Saudações, amigos do CommunioSCJ!

Que bom nos encontramos novamente para partilhar a nossa fé.

Com toda a Igreja, estamos vivendo o início do Ano da Fé. Do mesmo modo, nosso caminho pelas páginas do Catecismo da Igreja Católica está apenas no começo. Na semana passada, iniciávamos nosso percurso refletindo que “O homem é capaz de Deus” [1]. Nesta semana, queremos dar um segundo passo para percebermos que “Deus vem ao encontro do ser humano” [2].

Ao se deparar com essa sequência, alguém poderia indagar o porquê da necessidade de Deus vir ao nosso encontro, uma vez que somos capazes de chegar à conclusão de que Ele existe. Tal questionamento, entretanto, serviria somente para comprovar sua ingenuidade. Como cogitar a ideia de que o homem se encontre com Deus, se no instante em que ele vislumbra algum traço de Seu amor no mundo, ele O abandona e passa a adorar as criaturas? Precisamos entender que entre a capacidade de encontrá-Lo e o encontro de fato, interpõe-se uma nova e maléfica realidade: o pecado. Com ele a visão original do homem foi distorcida de tal forma, que dificilmente será capaz de reconhecer o Belo apenas pela contemplação das belezas terrenas. É assim que, para tirar a humanidade de sua cegueira, o Senhor achou por bem se revelar.

A revelação de Deus mostra de maneira muito concreta o amor que Ele tem pelo ser humano. Nossa falta de amor para com Ele não apagou o seu amor infinito. E mesmo diante da realidade do pecado, o Senhor quis vir ao encontro da humanidade. Assim, Ele foi se dando a conhecer: elegeu Abraão, formou um povo e na, plenitude dos tempos, enviou seu Filho ao mundo. E “Cristo, o Filho de Deus feito homem é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai” [3]. À luz desse envio, o próprio pecado original acaba por se transformar em motivo de alegria. É o que Igreja canta no Exultet: “Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor”.

Demo-nos conta dessa boa notícia! Deus veio ao encontro do homem de maneira plena na Pessoa do Filho, nosso Senhor Jesus Cristo: “[…] o Eterno entra no tempo, o Tudo esconde-se no fragmento, Deus assume o rosto do homem” [4]. Se por causa do pecado, o homem estava a perder-se nesse mundo passageiro, Deus entrou na história pra abrir-lhe os olhos e tirá-lo da escuridão. Jesus Cristo é a Porta que nos conduz ao Pai.

Mas a revelação de Deus na pessoa de Jesus, essa grandiosíssima manifestação de amor, deve levar-nos a uma resposta. “Ao revelar-se, Deus quer tornar os homens capazes de responder-lhe, de conhecê-lo e de amá-lo bem além do que seriam capazes por si mesmos” [5]. Uma vez que o Senhor veio ao nosso encontro, precisamos responder com um amor novo e puro. Furtar-nos a essa resposta, é menosprezar a busca de Deus por nós.

A necessidade de responder a revelação de Deus nos é manifesta pelo próprio Jesus quando se dirige aos apóstolos perguntando: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,29). Ainda sem encontrar as melhores palavras para se expressar, Pedro se serve das que estavam presentes no Antigo Testamento para responder: “Tu és o Messias, o Cristo” (Mc 8,30). Depois da ressureição, Tomé encontrará palavras mais acertadas: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Da mesma forma, Jesus se dirige a cada um de nós com as mesmas palavras, e também nós devemos professar que Jesus é Deus que vem ao nosso encontro. Mas esta profissão de fé deve ser mais do que uma mera constatação. Deve ser uma abertura ao senhorio de Deus em nossas vidas. É bem verdade que o nosso pecado impede que esse senhorio seja pleno. Mas por isso mesmo, Jesus vem ao nosso encontro! Unidos a Ele, no seu Corpo Místico que é a Igreja, podemos participar de sua filiação divina e nos encontrarmos com o Pai. Para isso fomos criados!

Que a Santíssima Virgem Maria nos auxilie a fazer de nossas vidas respostas a esse Deus de amor que vem ao nosso encontro.

Até uma próxima oportunidade.

 

 

[1] Título do capítulo I da primeira seção do Catecismo.

[2] Título do capítulo II da primeira seção do Catecismo.

[3] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 65.

[4] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio, n. 12.

[5] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 52.

[6] Mc 8, 29.