Nesta semana falaremos sobre mais um Santo Padre do Oriente, São João chamado Clímaco (o termo vêm do grego Klimakos que significa Escada), nascido em 575 na Palestina [1], cuja ação missionária, humana e sociocultural sustentou a estrutura da Igreja em tempos muito difíceis, especialmente através da rede de mosteiros, em que trabalhavam grandes personalidades religiosas.
João entrou para o mosteiro com dezesseis anos, e com vinte decidiu viver como eremita, o que não significa que vivia em plena solidão, pois era muito procurado por jovens que queriam uma direção espiritual.
Seu livro mais importante, Escada se desenvolve através de trinta degraus, cada um dos quais está ligado ao seguinte. O caminho pode ser resumido em três fases sucessivas: a primeira se expressa na ruptura com o mundo, onde o essencial não é a ruptura, mas a ligação com aquilo que Jesus disse, ou seja, o regressar à verdadeira infância em sentido espiritual, o tornar-se como as crianças. João comenta: O desapego voluntário das pessoas e dos lugares queridos permite à alma entrar em comunhão mais profunda com Deus. Esta renúncia leva à obediência, que é o caminho para a humildade diante das humilhações que nunca faltarão por parte dos irmãos. […] Bem-aventurado aquele que mortificou a sua vontade até o fim e que confiou o cuidado da própria pessoa ao seu mestre, o Senhor: efetivamente, ele será colocado à direita do Crucificado!” (4, 37; 704) [2].
Uma pessoa dizer que não consegue mudar preocupa-nos muito, pois o ser humano não nasceu para contentar-se com o que é. Todos têm um longo caminho a percorrer para chegar até Deus, desviando-se das distrações oferecidas pelo mundo e voltando o olhar para o que é essencial. A vida, a dignidade humana e o amor ao próximo têm sido tratados como valores descartáveis pelo mundo, mas não o podem ser pelos cristãos. Crucificaram Jesus por defender esses mesmos valores, por romper as barreiras do preconceito, por colocar em “xeque” a hipocrisia dos chefes religiosos da época que distorciam os mandamentos de Deus e os usavam para seu próprio benefício.
Os grandes místicos reconheceram o essencial através de uma profunda intimidade com Deus, o que os remetia a abrir mão de tudo, até da própria vida.
A Igreja, ao longo dos tempos, sempre enfrentou momentos de crise, mas sempre houve pessoas valiosas que não a deixaram desmoronar e isso ocorre por uma única razão: a Igreja pertence a Cristo. Alguns teólogos acreditam que a tendência do Cristianismo é desaparecer, mas não acredito. Esse é o olhar da razão. Um olhar que não reconhece Jesus como o Filho de Deus e que não enxerga que a unidade da Igreja não vem dos homens, mas sim do próprio Deus através de Jesus por meio do Espírito Santo [3].
Bento XVI diz sabiamente que não precisamos de reformadores e sim de santos, ao contrário do mundo que quer marionetes seguindo as “tendências”, que se acomodem com a vida do jeito que é. Que aceitem o aborto como forma de “preservar o direito de escolha da mulher”. E para onde vai o essencial? Acaba tomando o lugar do que é supérfluo e vice-versa.
Já imaginou se Dona Emília, criando seus filhos sozinha enquanto o marido lutava na guerra, escolhesse abortar seu filho Karol, o Papa João Paulo II? Ou se aquela menina judia chamada Maria escolhesse não ter seu bebê porque não era filho de seu noivo José?
A santidade envolve dor e lágrimas cujo mundo não quer conformar-se mais.
O sofrimento faz parte de quem nós somos e quando chegarmos ao céu, Deus olhará cada cicatriz e dirá o quanto se orgulha por termos enfrentado com coragem todas as situações difíceis mesmo sem entender a razão. Isso se chama fé.
A nossa Igreja oferece todos os meios necessários para o cultivo da nossa fé e nossa santificação: a Confissão, a Eucaristia e os outros Sacramentos, o exemplo dos Santos, a Comunidade enfim tudo o que é sagrado. Tristes os que não têm ajuda como nós católicos temos, afinal ninguém é santo sozinho e só quem está no caminho sabe o quanto é difícil ser santo.
Termino com um dos Pensamentos de São João Clímaco para que meditem durante a semana.

“Aqueles cujo espírito aprendeu a orar, na verdade falam ao Senhor face a face,
como os que falam ao ouvido do imperador;
aqueles cuja boca ora, fazem lembrar os que se prostram diante do imperador,
na presença de toda corte.
Os que vivem no mundo são os que dirigem sua súplica ao imperador,
na balbúrdia de todo povo”. [4]

 
[1] BENTO XVI. São João Clímaco. disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090211_po.html>.
[2] idem
[3] BENTO XVI, Jesus de Nazaré, cap. IV.
[4] Pensamentos de São João Clímaco, disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/hagiografia/s_joao_climaco.html>.

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