segue o parágrafo que, creio, sintetiza a catequese do Santo Padre Bento XVI a respeito do santo em questão.
“O testemunho corajoso de Bonifácio é um convite para todos nós, a acolher na nossa vida a palavra de Deus como ponto de referência essencial, a amar a Igreja apaixonadamente, a sentir-nos corresponsáveis pelo seu futuro e a buscar a sua unidade ao redor do Sucessor de Pedro. Ao mesmo tempo, ele recorda-nos que o cristianismo, favorecendo a difusão da cultura, promove o progresso do homem. Agora, compete-nos estar à altura de um patrimônio tão prestigioso e fazê-lo frutificar em vantagem das gerações vindouras”.
Há aí aspectos da vida cristã que considero imprescindíveis: a acolhida da Palavra, o amor à Igreja num senso de corresponsabilidade e a busca da unidade ao redor do Papa. Há, porém, algo que daí decorre e que considero mais urgente.
Quero, por isso, seguir um pouco a linha do último texto que publiquei na semana passada [2] e deter-me na questão da cultura e do Estado. A cultura, como disse, podemos entendê-la como modo de viver. Dessa forma, precisamos nos dar conta de que o atual Estado brasileiro está governando praticamente à revelia da cultura da nação. Há, sem dúvida, um ataque aberto à moralidade cristã. Porém, nos últimos tempos, o assalto jurídico e legislativo começou.
Se, por um lado, é injusto impor pelas leis do Estado, a prática de uma religião, seja ela qual for, à população, é igualmente injusto – e, mais ainda, é absurdo – tornar ilegal a prática da religião professada pela esmagadora maioria da população.
Não, caros leitores, provavelmente não seremos proibidos de professar que somos cristãos. Poderemos dizer: “sou católico” [3]. Mais: querem nos proibir é viver como católicos. Um caso que está em andamento pelos corredores de Brasília é a questão do aborto. Pior que legalizar a prática, nosso governo – contrariando tudo o que disse a Sra. Dilma, presidente da república, então candidata, na campanha eleitoral de 2010 – quer abrir postos para orientação sobre aborto, liberar a venda de drogas abortivas e distribuir uma cartilha sobre o aborto.
Dessa forma, você, farmacêutico católico ou mesmo funcionário de uma farmácia, poderá, sem dúvida, dizer-se contra o aborto. Mas, será obrigado a dar um “medicamento” abortivo a quem o quiser comprar. E você, médico católico, precisará socorrer mulheres que fizeram uso da droga abortiva sem uma receita sua (e é justo que socorra).
Por que, antes de implementar um “pacotão do aborto”, nossos líderes não obrigam toda mulher que quer abortar a fazer um ultrassom? É muito comum que a mãe desista do ato ao ver o filho no seu ventre. É mais fácil, mais barato e mais eficiente. E, de quebra, está em acordo com a opinião da esmagadora maioria da população contrária ao aborto.
A cultura abortista não é humana. Difundir a cultura da vida é lutar pelo autêntico progresso da humanidade. Defender a causa dos mais fracos, no caso, os que ainda não nasceram, é parte de nossa tarefa como cristãos. Conheça melhor a real situação e saiba o que fazer no link a seguir: <http://padrepauloricardo.org/episodios/governo-dilma-prepara-se-para-implantar-aborto-no-brasil> [4].
Que o testemunho de S. Bonifácio nos ilumine e a intercessão da Santíssima Virgem nos fortaleça a fim de que estejamos à altura do patrimônio de fé que nos foi dado e o façamos frutificar para o bem das gerações vindouras.

 
[1] BENTO XVI. São Bonifácio. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090311_po.html>.
[2] MELLO, Lucas Luís Matheus de. Jesus Cristo: ponto de chegada das culturas. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2012/07/12/jesus-cristo-ponto-de-chegada-das-culturas-por-fr-lucas-scj/>.
[3] Nossos irmãos protestantes de diversas confissões já sofrem o mesmo mau vezo.
[4] É importante, além de assistir o vídeo, baixar e ler atentamente o arquivo disponibilizado em pdf no fim da página. Veja também: http://padrepauloricardo.org/episodios/a-vida-em-risco. E ainda: http://padrepauloricardo.org/blog/texto-da-comissao-em-defesa-da-vida-do-regional-sul-1-da-cnbb.

SÃO BONIFÁCIO, HOMEM INTENSAMENTE APAIXONADO PELA IGREJA E FIEL AO EVANGELHO ATÉ O FIM – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos!
Hoje refletiremos sobre a vida de São Bonifácio, nascido em 675 na Grã-Bretanha e missionário responsável por difundir o cristianismo na Alemanha, terra natal de Bento XVI, e por isso chamado o “apóstolo dos germanos”.
Seu nome de nascença era Winfrido, mas recebeu o nome Bonifácio do Papa Gregório quando este lhe deu a missão de evangelizar as regiões da Europa Central.
Com oitenta anos, no início de mais uma missão evangelizadora, preparando-se para celebrar a santa Missa, foi atacado por pagãos e no momento derradeiro ainda pediu que nenhum dos seus companheiros revidasse, dando seu último testemunho do Evangelho, não pagando o mal com o mal.
Bonifácio era uma pessoa flexível e amável, qualidades essenciais com as quais obteve excelentes resultados na sua missão evangelizadora. Em todas as regiões que evangelizou, destacou a comunhão e obediência ao Papa como pontos essenciais para a unidade da fé católica. Sua vida foi marcada intensamente pela Palavra de Deus, na qual viveu, pregou e testemunhou até o seu martírio.
Dedicou toda sua vida a Deus, foi exemplo de força, coragem, obediência e intensa paixão pela Igreja e pelo Evangelho, para todos os germanos e outros povos evangelizados por ele. Era fiel às Escrituras e ensinava o povo a ser mais humano de acordo com os valores cristãos, a olhar uns aos outros com mais fraternidade.
Jesus converteu muitos porque sabia reconhecer os corações dos pecadores, o amor e a misericórdia transbordavam tanto de seu Sagrado Coração que enchiam a vida do outro de esperança, de vontade de recomeçar e não de acusações. “Boca, olhos, mãos, sentidos, tudo possa irradiar o amor que em nós pusestes para aos outros inflamar” [1]. Esse era também o intuito de São Bonifácio.
A Igreja não é católica à toa, e sim porque acolhe a todos, mas nem sempre seus filhos a representam como deveriam, ela é santa no que diz respeito a Cristo, mas pecadora no que se refere aos homens. Faz-se necessário e urgente o testemunho condizente com a fé professada pela Igreja em defesa dos valores que estão se perdendo: “Estejamos firmes na luta no dia do Senhor, porque chegaram dias de aflição e miséria… Não sejamos cães emudecidos, nem observadores taciturnos, nem mercenários que fogem diante dos lobos! Pelo contrário, sejamos Pastores diligentes que velam sobre a grei de Cristo, que anunciam às pessoas importantes e às comuns, aos ricos e aos pobres, a vontade de Deus… oportuna e inoportunamente…” (Epistulae,3, 352.354: MGH) [2].
Seja exemplo de alegria e de amor, acolha com um sorriso amável a quem cruzar seu caminho, faça a diferença por menor que ela seja.
A alegria do Senhor seja a vossa força, hoje e sempre [3].

 
[1] Liturgia das horas, Hora Terça. Disponível em: <http://liturgiadashoras.org/3quarta.html>.
[2] BENTO XVI. São Bonifácio. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090311_po.html>.
[3] Ne 8,10.

JESUS CRISTO: PONTO DE CHEGADA DAS CULTURAS – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs sejam sempre muito bem vindos ao CommunioSCJ! Nossa viagem em companhia do Papa Bento XVI pela história da Igreja continua e, assim, temos a oportunidade de nos achegarmos à figura de S. Beda (672/3-735), monge inglês que, devido à sua grande fama de santidade recebeu o epíteto de “o Venerável” [1].
Deste grande santo, podemos colher reflexões importantes: desde seu método de leitura da Sagrada Escritura, até seu grande interesse pela história da Igreja e pela catequese mistagógica na Liturgia… Quero, porém, deter-me no seguinte. Segundo Bento XVI “São Beda vê crescer a universalidade da Igreja, que não é limitada a uma determinada cultura, mas compõe-se de todas as culturas do mundo que devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada”.
Temos aqui um dado que, para nós, brasileiros, em nossos dias, precisa ser objeto de nossa reflexão. Se, por um lado, é justo notarmos que a unidade da Igreja não depende da uniformidade, mas, pelo contrário, manifesta-se em sua pluralidade [2], é igualmente importante notarmos que as culturas do mundo devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada.
Ora, entendendo cultura como modo de viver, expressão da existência humana, é lógico que toda cultura tende à verdade e, portanto, se são verdadeiramente culturas, devem abrir-se a Cristo (Verdade em Si mesma) e ter n’Ele (ser humano pleno) seu ponto de chegada.
Intriga-me, porém, o fato de encontrar cada vez menos espaço para Jesus Cristo em nossa sociedade. Explico: há cada vez menos espaço para qualquer opinião que esteja em relação direta com o cristianismo. Ao lado de uma abertura incoerente a todas as formas de irracionalidade, a racionalidade da fé é rejeitada como fundamentalismo, obscurantismo, intransigência, retrocesso…
Em outras palavras, posso acreditar em qualquer coisa, viver como quero, desde que não seja crer com a Igreja católica e viver de acordo com o que a mesma Igreja orienta. Há um tipo de totalitarismo ateu e relativista mascarado de liberdade do Estado laico. Esquece-se toda a contribuição da Igreja à nação pela exaltação de um novo modelo social que nem seus adeptos conseguem definir… Seguindo o critério de S. Beda, se esta nova forma de viver, esta nova cultura que está sendo implementada diante de nossos olhos fosse, de fato, uma cultura, ela estaria naturalmente aberta a Cristo. Não é o que parece. Será mesmo que este “movimento” nos levará a uma sociedade melhor?
Que a intercessão de S. Beda e da Santíssima Virgem nos ajudem a ver a realidade (a nossa e a de nossa sociedade) e, vendo, transformá-la à Luz do Evangelho.
Abraço e prece! Até a próxima.

 

 
[1] BENTO XVI. São Beda, o Venerável. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090218_po.html>.
[2] A unidade da Igreja se dá visivelmente pela comunhão de fé, sacramentos e governo. Ainda que haja diversas expressões teológicas legítimas, a fé católica é a mesma. Ainda que existam diversos ritos, os sacramentos são os mesmos. Ainda que existam diversas formas de organização, o regime de comunhão episcopal (com o Santo Padre como cabeça) é um só. A uniformidade, por sua inflexibilidade intrínseca, levaria fatalmente a divisões.

SÃO BEDA E DOM EUGÊNIO, AUTÊNTICAS TESTEMUNHAS DO EVANGELHO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!
Nesta semana falaremos sobre São Beda, o Venerável, que viveu de 672 a 735, o único Doutor da Igreja da Inglaterra.
Beda foi entregue ao mosteiro beneditino quando tinha apenas sete anos para que cuidassem de sua educação. Lá estudou intensamente as Escrituras e em seu cotidiano, cantava nas celebrações litúrgicas nas quais expressava grande alegria no louvor a Deus, e mesmo quando adoeceu, não deixou de trabalhar e expressar grande alegria através de seu canto e de suas orações.
A Bíblia sempre foi a fonte principal de suas reflexões. Preocupava-se em entender o texto cristologicamente e não apenas historicamente, pois para ser Palavra de Deus, o texto precisa ser compreendido a partir de Cristo, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento convergem indiscutivelmente para ele.
Antigamente iniciava-se o calendário a partir da data de fundação da cidade de Roma, mas vendo que o verdadeiro ponto de referência, o centro da história, é o nascimento de Cristo, modificando o antigo calendário até chegar ao que seguimos hoje.
Beda, o Venerável, recebeu esse título ainda em vida. Homem admirável que em meio a tantos sofrimentos causados por sua doença jamais deixou de exprimir e contagiar com sua alegria. Educava os fiéis para que vivessem a mesma alegria da celebração dos mistérios de Cristo também na vida cotidiana, pois a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria [1].
Nesta semana também não podemos deixar de mencionar a perda de outro homem admirável cuja intrepidez foi destacada pelo Papa em nota:
Papa Bento XVI lamentou a morte do “intrépido” cardeal brasileiro Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro e influente figura do episcopado brasileiro, morto na segunda-feira (9), aos 91 anos. “Foi um autêntico testemunho do Evangelho em meio a seu povo. Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja pastor tão generoso”, completa a nota do Sumo Pontífice. “Em 70 anos de sacerdócio e 58 no episcopado, sempre quis indicar o caminho da verdade na caridade e servir à comunidade, prestando particular atenção aos mais desfavorecidos, fiel a seu lema episcopal “impendam et superimpendar” (gastarei e gastar-me-ei por inteiro por vós), recorda a nota, em uma referência à Carta de São Paulo aos Coríntios: “De mui boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos mais, seja menos amado por vós” [2].
Nós temos valiosíssimos homens que viveram e que vivem conforme o evangelho de Nosso Senhor, que são fieis testemunhas dos ensinamentos da Igreja e que perseguem exaustivamente a santidade e que para tanto doaram a si mesmos em favor do próximo, se ordenaram padres.
Rezemos muito tanto por aqueles que já partiram desta vida, quanto por aqueles que ainda estão conosco, ouvindo nossos problemas, nos devolvendo a paz por meio da Confissão, por meio de conselhos, ou simplesmente por um gesto gentil e amoroso que nos revela Cristo.
Que o Senhor guie nossos padres, para que através deles possamos ser mais santos, fazei deles fieis representantes do Vosso amor e de Vossa sabedoria para que guiem o Teu rebanho com convicção, coragem e muito amor. Amém.
Boa semana!
Rezemos mais pelos nossos padres!

 
[1] Porta Fidei, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.
[2] Jornal do Brasil, Papa e outras autoridades lamentam morte do arcebispo emérito do Rio, disponível em: <http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/07/10/dilma-papa-e-outras-autoridades-lamentam-morte-do-arcebispo-emerito-do-rio/>.

SOMOS CORPO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Irmãos e irmãs, sejam sempre bem vindos ao CommunioSCJ. Junto ao Santo Padre Bento XVI, encontramos S. João Clímaco (575-650), também monge e eremita, verdadeiro guia da vida espiritual que viveu em Bizâncio. Seu nome está associado a sua obra mais famosa: a Escada (klímax) do Paraíso.
Esta obra indica o itinerário de subida do ser humano a Deus em três fases: a ruptura com o mundo, o combate espiritual contra as paixões e a vivência das virtudes. “Segundo João Clímaco, é importante tomar consciência de que as paixões não são más em si próprias; tornam-se tais pelo mau uso que a liberdade do homem faz das mesmas” (Bento XVI).
Creio que, nesta afirmação do Papa, temos um ponto sobre o qual devemos nos deter. É certo que as paixões encontram “lugar” em nosso corpo, mas, nem por isso, nosso corpo é mau em si mesmo. É próprio da corporalidade sentir fome, sede, atração sexual, empatia, cansaço, prazer, dor… S. João Clímaco mostra-nos que isso não é mau em si, mas, porque somos livres, podemos usar mal esses apetites e, assim, pecamos.
É importante notar como, depois de iniciarmos nossa vida cristã, acorre-nos o pensamento de desprezarmos a materialidade do nosso ser. Pode parecer que, para vencermos nossos apetites, precisamos nos livrar do nosso corpo. Mas um caminho assim não é baseado na verdade e, por isso, não pode ser bom.
Como humanos, somos uma forma de a matéria coabitar com o espírito e não podemos introduzir em nós um dualismo autodestrutivo de luta contra o corpo. É certo que precisamos pôr freio em nossos apetites para que nosso ser esteja em harmonia. Porém, isso não significa que temos que destruir nosso corpo.
O caminho, então, é, seguramente, ser como Cristo. Lembremo-nos de que nosso Senhor verdadeiramente assumiu a condição humana. E isso significa que Ele tem um corpo. Em Jesus Cristo encontramos o ser humano perfeito e, assim, a medida de nossa busca. Para ser cristão, não é preciso destruir nosso corpo – isso seria suicídio.
É preciso equilibrar a corporalidade no nosso ser humano integral de acordo com o projeto de Deus. Isso se faz dando espaço para que o Espírito Santo estruture nossa personalidade de acordo com as feições do Filho, imagem perfeita do Pai. Em outras palavras, o Espírito Santo ilumina nossa razão e sustenta nossa vontade para que nosso espírito, por sua vez, comande o corpo. Ceder às paixões é deixar que o corpo dominasse nosso ser. Também isso é autodestrutivo.
Existem bons livros que tratam deste caminho. Seguramente, os Padres têm valiosas lições que nos podem auxiliar neste sentido. Encontrar um bom diretor espiritual também é preciosa ajuda nesta via.
Que a Santíssima Virgem Maria e S. João Clímaco intercedam por nós e nos ajudem a sermos o que Deus quer.
Fraterno abraço e até a próxima!

 

 

[1] BENTO XVI. São João Clímaco. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090211_po.html>.

SÃO JOÃO CLÍMACO, PROFUNDA COMUNHÃO COM DEUS E DESAPEGO TOTAL ÀS COISAS DO MUNDO – Por Fabiana Theodoro.

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Nesta semana falaremos sobre mais um Santo Padre do Oriente, São João chamado Clímaco (o termo vêm do grego Klimakos que significa Escada), nascido em 575 na Palestina [1], cuja ação missionária, humana e sociocultural sustentou a estrutura da Igreja em tempos muito difíceis, especialmente através da rede de mosteiros, em que trabalhavam grandes personalidades religiosas.
João entrou para o mosteiro com dezesseis anos, e com vinte decidiu viver como eremita, o que não significa que vivia em plena solidão, pois era muito procurado por jovens que queriam uma direção espiritual.
Seu livro mais importante, Escada se desenvolve através de trinta degraus, cada um dos quais está ligado ao seguinte. O caminho pode ser resumido em três fases sucessivas: a primeira se expressa na ruptura com o mundo, onde o essencial não é a ruptura, mas a ligação com aquilo que Jesus disse, ou seja, o regressar à verdadeira infância em sentido espiritual, o tornar-se como as crianças. João comenta: O desapego voluntário das pessoas e dos lugares queridos permite à alma entrar em comunhão mais profunda com Deus. Esta renúncia leva à obediência, que é o caminho para a humildade diante das humilhações que nunca faltarão por parte dos irmãos. […] Bem-aventurado aquele que mortificou a sua vontade até o fim e que confiou o cuidado da própria pessoa ao seu mestre, o Senhor: efetivamente, ele será colocado à direita do Crucificado!” (4, 37; 704) [2].
Uma pessoa dizer que não consegue mudar preocupa-nos muito, pois o ser humano não nasceu para contentar-se com o que é. Todos têm um longo caminho a percorrer para chegar até Deus, desviando-se das distrações oferecidas pelo mundo e voltando o olhar para o que é essencial. A vida, a dignidade humana e o amor ao próximo têm sido tratados como valores descartáveis pelo mundo, mas não o podem ser pelos cristãos. Crucificaram Jesus por defender esses mesmos valores, por romper as barreiras do preconceito, por colocar em “xeque” a hipocrisia dos chefes religiosos da época que distorciam os mandamentos de Deus e os usavam para seu próprio benefício.
Os grandes místicos reconheceram o essencial através de uma profunda intimidade com Deus, o que os remetia a abrir mão de tudo, até da própria vida.
A Igreja, ao longo dos tempos, sempre enfrentou momentos de crise, mas sempre houve pessoas valiosas que não a deixaram desmoronar e isso ocorre por uma única razão: a Igreja pertence a Cristo. Alguns teólogos acreditam que a tendência do Cristianismo é desaparecer, mas não acredito. Esse é o olhar da razão. Um olhar que não reconhece Jesus como o Filho de Deus e que não enxerga que a unidade da Igreja não vem dos homens, mas sim do próprio Deus através de Jesus por meio do Espírito Santo [3].
Bento XVI diz sabiamente que não precisamos de reformadores e sim de santos, ao contrário do mundo que quer marionetes seguindo as “tendências”, que se acomodem com a vida do jeito que é. Que aceitem o aborto como forma de “preservar o direito de escolha da mulher”. E para onde vai o essencial? Acaba tomando o lugar do que é supérfluo e vice-versa.
Já imaginou se Dona Emília, criando seus filhos sozinha enquanto o marido lutava na guerra, escolhesse abortar seu filho Karol, o Papa João Paulo II? Ou se aquela menina judia chamada Maria escolhesse não ter seu bebê porque não era filho de seu noivo José?
A santidade envolve dor e lágrimas cujo mundo não quer conformar-se mais.
O sofrimento faz parte de quem nós somos e quando chegarmos ao céu, Deus olhará cada cicatriz e dirá o quanto se orgulha por termos enfrentado com coragem todas as situações difíceis mesmo sem entender a razão. Isso se chama fé.
A nossa Igreja oferece todos os meios necessários para o cultivo da nossa fé e nossa santificação: a Confissão, a Eucaristia e os outros Sacramentos, o exemplo dos Santos, a Comunidade enfim tudo o que é sagrado. Tristes os que não têm ajuda como nós católicos temos, afinal ninguém é santo sozinho e só quem está no caminho sabe o quanto é difícil ser santo.
Termino com um dos Pensamentos de São João Clímaco para que meditem durante a semana.

“Aqueles cujo espírito aprendeu a orar, na verdade falam ao Senhor face a face,
como os que falam ao ouvido do imperador;
aqueles cuja boca ora, fazem lembrar os que se prostram diante do imperador,
na presença de toda corte.
Os que vivem no mundo são os que dirigem sua súplica ao imperador,
na balbúrdia de todo povo”. [4]

 
[1] BENTO XVI. São João Clímaco. disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090211_po.html>.
[2] idem
[3] BENTO XVI, Jesus de Nazaré, cap. IV.
[4] Pensamentos de São João Clímaco, disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/hagiografia/s_joao_climaco.html>.