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A CONVERSÃO COMO DIMENSÃO DA FÉ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos!

Esta semana venho convidar-lhes a um exame de consciência:

A minha fé tem agradado a Jesus?

Voltando dois mil anos, observamos os apóstolos que seguiam Jesus tomando várias reprimendas por falta de fé. Os discípulos já haviam mudado de vida, haviam deixado tudo para segui-lo. O que mais o Mestre queria?

Ele queria tudo! Ele não se contentou com o pouco, Ele não se contentou com o muito, Ele queria simplesmente tudo.

Jesus, através de suas correções queria afastar dos seus discípulos todo mal que vinha do amor próprio, do orgulho e da ambição. Seu reino não era aqui e eles não compreendiam, ainda alimentavam a esperança de um Messias glorioso que assumiria o trono de Israel. E quando Ele realmente assumiu seu trono no madeiro da cruz, se assustaram e fugiram deixando-o só no momento de maior sofrimento.

Tudo poderia estar acabado ali, mas não estava. Com a Ressurreição, os apóstolos se reuniram, se arrependeram, pediram perdão, reaproximaram-se de Jesus e seguiram em frente espalhando a boa nova do Reino.

Por vezes, Deus permite que erremos, faz parte de nosso livre arbítrio e isso não significa que sejamos abandonados ou menos amados por Ele, muito pelo contrário, através dos nossos erros e arrependimentos, ficamos mais próximos do que antes de cairmos no erro, porque percebemos seu amor e misericórdia e recomeçamos o processo de conversão.

São Francisco jamais admitia um elogio ou uma referência a sua santidade de vida, porque Jesus não veio para os santos e justos, mas sim para os pecadores. Que seria de Francisco sem Jesus? Para ele, seria melhor a morte a viver sem o Senhor.

Na conversão, o homem afasta-se do mal e volta para Deus, não do mesmo jeito, mas para ficar mais próximo Dele. É como se com o pecado cortássemos a corda que simboliza o laço de amor que temos com Deus. Quando pedimos perdão, essa corda é novamente apertada. Fica um nó, mas a corda se torna mais curta, mais firme e mais próxima do Senhor [1].

A gratuidade do amor de Deus e a misericórdia experimentada na reconciliação devem encher nossos corações de esperança e renovar a fé porque não podemos parar nas expectativas dos outros que às vezes julga-nos incapazes de mudar de vida. Mas sim, temos que olhar fixo para os olhos de Deus que nos vê sempre com esperança.

É esse olhar que renova nossa fé todos os dias. A fé alcançada hoje, amanhã não deverá ser a mesma, pois se for, corremos o risco de estarmos “amornando”. A fé não alimentada não converte nem a si nem aos outros.

Desejamos, com Papa Bento, que o Ano da Fé suscite, em cada um de nós, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força [2].

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

[1] DJACZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé (Parte II, Cap 1). São Paulo: Palavra e Prece, 2007, pg 87.

[2] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

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“NÃO VOS APARTEIS DO PATRIMÔNIO SAGRADO DA VERDADE” (Bem Aventurado João XXIII) – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos queridos!

Que bom estarmos mais uma vez juntos, há menos de um mês do aniversário dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II e da abertura do Ano da Fé, refletindo sobre o Motu Próprio Porta Fidei.

O Bem Aventurado Papa João XXIII no seu discurso de inauguração do Concílio afirmou que “o que mais importa ao concílio ecumênico é que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz”. E ainda: “para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da atividade humana (os indivíduos, a família, a vida social) é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da Verdade recebido dos seus maiores” [1].

O Vaticano II buscava uma nova forma de evangelizar o homem moderno sem perder a essência da fé transmitida pelos apóstolos e Santos Padres ao longo desses dois mil anos. Infelizmente, João XXIII não pôde ver os frutos, só pôde participar da primeira reunião do Concílio. Após sua morte, a condução passou ao seu sucessor, o admirável Papa Paulo VI.

O Concílio Vaticano II é realmente um concílio católico em todos os sentidos, pois conseguiu reunir em seu teor, várias correntes teológicas e suas diferentes interpretações. A primeira corrente era a corrente Tomística, a mais conservadora que venerava a visão de Santo Tomás de Aquino, a segunda era a das Fontes, uma corrente que considerava a Liturgia, a Sagrada Escritura, os Santos Padres e a terceira corrente que estava mais voltada para a modernidade e seus filósofos e para o diálogo com o homem moderno. Essas correntes de pensamentos diferentes, mas complementares, enriqueceram o concílio e lhe deram uma visão mais sistêmica dos assuntos abordados.

A Igreja sempre passou por mudanças ao longo dos tempos, o sopro do Espírito proporciona-lhe sempre movimento através de seus profetas, dos seus Santos e Doutores, mas sem jamais perder-se da Verdade anunciada por Jesus Cristo, cuja vinda, deu novo sentido à Lei que regia o povo de dois mil anos atrás.

Jesus encarnou-se para que pudéssemos conhecer a Palavra de Deus e a missão, assumida pela Igreja desde então, é propagá-la. Propagar a mensagem de amor que Jesus inaugurou, vivendo e mergulhando no mistério da fé todos os crentes no Evangelho.

“O amor de Cristo nos impele (2 Cor 5, 14), é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo” [2].

A vida da Igreja está enraizada na Palavra de Deus, no próprio Filho. Essa verdade é imutável. Mas precisamos aprender a transmiti-la de modo mais eficaz, pois o mundo já não é mais o mesmo, passa por inúmeras mudanças, assim como há cinquenta anos no Concílio. Neste sentido, Papa Bento lembra-nos da urgência de refletirmos o Catecismo e a Profissão de Fé, na qual se baseia tudo em que acreditamos.

Esta é a hora de nos colocarmos sob a luz do Catecismo para cumprirmos a missão de levar o Evangelho a todos os povos da terra.

Que o Espírito Santo sopre sobre ti para que você seja a luz que deve ser no mundo [3].

Boa semana!

 

 

Recomendo:

[1] PADRE PAULO RICARDO, O verdadeiro espírito do Vaticano II. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/o-verdadeiro-espirito-do-concilio-vaticano-ii>.

[2] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

[3] Cf. Mt 5, 13-16.

OLHOS FIXOS! – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Como sempre, irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Neste caminho de preparação para viver bem o Ano da Fé, convido a darmos mais um passo, agora concentrando nossa atenção sobre um exercício fundamental da fé: a oração.

Numa linha de raciocínio que perpassa toda a carta Porta Fidei, temos que a fé nos introduz na vida de comunhão com Deus por Jesus Cristo no Espírito Santo. Esta comunhão à qual somos chamados é na vida de amor da Trindade, revelada no mistério da morte e ressurreição de Jesus [1]. Vê-se, então, que este processo começa, evidentemente, no encontro com Cristo [2].

E, por ser processo, será imprescindível, para chegarmos a bom termo, mantermos nosso olhar fixo em Jesus Cristo [3]. Em outras palavras, precisamos cultivar uma verdadeira amizade com Deus. Para isso, a vida de oração é fundamental. Santa Teresa de Jesus dizia que orar “significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama” (Vida 8, 5).

Eu sei: há vários fatores que podem dificultar que nossa vida de oração seja intensa e diária. Desde o tempo (ou a falta dele), o lugar, a dificuldade de silenciar, até as distrações… E, como vocês veem, não posso tratar de tudo isso aqui. Por isso, vamos ao mais importante: se você e eu quisermos ter uma vida de oração cotidiana, significa que teremos de fazer algum sacrifício para que isso aconteça. E o principal sacrifício será o do tempo. Um tempo, no nosso dia sempre cheio e corrido, terá de ser consagrado; terá de ser dado a Deus.

Durante nossos afazeres, podemos pouco a pouco nos voltarmos a Deus, rezar alguma coisa, pedir Sua ajuda. Isso é bom e necessário. Mas, se quisermos fixar nosso olhar em Deus, será preciso mais: um período de tempo do nosso dia deverá ser dedicado à sintonia com o Espírito Santo que habita em nós, a fim de que por Cristo, qual somos membros, contemplemos o Pai. Isso ajuda muito no discernimento do que fazer em nosso dia a dia. Porque, de fato, fazer a vontade d’Ele é nossa tarefa.

É difícil. Também sei disso. Exige autoconhecimento, decisão, esforço e muita perseverança. Enfim, exige método. Tudo isso deve ser trabalhado ao longo do tempo. O que não podemos, é arrumar desculpas mil para não pararmos diante de Deus num determinado tempo do nosso dia. Temos tanto tempo para coisas fúteis: TV (novelas, filmes, programas humorísticos, jogos), internet (navegando de site em site ou simplesmente olhando as atualizações do facebook)… Por que não dar tempo a Deus?

Que a Santíssima Virgem Maria, modelo de mulher orante, nos sustente com sua maternal intercessão.

“Caminhemos, olhos fixos em Jesus!” [4]. Fraterno abraço e até breve.

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>. (PF).

[2] Cf. BENTO XVI. Deus Caritas Est. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html>.

[3] Cf. PF, n. 13.

[4] Liturgia das Horas. Volume III. Responsório das laudes da segunda-feira da primeira semana da Quaresma.

QUE TODOS SEJAM UM, PARA GLÓRIA DE DEUS PAI! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, irmãos e irmãs!

Nesta semana, gostaria de refletir com vocês sobre outra realidade do Catolicismo no mundo. Uma realidade que machuca o coração em razão do sofrimento de muitos de nossos irmãos considerados criminosos em seus países por professarem a fé na Igreja Católica e por serem fiéis ao Papa.

Estamos tão acostumados com o Catolicismo “light” no Brasil que fica difícil acreditar que em pleno século XXI, haja pessoas que ainda precisem se esconder para ensinarem a nossa fé ou celebrar uma Missa.

Um bom exemplo é a China que só considera legítimas cinco religiões no país, entre elas, a Associação Católica Patriótica Chinesa, cujas homilias, puramente nacionalistas não admitem nenhuma influência estrangeira, como por exemplo, a de Roma. Por isso, o Vaticano não reconhece os padres e bispos ordenados por esta Associação que são regidos conforme a política do país. Os padres podem se casar e jamais se ouve falar nas homilias sobre o aborto, tão praticado no país.

Ainda há na China, religiosos fiéis a Roma que celebram a Liturgia clandestinamente, mas que se forem pegos acabam presos. As pessoas se reúnem em casas de conhecidos ou fingem piqueniques para celebrarem a Eucaristia e não serem pegos. Isso nos faz lembrar as primeiras comunidades reunidas em catacumbas fazendo o mesmo.

Em julho deste ano, um padre chinês chamado Tadeu Ma Daqin, não reconhecido pelo Vaticano, demonstrou grande coragem, deixando seu cargo de bispo auxiliar desta Associação prezando pela comunhão com Roma. Segue um trecho de seu discurso:

“À luz do que nos ensina a nossa Santa Mãe Igreja, à qual eu sirvo como bispo, devo dedicar todas as minhas energias ao ministério episcopal e à obra da evangelização. É embaraçoso para mim, por isto, continuar a ter certos tipos de responsabilidade. Neste momento de minha ordenação, não é mais desejável que eu seja membro da Associação Patriótica dos Católicos Chineses. (recebe longos aplausos dos fiéis). Para que todos possamos ser um só, para a maior glória de Deus” [1].

O Brasil é abençoado pela liberdade, mas infelizmente, se dizer católico é tão comum, que muitos nem sabem realmente no que cremos.

O Ano da Fé vem suscitar na Igreja a busca pela verdade sobre nossa fé e sua reta interpretação [2], para que o amor observado nas primeiras comunidades retorne aos corações abatidos e sedentos.

Um amor tão forte que faz com que se mude o rumo da própria vida, como o de Ma Daqin, como de tantos jovens que deixam as drogas e o álcool e reconstroem sua vida ou deixam sua família e seus amigos para serem sacerdotes, para se abandonarem por inteiro nas mãos do Senhor, colocando sua vida à disposição da Igreja e serem mandados para onde ninguém mais quiser ir.

Como pode? Você segue por um caminho e de repente um “encontro” com Jesus faz você mudar completamente o rumo e fazer coisas que você jamais se sentiria capaz de fazer.

Que o Senhor olhe pelos Steus filhos perseguidos por amor do Seu nome, pelos padres missionários que levam esperança aos povos tão sofridos e pelas autoridades competentes, para que iniciem um novo tempo de paz em comunhão com o Papa Bento e toda a Igreja Católica. Amém.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

CHINA, O REBELDE DE BATINA. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/o-regime-comunista-chines-nao-perdoa-nem-o-catolicismo-ligado-ao-estado/>.

[1] CHINA: SURPREENDENTE DECLARAÇÃO DE DOM MA DAQIN. Disponível em: <http://www.zenit.org/article-30791?l=portuguese>.

[2] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

INTELLEGO UT CREDAM – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs em Cristo, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos nos preparando para o Ano da Fé, debruçados sobre a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio Porta Fidei, do Santo Padre Bento XVI. Nesta semana, quero destacar a importância do estudo da doutrina como aspecto central da opção da fé, seguindo a linha que propus na reflexão da semana passada.

O Romano Pontífice nos lembra que “o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja” [1]. E o texto prossegue, dizendo que “o conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor” [2].

O primeiro aspecto que aparece claramente no texto acima citado, é a necessidade que temos de conhecer para crer. Como vimos, crer é aderir com a inteligência e a vontade ao conteúdo revelado. Este, por sua vez, não subjuga a razão, mas a desafia a encontrar o sentido mais profundo da realidade. Ora, o desafio da fé é permanente: não termina com o primeiro ato de fé. Por isso, à medida do nosso natural amadurecimento, é preciso nos aprofundarmos também nos conteúdos da fé. Conheço gente que deixou de crer porque se desenvolveu cientificamente ou ideologicamente, mas continua com a catequese que recebeu na infância. Conheço, ainda, gente que não é capaz de crer porque não conhece a fé católica como ela é. Interiormente rejeitou um espantalho com o nome de “Igreja católica”, mas nunca conheceu o que, realmente, crê a Igreja católica de sempre…

Daí, chegamos ao segundo aspecto. Este, por sua vez, um tanto exigente para o atual brasileiro: é preciso ir às fontes. Se quisermos saber o que a Igreja ensina, na maioria das vezes, precisaremos ler. Isso porque, em grande parte, a confusão se instalou de tal maneira que é difícil saber quem tem razão. Teses que se excluem completamente são anunciadas como se fossem a posição da Igreja. É a ditadura da opinião… Então é preciso ir às fontes: ler os documentos, as instruções, as encíclicas. Ler o catecismo. É precisamente isso que pede o Santo Padre Bento XVI: que estudemos o catecismo. É este precisamente um dos objetivos do Ano da Fé.

Dessa forma, fica claro que, de fato, ser católico é aceitar livremente todo o mistério da fé. Todo, não em parte. Escolher uma parte em detrimento de outra é, precisamente, heresia (de hairesis, em grego, que significa: escolha, eleição, preferência).

Que a Virgem Maria, modelo da humanidade fiel à Palavra de Deus, nos ajude neste caminho! Fraternalmente me despeço com outro texto do de Bento XVI que encontramos na contra-capa do Youcat (Português):

Estudai o catecismo! Este é o desejo do meu coração. Estudai o catecismo com paixão e perseverança! Para isso, sacrificai tempo! Estudai-o no silêncio de vosso quarto, lede-o enquanto casal se estiverdes a namorar, formai grupos de estudo e redes sociais, partilhai-o entre vós na Internet. Tendes de saber em que credes. Tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação.

 

 

[1] BENTO XVI. Porta Fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>, n. 10.

[2] Ibidem.

Intellego ut Credam é o título do terceiro capítulo da Encíclica Fides et Ratio, do Beato João Paulo II.

A CONVERSÃO É UMA MUDANÇA CONTÍNUA DE VIDA PARA AQUELES QUE ANSEIAM PELA SALVAÇÃO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Mais uma vez, estamos aqui nos preparando para o Ano da Fé, refletindo, conforme nos pede Bento XVI, sobre a Porta Fidei e os conteúdos da nossa fé.

A Porta da Fé (At 14,27), que introduz na vida a comunhão com Deus, a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para aqueles que creem e nos permite como irmãos, chamar a Deus de Pai. O Pai que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação, Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição [1].

Esta comunhão é um caminho a ser seguido desde o Batismo até o fim da vida, quando enfim, não só poderemos contemplar a Deus em sua plenitude, mas, sendo salvos, também estaremos unidos plenamente a Deus. Mas é preciso lembrar que além de buscar a própria salvação, é necessário compartilhá-la com quantos mais for possível. A profissão de fé não pode ser individual ou isolada, mas sim comunitária. Por isso, cada vez mais é necessário o testemunho de vida dos cristãos e a sua conversão.

O testemunho renova a vida da Igreja, chamando os cristãos a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a palavra de verdade que o próprio Jesus nos deixou [2].

Professar a fé em Jesus é mostrar ao mundo quem Ele é através da própria mudança de vida, da conversão, identificando-se com Cristo e aí sim, falar dele. As pessoas estão sedentas de exemplos de vida, não se contentam mais apenas com palavras bonitas.

A conversão, ao contrário do que se possa acreditar, não é única durante a vida. É preciso fazer o “retorno” para Deus, quantas vezes forem necessárias durante a vida.

Conta-se que um casal participava de uma audiência com João Paulo II em Roma e aconteceu o seguinte: o Papa passou diante deles e a mulher disse-lhe em voz alta: “Santo Padre, diga alguma palavra ao meu marido que há dez anos está longe de Deus”. João Paulo II continuou a caminhar um pouco, depois se deteve, pôs a mão sobre o ombro do esposo daquela mulher suplicante e disse-lhe em voz baixa e profunda: “como se está mal longe de Deus!” Aquele homem ficou tão impressionado que naquele mesmo dia confessou-se e voltou à prática cristã.[3]

Santo Tomás de Aquino fala de uma “tríplice conversão”. A conversão inicial é aquela que não pede ainda a existência da graça santificante, mas somente uma operação de Deus que atrai o pecador a si. A segunda conversão é a que exige a graça santificante (ou habitual), princípio do mérito, com vistas à bem-aventurança. A terceira conversão é a do amor perfeito, a da criatura que já se encontra no céu, para esta terceira é necessária a graça consumada, ou seja, a glória [4].

Somente em razão da fé, o ser humano pode ser transformado e purificado de acordo com sua disponibilidade, não é imposta por Deus. Ela é um dom gratuito que nos foi concedido no Batismo, é a certeza do amor divino em nosso coração, mas cabe a nós alimentarmos essa pequena semente ao longo da vida. Como disse o Beato João Paulo II: “Como se está mal longe de Deus.”

Que o Ano da Fé seja para todos nós, o caminho de volta para Deus e que o Espírito Santo ilumine toda Igreja Católica para que os conteúdos da fé se difundam pelo mundo inteiro, incendiando aqueles que estão “mornos”. Amém.

Boa semana a todos!

 

 

[1] BENTO XVI. Porta fidei. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html>.

 

[2] Idem 1.

 

[3] COSTA, Françoá Rodrigues Figueiredo. A Conversão. Disponível em:

<http://www.presbiteros.com.br/site/a-conversao>.

[4] Idem 3.