Olá, amigos!

Nesta semana, refletiremos sobre São João Damasceno, pensador de primeira grandeza da teologia bizantina e grande doutor da Igreja oriental.

Nasceu por volta de 659, em uma família rica, mas, ainda jovem, insatisfeito com sua vida, se retirou para um mosteiro onde amadureceu sua vocação e de lá jamais saiu. Dedicou-se à ascese, ao trabalho pastoral e escreveu homilias primordiais para a defesa da veneração das imagens. Foi um dos primeiros a diferenciar, em suas pregações para o público, veneração e adoração.

Entre seus escritos destacam-se os Discursos contra aqueles que caluniam as santas imagens, que foram condenados pelos iconoclastas após sua morte, sendo abandonados por quase trinta anos. No segundo Concílio de Nicéia, em 787, os seus textos foram retomados por Padres que rediscutiam o problema, o que conferiu a ele o reconhecimento e a canonização.

Damasceno escrevia: “Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. (Contra imaginum calumniatores, I, 16, ed. Kotter, pp. 89-90).

Em suas obras, João também fala da importância de Maria para a história da Igreja e da Salvação, fornecendo a base para muitas das afirmações do seu lugar no mistério da redenção do homem que mais tarde vieram a efetuar-se. Damasceno proclama Maria “rainha, protetora e senhora” (Homilia in Dormitionem B.M. V: PG 96, 719A.) e também: “senhora de todas as criaturas” (Id., De fide orthodoxa, I, IV, c.14: PG 44,1158B).

Como negar a importância da mulher que Deus escolheu para gerar seu filho amado? Como adorar o filho e não respeitar a mãe?

Maria não é uma mulher ou imagem qualquer, ela é símbolo de toda Igreja, sinal da humanidade de Deus, que se confiou aos seus cuidados humilhando-se, aprendendo a ser homem nas suas delicadas e frágeis mãos. Será que Ele escolheria qualquer mulher?

A influência de Damasceno na Idade Média foi enorme, e pode mesmo dizer-se que a intuição de base do Dogma da Assunção Corporal de Nossa Senhora ao céu está já presente na obra do Damasceno [1]. Ele é, portanto, um testemunho privilegiado do culto dos ícones, um dos aspectos mais distintivos da teologia e da espiritualidade orientais até hoje [2].

Que S. João Damasceno e Maria, mãe da Igreja, nos guiem sempre em direção a Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, para que possamos, um dia, nos juntar a eles no céu. Amém.

 

 

Recomendo:

BENTO XVI. São João Damasceno, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090506_po.html>.

PAPA PIO XII. Ad Caeli Regina, Sobre a Realeza de Maria. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html>.

 

 

[1] S. JOÃO DAMASCENO. Homilias sobre a natividade de Maria. Disponível em: <http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_damasceno_homilia_sobre_a_natividade_de_maria.html>.

[2] Idem.