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“OS CRENTES FORTIFICAM-SE ACREDITANDO” (Sto. Agostinho) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Sejam todos, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, iniciamos nossa preparação para vivermos bem o ano da fé que começará no próximo dia 11 de outubro com a ajuda da Carta Apostólica Porta Fidei [1].

Quero, para tanto, neste texto, propor uma reflexão acerca da fé em si mesma. Ultrapassando o campo da fé como atitude habitual do ser humano diante do corriqueiro [2], ponho a questão: o que é a fé? O que significa crer em Deus?

Neste caminho, será preciso distinguir os três aspectos que compõem o ato de crer. O primeiro é o objeto ou conteúdo da fé (fides quae – as realidades nas quais se crê; a Revelação cristã). O segundo aspecto é a fé com a qual se crê (fides qua), ou seja, o ato ou assentimento da fé. E, por fim, o motivo pelo qual se crê (fides cui), em outras palavras, a pessoa que traz a Revelação.

Dentro deste complexo, percebe-se que a ação de Deus perpassa os três aspectos. Pois é Deus mesmo quem se revela plenamente em Jesus Cristo. É Ele quem abre, pelo Espírito Santo, o coração humano às verdades reveladas e sustenta, com Sua graça, o assentimento livre da vontade às verdades conhecidas. Mais: é o Espírito quem nos sustenta na vida impulsionada pela fé.

Quero, porém, destacar, que, para ter fé, é preciso escolher – se trata de um ato de liberdade [3]. Crer é arriscar-se; é embarcar numa aventura. É entrar num processo de liberdade interior que só terminará com a morte. Enfim, só quem entra nesta barca pode dizer o que é fazer parte da Igreja.

“Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (Porta Fidei, n. 7).

Que este ano da fé nos ajude a aprofundarmos a adesão e a vivência de nossa fé. Você também é convidado a juntar-se a nós nesta aventura.

Que a Virgem Maria, bem aventurada porque acreditou (cf. Lc 1,45), nos ajude neste caminho!

Fraterno abraço, até breve!

 

 

 

[1] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

[2] A “fé corriqueira” como a chamo aqui, se refere à confiança habitual que temos, muitas vezes inconscientemente, ao realizar os mais simples atos cotidianos. Por exemplo, quando nos alimentamos, pelo fato (ou na hipótese) de não termos preparado a comida, cremos que ela foi bem preparada (sem nenhuma substância tóxica) e, portanto, não nos fará mal. Por isso, comemos sem receio. Sem esta atitude básica de confiança, a vida seria obviamente insuportável.

[3] “Sendo assim, a palavrinha ‘credo’ encerra uma opção fundamental face à realidade como tal, não conotando apenas a constatação disso ou daquilo, mas apresentando-se como uma forma fundamental de comportamento para com o ser, para com a existência, para com o que é próprio da realidade, para com a sua globalidade. Trata-se de uma opção que considera o invisível, o absolutamente incapaz de alcançar o campo visual, não como o irreal, mas, pelo contrário, como o real propriamente dito, que representa o fundamento e a possibilidade da restante realidade. É a opção de aceitar esse algo que possibilite a realidade restante a proporcionar ao homem uma existência verdadeiramente humana, a torná-lo possível como homem e como ser humano. Dito ainda em outros termos: fé significa o decidir-se por um ponto no âmago da existência humana, o qual é incapaz de ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca a orla do invisível de modo a torná-lo tangível e a revelar-se como uma necessidade para a existência humana”. (RATZINGER, Josef. Introdução ao Cristianismo. São Paulo: Herder, 1970, p.15).

A ESSÊNCIA DA FÉ NÃO MUDA, SE RENOVA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos! Senti muitas saudades de nossas reflexões, mas era necessário esse tempo de ausência para preparar a nova fase do blog, onde nos prepararemos juntos para o Ano da Fé que se inicia em onze de outubro deste ano. Para isso, trabalharemos a Carta Apostólica Porta Fidei escrita pelo Papa Bento XVI para esse tempo de preparação.

Os católicos vivem um profundo período de crise em todo o mundo. Este é um período onde se vive “afrouxando” realidades dentro de um relativismo extremamente perigoso para a sociedade, causando a crise na família e consequentemente, nas escolas e na política. Preocupado com essa realidade e com a deturpação da mensagem de Cristo, o Papa estabeleceu o Ano da Fé.

Mas, por que proclamar um Ano da Fé, justamente no cinquentenário do Concílio Vaticano II?

“Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, ‘não perdem o seu valor nem a sua beleza’. […] Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: ‘Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja'” [1], escreve Bento XVI.

Desde que assumiu a cátedra de Pedro em 2005, o Papa Bento sentiu a necessidade de estabelecer a hermenêutica da continuidade. Após o Concílio Vaticano II, havia o sentimento de divisão dentro da Igreja, o período pré e pós-conciliar, uma ruptura como já se fez entre o Novo e o Antigo Testamento, alguns acreditaram que se estabeleceria uma “Nova Igreja”. Mas, na verdade, o Concílio veio afirmar as mesmas verdades, mas de um modo diferente, de acordo com a necessidade de evangelização da sociedade moderna.

O Papa, com a Porta da Fé, exorta a todos os fiéis a interpretarem o Vaticano II como uma continuidade dos outros vinte concílios que o precederam, complementando-se, assim como o Antigo e o Novo Testamento, cuja atualidade da mensagem não muda através dos tempos, e que mesmo sendo imutável, não se torna obsoleta ou antiquada, é uma mensagem sempre nova.

Neste ano também se comemora o vigésimo aniversário do Catecismo da Igreja Católica, instrumento essencial para o Ano da Fé. “Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica”, escreveu o Beato João Paulo II. (Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992) [2].

Bento XVI nos pede que, neste ano especialmente, reflitamos sobre o Catecismo, sobre a essência da nossa fé, único caminho seguro para Jesus Cristo. À luz do Catecismo, compreenderemos melhor o conteúdo das mensagens de Deus contidas nas escrituras sagradas.

Que nós sejamos instrumentos dessa nova evangelização que nos guiará para uma nova maneira de proclamar nossa fé e nosso amor por Jesus Cristo. Que esse desafio faça de nós católicos mais fiéis, mais corajosos e mais entusiasmados capazes de testemunhar e contagiar aqueles que decidiram se afastar da mais verdadeira e mais profunda razão do nosso existir: o amor de Deus. Este Deus que jamais fecha as portas para quem decide segui-lo.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

Pe. PAULO RICARDO. Introdução ao Catecismo da Igreja Católica e o Ano da Fé. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/aulas/introducao-ao-catecismo-da-igreja-catolica-e-o-ano-da-fe>.

[1] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html#_ftnref3>.

[2] Idem.

UM NOVO TEMPO NO COMMUNIOSCJ – BEM VINDOS! – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

Irmãos e irmãs em Cristo, é com muita alegria e confiança em Jesus Cristo, nosso Senhor, que lhes acolho a todos nesta segunda fase do CommunioSCJ!

Por mais de um ano, junto ao Santo Padre Bento XVI, visitamos os Padres da Igreja desde Clemente Romano (…97) até S. João Damasceno (…749). Ou seja, através das grandes figuras da primeira era pós-apostólica, acompanhamos o desenvolvimento e consolidação da Igreja.

Agora, como antes, em comunhão com o Papa Bento XVI, queremos nos dedicar ao aprofundamento da nossa fé estudando o Catecismo da Igreja Católica. Esse é justamente o desejo expresso do Papa ao proclamar um Ano da Fé que terá início no próximo dia 11 de outubro e terminará no dia 24 de novembro de 2013.

Este Ano da Fé foi proclamado na ocasião da celebração do cinquentenário de abertura do Concílio Vaticano II e vinte anos da publicação do já referido Catecismo. Ambos são muito citados, mas pouco conhecidos. Por isso, queremos dar nossa contribuição, mesmo que pequena, para propagar a fé da Igreja como ela mesma nos ensina.

Por isso, durante o Ano da Fé, nos dedicaremos à primeira parte do Catecismo que versa sobre a Profissão de Fé. Nossos textos terão a intenção de provocar a leitura dos textos em sua própria fonte, ou seja, o próprio Catecismo. Cremos que, para vivermos e amarmos mais e melhor como cristãos, precisamos conhecer a Fé que nos foi revelada.

Antes, porém, com calma, nos dedicaremos ao texto da Carta Apostólica Porta Fidei, com a qual o Papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé. Assim, a partir da próxima semana, vocês encontrarão aqui novos textos para meditação e aprofundamento.

Este ano que passou foi além de nossas expectativas. E, por isso, somos muito gratos a Deus e a cada um que fez parte do CommunioSCJ. Mais que antes, contamos com a companhia de cada um nesta nova empreitada. E, enfim, rogamos ao Senhor do Universo que nos conduza a bom termo pelo caminho que nos inspirou.

Que a Santíssima Virgem, mãe de Deus e nossa, sob o título de Nossa Senhora Rainha, que hoje celebramos, nos acompanhe com sua intercessão.

Fraterno abraço! Até a próxima.

 

 

BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

“NADA DO QUE DEUS FEZ É DESPREZÍVEL” (S. João Damasceno) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Sejam todos, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ! Nossa viagem pelos Padres da Igreja vai chegando ao fim. Mas, junto com o Santo Padre Bento XVI, temos ainda a oportunidade de nos aproximarmos de mais um Doutor da Igreja: S. João Damasceno, um grande monge, defensor da ortodoxia que viveu no início do século VIII [1].

Em sua defesa às santas imagens, S. João acentua a bondade da matéria, enquanto criada, assumida e redimida por Deus. Para ele, a bondade da matéria fica evidente sobretudo na Encarnação, nos Sacramentos e na inabitação [2].

Percebemos, assim, que o Cristianismo não é uma religião dualista, que contrapõe o espírito à matéria, ou espiritualista. Por outro lado, não se trata de um modo de vida materialista ou imanentista. É preciso, então, também neste ponto, buscar o equilíbrio.

Este equilíbrio tem ao menos dois pontos aos quais precisamos dar atenção urgentemente. O primeiro deles é um ecologismo, muito em voga hoje em dia. Parece que o ser humano tornou-se um intruso na criação. Não mais se vê o ser humano como ápice da criação, aquele que administra os dons de Deus, sob Sua Lei, mas como algo nocivo ao planeta. A inversão de valores é flagrante: chora-se por qualquer cão ou árvore, mas promove-se, ao mesmo tempo, o aborto e o uso das drogas.

Há, além disso, um grande esforço para transformar a Igreja numa espécie de grande ONG. Como se a função da Igreja fosse acabar com os problemas do mundo e nossa felicidade estivesse nesta vida. É evidente que, neste mundo, bem e mal sempre coexistirão. É assim com cada um de nós. Com as sociedades da mesma forma. Em outras palavras, esta vida não tem seu fim em si mesma: estamos aqui para aprender a amar e, assim, encontrarmos o Caminho que leva ao céu.

É claro que este Caminho se faz com mudança de atitude: nos abrimos a Deus, dobramos nossa vontade diante da d’Ele, que, assim nutre nosso ser, de tal forma que podemos ser pessoas novas – sim, a conversão do coração é possível! Nas palavras de Bento XVI: “Deus quer descansar em nós, deseja renovar a natureza também através da nossa conversão, quer fazer-nos participar da sua divindade”.

Que a Santíssima Virgem e S. João Damasceno nos ajudem neste caminho!

Abraço fraterno! Até a próxima!

 

 

[1] BENTO XVI. São João Damasceno, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090506_po.html>.

[2] Por inabitação (in+habitação) entendemos a presença de Deus na pessoa humana pelo ES.

DEUS DIGNOU-SE A SER MATÉRIA PARA QUE PUDÉSSEMOS SER SALVOS, ENTÃO COMO NÃO VENERÁ-LA? – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Nesta semana, refletiremos sobre São João Damasceno, pensador de primeira grandeza da teologia bizantina e grande doutor da Igreja oriental.

Nasceu por volta de 659, em uma família rica, mas, ainda jovem, insatisfeito com sua vida, se retirou para um mosteiro onde amadureceu sua vocação e de lá jamais saiu. Dedicou-se à ascese, ao trabalho pastoral e escreveu homilias primordiais para a defesa da veneração das imagens. Foi um dos primeiros a diferenciar, em suas pregações para o público, veneração e adoração.

Entre seus escritos destacam-se os Discursos contra aqueles que caluniam as santas imagens, que foram condenados pelos iconoclastas após sua morte, sendo abandonados por quase trinta anos. No segundo Concílio de Nicéia, em 787, os seus textos foram retomados por Padres que rediscutiam o problema, o que conferiu a ele o reconhecimento e a canonização.

Damasceno escrevia: “Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. (Contra imaginum calumniatores, I, 16, ed. Kotter, pp. 89-90).

Em suas obras, João também fala da importância de Maria para a história da Igreja e da Salvação, fornecendo a base para muitas das afirmações do seu lugar no mistério da redenção do homem que mais tarde vieram a efetuar-se. Damasceno proclama Maria “rainha, protetora e senhora” (Homilia in Dormitionem B.M. V: PG 96, 719A.) e também: “senhora de todas as criaturas” (Id., De fide orthodoxa, I, IV, c.14: PG 44,1158B).

Como negar a importância da mulher que Deus escolheu para gerar seu filho amado? Como adorar o filho e não respeitar a mãe?

Maria não é uma mulher ou imagem qualquer, ela é símbolo de toda Igreja, sinal da humanidade de Deus, que se confiou aos seus cuidados humilhando-se, aprendendo a ser homem nas suas delicadas e frágeis mãos. Será que Ele escolheria qualquer mulher?

A influência de Damasceno na Idade Média foi enorme, e pode mesmo dizer-se que a intuição de base do Dogma da Assunção Corporal de Nossa Senhora ao céu está já presente na obra do Damasceno [1]. Ele é, portanto, um testemunho privilegiado do culto dos ícones, um dos aspectos mais distintivos da teologia e da espiritualidade orientais até hoje [2].

Que S. João Damasceno e Maria, mãe da Igreja, nos guiem sempre em direção a Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, para que possamos, um dia, nos juntar a eles no céu. Amém.

 

 

Recomendo:

BENTO XVI. São João Damasceno, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090506_po.html>.

PAPA PIO XII. Ad Caeli Regina, Sobre a Realeza de Maria. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html>.

 

 

[1] S. JOÃO DAMASCENO. Homilias sobre a natividade de Maria. Disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_damasceno_homilia_sobre_a_natividade_de_maria.html>.

[2] Idem.

AMAR A IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,
Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs, sejam sempre bem vindos ao CommunioSCJ. Estamos quase no fim do percurso junto aos Padres da Igreja e, então, junto ao Santo Padre Bento XVI, temos a oportunidade de nos achegarmos ao Patriarca Germano de Constantinopla, defensor intrépido do emprego legítimo dos ícones cristãos [1].
Esta figura traz a oportunidade de refletirmos sobre diversas realidades: o culto dos ícones [2]; a beleza da Liturgia; a figura da Virgem Maria… Quero, porém, deter-me num aspecto em que o testemunho deste Patriarca pode iluminar nossa escala de valores.
Quando o imperador Leão III investiu contra os ícones, Germano de Constantinopla, patriarca – e, portanto, como bispo, pastor daquela Igreja – exortou o imperador a fim de tirá-lo do erro e, diante da intransigência do mesmo, permaneceu firme na fé católica. Creio que seu exemplo é luz para nós, pois ele preferiu ser fiel à sua consciência e à Igreja do que capitular em favor do poder político.
Nossos tempos podem não ter os contornos dramáticos de então, mas nós precisamos ter a mesma firmeza de Germano, se não quisermos capitular no exercício da vida cristã – seja diante das nossas limitações, do mundo ou do Inimigo. É preciso amar mais a Deus e Sua santa Igreja do que nossas pobres opiniões, um partido político, uma ideologia ou uma utopia.
Em particular, precisaremos amar mais a Deus e à Igreja do que nossa própria boa-fama ou autoimagem. Em outras palavras, é preciso, antes de agradar aos homens, agradar a Deus (cf. At 5,29).
Num país como o nosso, onde o Estado sucumbe diante de uma ideologia perniciosa, preferindo seus iníquos interesses à vontade expressa e aos valores da nação, precisamos saber escolher o certo e abandonar o que é errado; escolher o justo e abandonar a injustiça. Ainda que, por isso, sejamos menos considerados por todos.
Amar a Deus é amar a Igreja, porque ela é fruto de seu libérrimo desígnio. Amar a Igreja significa empreender um caminho de conversão pessoal e de comunhão com Deus e com os irmãos.
Amor não é sentimento: é decisão. Para amar a Igreja, então, esforcemo-nos para conhecer sua doutrina e moral. Abramo-nos para nos formar por ela. E, enfim, coloquemo-nos à disposição para o serviço dela, preferindo estar com ela a traí-la para ter uma vida tranquila sobre a terra.
Que a intercessão da santíssima Virgem e o exemplo de Germano de Constantinopla nos ajudem a amar, cada dia mais, a Igreja.
Fraterno abraço a todos! Até a próxima.

 
[1] BENTO XVI. Patriarca Germano de Constantinopla. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090429_po.html>.
[2] Já refletido por Fabiana Theodoro em Ícones sagrados: idolatria dos católicos? Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2012/08/01/icones-sagrados-idolatria-dos-catolicos-por-fabiana-theodoro/>.

ÍCONES SAGRADOS: IDOLATRIA DOS CATÓLICOS? – Por Fabiana Theodoro

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Olá, amigos!
O Patriarca Germano de Constantinopla, sobre o qual refletiremos hoje, não pertence aos grandes pensadores ou às figuras mais representativas do mundo cristão oriental de língua grega, mas foi um dos grandes defensores das imagens sagradas. Desempenhou um papel significativo na complexa história da luta pelas imagens, durante a chamada crise iconoclasta, sabendo resistir validamente às pressões de um Imperador iconoclasta, ou seja, adversário dos ícones, como foi Leão III [1].
Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio Ecumênico, celebrado em Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: de Cristo, e também da Mãe de Deus, anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova “economia” das imagens. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, “a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original” e “quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada”. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só a Deus se deve [2].
Durante o patriarcado de Germano (715-730), Constantinopla sofreu um perigosíssimo assédio por parte dos Sarracenos. Naquela ocasião (717-718) foi organizada uma solene procissão na cidade com a exposição da imagem da Mãe de Deus, a Theotokos, e da relíquia da Santa Cruz, para invocar do Alto a defesa da cidade. De fato, Constantinopla foi libertada do assédio. Os adversários desistiram para sempre da ideia de estabelecer a sua capital na cidade-símbolo do império cristão e o reconhecimento pela ajuda divina foi extremamente grande no povo. Mesmo assim, o imperador mostrou-se irredutível na intenção de destruir todos os ícones da cidade, alegando a idolatria do povo. Germano não se submeteu à vontade do rei, pois considerava a devoção aos ícones sagrados uma parte determinante da fé ortodoxa, então deixou o patriarcado e se auto-condenou ao exílio em um mosteiro, no qual morreu esquecido por quase todos [3].
A idolatria consiste em colocar alguém ou alguma coisa no lugar de Deus, não necessariamente uma imagem, mas tudo o que rouba a adoração que deve ser prestada apenas a Deus. No caso de católicos que esquecem que os santos são “setas” que apontam para Deus, que somente Deus é Deus e colocam sua confiança apenas nas imagens, cuidado! Pois desconhecem a verdade do Catolicismo e dessa verdade são contra-testemunho.
Muitos “ex-católicos” afirmam ter mudado de religião porque a Bíblia proíbe que se façam imagens, entretanto há também passagens em que Deus pede que se façam imagens, como em Ex 25,18: “Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório” ou em Nm 21,8-9: “Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e todo mordido que olhar para ela viverá”.
Quem considera os católicos idólatras distorce a Palavra de Deus, desconhece o Catecismo e nunca foi realmente católico. São pessoas que não compreendem a diferença entre venerar e adorar: Venerar é respeitar, fazer memória, reverenciar; Adorar é prestar culto.
Ajoelhar-se diante das imagens, ou melhor, dos ícones sagrados é uma atitude de respeito, àqueles que estão mais próximos de Deus, é reconhecer neles o modelo de virtude que conduziu a Deus e que pode nos conduzir também.
Cuidado com as diversas tentativas que nos são impostas pela sociedade de banalizar o sagrado, pois se perdem também as principais referências que nos aproxima de Deus e nos distancia dos animais. Quer maior banalização do sagrado do que a descriminalização do aborto, violando-se o maior valor e o direito mais sagrado que é a vida, mesmo sabendo que a maioria absoluta do país é contra?
Que os nossos valores e a nossa devoção ao sagrado não se percam em meio a tantas investidas dos inimigos de Deus e que, a exemplo de São Germano possamos buscar nos ícones sagrados o impulso necessário para chegarmos ao céu, onde, os santos, por eles representados, já estão. Amém.
Abençoada semana a todos!

 

 

[1] BENTO XVI. Patriarca Germano de Constantinopla. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090429_po.html>.
[2] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA § 2431 e 2432.
[3] BENTO XVI. Patriarca Germano de Constantinopla.

 

Recomendo:
LIMA, Alessandro. Os católicos adoram os santos? Disponível em: <http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=2937>.
AZEVEDO JÚNIOR, Pe. Paulo Ricardo. Culto aos santos e às imagens. disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/culto-aos-santos-e-suas-imagens>.