Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs sejam sempre muito bem vindos ao CommunioSCJ! Nossa viagem em companhia do Papa Bento XVI pela história da Igreja continua e, assim, temos a oportunidade de nos achegarmos à figura de S. Beda (672/3-735), monge inglês que, devido à sua grande fama de santidade recebeu o epíteto de “o Venerável” [1].
Deste grande santo, podemos colher reflexões importantes: desde seu método de leitura da Sagrada Escritura, até seu grande interesse pela história da Igreja e pela catequese mistagógica na Liturgia… Quero, porém, deter-me no seguinte. Segundo Bento XVI “São Beda vê crescer a universalidade da Igreja, que não é limitada a uma determinada cultura, mas compõe-se de todas as culturas do mundo que devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada”.
Temos aqui um dado que, para nós, brasileiros, em nossos dias, precisa ser objeto de nossa reflexão. Se, por um lado, é justo notarmos que a unidade da Igreja não depende da uniformidade, mas, pelo contrário, manifesta-se em sua pluralidade [2], é igualmente importante notarmos que as culturas do mundo devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada.
Ora, entendendo cultura como modo de viver, expressão da existência humana, é lógico que toda cultura tende à verdade e, portanto, se são verdadeiramente culturas, devem abrir-se a Cristo (Verdade em Si mesma) e ter n’Ele (ser humano pleno) seu ponto de chegada.
Intriga-me, porém, o fato de encontrar cada vez menos espaço para Jesus Cristo em nossa sociedade. Explico: há cada vez menos espaço para qualquer opinião que esteja em relação direta com o cristianismo. Ao lado de uma abertura incoerente a todas as formas de irracionalidade, a racionalidade da fé é rejeitada como fundamentalismo, obscurantismo, intransigência, retrocesso…
Em outras palavras, posso acreditar em qualquer coisa, viver como quero, desde que não seja crer com a Igreja católica e viver de acordo com o que a mesma Igreja orienta. Há um tipo de totalitarismo ateu e relativista mascarado de liberdade do Estado laico. Esquece-se toda a contribuição da Igreja à nação pela exaltação de um novo modelo social que nem seus adeptos conseguem definir… Seguindo o critério de S. Beda, se esta nova forma de viver, esta nova cultura que está sendo implementada diante de nossos olhos fosse, de fato, uma cultura, ela estaria naturalmente aberta a Cristo. Não é o que parece. Será mesmo que este “movimento” nos levará a uma sociedade melhor?
Que a intercessão de S. Beda e da Santíssima Virgem nos ajudem a ver a realidade (a nossa e a de nossa sociedade) e, vendo, transformá-la à Luz do Evangelho.
Abraço e prece! Até a próxima.

 

 
[1] BENTO XVI. São Beda, o Venerável. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090218_po.html>.
[2] A unidade da Igreja se dá visivelmente pela comunhão de fé, sacramentos e governo. Ainda que haja diversas expressões teológicas legítimas, a fé católica é a mesma. Ainda que existam diversos ritos, os sacramentos são os mesmos. Ainda que existam diversas formas de organização, o regime de comunhão episcopal (com o Santo Padre como cabeça) é um só. A uniformidade, por sua inflexibilidade intrínseca, levaria fatalmente a divisões.