Olá, amigos!
O Patriarca Germano de Constantinopla, sobre o qual refletiremos hoje, não pertence aos grandes pensadores ou às figuras mais representativas do mundo cristão oriental de língua grega, mas foi um dos grandes defensores das imagens sagradas. Desempenhou um papel significativo na complexa história da luta pelas imagens, durante a chamada crise iconoclasta, sabendo resistir validamente às pressões de um Imperador iconoclasta, ou seja, adversário dos ícones, como foi Leão III [1].
Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio Ecumênico, celebrado em Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: de Cristo, e também da Mãe de Deus, anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova “economia” das imagens. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, “a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original” e “quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada”. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só a Deus se deve [2].
Durante o patriarcado de Germano (715-730), Constantinopla sofreu um perigosíssimo assédio por parte dos Sarracenos. Naquela ocasião (717-718) foi organizada uma solene procissão na cidade com a exposição da imagem da Mãe de Deus, a Theotokos, e da relíquia da Santa Cruz, para invocar do Alto a defesa da cidade. De fato, Constantinopla foi libertada do assédio. Os adversários desistiram para sempre da ideia de estabelecer a sua capital na cidade-símbolo do império cristão e o reconhecimento pela ajuda divina foi extremamente grande no povo. Mesmo assim, o imperador mostrou-se irredutível na intenção de destruir todos os ícones da cidade, alegando a idolatria do povo. Germano não se submeteu à vontade do rei, pois considerava a devoção aos ícones sagrados uma parte determinante da fé ortodoxa, então deixou o patriarcado e se auto-condenou ao exílio em um mosteiro, no qual morreu esquecido por quase todos [3].
A idolatria consiste em colocar alguém ou alguma coisa no lugar de Deus, não necessariamente uma imagem, mas tudo o que rouba a adoração que deve ser prestada apenas a Deus. No caso de católicos que esquecem que os santos são “setas” que apontam para Deus, que somente Deus é Deus e colocam sua confiança apenas nas imagens, cuidado! Pois desconhecem a verdade do Catolicismo e dessa verdade são contra-testemunho.
Muitos “ex-católicos” afirmam ter mudado de religião porque a Bíblia proíbe que se façam imagens, entretanto há também passagens em que Deus pede que se façam imagens, como em Ex 25,18: “Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório” ou em Nm 21,8-9: “Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e todo mordido que olhar para ela viverá”.
Quem considera os católicos idólatras distorce a Palavra de Deus, desconhece o Catecismo e nunca foi realmente católico. São pessoas que não compreendem a diferença entre venerar e adorar: Venerar é respeitar, fazer memória, reverenciar; Adorar é prestar culto.
Ajoelhar-se diante das imagens, ou melhor, dos ícones sagrados é uma atitude de respeito, àqueles que estão mais próximos de Deus, é reconhecer neles o modelo de virtude que conduziu a Deus e que pode nos conduzir também.
Cuidado com as diversas tentativas que nos são impostas pela sociedade de banalizar o sagrado, pois se perdem também as principais referências que nos aproxima de Deus e nos distancia dos animais. Quer maior banalização do sagrado do que a descriminalização do aborto, violando-se o maior valor e o direito mais sagrado que é a vida, mesmo sabendo que a maioria absoluta do país é contra?
Que os nossos valores e a nossa devoção ao sagrado não se percam em meio a tantas investidas dos inimigos de Deus e que, a exemplo de São Germano possamos buscar nos ícones sagrados o impulso necessário para chegarmos ao céu, onde, os santos, por eles representados, já estão. Amém.
Abençoada semana a todos!

 

 

[1] BENTO XVI. Patriarca Germano de Constantinopla. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090429_po.html>.
[2] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA § 2431 e 2432.
[3] BENTO XVI. Patriarca Germano de Constantinopla.

 

Recomendo:
LIMA, Alessandro. Os católicos adoram os santos? Disponível em: <http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=2937>.
AZEVEDO JÚNIOR, Pe. Paulo Ricardo. Culto aos santos e às imagens. disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/culto-aos-santos-e-suas-imagens>.

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