Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Sejam todos, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Nesta semana, iniciamos nossa preparação para vivermos bem o ano da fé que começará no próximo dia 11 de outubro com a ajuda da Carta Apostólica Porta Fidei [1].

Quero, para tanto, neste texto, propor uma reflexão acerca da fé em si mesma. Ultrapassando o campo da fé como atitude habitual do ser humano diante do corriqueiro [2], ponho a questão: o que é a fé? O que significa crer em Deus?

Neste caminho, será preciso distinguir os três aspectos que compõem o ato de crer. O primeiro é o objeto ou conteúdo da fé (fides quae – as realidades nas quais se crê; a Revelação cristã). O segundo aspecto é a fé com a qual se crê (fides qua), ou seja, o ato ou assentimento da fé. E, por fim, o motivo pelo qual se crê (fides cui), em outras palavras, a pessoa que traz a Revelação.

Dentro deste complexo, percebe-se que a ação de Deus perpassa os três aspectos. Pois é Deus mesmo quem se revela plenamente em Jesus Cristo. É Ele quem abre, pelo Espírito Santo, o coração humano às verdades reveladas e sustenta, com Sua graça, o assentimento livre da vontade às verdades conhecidas. Mais: é o Espírito quem nos sustenta na vida impulsionada pela fé.

Quero, porém, destacar, que, para ter fé, é preciso escolher – se trata de um ato de liberdade [3]. Crer é arriscar-se; é embarcar numa aventura. É entrar num processo de liberdade interior que só terminará com a morte. Enfim, só quem entra nesta barca pode dizer o que é fazer parte da Igreja.

“Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (Porta Fidei, n. 7).

Que este ano da fé nos ajude a aprofundarmos a adesão e a vivência de nossa fé. Você também é convidado a juntar-se a nós nesta aventura.

Que a Virgem Maria, bem aventurada porque acreditou (cf. Lc 1,45), nos ajude neste caminho!

Fraterno abraço, até breve!

 

 

 

[1] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

[2] A “fé corriqueira” como a chamo aqui, se refere à confiança habitual que temos, muitas vezes inconscientemente, ao realizar os mais simples atos cotidianos. Por exemplo, quando nos alimentamos, pelo fato (ou na hipótese) de não termos preparado a comida, cremos que ela foi bem preparada (sem nenhuma substância tóxica) e, portanto, não nos fará mal. Por isso, comemos sem receio. Sem esta atitude básica de confiança, a vida seria obviamente insuportável.

[3] “Sendo assim, a palavrinha ‘credo’ encerra uma opção fundamental face à realidade como tal, não conotando apenas a constatação disso ou daquilo, mas apresentando-se como uma forma fundamental de comportamento para com o ser, para com a existência, para com o que é próprio da realidade, para com a sua globalidade. Trata-se de uma opção que considera o invisível, o absolutamente incapaz de alcançar o campo visual, não como o irreal, mas, pelo contrário, como o real propriamente dito, que representa o fundamento e a possibilidade da restante realidade. É a opção de aceitar esse algo que possibilite a realidade restante a proporcionar ao homem uma existência verdadeiramente humana, a torná-lo possível como homem e como ser humano. Dito ainda em outros termos: fé significa o decidir-se por um ponto no âmago da existência humana, o qual é incapaz de ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca a orla do invisível de modo a torná-lo tangível e a revelar-se como uma necessidade para a existência humana”. (RATZINGER, Josef. Introdução ao Cristianismo. São Paulo: Herder, 1970, p.15).

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