Olá amigos do CommunioSCJ! Com muita alegria me uno àqueles que já se dedicam a este espaço de propagação da fé católica. Reconhecendo a minha pequenez, proponho-me a partilhar com vocês algumas singelas reflexões. E certamente não haveria melhor maneira de começar! Ao longo deste Ano da Fé, promulgado pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, percorreremos juntos o caminho seguro que o Catecismo da Igreja Católica nos propõe para o aprofundamento da nossa fé.

No início desse nosso caminho precisamos perceber que no desejo de aprofundar a nossa fé está implícito o fato de que cremos. Mas, por que cremos? Em união com o Bem Aventurado João Paulo II e com a Igreja, podemos responder que é porque “[…] no mais fundo do coração do homem, foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus” [1]. Esta resposta expressa bem o fato de que o homem foi feito para Deus e somente nele encontra sua felicidade. Assim, o Senhor coloca na alma de cada ser humano um forte impulso que instiga o instiga a procurá-lo. Em outras palavras, é próprio do ser humano, seja ele crente ou não, a busca pela felicidade em Deus.

Mas se Deus nos cria com essa sede pelo Infinito, também nos dota da faculdade de encontrá-lo: “A Santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas” [2]. Então poderíamos nos perguntar: por que tantos não creem? Talvez o ensinamento de um doutor da Igreja possa nos ajudar…

O grande Santo Tomás de Aquino foi um dos primeiros e principais defensores do ensinamento de que, uma vez que existe apenas uma verdade (e a Verdade é Deus), ela poderia ser alcançada tanto pelo caminho da fé quanto pelo caminho da razão. Mas o doutor angélico já intuía que embora possível, o caminho da razão apresentava suas dificuldades: “Tomás parece inclinado a admitir que a verdade poderia ser alcançada por um processo racional, se ao menos tal processo fosse racional o suficiente e também longo o suficiente” [3]. Sejamos honestos! Quantos homens na história da humanidade podem ser tomados como “suficientemente racionais”? Quantos dispõem de um tempo longo o suficiente para compreender a verdade absoluta? Somos forçados a admitir que embora possível, o homem comum dificilmente terá as ferramentas mentais e o tempo suficiente para chegar até Deus pelo caminho da razão.

Não pretendo com isso menosprezar a razão. O melhor é que a razão caminhe sempre ao lado da fé. Mas precisamos ter a humildade de reconhecer que alguns mistérios são grandes demais para compreendermos sozinhos na nossa curta existência na terra. Justamente por isso, Deus se revelou, veio ao nosso encontro!

Cada ser humano precisa olhar para o seu interior e perceber que ali reside um desejo que se parece muito com o altar que os atenienses possuíam em honra “Ao Deus desconhecido”. Ao se deparar com esse altar, São Paulo exclamou: “Pois bem! O que venerais sem conhecer é o que eu vos anuncio” [4]. O anseio que existe no nosso coração nunca será saciado no mundo. Trata-se de algo mais profundo. É o desejo por uma realidade que, infelizmente, muitas pessoas não sabem identificar. E assim como São Paulo anunciou aos atenienses o que eles veneravam sem conhecer, a Igreja vem nos anunciar o que desejamos de fato: o Cristo! Não percamos mais tempo. Rendamo-nos a Ele. Como disse o Bem Aventurado João Paulo II: “Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade”.

Que a Santíssima Virgem nos auxilie nessa busca pela verdade. Até a próxima!

 

 

[1] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio, n. 24.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 36.

[3] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 25.

[4] At 17, 22-23.

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