Início

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA [1] – Por Fabiana Theodoro.

Deixe um comentário

Olá, amigos!

 

No último domingo, vinte e oito de outubro, terminou o Sínodo dos Bispos que, desde o início do Ano da Fé, discutia a “Nova evangelização para transmissão da fé cristã”. Nada mais oportuno do que refletirmos à luz desse tema, as formas de transmissão da fé ao longo dos séculos, segundo o Catecismo.

A fé cristã foi transmitida pelos apóstolos de duas formas: a oral (Tradição) e a escrita (Sagrada Escritura).

As pessoas próximas de Jesus que ouviam seus ensinamentos eram simples, pobres, excluídas e o que aprendiam com o Mestre, transmitiam uns aos outros oralmente. A mensagem era tão grandiosa e vivificadora que não tinham como guardar para si, por isso a Palavra se difundiu tão rapidamente.

A escrita era para poucos, por isso quando começaram a registrar a vida de Jesus, cerca de vinte, trinta anos após sua morte, tudo o que tinham, era o testemunho das pessoas que o tinham conhecido.

A forma oral e a escrita se complementam, não se consegue compreender a Sagrada Escritura sem a Tradição e vice-versa, pois a primeira não é um livro de História, mas sim, uma experiência de Deus descrita por vários e diferentes povos. Consiste num grande erro ler a Bíblia de maneira fundamentalista, ou seja, ao “pé da letra”, pois eles precisam ser contextualizados de acordo com a comunidade onde foram escritos, as dificuldades que atravessavam e a época. João disse a respeito de Jesus: “Ele fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveria escrever” (Jo 21,25).

A Tradição apostólica é essencial para a compreensão da Bíblia e, descartá-la, como algumas denominações fazem, é um grande desrespeito àqueles que morreram para que a fé chegasse integralmente até nós. Quão absurdo é não render aos santos e mártires a veneração que merecem. Tiago, Pedro, Paulo e tantos outros santos e santas morreram para que pudéssemos conhecer Cristo e jamais seria possível se não fosse ele mesmo caminhando junto à sua Igreja.

O mundo precisa, sem dúvidas, de mais exemplos de fé e eles ainda existem com certeza, mas não viram notícia. Afinal, o que dá ibope são as ruins.

Neste ano, por exemplo, o Vaticano recomeça, após cinco anos de estagnação, as negociações com o governo chinês que não reconhece a Igreja Católica Romana em seu país, obrigando os fieis católicos, obedientes às recomendações do Papa, a celebrarem escondido, e se forem pegos, podem ser presos. São pessoas valentes que sabem do risco que correm, mas optam por enfrentar em silêncio o sistema de repressão, relembrando os antigos cristãos que reconheciam em Jesus um valor maior que a própria vida.

O martírio moderno dos cristãos na maioria dos países, não é mais o de sangue, mas a ridicularização e mesmo assim, são poucas as pessoas dispostas a enfrentá-lo.

Testemunhemos uma autêntica vida cristã, assumindo com coragem a missão de fazer a diferença no mundo, ser discípulo e missionário, representar o amor e a justiça que Jesus veio mostrar, não apenas com palavras, mas principalmente com atitudes.

Coragem, irmãos! Jesus nos aguarda no céu de braços abertos.

Abraço a todos, boa semana!

 

 

[1] CEC 74-100.

Anúncios

“EM TUDO ME SUJEITO AO QUE PROFESSA A SANTA IGREJA CATÓLICA” (Santa Teresa de Ávila) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Sejam bem vindos, amigos.

Louvado seja Deus pela oportunidade de aprofundarmos nossa fé!

Nas semanas anteriores refletíamos sobre o encontro do humano com o Divino, sobretudo na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, ápice de toda a Revelação. Agora, nós do CommunioSCJ queremos convidá-los a perceber, em unidade com o Catecismo da Igreja Católica, que “É preciso, pois, que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que desta forma a Revelação chegue até as extremidades do mundo” [1]. Pois Deus não deseja redimir apenas um grupo restrito, mas toda a humanidade.

Foi justamente em virtude desse desejo de alcançar a todos os homens de todos os tempos e lugares que Jesus Cristo constitui os Apóstolos, confiando a eles a missão pregar a Verdade [2]. E a fé que Ele confiou aos apóstolos pode, dois mil anos depois, chegar a cada um de nós para nos encher de esperança e guiar nossos caminhos. Mas como garantir que essa fé que nos é comunicada é a mesma que foi legada aos Doze? O próprio Jesus já advertia para o perigo de que ela fosse adulterada: “Cuidado com os falsos profetas: eles vêm até vós vestidos de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7, 15).

É preciso ter sempre em mente que precisamos procurar fontes seguras para alimentarmos a nossa fé. E se Jesus legou aos Apóstolos a tarefa de propagá-la, não há maior segurança do que se fiar em tudo aquilo que é apostólico. Vocês conhecem algo desse tipo? Eu conheço! Chama-se Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja que o próprio Cristo fundou e deixou ao cuidado dos apóstolos, guiados pelo Espírito Santo. Aí deve buscar refúgio todo aquele que deseja encontrar a Verdade. Conforme expressou o Concílio Vaticano II:

“Na formação de suas consciências, os cristãos hão de ater-se, porém, à doutrina santa e certa da Igreja. Pois, por vontade de Cristo, a Igreja Católica é mestra da Verdade e assume a tarefa de anunciar e de ensinar autenticamente a Verdade que é Cristo” [3].

Sei que essa realidade é muitas vezes questionada. Nossos irmãos pertencentes a outras igrejas constantemente se colocam contra os ensinamentos da Igreja Católica, defendendo que a fé deve basear-se somente nas Sagradas Escrituras. Quantos de nós já não ouvimos perguntas do tipo: “Onde está falando isso na Bíblia?”. Alguns católicos, diante de perguntas como essa, podem até mesmo sentir-se desconcertados, pela dificuldade de atestar a fé com o auxílio da Palavra. Mas é preciso entender que para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Não que ela deva ser desprezada ou diminuída, pois é autentica Palavra de Deus, escrita pela inspiração do Espírito Santo. Mas convém lembrar que “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros sagrados” [4].

Assim, ao lado das Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição Apostólica, “que vem dos apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e do exemplo de Jesus e o que receberem por meio do Espírito Santo” [5] e o Magistério da Igreja, que possui “O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida” [6], constituem-se como as fontes de nossa fé. Valendo-se desses três pilares, a Igreja Católica continua a ser “coluna e fundamento da verdade” (1Tm 3, 15) para milhões de fiéis que caminham rumo ao encontro definitivo com o Senhor.

Não vaguemos cegamente à procura da Verdade. Pelo contrário, fiemo-nos à autoridade da Igreja de Cristo, para abraçarmos a fé que o próprio Cristo transmitiu aos Apóstolos. Mais ainda, busquemos conhecer cada vez mais e melhor tudo o que Deus desejou nos transmitir, pois “o discípulo se compromete por um grave dever para com Cristo Mestre a conhecer sempre mais cabalmente a verdade d´Ele recebida, a anunciá-la com fidelidade e a defendê-la com coragem” [7].

Que o Senhor nos ajude a viver bem esse Ano da Fé e nos dê a graça de professar, de coração sincero, o que disse Santa Teresa de Ávila:

Em tudo me sujeito ao que professa a Santa Igreja Católica Romana, em cuja fé vivo, afirmo viver e prometo viver e morrer”.

Até a próxima!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 74.

[2] Idem, n. 75.

[3] DH (Dignitatis Humanae), n. 14.

[4] CEC, n. 120.

[5] Idem, n. 83.

[6] Idem, n. 85.

[7] DH, n. 14.

“E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?” (Mc 8, 29) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

Deixe um comentário

Saudações, amigos do CommunioSCJ!

Que bom nos encontramos novamente para partilhar a nossa fé.

Com toda a Igreja, estamos vivendo o início do Ano da Fé. Do mesmo modo, nosso caminho pelas páginas do Catecismo da Igreja Católica está apenas no começo. Na semana passada, iniciávamos nosso percurso refletindo que “O homem é capaz de Deus” [1]. Nesta semana, queremos dar um segundo passo para percebermos que “Deus vem ao encontro do ser humano” [2].

Ao se deparar com essa sequência, alguém poderia indagar o porquê da necessidade de Deus vir ao nosso encontro, uma vez que somos capazes de chegar à conclusão de que Ele existe. Tal questionamento, entretanto, serviria somente para comprovar sua ingenuidade. Como cogitar a ideia de que o homem se encontre com Deus, se no instante em que ele vislumbra algum traço de Seu amor no mundo, ele O abandona e passa a adorar as criaturas? Precisamos entender que entre a capacidade de encontrá-Lo e o encontro de fato, interpõe-se uma nova e maléfica realidade: o pecado. Com ele a visão original do homem foi distorcida de tal forma, que dificilmente será capaz de reconhecer o Belo apenas pela contemplação das belezas terrenas. É assim que, para tirar a humanidade de sua cegueira, o Senhor achou por bem se revelar.

A revelação de Deus mostra de maneira muito concreta o amor que Ele tem pelo ser humano. Nossa falta de amor para com Ele não apagou o seu amor infinito. E mesmo diante da realidade do pecado, o Senhor quis vir ao encontro da humanidade. Assim, Ele foi se dando a conhecer: elegeu Abraão, formou um povo e na, plenitude dos tempos, enviou seu Filho ao mundo. E “Cristo, o Filho de Deus feito homem é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai” [3]. À luz desse envio, o próprio pecado original acaba por se transformar em motivo de alegria. É o que Igreja canta no Exultet: “Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor”.

Demo-nos conta dessa boa notícia! Deus veio ao encontro do homem de maneira plena na Pessoa do Filho, nosso Senhor Jesus Cristo: “[…] o Eterno entra no tempo, o Tudo esconde-se no fragmento, Deus assume o rosto do homem” [4]. Se por causa do pecado, o homem estava a perder-se nesse mundo passageiro, Deus entrou na história pra abrir-lhe os olhos e tirá-lo da escuridão. Jesus Cristo é a Porta que nos conduz ao Pai.

Mas a revelação de Deus na pessoa de Jesus, essa grandiosíssima manifestação de amor, deve levar-nos a uma resposta. “Ao revelar-se, Deus quer tornar os homens capazes de responder-lhe, de conhecê-lo e de amá-lo bem além do que seriam capazes por si mesmos” [5]. Uma vez que o Senhor veio ao nosso encontro, precisamos responder com um amor novo e puro. Furtar-nos a essa resposta, é menosprezar a busca de Deus por nós.

A necessidade de responder a revelação de Deus nos é manifesta pelo próprio Jesus quando se dirige aos apóstolos perguntando: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,29). Ainda sem encontrar as melhores palavras para se expressar, Pedro se serve das que estavam presentes no Antigo Testamento para responder: “Tu és o Messias, o Cristo” (Mc 8,30). Depois da ressureição, Tomé encontrará palavras mais acertadas: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Da mesma forma, Jesus se dirige a cada um de nós com as mesmas palavras, e também nós devemos professar que Jesus é Deus que vem ao nosso encontro. Mas esta profissão de fé deve ser mais do que uma mera constatação. Deve ser uma abertura ao senhorio de Deus em nossas vidas. É bem verdade que o nosso pecado impede que esse senhorio seja pleno. Mas por isso mesmo, Jesus vem ao nosso encontro! Unidos a Ele, no seu Corpo Místico que é a Igreja, podemos participar de sua filiação divina e nos encontrarmos com o Pai. Para isso fomos criados!

Que a Santíssima Virgem Maria nos auxilie a fazer de nossas vidas respostas a esse Deus de amor que vem ao nosso encontro.

Até uma próxima oportunidade.

 

 

[1] Título do capítulo I da primeira seção do Catecismo.

[2] Título do capítulo II da primeira seção do Catecismo.

[3] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 65.

[4] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio, n. 12.

[5] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 52.

[6] Mc 8, 29.

DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM [1] – Por Fabiana Theodoro.

Deixe um comentário

Olá, amigos!

 

Nesta semana refletiremos, segundo o Catecismo, sobre o profundo desejo que Deus tem de resgatar a unidade com o homem, perdida por nossos primeiros pais através do pecado.

Como pode Ele ansiar tanto por esse reencontro? Ele é Deus e o ser humano, mera criatura ingrata que lhe virou as costas.

Este anseio divino foge totalmente à lógica humana. Mesmo após o rompimento do homem com Deus, Ele ainda esteve presente, desde o princípio, na vida dos que buscam a justiça dando-lhes força para que esperassem o tempo oportuno para a Salvação.

Quando esse tempo chegou, o próprio Deus veio experimentar na carne as debilidades humanas, mas não para divertir-se como nas estórias mitológicas, onde deuses desciam do Monte Olimpo para zombar da fraqueza humana, mas para mostrar que o ser humano nasceu para tornar-se divino. O homem veio de Deus para voltar para Deus.

Antes, no Antigo Testamento, Deus não mostrava o rosto, agora, em Jesus Cristo, tudo o que havia para ser revelado, assim o foi. Agora o ser humano tem um modelo para seguir e tornar-se, de Deus, o filho adotivo [2].

Jesus reconciliou em seu próprio corpo, judeu e pagão [3], mostrou a imagem de Deus – Pai que ama e perdoa e não um castigador que escolhe o filho que é ou não merecedor de seu amor.

O encontro com Jesus não foi um privilégio apenas de nossos predecessores, muito pelo contrário, é um encontro pessoal que acontece em toda parte e em todo o tempo, um encontro que se atualiza sempre sobretudo na mesa da Palavra e da Eucaristia na Santa Missa.

Como é bom saber que a cada minuto alguém no mundo celebra a Eucaristia ou reza conforme a Liturgia das Horas. Não é fantástico? Mesmo que neste momento nós estejamos vivendo nossas vidas concentrados em outras atividades, alguém no mundo celebra o mistério de Cristo. Eis uma das belezas da universalidade e unidade da Igreja Católica: a mesma Liturgia no mundo todo, realizando em parte, o desejo de Deus de ver todos os filhos reunidos.

Essa comunhão deve ser estendida para toda a sociedade, não pode ser vivida apenas durante a Missa. Ali nos alimentamos do Corpo do Senhor para fortalecer-nos durante o combate cotidiano, quanto mais nos alimentarmos mais fortes estaremos para cumprir nossa missão primordial, a de semear a fé por meio do testemunho entre os nossos irmãos.

Por meio das orações, tanto pessoal como comunitária, exercitamos a comunhão com Deus que será alcançada por nós na subida ao céu, mas enquanto vivemos no mundo, fazemos parte de uma Igreja Militante, aquela que caminha sem cessar buscando um dia estar junto de Deus, sempre contando com as orações da Igreja Triunfante, formada pelos santos que já caminharam, venceram as tentações deste mundo e já estão junto de Deus. Que seria de nós sem o apoio do céu pela nossa santificação?

Rezar uns pelos outros, alimenta a compaixão, a sensibilidade com a dor do outro, sair do nosso próprio sofrimento e ir ao encontro de quem mais precisa.

É bom não estarmos sós, por isso, precisamos nos convencer que somos responsáveis uns pelos outros. Nem sempre podemos dar o que o outro necessita, mas orar por ele e pedir a Deus que olhe pela sua dificuldade, que lhe dê força e perseverança é melhor do que qualquer presente.

Oremos sempre uns pelos outros sem cessar na certeza de que Deus nos ouve e nos atende, se for o melhor para nós.

Boa semana, fiquem com Deus!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica, 1ª Parte, Capítulo II.

[2] Cf. 1Tm 6,16

[3] Cf. Ef 2, 11-16

DEUS SE REVELOU: SOMOS CHAMADOS À COMUNHÃO COM ELE – Por Fr. Lucas, scj.

Deixe um comentário

Vivat Cor Iesu!

Caros irmãos e irmãs em Cristo, bem vindos ao CommunioSCJ!

Antes de tudo, quero dar as boas vindas ao Luiz Guilherme que já contribuiu com nosso blog na semana passada e certamente será uma valiosa ajuda neste ministério virtual. Fico feliz em tê-lo aqui conosco! Deus seja louvado!

Neste Ano da Fé estamos estudando o Catecismo da Igreja Católica (CEC). Por isso, dando um passo adiante no caminho que iniciamos na semana passada, nos deparamos com Deus: Ele não é distante, mas vem a nós – Ele se revela.

Retomando a Constituição Dogmática Dei Verbum (DV) do Concílio Vaticano II, o CEC (n. 142) nos diz que “pela sua revelação, ‘Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele’ (DV 2)”. Aqui temos, creio, uma verdade fundamental que não podemos perder de vista se quisermos realizar aquilo que nos é proposto pelo Santo Padre neste Ano da Fé: Deus se revela porque nos quer consigo – Deus vem ao nosso encontro porque nos quer em comunhão consigo.

Desde os primeiros atos de seu pontificado, o Santo Padre Bento XVI nos tem chamado nossa atenção para o fato de que “no início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo” [1]. É imprescindível notarmos que não somos uma religião de livros: somos a religião do relacionamento pessoal com o próprio Deus que se fez homem para nos alcançar, para nos ter consigo.

Neste relacionamento, a resposta adequada do ser humano é a fé, pela qual “o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador” [2]. Note bem: pela fé, o homem submete a inteligência e a vontade a Deus. Não só a inteligência, pois a fé não é uma gnose. Nem só a vontade, porque não somos voluntaristas. Mas, de fato, professar a fé significa iluminar nossa vida e guiá-la a partir do relacionamento com Deus por Jesus Cristo no Espírito Santo.

Isso só é possível porque Deus se revelou. “É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura” [3]. Ou seja, “Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne” [4]. Podemos crer em Deus porque nos foi dada a força do Espírito Santo “que revela aos homens quem é Jesus” [5].

Irmãos e irmãs, trata-se de uma relação com o Deus verdadeiro que é Amor. O simples estudo do Catecismo não é suficiente, se não assumimos a fé da Igreja ali expressa como dom do Pai para nós por Jesus Cristo no Espírito Santo e, assim, não embarcamos nesta maravilhosa aventura de crer, de vivermos iluminados pela fé.

Que Maria Santíssima, aquela que realizou a obediência da fé com perfeição [6], nos acompanhe neste Caminho.

Grande abraço a todos! Até a próxima.

 

 

[1] BENTO XVI. Deus Caritas est, n.1.

[2] CEC 143.

[3] Idem, 150.

[4] Idem, 151.

[5] Idem, 152.

[6] Idem, 148.

“O QUE VENERAIS SEM CONHECER, É QUE EU VOS ANUCIO” (At 17, 23) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi

1 Comentário

Olá amigos do CommunioSCJ! Com muita alegria me uno àqueles que já se dedicam a este espaço de propagação da fé católica. Reconhecendo a minha pequenez, proponho-me a partilhar com vocês algumas singelas reflexões. E certamente não haveria melhor maneira de começar! Ao longo deste Ano da Fé, promulgado pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, percorreremos juntos o caminho seguro que o Catecismo da Igreja Católica nos propõe para o aprofundamento da nossa fé.

No início desse nosso caminho precisamos perceber que no desejo de aprofundar a nossa fé está implícito o fato de que cremos. Mas, por que cremos? Em união com o Bem Aventurado João Paulo II e com a Igreja, podemos responder que é porque “[…] no mais fundo do coração do homem, foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus” [1]. Esta resposta expressa bem o fato de que o homem foi feito para Deus e somente nele encontra sua felicidade. Assim, o Senhor coloca na alma de cada ser humano um forte impulso que instiga o instiga a procurá-lo. Em outras palavras, é próprio do ser humano, seja ele crente ou não, a busca pela felicidade em Deus.

Mas se Deus nos cria com essa sede pelo Infinito, também nos dota da faculdade de encontrá-lo: “A Santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas” [2]. Então poderíamos nos perguntar: por que tantos não creem? Talvez o ensinamento de um doutor da Igreja possa nos ajudar…

O grande Santo Tomás de Aquino foi um dos primeiros e principais defensores do ensinamento de que, uma vez que existe apenas uma verdade (e a Verdade é Deus), ela poderia ser alcançada tanto pelo caminho da fé quanto pelo caminho da razão. Mas o doutor angélico já intuía que embora possível, o caminho da razão apresentava suas dificuldades: “Tomás parece inclinado a admitir que a verdade poderia ser alcançada por um processo racional, se ao menos tal processo fosse racional o suficiente e também longo o suficiente” [3]. Sejamos honestos! Quantos homens na história da humanidade podem ser tomados como “suficientemente racionais”? Quantos dispõem de um tempo longo o suficiente para compreender a verdade absoluta? Somos forçados a admitir que embora possível, o homem comum dificilmente terá as ferramentas mentais e o tempo suficiente para chegar até Deus pelo caminho da razão.

Não pretendo com isso menosprezar a razão. O melhor é que a razão caminhe sempre ao lado da fé. Mas precisamos ter a humildade de reconhecer que alguns mistérios são grandes demais para compreendermos sozinhos na nossa curta existência na terra. Justamente por isso, Deus se revelou, veio ao nosso encontro!

Cada ser humano precisa olhar para o seu interior e perceber que ali reside um desejo que se parece muito com o altar que os atenienses possuíam em honra “Ao Deus desconhecido”. Ao se deparar com esse altar, São Paulo exclamou: “Pois bem! O que venerais sem conhecer é o que eu vos anuncio” [4]. O anseio que existe no nosso coração nunca será saciado no mundo. Trata-se de algo mais profundo. É o desejo por uma realidade que, infelizmente, muitas pessoas não sabem identificar. E assim como São Paulo anunciou aos atenienses o que eles veneravam sem conhecer, a Igreja vem nos anunciar o que desejamos de fato: o Cristo! Não percamos mais tempo. Rendamo-nos a Ele. Como disse o Bem Aventurado João Paulo II: “Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade”.

Que a Santíssima Virgem nos auxilie nessa busca pela verdade. Até a próxima!

 

 

[1] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio, n. 24.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 36.

[3] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 25.

[4] At 17, 22-23.

EU CREIO, NÓS CREMOS! – Por Fabiana Theodoro.

2 Comentários

Olá, amigos!

Iniciamos uma nova temporada do blog, na qual refletiremos sobre o Catecismo da Igreja Católica, importantíssimo documento para nossa fé, no qual os bispos, orientados por Joseph Ratzinger (Bento XVI), trabalharam incessantemente durante seis anos, realizando o desejo de João Paulo II de entregá-lo a todo o povo de Deus em 11 de outubro de 1992 para que fosse uma fonte segura para toda a Igreja.

O Catecismo tem início, assim como em nossa Profissão de Fé, com o significado da palavra “crer”. A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida [1].

O homem foi feito por Deus e para Deus e enquanto não repousar Nele, só encontrará o vazio, que buscará incessantemente preencher com as coisas do mundo, que jamais o satisfarão. Abra os olhos ao seu redor e poderá perceber inúmeras pessoas que vivem cercadas por dinheiro, por fama, por prazeres, que aparentemente deveriam ser felizes, mas que são tomadas por uma completa e devastadora solidão.

Deus, em sua infinita misericórdia, não abandona a sua criação, mas incansavelmente a atrai para Si. Podemos compará-lo a um astuto pescador que sabe muito bem a isca certa que deve jogar para atrair aqueles que lhe pertence. Infelizmente, às vezes é a dor e o sofrimento que nos levam de volta para Deus. Quando tudo nos é tirado, ficamos apenas com o essencial, com aquilo que jamais alguém poderá nos tirar: a fé.

Na correria do cotidiano, podemos até esquecer que ela estava ali o tempo todo e acabou atrofiando por falta de uso. Mas Deus sempre esteve ali, caminhando junto dos seus, é sua promessa; e pode Deus mentir?

A fé faz parte de cada ser humano, é uma luz natural dentro de cada um fazendo com que a razão perceba Deus em nosso meio. Essa firme determinação e certeza indiscutível atinge a pessoa em toda sua essência, levando inegavelmente a uma mudança de vida, a sacrifícios e abnegações que a aproximem mais do objetivo de configurar-se a Deus, de voltar para o lugar que anseia junto do Criador.

Como a fé pode contrariar a razão e provar a existência de Deus? Não pode. A razão também compreende a existência de Deus. Ora, por meio da criação, podemos perceber sua mão. Como dizia Santo Agostinho, poderia a criatura ser mais bela que seu criador? Jamais! A criatura é infinitamente menor que seu criador.

Em nossas limitações percebemos Deus de acordo com a perfeição encontrada em suas criaturas, mas não podemos limitá-lo à nossa percepção. Deus é infinitamente maior e só podemos conhecê-lo a partir do que Ele não é, assim como já refletiam os grandes Pais da Igreja.

Deus revelou a nós, tudo o que é necessário à nossa salvação, por meio de Seu Filho. O primeiro homem criado, Adão, trouxe-nos o pecado, mas Jesus nos trouxe a redenção inaugurando uma nova humanidade que agora conhece o rosto de Deus e deve configurar-se a Ele para, assim como Ele, voltar ao Pai.

A Santa Igreja Católica é o caminho seguro para nos levar ao conhecimento do Pai e do Filho. Ela é a mãe que acolhe, com o mesmo olhar de Maria, os filhos tão amados. A fé não pode ser vivida individualmente, precisa ser vivida em comunidade, pois é através dos irmãos que nos aproximamos de Cristo.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e nossa, dê-nos o dom de olhar como ela nos olha com ternura e misericórdia e que seja nossa seta em direção a seu amado filho Nosso Senhor Jesus Cristo, amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica) 26-49.

Older Entries